Remake dos anos 1970, ‘Raízes’ narra saga de família de escravos nos EUA

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O showbiz americano, mais por tino comercial do que por um recém-contraído ardor cívico de patrocinar um exame de consciência nacional, tem aberto espaço inédito para obras que tratam do período da escravidão no país e de suas repercussões até a nossa época.
Filmes (“Histórias Cruzadas”, “Django Livre”, “12 Anos de Escravidão”, “O Nascimento de Uma Nação”), discos (como os de Beyoncé e de sua irmã menos famosa, Solange Knowles) e séries de TV (“Underground”) exploraram o filão, agora engrossado pela minissérie “Raízes”, remake de uma produção homônima exibida no fim dos anos 1970.

Contada em quatro episódios, mostra a saga multigeracional de uma família de escravos, desde a captura do jovem Kunta Kinte na Gâmbia e de seu envio para uma América colonial, em 1750, até a abolição do trabalho forçado nos EUA, em 1865, que beneficia o neto e o bisneto daquele. Tortura, mutilação, estupro e fugas ritmam a intriga das gerações intermediárias.
A trama toma como base o romance de mesmo nome, vencedor do Pulitzer em 1977 e assinado por Alex Haley (que se dizia descendente direto de Kinte e é encarnado no programa por Laurence Fishburne, em breve aparição). A versão de agora incorpora descobertas feitas por historiadores nos últimos 40 anos e introduz personagens inexistentes no original.
Em evento de divulgação em abril passado, em Cannes (França), o elenco defendeu a atualidade do roteiro.
“É triste que contar essa história hoje ainda seja tão relevante. A escravidão tem outro nome. As corporações são as plantações [de fazendas escravocratas] modernas, com seus salários irrisórios e demissões gratuitas”, comparou Jonathan Rhys Meyers, que interpreta Tom Lea, agricultor branco que violenta a filha de Kinte, Kizzy, e aposta, numa rinha de galo, o filho que tem com ela.
“Não há dúvida sobre a pertinência do projeto. Temos de perder o medo da verdade. Outro dia, um filho de um amigo meu, negro, foi abordado na escola por um coleguinha assim: ‘Se o [Donald] Trump ganhar, você sabe que vai ter de voltar para a África, né?’. [A intolerância] é como um gene recessivo insidioso que volta a se manifestar sob a forma de um câncer”, completou Anika Noni Rose, que encarna Kizzy.
Forest Whitaker e Anna Paquin também atuam na minissérie.
NA TV
Raízes
QUANDO estreia nesta seg. (17), às 22h40; exibição de seg. a qui., no mesmo horário, no History

LUCAS NEVES
EDITOR-ADJUNTO DA “ILUSTRÍSSIMA”

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