Realidade virtual pode ajudar a tratar problemas de saúde mental

Algumas fobias, por exemplo, podem ser tratadas com a exposição gradual em um ambiente virtual de um paciente ao seu maior medo, seja aranhas, viagens de avião ou espaços fechados.

A TeleSoftas, uma empresa lituana que desenvolve aplicativos móveis, acredita que essa terapia de exposição pode ser facilmente realizada na sala de um profissional de saúde usando dispositivos de realidade virtual.

“Com a realidade virtual, você pode criar terapias audiovisuais em um ambiente seguro para os fóbicos”, disse o CEO da empresa, Algirdas Stonys, à AFP no Congresso Mundial de Celulares, em Barcelona, a maior feira anual da indústria telefônica.

Assim, por exemplo, alguém que tem medo de falar em público seria colocado diante de uma plateia em uma sala cheia de pessoas, virtualmente.

A TeleSoftas acaba de receber financiamento da União Europeia para desenvolver aplicativos de saúde mental para óculos de realidade virtual, em colaboração com acadêmicos.

A Psious, uma start-up espanhola, também está trabalhando em um campo semelhante.

As terapias de exposição são projetadas para encorajar o indivíduo a entrar em situações temidas, seja no mundo real ou através de exercícios imaginados.

“Mas nós pensamos que nesta era digital, tinha que haver algo mais”, disse o CEO da Psious, Xavier Palomer Ripoll.

Criada há três anos porque um dos seus fundadores tinha medo de voar, a empresa desenvolve aplicativos para psicoterapeutas, que podem baixá-los e usá-los em dispositivos de realidade virtual.

O profissional deverá, então, escolher um ambiente adequado.

Por exemplo, uma vez equipada com o dispositivo, uma pessoa com medo de altura pode ser colocada virtualmente em um elevador para subir até o topo de um arranha-céu.

Usando um computador, o psicoterapeuta pode fazer o elevador subir cada vez mais alto, ou tornar o piso transparente para aumentar a dificuldade do exercício.

O profissional também pode avaliar o progresso do paciente observando, por exemplo, se este é capaz de olhar para baixo.

A Psious arrecadou cerca de um milhão de euros em 2015, e fornece a tecnologia para cerca de 600 médicos, principalmente na Espanha.

Paralelamente, a empresa está realizando nove estudos clínicos com universidades para obter dados sobre a eficácia das terapias a longo prazo.

A TeleSoftas, enquanto isso, espera poder eventualmente oferecer ambientes virtuais para tratar transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático, alcoolismo ou tabagismo.

Várias start-ups americanas também estão trabalhando neste tipo de aplicativos. AFP

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