Fortes Vilaça inaugura espaço no Rio de Janeiro

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A partir da esquerda, os sócios Márcia Fortes, Alessandra d’Aloia e Alexandre Gabriel pela lente de Eduardo Ortega. Ao fundo, obra de Luiz Zerbini (Foto: Divulgação)

Em 2008, Márcia Fortes, Alessandra d’Aloia e Alexandre Gabriel transformaram a sede da Galeria Fortes Vilaça, na Vila Madalena, em São Paulo, em uma enorme cabeça quadrada amarela.

No interior dela, estavam as lúdicas e expressivas obras da dupla Osgemeos – pela primeira vez, o grafite entraria em uma galeria de prestígio brasileira, ganhando finalmente o título de obra de arte. Ao longo de 16 anos, o trio ajudou a consolidar a carreira de alguns dos mais importantes artistas do País – uma lista que inclui, além de Osgemeos, Beatriz Milhazes e Adriana Varejão.

Obra do americano DaveMuller, umdos destaques na mostra inaugural do espaço do Rio (Foto: Divulgação)Obra do americano Dave Muller, umdos destaques na mostra inaugural do espaço do Rio (Foto: Divulgação)

Neste sábado (19.11), eles voltam a sacudir o mercado com uma nova empreitada: a Carpintaria, espaço que será inaugurado no Jockey Club do Rio, que promete movimentar o universo das artes com um diálogo afinado com outras áreas criativas.
Diferentemente do que se especulava no mercado, o local não será um novo endereço da Fortes Vilaça, mas sim um espaço independente, com a missão de promover experiências multidisciplinares.
“Na Galeria e no Galpão, em São Paulo, temos uma programação muito mais hermética”, explica Alessandra d’Aloia. “Na Carpintaria não haverá essa rigidez. Os artistas exibidos por lá não serão necessariamente representados por nós. E haverá interação com a pintura, a música, a poesia e o teatro, algo muito mais livre e experimental.”

A mostra inaugural sintetiza bem a nova proposta. Chamada Uma Canção para o Rio, abrigará obras de 18 artistas, entre eles os consagrados americanos Doug Aitken e Bruce Conner e os brasileiros Rivane Neuenschwander, Ernesto Neto e Jac Leirner, em um prazeroso diálogo entre música e arte.
Haverá esculturas, fotografias, desenhos e filmes traçando uma ligação entre nossa memória afetiva e certas canções. “A mostra é, acima de tudo, uma homenagem ao Rio”, resume Márcia Fortes. “É um projeto que me traz uma grande alegria pessoal, porque sou carioca.”

Mundo afora: Em outubro, a dupla OSGEMEOS encerrou mais uma bem-sucedida exposição em Nova York, na renomada galeria Lehmann Maupin, que contou até com a presença do músico Pharrell Williams. (Foto: Divulgação)

Márcia foi a primeira dos três a integrar o time da galeria, então sob a alcunha de Camargo Vilaça. Em 1992, ela virou “olheira” em Nova York – onde morou por 11 anos, atuando como jornalista – do então recém-inaugurado espaço de Marcantônio Vilaça, em São Paulo.

Apaixonado por artes plásticas desde a infância, o colecionador pernambucano comprou sua primeira obra ainda na adolescência – uma xilogravura do mestre Gilvan Samico. Formado em direito em 1980, ele foi trabalhar em uma das empresas da família, mas sua paixão pela arte logo se sobrepôs aos negócios, fazendo-o largar tudo para fundar, em 1990, a galeria Pasárgada, em Recife.

O espaço reunia, fora do eixo Rio-São Paulo, os bem-sucedidos nomes da geração 80. Dois anos depois, decidiu vir para São Paulo, inaugurando a Camargo Vilaça.

Mundo afora: A artista multimídia JAC LEIRNER embarca este mês para Xangai para a abertura de sua mostra no Museum of Contemporary Art. Nela, a paulistana apresenta trabalhos recentes, como Sheep (2013) (Foto: Divulgação)Mundo afora: A artista multimídia JAC LEIRNER embarca este mês para Xangai para a abertura de sua mostra no Museum of Contemporary Art. Nela, a paulistana apresenta trabalhos recentes, como Sheep (2013) (Foto: Divulgação)

Com a morte precoce de Marcantônio, vítima de um ataque cardíaco aos 37 anos, Márcia, que já assinava curadorias para a galeria, assumiu o espaço ao lado de Alessandra, na época casada com o irmão do fundador. Assim nasceu a Fortes Vilaça em 2001, ano em que o também carioca Alexandre Gabriel passou a fazer parte da equipe, responsável pela área de comunicação.

Mundo afora: Marca registrada do trabalho de ADRIANA VAREJÃO desde que ingressou nas artes, em 1988, os azulejos são novamente os protagonistas de sua mais recente exposição, em Roma. Chamada Azulejão, a mostra, na galeria Gagosian, segue em cartaz até 1o de dezembro. (Foto: Divulgação)Mundo afora: Marca registrada do trabalho de ADRIANA VAREJÃO desde que ingressou nas artes, em 1988, os azulejos são novamente os protagonistas de sua mais recente exposição, em Roma. Chamada Azulejão, a mostra, na galeria Gagosian, segue em cartaz até 1o de dezembro. (Foto: Divulgação)

Este mês, a galeria de São Paulo deixa para trás o nome Fortes Vilaça para chamar-se Fortes d’Aloia e Gabriel, agora tendo Alexandre como sócio. O título muda, mas a fórmula de sucesso continua a mesma. “A galeria sempre foi nosso projeto de vida. O novo nome e a inauguração da Carpintaria só refletem a continuação desse plano”, diz Alexandre.

Hoje, no entanto, o trabalho dos sócios vai além do eixo Rio-São Paulo. Fora as dez feiras que participam pelo mundo, o trio ainda acompanha e promove muitos de seus artistas em mostras internacionais, como é o caso de Adriana Varejão, que atualmente expõe suas obras na Gagosian de Roma, e de Jac Leirner, com trabalho em cartaz no MoCA de Xangai. “Nossa ideia é celebrar a arte brasileira e levá-la cada vez mais longe”, conclui Alexandre.

Carpintaria: Rua Jardim Botânico, 971, Rio (Jockey Club). De 20 de novembro a 28 de janeiro.

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