Super Cool: 13 casais de idade avançada com estilo de sobra!

bon.jpgBon e Pon (Japão): @bonpon511

Navegando pelos milhares de perfis do Instagram, descobrimos casais que chamam atenção pela autencidade e juventude de espírito. Além de admirar esses homens e mulheres, podemos comprovar que o estilo não tem nenhuma relação com a quantidade de velinhas no bolo de aniversário. [Fernanda Di Biase]

Sim, o estilo vem de dentro e os casais abaixo estão aqui para nos inspirar:

Conheça projeto de apartamento que usa madeira para compensar excesso de iluminação

1502479552496.jpgVista do living a partir do mezanino; ao centro, grande destaque da sala são as duas cadeiras assinadas pelo designer Sergio Rodrigues Foto: João Paulo Campos


A mensagem primordial que a arquiteta paulistana Flavia Campos absorveu quando se envolveu no projeto de reforma deste apartamento foi o desejo dos proprietários, um casal com idade próxima aos 60 anos, de aproveitar o que a vida tem a oferecer. Ele, aposentado, assume-se enquanto um anfitrião que adora receber amigos. Ela, psicanalista, dedica seu tempo livre aos livros, ao cinema e à boa música. Traçado o perfil dos clientes, Flavia aceitou o desafio de dotar o amplo e luminoso espaço desse duplex de ambientes que fossem além do meramente utilitário.

Logo de início, a arquiteta percebeu que a alegria do casal passava por aproveitar ao máximo a luz natural que entra no apartamento. Porém, a luminosidade intensa vinda das portas e janelas deixava a residência muitas vezes com uma atmosfera impessoal. Para aplacar essa sensação, Flavia apostou sem moderação na madeira do tipo freijó e revestiu portas, armários, móveis e superfícies verticais. E, conforme imaginava a arquiteta, a tonalidade do material ajudou a amenizar – e muito – a luz extrema.

“Tudo que é muito claro tende a parecer pouco confortável”, explica Flavia. “Por isso, optei por usar a madeira em tom claro. Ela realmente funciona como um agente moderador, sem produzir um contraste muito acentuado, que seria por demais agressivo aos olhos”, detalha.

1502479552540.jpgToque aveludado do tecnocimento no chão da cozinha suaviza o excesso de luz no ambiente e aumenta a sensação de conforto Foto: João Paulo Campos


A composição do piso também seguiu a preocupação central com o conforto e a fluidez. O chão dos ambientes foi recoberto, em parte, por mármore e, em outros momentos, por placas de tecnocimento acetinado. Na decisão pesou também a intenção de não abusar demais do branco e do consequente reflexo causado pela incidência direta da luz sobre superfícies muito claras. “É preciso encontrar um equilíbrio também para o piso, pois ele reflete muito a luminosidade. Caso contrário, o espaço adquire uma informação gélida, uma cara de cozinha industrial”, conta Flavia. Ao mesmo tempo, pontua ela, o uso do tecnocimento na cozinha deu ao ambiente uma informação de rusticidade. “É aquele chão em que você pode andar descalço, sabe? Ficou com uma cara de sala”, diverte-se a arquiteta.

Assim, a combinação equilibrada de cores e texturas entre pisos, paredes revestidas e o pé-direito alto deram a Flavia a chance de planejar os ambientes de forma ampla, de modo que os moradores e visitantes, ao percorrer os diversos ambientes, não sentissem uma mudança drástica da ‘paisagem’. Nesse sentido, a arquiteta não se furtou a derrubar paredes para ampliar o campo de visão e oferecer fluidez ao apartamento como um todo.

“A madeira nas paredes surge em contraponto ao piso. Seu uso valorizou o apartamento e amarrou todo o projeto. No mais, tudo o que fiz foi eliminar divisórias visuais. Empregadas nos móveis as cores concluíram o resto do trabalho”, reflete Flavia.

1502479552542.jpgUso da madeira tipo freijó em todos os ambientes do apartamento aplaca o excesso de luz e dá sensação de amplitude Foto: João Paulo Campos


Por fim, a ‘cereja do bolo’ do apartamento ficou a cargo de algumas sutilezas que preservaram a identidade e ajudaram a contar a história dos proprietários. O apreço do casal por design foi enfatizado pela presença de duas cadeiras do designer Sergio Rodrigues, no centro da sala de estar. O sofá da varanda, por sua vez, vem acompanhando as mudanças dos moradores ao longo de 20 anos e recebeu nova roupagem. Os vinhos e demais garrafas de bebidas garimpadas nas várias viagens realizadas estão acomodados em duas adegas localizadas estrategicamente no escritório, que guarda os rótulos de estimação dos moradores, e na cozinha, para receber os muitos convidados que não cansam de elogiar a atmosfera especial do apartamento.

“É realmente gratificante chegar a um produto satisfatório aos olhos de seu cliente. Encontrar o consenso entre a vontade dos proprietários e suas intervenções. Saber ouvir, interpretar e levar isso para o projeto com um equilíbrio estético”, considera Flavia. “Nesse caso, o que mais me encantou foi traduzir esse clima de ‘dolce vita’ deles”, brinca a arquiteta, em uma referência ao clássico de Federico Fellini. [Vivian Codogno]

Distribuição bem dosada aumenta sensação de amplitude em apartamento de 35 m²

1502392055580.jpgBoa divisão dos ambientes dá mais sensação de amplitude (Foto: Adriano Escanhuela)


Ao olhar pela primeira vez para este apartamento de 35 m², localizado no bairro do Panamby, em São Paulo, duas coisas chamam a atenção: a não divisão dos espaços e o predomínio do cinza. Ambos são responsáveis pelo ar moderno e acolhedor do local. Elaborada pela designer de interiores Mariane Cunha, a proposta, finalizada em 45 dias, foi pensada para receber um casal jovem, que gostaria de contar com uma cor preponderante em todos ambientes.

“Ficou atual, fala com os dias de hoje. Usamos vários tons de cinza, e isso não pesou. Deixamos uma mistura com preto. A gente fez um jogo de cores, que casaram com as que usamos nos acessórios. Isso acabou funcionando bem. Sobre as paredes, a gente trabalhou com tons de cinza um pouco mais escuros em umas, um pouco mais claros em outras. Percebe-se uma mudança, uma demarcação, mas sutil. Ficou agradável”, explica Mariane Cunha.

Além do predomínio do cinza, a designer de interiores não abriu mão de uma distribuição adequada à atualidade, que se casou perfeitamente com a escolha das cores. Por não ser compartimentado (não há paredes que dividem os cômodos), o imóvel pode ser considerado um estúdio. E, para não perder espaço, Mariana não mediu esforços. Até a iluminação foi presa na paredes, onde ganchos de madeira, que também e decoram.

“Nós setorizamos bem e ficou funcional. Toda a marcenaria foi pensada para não pesar muito nos custos. A parede que vem da cozinha só mudou de revestimento. Há um unidade visual, mas não quebramos muito. Em espaços pequenos, é importante optar por soluções capazes de ampliar”, diz.

Ainda assim, a distribuição contempla todas as necessidades do dia a dia, sem abrir mão do conforto e da funcionalidade. “Tinha de ser algo que reunisse tudo o que um apartamento maior tem. Embora ele tivesse uma área toda aberta, a gente quis demarcar bem o dormitório. Na entrada, existe a demarcação da cozinha. Já outro espaço, já previsto em planta virou multifuncional – home office ou sala refeições rápidas”, conta.

Mariane revela que até um móvel sob medida foi desenhado para levar ainda mais praticidade ao local. “Ele é versátil: tem roda, anda, vai para o terraço, circula”, ressalta.

A varanda gourmet também foi bem aproveitada. A ideia, ali, foi adaptá-la ao convívio e para refeições. “Já tinha uma previsão de bancada gourmet, de churrasqueira. Por outro lado, existia a necessidade de uma área de lavanderia, que teve de ser providenciada”, afirma a designer de interiores.

Como uma das grandes questões quando o assunto é a área de serviço é esconder as roupas no varal, quando se recebe os amigos, o projeto incluiu um “esconderijo”.

“Precisávamos camuflar com alguma coisa que não fosse uma estrutura fixa e pesada, mas que pudesse esconder o varal na hora de receber visitas”, pondera. “O programa que recebemos do cliente poderia nos conduzir a um tipo de ocupação bem mais complexa. A gente optou por tons mais leves, suaves, pontuando com cores nos acessórios, para ganharmos respiro, uma atmosfera mais leve. Acho que chegamos lá”, conclui a designer. [Gabriel Navajas – O Estado De S.Paulo]

Designer Juliana Llusá oferece versões contemporâneas para móveis que caíram em desuso

1502482493744.jpgCama com cabeceira de palhinha, de recente coleção da Llusá Marcenaria Foto: ESTÚDIO JULIANA LLUSÁ


Juliana Llussá sempre procurou tirar suas ideias do papel. “O papel aceita tudo, todas as possibilidades parecem estar resolvidas, mas, na prática, nem sempre é assim”, conta a arquiteta, artista plástica, e hoje designer à frente da direção artística da Llussá Marcenaria, onde acompanha, passo a passo, o desenvolvimento de todos os seus projetos. “Minhas ideias nascem do trabalho direto com a madeira maciça, uma matéria preciosa, que deve ser respeitada ao se pensar em qualquer tipo de desenho”, comenta ela, que tem entre os pressupostos básicos de sua atuação o emprego de variedades certificadas de madeira. “Penso que em se tratando de um material tão especial, temos o dever de produzir algo sustentável. E isso não se prende apenas à matéria-prima, mas também à questão da durabilidade”, como afirmou ela nesta entrevista ao Casa.

O que significa ter uma marcenaria hoje?
Fundamentalmente, ela te possibilita colocar suas ideias em pé. Quando parto para o protótipo de um móvel, as verdades aparecem e elas podem revelar boas surpresas ou questões para resolver. Ter uma marcenaria te estimula a experimentar, a investigar. O mesmo acontece em relação às técnicas construtivas. Trabalhamos tanto com a produção artesanal quanto com a automatizada, mas, devo dizer, mesmo esta também faz uso de técnicas tradicionais. Outra vantagem de se ter uma marcenaria é a facilidade de se trabalhar com diferentes espécies de madeira.

08fbd316emoh7mm23ul80ehotl1kqbaepJuliana Llussá, designer e dona da Llussá Marcenaria


Como e com quais tipos de madeiras e técnicas de produção trabalha a Llussá?
Trabalhamos com cumaru, itaúba, sucupira, freijó, jequitibá. Todas certificadas, naturalmente. Algumas compramos diretamente de uma cooperativa de pequenos produtores florestais do Acre. Outras, de fornecedores que têm a documentação de origem florestal emitida pelo IBAMA. Priorizamos técnicas tradicionais de encaixe, como a meia madeira, o rabo de andorinha, a espiga, a cavilha. Além de solidez, elas proporcionam uma maior riqueza de detalhes, uma vez que a forma que o móvel foi construído acaba ficando aparente. Mas não se trata apenas de uma questão conceitual ou estética, mas também porque estes encaixes oferecem, de fato, uma durabilidade maior do que a das junções metálicas (parafusos, por exemplo) que podem oxidar, espanar ou se romper com o passar do tempo. Como bem comprovam móveis brasileiros da década de 60, ainda hoje perfeitos, mesmo após 50 anos de uso.

Você tem se dedicado a trabalhar móveis que considera esquecidos nos dias de hoje. Como reinterpreta o passado em suas criações?
Comecei a me interessar por peças que caíram em desuso pela possibilidade de resgatar rituais que foram deixados de lado. Comecei com uma penteadeira, buscando celebrar o ritual das mulheres que se sentavam à frente do espelho para pentear o cabelo, refletir, suspirar. É incrível como todas as mulheres e meninas ainda se encantam com essa ideia. Ultimamente, tenho desenhado camas de madeira maciça com cabeceiras de palha, estofadas ou de madeira. Depois da chegada das camas box americanas deixamos de usar móveis de madeira. A partir de então, deixamos de ter a cama dos avós, a cama da infância. A cama box é genérica, todas são iguais, elas não têm significado algum. No meu caso, ainda tenho grande apreço pela cama da minha infância no sítio da minha avó, pelo beliche da casa de praia que continua em Ubatuba, e é ainda usado pelos meus filhos. São móveis que têm histórias para contar. [Marcelo Lima]

BIG projeta hotel próximo à nova loja da IKEA em Copenhague

ad1.jpgUm novo projeto no centro de Copenhague reunirá dois escritórios dinamarqueses – Bjarke Ingels Group (BIG) e Dorte Mandrup Architects – para criarem uma nova loja IKEA, um hotel econômico e um conjunto habitacional conectados por espaços verdes. Com inauguração prevista para 2019, a área adjacente à Kalvebod Brygge, perto das linhas ferroviárias que atravessam o centro da cidade, passará por um masterplan de Dorte Mandrup, ao passo que as duas torres residenciais de grande porte, denominadas “Cacti“, serão projetadas pelo BIG.

A incursão urbana da IKEA, que não contará com estacionamento para automóveis, aposta na ideia de que os clientes irão comprar objetos menores e transportá-los de bicicleta.

O local também receberá um hotel econômico, projetado por Dorte Mandrup com 1.250 quartos distribuídos em dois volumes, que, quando concluído, será o maior hotel da região nórdica.

As torres do BIG, definidas por seus núcleos hexagonais, contêm 500 unidades e são o primeiro projeto residencial do escritório na capital dinamarquesa desde Ørestad. Traduzido por Romullo Baratto 

Via Magasinet KBH

Fotógrafa Cindy Sherman faz selfies como só ela sabe no Instagram

Autora de célebres autorretratos nos anos 1970 cria conta em rede social e questiona padrões de fotos na web
Jason Farago, The New York Times

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Cindy Sherman utiliza maquiagem e edição em suas fotos

Os perturbadores da mídia têm o Twitter; os adolescentes, o Snapchat; e os mais conservadores, o Linkedin. Mas no mundo da arte a rede social preferida continua sendo o Instagram, onde a beleza mundial é dissecada em quadrinhos.

Esse aplicativo de compartilhamento de fotos é o verdadeiro meio de divulgação de novas mostras, além de palco para artistas e curadores se destacarem num vasto campo disperso pelo mundo. A maioria dos artistas usa o Instagram como todos nós, como documentos do fascínio diário ligeiramente maquilados para o consumo público. Mas a fotógrafa Cindy Sherman – que conhece mais que a maioria os engodos das selfies – vem discretamente explorando o potencial do Instagram para algo além da promoção pessoal.

Ela criou uma conta particular para o serviço no último outubro, quando estava em Tóquio; na semana passada, em aviso, ela abriu a conta e mudou assinatura para @_cindysherman_ (originalmente, ela usava @misterfriedas_mom, em homenagem a sua arara de estimação). De repente, passou a mostrar não apenas fotos de refeições e de crepúsculos, mas uma bateria de 30 selfies distorcidas, deformadas por manchas, clarões e reflexos de caleidoscópios.

Não sei por que ela tornou públicas as cerca de 600 fotos de sua conta, mas vejo nisso um lance de generosidade de uma artista menos extrovertida que a maioria dos caçadores de fotos do Instagram. Suas novas e cambiantes selfies  são ao mesmo tempo estranhas, hilárias e pungentes. Elas desmistificam as influências e experimentações de uma grande artista, mostrando a distância entre as selfies enviesadas de Cindy, vitais e perturbadoras, e as selfies simplesmente narcisistas.

Desde seu icônico Untitled Films Stills (1977-80), Cindy está há décadas no centro de suas fotos de profunda reflexão, mas nunca chegou a ser extrovertida quanto sua arte possa sugerir. Seus primeiros Intagrans (prefiro não chamar de arte) foram feitos para circuito privado. Documentavam campos de arroz do Japão, galinhas de East Hampton, neve em galhos de pinheiro, nuvens vistas da janela de um avião e até pratos atraentes.

Como a maioria dos artistas do Instagram, ela também usou sua conta para registrar shows a que assistiu (há mais de 20 fotos do recente blockbuster da Shchukin Collection, na Fundaçãlo Louis Vuitton) e para celebrar outros artistas, incluindo a fotógrafa ativista sul-africano Zanele Muholi, que também usa disfarces em seus autorretratos.

Apenas em meados de maio Cindy passou a recorrer a sua câmera de celular para selfies. A mudança parece ter ocorrido quando ela baixou o Facetune, um aplicativo que permite retoques radicais com um simples toque de dedo. “Sou boa em usar meu rosto como tela”, disse ao The Guardian em 2011.

O Facetune permite exatamente isso. Os usuários podem suavizar a pele com cremes corretivos virtuais, eliminar rugas e mudar o formato da cabeça como se ela fosse feita de massa de modelar. Cindy também usa o Perfec365, um aplicativo de simulação de maquilagem. Com tudo isso, seu agressivo sombreado nos olhos e o excessivo blush ( lembrando maquilagem de palhaços) seguramente não eram o que sua equipe de marketing tinha em mente.

Em seu primeiro autorretrato no Instagram, de 12 de maio, ela aparece de olhos contraídos e dentes intensamente brancos, a pele suavizada por uma espécie de névoa artificial. Um dia depois, volta mais agressiva, torcendo os lábios e com a pele manchada por uma fuligem digital. Preferindo a proporção 16:9 do iPhone em vez do formato quadrado padrão do Instagram, Cindy rapidamente produziu mais de três dezenas de autorretratos que, embora claramente feitos sem o mesmo rigor se sua arte, ainda carregam o melhor de seus trabalhos de estúdio (na semana passada ela postou mais dois).

Um post de 23 de maio, tirado do banco de trás de um carro, no qual ela aparece com a pele envelhecida contrastando com uma luz de fundo prismática, lembra seus autorretratos mulheres da década de 2000. Numa selfie meio alienígena em que posa com sua arara, de 4 de junho, ela está de pé em frente de um improvável fundo rural, como no autorretrato “Centerfolds”, feito com projeção rear-screen. Outras selfies alinham-se com sua série “Horror”, inspirada em palhaços, e alguns acréscimos digitais disjuntivos lembram as próteses de suas desafiadoras “Sex Pictures” do início dos anos 1990. No início, Cindy pode ter apenas brincado com os filtros dos aplicativos de retoque, fazendo com seus truques de estúdio uma piada para amigos. E, enquanto fãs do Instagram obcecados consigo mesmos se valem dos aplicativos de retoque para se promover, maquilar e fazer ficção de si, Cindy, paradoxalmente, usa os incontáveis recursos dos aplicativos para derrubar suas muitas máscaras.

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Cindy Sherman questiona padrões das selfies no Instagram

A partir de Untitled Film Stills, Cindy desapareceu em suas fotos, jogando com estereótipos de mulheres do fim dos anos 1970 e início dos 80 ou fundindo-se na sujeira de trabalhos grotescos dos anos 1990. Entretanto, recentemente ela postou duas selfies tiradas de um leito hospitalar. Em uma, sua pele está rosada e suave como a de uma boneca Kewpie; na outra, a pele está envelhecida e enrugada e o rosto de Cindy lembra uma esfera inchada. A selfie mais clean lembra suas subestimadas fotos de bonecas, e a mais distorcida evoca fotos mais macabras. As duas, porém, surgem como um testemunho direto do sofrimento corporal da artista. Cindy também postou uma foto comida de hospital – carne com batatas num molho escuro, o oposto de um prato atraente – e um vídeo feito de sua cama hospitalar, no qual visitantes cantam um hino. As selfies do hospital são uma oferenda particularmente pungente de uma artista que sempre fugiu da autobiografia.

Há exatamente um ano, Cindy Sherman manifestou em entrevista a “The New York Times” uma clara opinião sobre compartilhar fotos na mídia social. “Acho vulgar”, sintetizou. Evidentemente, mudou de ideia. Entretanto, algo de seu julgamento inicial persiste em suas abomináveis selfies e incomuns revelações pessoais.

Uma das mais importantes lições da fotografia de Cindy é que os papéis e aparências que regem as normas sociais não são impostos de cima para baixo: nós mesmos os criamos, e a medida de sua perniciosidade está em que nem sequer os notamos. Agora, Cindy reafirma online que nunca somos nós mesmos nas selfies – e os disfarces mais perigosos são os sorrisos forçados que agora criamos com o dedo indicador. / Tradução de Roberto Muniz

Construir soluções sob medida pode até pesar no orçamento, mas, muitas vezes, compensa

Investir em madeiras deixa o ambiente com ar acolhedor, além de conferir praticidade ao local

1502400341313.jpgMadeira como revestimento na parede tem destaque Foto: Denilson Machado


Seja em painéis, armários, banheiros ou na cozinha, a marcenaria proporciona soluções para as mais diversas situações. As possibilidades que ela proporciona, aliadas à praticidade e beleza, são únicas.

“Dá para inventar tudo. A gente reaproveita cada canto. Todo apartamento tem sempre algum lugar bacana, que pode ser utilizado de uma maneira que você nem imaginava”, afirma Vanessa Basile, da Basile Marcenaria.

1502400341314Quarto com móveis produzidos sob medida Foto: Evelyn Muller


Tudo começa com uma ideia. Depois, definida a disposição e o tipo da madeira, de acordo com a preferência do cliente, é hora do marceneiro entrar em ação. “Normalmente, a gente recebe o projeto do arquiteto ou vai até o local e discute com o proprietário o que ele tem vontade. A partir daí, desenvolvemos”, conta Reinaldo Gomes da Silva, da Marupa Móveis. [Gabriel Navajas]

Eis os motivos de não estarmos vendo diversos acessórios para iPad Pro utilizando o Smart Connector

Sem título.png90.jpgQuem tem um iPad Pro deve olhar para o Smart Connector e se perguntar: por que algo tão bacana não vingou? Se você não tem o tablet profissional da Maçã e não faz ideia do que eu estou falando, explico: trata-se de três bolinhas que ficam localizadas na lateral esquerda do tablet (quando estamos olhando para ele em pé, no modo retrato) capazes de transferir dados e energia entre o iPad Pro e algum acessório compatível. Isso sem precisar emparelhar por Bluetooth ou qualquer coisa do gênero — é só encostar o acessório ali e tudo passa a funcionar.

Por razões obvias, o acessório mais famoso a utilizar o Smart Connector é o Smart Keyboard, o teclado da própria Apple. Quando a Apple lançou a tecnologia paralelamente ao primeiro iPad Pro de 12,9 polegadas, porém, imaginou-se que pouco tempo depois diversas fabricantes embarcariam nessa e lançariam um mar de acessórios. Ledo engano: até hoje, temos apenas alguns poucos acessórios da Logitech que fazem uso do Smart Connector, como a case/teclado CREATE. No próprio review da CREATE nós comentamos o seguinte: “Aliás, é curioso como até hoje existem tão poucos produtos compatíveis com o Smart Connector no mercado; a Logi realmente conseguiu um acordo especial para seus acessórios destinados a iPads Pro.”

Nesta semana, a Fast Company conversou com algumas fabricantes de acessórios do mundo Apple e parece ter solucionado o mistério do Smart Connector.

Um delas (que preferiu se manter anônima) citou um tempo de espera bem alto e custos elevados para os componentes do Smart Connector. “Para um negócio como o nosso, temos que ter um ciclo de desenvolvimento de produtos muito rápido. Quando você tem um tempo longo de espera de componente, que é perto de seis meses, isso não é sustentável”.

Já a Incipio informou que, como tanto a própria Apple quanto a Logitech possuem as suas cases/teclados, eles estão avaliando o apetite do mercado por outro teclado para iPad, identificando se há alguma lacuna que possam preencher. A grosso modo, estão lutando para se diferenciar e lançar algo bacana em vez de simplesmente correr para lançar algo igual ao que já existe.

Eles [Apple] são muito cautelosos com o que eles fazem, e eles querem ter certeza de que eles estão corretos. Uma coisa é desenvolver algo personalizado com um parceiro [a Logitech], outra coisa é desenvolver para uma plataforma, para que outros possam usá-la.

Carlos Del Toro, diretor de produto da Incipio.

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Vale comentar aqui um pequeno ruído que ouve quando a Fast Company conversou com Del Toro. Inicialmente, o diretor disse que a empresa estava esperando a Apple emitir os padrões de teste para outras empresas — além da Logitech —, afirmando ainda que os componentes de testes necessários não estavam prontamente disponíveis. Depois, porém, Del Toro recuou nas afirmações e reconheceu que ainda não havia concluído o desenvolvimento de um produto com a tecnologia Smart Connector — apesar de estar interessado em fazer isso desde o fim de 2015.

Outras, como a Brydge, afirmaram que o fato de você ter que construir algo que necessariamente precisa entrar em contato com as três bolinhas para funcionar é algo bastante limitador. Por isso, eles preferem apostar em produtos compatíveis com a tecnologia Bluetooth mesmo, abrindo um leque maior de opções (como por exemplo, utilizar o iPad em pé). A empresa não descarta usar o Smart Connector, mas provavelmente teria que ser para um tipo diferente de produto.

Olhando para o futuro, não há nenhuma razão para o Smart Connector não ser considerado nos futuros produtos Brydge se a aplicação estiver correta.

Nicholas Smith, CEO da Brydge.

Um dos possíveis pontos negativos de um acessório Bluetooth seria a necessidade de ele ter uma bateria interna — afinal, diferentemente do Smart Connector, o iPad em si não é capaz de alimentar esses acessórios (até por não necessariamente ter contato direto com eles). Contudo, esse não parece mais ser um problema atual, conforme apontou Jeff Meek, gerente sênior de produtos da Zagg. “Nossos teclados têm uma vida útil de bateria de até dois anos sob uso médio, nós não vemos energia como um ponto ruim significativo para ser algo resolvido através do conector”.

É inegável, porém, que as possibilidades com o Smart Connector são grandes. Como a matéria da Fast Company destacou, poderíamos ver um teclado capaz de carregar o iPad através de uma bateria embutida ou um com armazenamento extra que se integra ao novo aplicativo Arquivos (Files), do iOS 11.

Como boa notícia, fica a confirmação da Apple de que várias empresas agora estão desenvolvendo acessórios Smart Connector — e que num futuro não tão distante assim, nós possamos ver esses novos acessórios chegando ao mercado. [MacMagazine]

Museus de SP trazem chefs para comandar seus restaurantes

Sem título.png99O chef Rodrigo Oliveira na obra de seu Balaio, dentro do Instituto Moreira Salles (Foto: Bruno Santos/Folhapress)


MAGÊ FLORES
DE SÃO PAULO

Balaio
Em meados de setembro, o Instituto Moreira Salles abrirá as portas de sua nova sede, na avenida Paulista. O prédio envidraçado vai abrigar a nova casa do chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó. O Balaio, como foi batizado o empreendimento, foi pensado para estar ali, diz Rodrigo, depois do convite do empresário Pedro Moreira Salles. O IMS pedia um lugar inclusivo e moderno. O chef, então, pensou em uma casa “com comida cotidiana em um ambiente aconchegante e despojado”. O cardápio, ainda mantido em sigilo, deve “olhar o Brasil por completo”, influenciado pelas experiências do Mocotó e do Esquina. “O Balaio tem a ver com o conceito do instituto, que fala de arte brasileira, mas não dá as costas para o que acontece lá fora. Tem uma pitada do mundo. Dificilmente você vai comer trufas ou salmão chileno lá, mas não há problema em importar conceitos, técnicas ou pitadas”, diz. O restaurante de 80 lugares vai funcionar do almoço ao jantar, sem intervalos, e terá cardápio também para o happy hour. O IMS terá uma área de exposições, com fotografia como carro-chefe, cineteatro e biblioteca.

No Instituto Moreira Salles

A PARTIR DE MEADOS DE SETEMBRO
ONDE Av. Paulista, 2.424, Bela Vista

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Vista
No oitavo andar do prédio projetado por Niemeyer na década de 1950, desenhos na parede mostram como será o Vista Ibirapuera, restaurante comandado por Marcelo Bastos (Jiquitaia), que abrirá as portas em outubro. Com privilegiada vista da cidade, terá receitas brasileiras como o arroz de cuxá (com vinagreira e camarão) e peixe frito, petiscos para um happy hour e drinques do bartender Laércio Zulu. Três elevadores vão levar ao restaurante em horário independente do museu. Seu tíquete-médio deve ser de R$ 120. No primeiro andar, já funciona o Vista Café, com seu “convescote”: com entrada, prato e sobremesa (R$ 35 a R$ 55), pão de queijo (R$ 5) e bolo do dia (R$ 9). Apesar do acervo latino-americano, o conceito não foi demanda do museu, que abriu licitação para escolher a empresa que conduziria os espaços de descanso dentro de 32 mil m² de mostras.

No Museu de Arte Contemporânea da USP

O QUE PEDIR? Cuscuz de milho com ovo mole e manteiga de garrafa (R$ 12)
ONDE Av. Pedro Álvares Cabral, 1.301, Ibirapuera; entrada gratuita

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Cantina
“O café tem que ser uma extensão do museu. Deve servir como espaço de reflexão, de acolhimento e até mesmo ajudar a compor a programação cultural”, diz Alessandra Almeida, diretora do Museu da Imigração. Pois o chef Fellipe Zanuto (do restaurante Hospedaria, na Mooca) mergulhou fundo na história (e no acervo) da imigração para orientar seu trabalho. Com apoio de suas outras cozinhas profissionais —já que no museu não é permitido o uso do fogo—, ele prepara pães e embutidos para o café. Lá, serve waffles, bolos e biscoitos para estudantes, famílias e turistas que desejam algo para acompanhar o café, extraído em diferentes métodos. Nos fins de semana, das 10h às 15h, há brunch nas ensolaradas mesas do terraço.

No Museu da Imigração

O QUE PEDIR? cold brew (R$ 12) e sanduíche de focaccia (R$ 22)
ONDE R. Visc. de Parnaíba, 1.316, Mooca, tel. 2692-1866; entrada gratuita

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Junji Sakamoto
Antes de inaugurar o centro cultural instalado na avenida Paulista, um grupo de japoneses foi conhecer, anonimamente, restaurantes japoneses da cidade. Os visitantes selecionaram para a Japan House a comida do chef Jun Sakamoto, “por sua apresentação, sabor e constância”. A ideia de ter o Junji na casa, aberta em maio, era a de reforçar o “portal para o Japão, ofertando todas as facetas culturais ao público”, diz a presidente da Japan House, Angela Hirata. Jun conta que, nesta unidade do Junji, a finalidade é oferecer um “intercâmbio cultural”. Por isso, começou com um cardápio mais familiar ao brasileiro, com sushis, sashimis e teishokus (os pê-efes japoneses) “da forma como se serve no Japão”. “Depois, passamos a apresentar receitas que o público pode ainda não conhecer, como o minono [cozido de legumes] e sunomono [avinagrado de pepino e polvo], que acompanham o teishoku”, diz.

Na Japan House

O QUE PEDIR? Teishoku tonkatsu (com filé-mignon suíno à milanesa, por R$ 70)
ONDE Av. Paulista, 52, Bela Vista, tel. 3090-8900; entrada gratuita

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Santinho
Um nhoque servido no The Modern, no Moma de NY, marcou a chef Morena Leite, que quis cozinhar em um museu brasileiro. Logo depois de retornar ao país, recebeu o convite para ocupar o restaurante do Tomie Ohtake, onde já está há oito anos. No Museu da Casa Brasileira, em 2013, ela participou de uma chamada pública e também assumiu o serviço de comida da instituição. Nos dois espaços instalou o seu Santinho, com bem cuidado bufê de receitas brasileiras. Ali há, por exemplo, moqueca, picadinho e frango envolto em crepe de mandioquinha. “A comida é também uma forma de expressão cultural. Valorizá-la é uma forma de atrair gente para esses destinos”, diz Morena.

No Tomie Ohtake e no Museu da Casa Brasileira

O QUE PROVAR? Salada de banana com castanhas servida no bufê
ONDE
MCB. Av. Brg. Faria Lima, 2.705, Jardim Paulistano, tel. 3032-3727; ingresso R$ 10 ou R$ 5 (ter. a sex.); bufê R$ 59 e R$ 91 (fim de semana)
Tomie Ohtake. Av. Brig. Faria Lima, 201, Pinheiros, tel. 2245-1900; entrada gratuita; bufê R$ 58 e R$ 86 (fim de semana)

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Chez Mis
Passada a entrada do museu, no fundo do corredor, a moderna construção de vigas e concreto aparentes abriga o Chez Mis —casa gerida pelo mesmo grupo do Chez Oscar, empreendimento de quatro andares na rua Oscar Freire. Desde 2012, o restaurante serve algumas opções de entradas, sanduíches, pratos e de drinques. Pelas largas janelas, é possível acompanhar a movimentação do museu em dias de evento e contemplar o paisagismo do entorno.

No Museu da Imagem e do Som

O QUE PEDIR? Nhoque de mozarela, creme de parmesão e farofa de pão (R$ 53)
ONDE Av. Europa, 158, Jd. Europa, tel. 3467-3441; entrada gratuita