Chanel Iman – Emirates Woman Janeiro 2017

emirates-woman-january-2017-chanel-iman-by-louis-christopher-00Fotografia: Louis Christopher
Model: Chanel Iman
Styling: Carmel Gill & Jade Chilion
Hair: Manuel Losada Gomez
Make-up: Sarah Damichi

 

Disney nega intenção de digitalizar imagem de Carrie Fisher para Star Wars

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A Walt Disney Company negou a intenção de comprar os direitos de imagem digital da atriz Carrie Fisher, que morreu em dezembro, de modo a utilizar novamente a personagem Princesa Leia nos próximos filmes da saga “Star Wars”, informou nesta sexta-feira (13) o jornal britânico The Guardian.

A atriz, que chegou a finalizar as gravações como Leia para o próximo filme da franquia, “Star Wars: Episódio 8”, com estreia prevista para dezembro, também deveria ter uma presença de destaque no “Episódio 9”, agendado para 2019.

ctv-nor-a-man-andFoto: REUTERS/Clodagh Kilcoyne
Na Irlanda do Norte, Homem passa por mural em homenagem a Princessa Leia de Star Wars, interpretada por Carrie Fisher


Segundo o Guardian, que cita fontes da indústria cinematográfica, a Disney nega que esteja negociando com os donos dos direitos de imagem de Fisher para continuar a incluí-la na saga.

O programa “Newsnight”, da emissora “BBC”, havia divulgado nesta semana que, “com uma aparente pressa inoportuna”, os estúdios Disney teriam aberto negociações com os “gestores da herança” da atriz para estudar sua “contínua aparição na saga”.

A imagem digitalizada de Carrie Fisher com a aparência da Princesa Leia do filme original de 1977 já foi utilizada na cena final de “Rogue One”, o primeiro spin-off baseado em “Star Wars”, que estreou em dezembro de 2016.ctv-yw1-debbie-reynolds-carrie

Foto: Vince Bucci/Invision/AP
A atriz Carrie Fisher com a atriz e mãe Debbie Reynolds, que faleceu um dia após a morte da filha


Carrie Fisher morreu no dia 27 de dezembro, aos 60 anos, em Los Angeles, após sofrer um ataque cardíaco.

Apesar de tudo, o Guardian assegura que “informações indicam que existem negociações entre os produtores dos episódios 8 e 9, já que era previsto que Leia tivesse papéis significativos em ambos os filmes”.

Além dos desafios técnicos, “surgiram também questões de consideração ética” por causa da aparição digital do ator Peter Cushing em “Rogue One”, 22 anos após sua morte, para a qual a Disney teve que conseguir a permissão da família.

“O fato de a ‘BBC’ ter usado a frase ‘contínua aparição’ sugere que os cineastas estavam considerando usar a imagem digital de Fisher em futuros filmes, mas também há outros usos auxiliares, como nos videogames”, acrescentou o Guardian.


EFE ,
O Estado de S. Paulo

Lameka Fox I Harper’s Bazaar Cazaquistão Fevereiro 2017

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Model(s): LAMEKA FOX
Fotografia: Manolo Campion
Stylist: Anna Katsanis

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Há 40 anos, David Bowie mudava o pop de vez com o impressionante Low

homepage_large.2a09604e.jpgÀ beira de um colapso mental, David Bowie fugiu de Los Angeles para Berlim, no final de 1976, para escapar de uma possível tragédia. O inglês vivia seus dias mais intensos e pesados, atraindo para perto de si todo tipo de má referência e carga negativa enquanto encarnava mais um personagem inventado artisticamente: o Thin White Duke era uma espécie de versão má do próprio David Bowie e ao mesmo tempo em que se entupia de cocaína e estudava o satanista Aleister Crowley, aplaudia o fascismo, chamava Hitler de “o primeiro rockstar” e aprofundava-se nas ciências ocultas. O resultado daquele período, o disco Station to Station, é uma das obras-primas do artista, que ele não alegava não ter nenhuma recordação do período de sua gravação ao mesmo tempo em que declarava ser sua obra com mais referências ao ocultismo, conexão que ele lamentava ter sido solenemente ignorada pela crítica.

Era um artista no auge. Depois de anos tentando entrar no panteão do rock clássico vestindo diferentes personas, ele finalmente tornou-se um ícone pop ao inventar a história do alienígena Ziggy Stardust, que vem para o planeta Terra e torna-se um popstar. O personagem criado em 1972 dera ao artista inglês as possibilidades de explorar os limites da música, como a geração da qual era caçula, compondo, tocando, cantando e produzindo as próprias músicas. Mas, além disso, lhe conseguira permissão para reinventar-se quando queria, elevando as transformações de personalidade que a geração do rock dos anos 60 atravessou em declarações estéticas. Cada disco era uma nova chance de começar tudo de novo e reunir novas referências, novas inspirações, novos padrões artísticos. Seus inúmeros interesses pessoais eram a desculpa perfeita para criar uma múltipla personalidade em público, encarnando, como um ator pós-moderno, as tendências que pairavam sobre o inconsciente coletivo.

E foi o instinto artístico de Bowie que o salvou de se tornar Elvis de si mesmo nos proverbiais cinco anos da faixa que abria o disco Ziggy Stardust. Em vez disso, mudou-se de Los Angeles para Berlim com Iggy Pop a tiracolo, querendo mudar radicalmente a paisagem. E apesar dos inúmeros excessos que a dupla inevitavelmente causaria na cidade alemã, à época ainda dividida pelo muro construído após a Segunda Guerra Mundial, ninguém ligava. O que causava ultraje e gerava manchetes na capital do showbusiness norte-americano era visto de forma trivial pelos habitantes da cidade alemã. Era só um roqueiro inglês e seu amigo americano fazendo besteiras. Tanto faz.

Iggy Pop e David BowieIggy Pop e David Bowie


Essa reação quase esnobe foi um choque para David Bowie. Em Berlim ninguém se interessava por ele, sua fama era artificial, um sucesso de plástico criado e alimentado pela indústria de entretenimento visto como um teatro vazio que não impressionava uma cidade escorraçada por duas guerras mundiais. Aquilo fez que Bowie começasse a repensar quem ele realmente era, por baixo de tantas máscaras. O fato de Berlim ser uma cidade intocada pela cocaína obrigou o artista a parar de cheirar e a droga preferencial da cidade, heroína, não batia com a cabeça do inglês. Foi o início de um processo de introspecção e amadurecimento que ficou conhecido anos depois como “a trilogia Berlim”, formada pelo conjunto de três discos inspirados pela cidade e o primeiro deles foi lançado há exatos 40 anos. Low, que chegou às lojas menos de uma semana após o aniversário de 30 anos de seu autor, mudou o pop definitivamente, embora esta mudança não tenha sido assimilada de uma vez só.

Gravado em sua maioria no Castelo de Hérouville, na França (onde Bowie havia gravado, em julho de 1973, o disco de versões Pin Ups e produzido o primeiro disco solo de Iggy Pop, The Idiot), e parte no Hansa Studio em Berlim, Low é um disco cujas raízes já podem ser encontradas em Station to Station. O disco do ano anterior funciona como um preâmbulo à trilogia Berlim e a paixão de Bowie pela sonoridade alemã daquele período – de grupos de rock progressivo tortos como Neu!, Can, Tangerine Dream e o essencialmente eletrônico Kraftwerk – já podia ser ouvida nas composições da fase Thin White Duke. É aquele tipo de som – sintético, metronômico, intenso e absorto que os alemães chamavam de Kosmiche Musik e os ingleses de krautrock – que faz Bowie escolher Berlim como sua visão de futuro – ou pelo menos de seu próprio futuro.

Brian Eno e David BowieBrian Eno e David Bowie


Mas Bowie foi pego de surpresa ao descobrir uma cidade e um elemento estético que não queriam ser emulados. Para isso, chamou dois velhos amigos para encarar esta nova jornada: Brian Eno, ex-tecladista do Roxy Music que estava começando a compor seus primeiros discos solo criando um gênero chamado ambient music (compondo obras para funcionarem como trilhas sonoras para aeroportos e supermercados), e Tony Visconti, produtor com quem Bowie já vinha trabalhando desde o final dos anos 60 (e que produziria seu derradeiro disco, ★).

Apesar dos dois terem créditos de produção, o papel de ambos foi bem diferente durante as gravações. Eno trabalhou mais como um diretor artístico do disco, conduzindo David Bowie para uma sonoridade que transcendia as amarras do rock – e até mesmo da canção. Personificada principalmente no lado B do disco, a presença de Brian Eno aludia justamente às condições frias e sem rodeios da personalidade alemã, mas sem ritmo, sem letra, sem refrão. O experimento que os Beatles fizeram no final de seu álbum branco, quando John Lennon, George Harrison e Yoko Ono superpuseram vários pedaços de fita emulando uma colagem de vanguarda musical chamada “Revolution 9″, atingia um novo patamar no segundo lado de Low. As faixas “Warszawa” (a faixa mais embleática do disco, composta por Eno e com vocais sem letra improvisados por Bowie), “Art Decade”, “Weeping Wall” e “Subterraneans” pareciam vir de um outro planeta, uma outra dimensão, desenhando um horizonte improvável para o futuro da música pop.

David Bowie, em 1977David Bowie, em 1977


O lado A voltava-se para o soul plástico do Thin White Duke do ano anterior, mas a presença pesada da erma paisagem criada por Bowie e Eno no lado B pairava sobre os momentos mais tradicionais do disco, como as faixas “Breaking Glass”, “What in the World” – com vocais de Iggy Pop -, “Always Crashing in the Same Car” e “Be My Wife”, além de, claro, o hit “Sound and Vision”. O lado era cercado por duas instrumentais que não deixavam dúvida sobre o rumo do disco: as deliciosamente repetitivas “Speed of Life” e “A New Career in a New Town”, que respectivamente abrem e fecham o primeiro lado de Low são as tentativas mais próximas da banda de Bowie – formada à época pelos guitarristas Carlos Alomar e Rick Gardiner, o baixista George Murray, o tecladista Roy Young e o baterista Dennis Davis, além do próprio Bowie (que tocava de saxofone e xilofone a “violoncelos de fita”) e de Brian Eno (tocando diferentes tipos de sintetizadores) – de soar como as bandas alemãs. Acrescente isso a produção de fato de Tony Visconti, que, auxiliado por um aparelho chamado Eventide Harmonizer (que repetia partes recém-gravadas, como um pré-sampler, criando um eco alienígena por todo o disco), criava naquele e nos dois discos seguintes da trilogia (“Heroes” lançado ainda em 1977 e Lodger, de 1979) toda uma sonoridade que ficaria reconhecida na década seguinte como pós-punk. Os timbres de bateria cheios de eco e peso às guitarras cruas e reluzentes ao baixo quase sempre pronunciado depois encontrariam discípulos em bandas tão diferentes e contemporâneas como Cure, R.E.M., Joy Division, Sonic Youth, Echo & the Bunnymen, Talking Heads e Smiths.

À capa, Bowie, de perfil, aparecia em uma imagem tirada do filme de Nicolas Roeg  ‘O Homem que Caiu na Terra‘, estrelado por ele no ano anterior, repetindo a mesma fórmula de Station to Station. Mas ao chamar o disco de Low e colocar-se de perfil logo abaixo do título, Bowie criava um trocadilho visual para explicar que naquele disco ele preferia a estética minimalista, em busca de sua essência como cantor e compositor ao mesmo tempo em que ampliava os próprios limites estéticos – e, simultaneamente, os da cultura pop. Seu lado B revela-se a cada ano mais eterno e profético, mostrando que até a sonoridade de vanguarda pode ser pop – e não necessariamente agressiva. Um disco que não só salvou David Bowie de uma possível tragédia pessoal como reinventou sua carreira – e, mais uma vez, ampliou os horizontes do pop. [Alexandre Matias]

Gwyneth Paltrow vende ovos de cristais que prometem melhorar vida sexual

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Gwyneth Paltrow quer melhorar a vida sexual das mulheres. Como? Vendendo em seu site de lifestyle, o Goop, ovos de cristais que prometem “aumentar os orgasmos e o tônus muscular vaginal e balancear os hormônios”.

As pedras tem cerca de 4cm e são vendidas por aproximadamenre R$ 210. Na descrição do produto, não fica claro se a própria atriz testou a novidade.

“Shiva Rose (uma blogueira de saúde seguida por Paltrow) tem usado por sete anos e é só elogios a eles. Nós testamos também, ficamos convencidos e por isso colocamos à venda”, diz o site, que também explica que essa é uma tradição milenar da realeza chinesa. “Rainhas e concubinas usavam para estar em forma para os imperadores.”

O Goop e seus produtos têm sido tão importantes para Gwyneth Paltrow que ela deu um tempo no trabalho como atriz para poder se dedicar mais aos negócios.
“Vou voltar a atuar, mas provavelmente não agora”, disse ela ao programa de TV “Today Show”. [O Globo]vagina-eggsOs ovos vendidos no Goop – Divulgação

Ysaunny Brito Elle Alemanha Fevereiro 2017 By Mikael Schulz

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She’s The Boss
Elle Alemanha Fevereiro 2017
www.elle.de
 Photography: Mikael Schulz
 Model: Ysaunny Brito
 Styling: Astrid Doil
 Hair: Kenna
 Make-Up: Christopher Ardoff
 Manicure: Yukie Miyakawa

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Decoração de casamento: Aposte no Greenery, eleita a cor de 2017

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A Pantone, conhecida mundialmente pela seleção das cores tendências do ano desde 2000, revelou a cor eleita para 2017. Seguindo as expectativas, o instituto elegeu um tom de verde: Greenery. Uma tonalidade de verde levemente amarelado, o Greenery evoca os primeiros dias da primavera, quando a natureza se renova. Por isso, ele traz o simbolismo de recomeço e de otimismo.

Enquanto as cores de 2016, Rose Quartz e Azul Serenity representavam a busca por paz em um mundo caótico, em 2017 o Greenery expressa esperança. Leatrice Eiseman, diretora executiva do Pantone Color Institute afirmou que “a cor simboliza a reconexão que buscamos com a natureza, com as outras pessoas e com um propósito maior”.

Uma nuance refrescante e revitalizante, o Greenery permite a composição de decorações extravagantes, com arranjos volumosos e exuberantes. Uma das tendências que prometem despontar em harmonia com o Greendery é o uso de arranjos contínuos na mesa dos convidados. Eles combinam bem com ambientes de pé direito baixo ou eventos ao ar livre.

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Para cerimônias com proposta mais rústica, a ideia é explorar a harmonia da cor com elementos naturais, como madeira, pedra, vime e areia.

A paleta de cores da identidade visual da festa pode contar com uma cor secundária, como dourado, bronze ou prata envelhecida. Usadas nos detalhes, elas dão o toque de sofisticação à decoração. [Ana Carolina Castro]

Vai ser difícil escapar do rosa + vermelho em 2017

Apesar de não ser uma combinação muito comum, parece que não há como fugir do rosa + vermelho em 2017. Nas passarelas de verão 2017, o combo surgiu em desfiles importantes e, não à toa, continuou a aparecer nas coleções de pre-fall que estão sendo divulgadas agora. Além disso, no lado de fora dos eventos de moda, a rua também não deixou a tendência de lado, e até no red carpet a tendência mostrou sua força.

Aqui, separamos algumas produções que vão te ajudar a adaptar a paleta para o seu guarda-roupa. [Lucas Guarnieri]34-stella-mccartney-pre-fall-17.jpgNo pre-fall de Stella McCartney, quem não tem medo do color-blocking encontra boas opções de calças, casacos e até vestidos de paetê ou paletós com franjas. Tudo em magenta e escarlate para não passar desapercebida. (Stella McCartney/Divulgação)val_ss17_014.jpgNo primeiro desfile de Pierpaolo Piccioli sozinho para a Valentino, o combo de cores apareceu de várias maneiras e foi uma das grandes apostas do designer para a temporada. Aqui, o jogo de opostos sai na frente: um tom bem escuro e outro superclaro. (FOTOSITE/Agência Fotosite)street_paris_28set16_084.jpgNo street style, era comum ver fashionistas apostando em peças com os dois tons. A paleta do vestido da foto é uma maneira mais original de adaptar a trend. O vermelho mais alaranjado e o rosa que puxa para o fúcsia dão um efeito cool à produção. (FOTOSITE/Agência Fotosite)ppss17_pa_day2_02752.jpgQuem diria que este pantone também funcionaria no sportswear? Use complementos básicos para deixar o foco concentrado no clash de cores. (FOTOSITE/Agência Fotosite)giv_ss17_049.jpgNa Givenchy, a cartela ganha uma versão mais escura e refinadíssima. Para modernizar, invista em modelagens coladas no corpo e sobreposições inusitadas. (FOTOSITE/Agência Fotosite)

Maquiados, rapazes desafiam convenções de gênero no Japão

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Toman Sasaki faz parte do grupo “danshi sem gênero”  Foto: Ko Sasaki for The New York Times


Tóquio – Com a precisão de um artesão pintando uma boneca de louça, Toman Sasaki passa base em seu rosto de traços finos, aplica blush na lateral do nariz e dá ao lábio com um pequeno pincel. Após 40 minutos se emperiquitando em sua minúscula quitinete no bairro Hatsudai de Tóquio, ele se olha em um espelho de mão e gosta do que vê.

Em conjunto com as unhas feitas, cabelo estilo ‘bob’ e sapato de salto alto, a maquiagem fez Sasaki, 23 anos, parecer mais feminino do que masculino, uma escolha notável em uma sociedade onde homens e mulheres costumam seguir estritamente os códigos convencionais para ambos os sexos.

Sasaki, modelo e membro de uma banda pop que atende simplesmente por Toman, considera seu visual tanto feminino quanto sem gênero. Como membro do pequeno, mas crescente grupo de “danshi sem gênero” (“danshi” significa rapaz em japonês), ele está desenvolvendo uma identidade pública e carreira a partir de um novo estilo andrógino.

“No fundo, sou homem”, diz o pequeno Sasaki, cujo vestuário com regatas agarradas, jaquetas e jeans colado no corpo lembra a moda de uma garota pré-adolescente. Para ele, o conceito de gênero “não é realmente necessário”.

“As pessoas deveriam poder escolher o estilo que lhes cai melhor. Não é obrigatório os homens usarem uma coisa, e as mulheres outra. Não acho isso interessante. Nós todos somos seres humanos”, afirma Sasaki, que tem um grande número de seguidores como Toman nas redes sociais e costuma aparecer em programas de rádio e televisão.

Da mesma forma que alguns homens norte-americanos adotaram a maquiagem, rapazes japoneses estão adaptando as normas de gênero da moda, pintando os cabelos, usando lentes de contato coloridas e passando batom de cores brilhantes.

Homens como Ryuji Higa, mais conhecido como Ryucheru, que tem como característica os cabelos louros cacheados presos por uma headband e Genki Tanaka, o Genking, com longos cabelos platinados e que costuma aparecer de minissaia, deram um salto do estrelato das redes sociais para a televisão.

“A questão é confundir as fronteiras que definiam a masculinidade e a feminilidade como rosa e azul. Eles querem ampliar o alcance do que alguém com anatomia masculina pode vestir”, declara Jennifer Robertson, professora de Antropologia da Universidade do Michigan que pesquisa e escreve extensivamente sobre o gênero no Japão.

A cultura japonesa tem uma antiga tradição formal de travestismo no teatro, com as formas clássicas de teatro kabuki e nô, em que os homens podem se vestir como homens ou mulheres, e o takarazuka, onde elas interpretam ambos os gêneros.

O visual sem gênero para homens vem sendo popularizado no ‘anime’, estilo de desenho animado japonês, e por membros de bandas masculinas populares.

O termo ‘danshi sem gênero’ foi criado pelo empresário Takashi Marumoto, que ajudou a desenvolver a carreira de Toman. Marumoto recruta homens andróginos para desfiles de moda e os contrata como modelos, explorando seus seguidores nas redes sociais.

Ao contrário do Ocidente, onde a inversão de papéis costuma estar associada à sexualidade, no Japão ela quase só tem a ver com a moda.

“Acho que os japoneses reagem a esses homens que parecem bem femininos de forma diferente de como reagem as pessoas nas sociedades da Europa e dos EUA. No Japão, o visual da pessoa e sua identidade sexual podem ser separadas de certa forma”, afirma Masafumi Monden, que pesquisa moda e cultura japonesas na Universidade de Tecnologia de Sydney e na Universidade de Tóquio.

Toman Sasaki conta que quando começou a se vestir no estilo de moda do ‘danshi sem gênero’, as pessoas costumavam perguntar se ele era gay, mas ele é heterossexual e usa a maquiagem para esconder os defeitos. “Existem muitas coisas com as quais me sinto inseguro. Não gosto da minha aparência, mas acho que quem eu sou muda quando uso maquiagem.”

Vários homens que se consideram ‘danshi sem gênero’ disseram em entrevista que não enxergam conexão entre sua aparência e sua identidade sexual – ou nem em suas visões sobre os papéis tradicionais dos gêneros.

“A única coisa é que você passa maquiagem e se veste como quer”, diz Takuya Kitajima, 18 anos. Kitajima, que usa o nome Takubo, acredita que homens e mulheres são fundamentalmente diferentes, apesar de qualquer indistinção de estilos. “Acho que os homens deveriam proteger as mulheres, esse princípio não vai mudar. Nós somos mais fortes do que elas, e um homem deve trabalhar porque as mulheres são mais fracas.”

Já Yasu Suzuki, 22, que organiza eventos para outros ‘danshi sem gênero’ se encontrarem com os fãs da internet, diz que as explorações na moda ampliaram suas visões sobre sexualidade. Foi na adolescência, quando começou a usar maquiagem, que passou a atrair a atenção de outros homens.

“Eu achava que ia vomitar quando um homem disse que me amava”, conta Suzuki, que usa as calças ‘baggy’, populares entre as mulheres japonesas, e arranca os pelos faciais porque não pode bancar uma depilação a laser, tratamento popular entre os ‘danshi sem gênero’.

“Mas agora que comecei a vestir essa moda unissex, acho que meu preconceito acabou. Antes, eu não gostava de rapazes homossexuais, mas comecei a aceitá-los. Pessoas bonitas são apenas bonitas”, conta.

No Japão, onde uma caminhada em uma estação de trem durante a hora do rush destaca a conformidade da maioria dos homens com seus ternos escuros, os moços desiludidos pela estagnação corporativa podem estar utilizando a moda para desafiar a ordem social.

“Na minha geração, os homens tinham inveja de outros homens que podiam trabalhar e fazer o que bem quisessem”, diz Junko Mitsuhashi, 61 anos, professora de estudos de gênero na Universidade Chuo e mulher transgênero. “Já na geração mais jovem, os homens têm inveja das mulheres porque elas podem se expressar por meio da moda.”

Ainda segundo ela, “os homens acham que não têm uma esfera na qual possam se exprimir, e invejam as garotas, porque elas podem se expressar por meio da aparência”.

Garotas jovens são as fãs mais ardorosas dos ‘danshi sem gênero’, compondo o grosso de seus seguidores na mídia social e comparecendo aos eventos.

Em uma noite de outono quando Toman se apresentou com sua banda XOX (beijo, abraço, beijo), em uma loja de roupas descolada em Harajuku, o centro da moda jovem de Tóquio, o público era composto quase que inteiramente por garotas adolescentes e algumas mulheres de 20 e poucos anos.

Toman, vestindo cetim rosa e jaqueta de oncinha, jeans preto rasgado e tênis Converse preto e branco surrado, usava lentes de contato cinza que deixavam seus olhos enormes sob os cílios postiços com pontas roxas. Quando a banda subiu ao palco improvisado para tocar algumas canções – todas apresentadas com alguma desafinação –, a plateia gritava e acenava com cartazes. Algumas garotas choravam.

Nagisa Fujiwara, 16 anos, do segundo ano do ensino médio de Tóquio, era uma das 200 meninas que fizeram fila depois do breve show para tirar fotografias com a banda.

“Ele parece uma menina”, ela declara acerca de Toman, seu preferido. “Mas quando se junta isso com sua masculinidade, eu o vejo como um novo tipo de homem.”

Motoko Rich – The New York Times