Diabulimia: conheça o perigoso transtorno que tem atingido jovens diabéticas

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A diabulimia acomete jovens diagnosticadas com diabetes (Foto: Thinkstock)

“Me sinto realmente gorda. Quero perder peso. Acho que estou pesando uns 57 quilos.” A declaração marcou o início de um distúrbio que levou a adolescente britânica Lisa Dayao óbito em setembro de 2015, a diabulimia – transtorno alimentar que atinge jovens com diabetes tipo 1. Lisa foi diagnosticada aos 14 anos.

Segundo o endocrinologista Henrique de Lacerda Suplicy, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, trata-se de um termo que começa a ser reconhecido no meio médico. É um caso de bulimia, que acarreta episódios de vômito induzido após a ingestão de uma quantidade exagerada de alimento, mas com mais um agravante – o descontrole proposital do diabetes.

“Quando o diabetes está descompensado, a pessoa sente sede e fome intensa, urina com frequência e consequentemente perde peso. Isso acontece por conta do baixo nível de insulina no organismo, que é a substância responsável por processar a glicose”, explica o especialista. “O açúcar acaba então sendo eliminado pela urina, provocando um emagrecimento significativo e rápido. Diante dessa possibilidade, alguns diabéticos acabam não aplicando ou usando quantidades muito pequenas deinsulina. Mas existe risco nisso.”

O diabetes é uma doença traiçoeira que pode acarretar complicações de médio e longo prazo. Cegueira, insuficiência renal, dores nos membros inferiores e alterações de vasos sanguíneos são algumas das consequências.

“Não sei ao certo o que começou primeiro: a diabetes ou os problemas de alimentação”, disse Katie Edwards, irmã de Lisa, à BBC. “Mas sei que, antes de ser diabética, ela era completamente feliz. Comia o que queria e não tinha problema algum com comida. Quando a diagnosticaram, pediram que escrevesse um diário em que registrasse o que comia, bem como os níveis de açúcar em seu sangue”.

De acordo com o especialista, a necessidade de controle redobrado da alimentação acaba induzindo a ocorrência de diabulimia. “Essa atenção demasiada é uma coisa que um jovem normal não precisa ter. Por isso, esse distúrbio alimentar é comum nos que são diabéticos”, explica.

Por estar a cargo de seus próprios cuidados, Lisa conseguiu esconder da família o que sofria. Durante dez anos, a jovem viveu uma rotina de internações e complicações, como problemas estomacais e na circulação dos pés. “A diabulimia só veio à tona depois que ela morreu. É muito triste: se ela tivesse recebido ajuda dez anos atrás, ela poderia estar conosco, porque teria se cuidado melhor”, lamenta Kate. O ideal em casos como este é buscar ajuda com um endocrinologista e um psiquiatra. [Daniela Carasco]

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