Streetwear afiado domina último dia da Casa de Criadores

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Cem Freio (Foto: Arthur Vahia)

Oclima de festa tomava conta do Clube Atlético São Paulo na noite de sexta-feira (11.11). Também, pudera: tomado por talentos independentes da moda brasileira e uma turma animadíssima de fashionistas, no espaço encerrava-se a temporada de inverno 2017 de mais uma edição da Casa de Criadores.
A seguir, Vogue revela detalhes das coleções apresentadas pelas marcas  Hangar 33, Cem Freio, Tarcisio Brandão, Heloisa Faria, Fernando Cozendey e Ale Brito. [Larissa Gargaro]

TARCISIO BRANDÃO
Inspirado na dicotomia entre a identidade virtual versus real das pessoas, Tarcisio Brandão levou à passarela sua versão de um exército de nômades digitais, que vestiam verdadeiras armaduras que mesclavam o universo tech com peças de perfume utilitário – pense em macacões, saias-cinto, calças de shapes robóticos (mas não menos sexy).  Em uma cartela recheada de brancos, cremes, metálicos e preto, o estilista buscou contrastar a tecnologia com o seu tradicional trabalho artesanal. “De certa forma, quero falar para as pessoas serem mais off-line do que online”, explica. Vogue adora os ousados tops de metal dourado.

HANGAR 33
Comandada por Rafael Varandas, que também é diretor criativo da excelente Cotton Project, a Hangar 33 levou o universo street para os uniformes de aviação – como o laranja-sinalizador, que surge tanto na cartela de cores, quanto na estamparia digital (irresistível a jaqueta bomber com os dizeres I am here). “A roupa aeronáutica tem origem na roupa militar, então o design costuma ser totalmente utilitário”, explica o estilista, “e a nossa ideia foi reunir todas essas utilidades e transformá-las em uma estética que pode ser usada na rua”. Dever cumprido: em sua coleção de estreia na marca do Grupo Lunelli, Varandas conseguiu levar um refinamento cool para peças que, apesar de originalmente masculinas, prometem agradar o público feminino também. E boa notícia: a linha estará à venda em uma loja pop-up armada na Cotton Project, nos Jardins, entre fevereiro e março do ano que vem.

HELOISA FARIA
Fire walk with me: inspirada no universo onírico de David Lynch e nas paisagens áridas dos Estados Unidos – resultado de uma viagem feita de motorhome por lugares como o Death Valley e o Grand Canyon -, Heloisa Faria criou uma versão delicada e romântica do guarda-roupa essencial para uma mulher que vai desbravar o deserto. Além de explorar as sobreposições e o tricô, suas marcas registradas, nesta temporada a estilista volta a utilizar tecidos e aviamentos vintage em algumas de suas peças, como casacos pesados de patchwork e cintos com fivelas one of a kind. Para o inverno 2017, Heloisa também apresenta duas novidades: uma linha de bijoux criada com o Estúdio Iracema, e uma parceria com o e-commerce Passarela, que colocou à venda, imediatamente após o desfile, um modelo de sapato e dois de seus looks.

CEM FREIO
“Eu crio dinâmicas de vestuário, não simplesmente roupas”, conta Apolinário, o nome por trás da Cem Freio, uma das marcas estreantes nesta edição da Casa de Criadores. Indo além da tendência genderless – “não quero me limitar a isso, o que eu quero é fomentar a liberdade do corpo, de você poder ser o que você quiser”, diz -, o estilista oferece peças modulares em moletom, jeans (by Carmim) e malha que são verdadeiras “ferramentas” para que os fashionistas expressem suas vontades e suas verdades. Vestidos tomara-que-caia que podem virar saias, calças com cós duplo de tamanho universal, t-shirts e jaquetas bomber com bordados de dizeres como “vamoqvamo” e “passivo agressivo” têm a cara do streetwear atual: cool, destemido e extremamente desejável. Feitos a partir de cubos de acrílico e moedas de cruzeiro, os acessórios são assinados por Iury Trannin, e algumas roupas desfiladas na noite de sexta-feira (11) já podem ser encontradas no Freak Market, em São Paulo.

FERNANDO COZENDEY
Famoso pelo seu trabalho com a lycra, Fernando Cozendey vai além e traz, pela primeira vez, uma série de looks que usam jeans tanto na composição – como nas peças holográficas que usa o material como forro –, quanto como protagonista, oferecendo uma cartela de vibrante e festiva. Batizado de “Flor”, o inverno 2017 do estilista explora o desabrochar da auto-estima após um término de relacionamento: dividida em três partes, a coleção passa por momentos dark, com pegada rock’n’roll; por uma evolução sensível, representada pelas roseiras; e pela explosão de libertação e alegria, que surge nos looks vibrantes em pink, lilás e azul que ganham companhia de muitas margaridas. Jardineiras, jaquetas, calças, coletes e parkas statement com altas doses de glamour prometem fazer bonito nos closets deles e delas.

ALE BRITO
Conhecido pelo seu DNA esportivo-cool, Ale Brito se inspirou na vestimenta industrial para criar um inverno 2017 mais fechado e duro que o tradicional. Utilizando materiais como veludo cristal, verniz, vinil, jeans, couro e até mesmo pelo de ovelha, o estilista apresentou a sua versão dos trajes de trabalho das grandes fábricas, criando pantalonas, jaquetas, regatas e peças de alfaiataria que poderiam muito bem ser o uniforme de algum grupo de rap do leste europeu. Destaque também para os acessórios: para complementar os looks, correntes, cadeados e até chaveiros ganharam novas funções ao serem usados como brincos, cintos e pulseiras.

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