Google reembolsou anunciantes por conta de ‘tráfego falso’, diz ‘Wall Street Journal’

Segundo Wall Street Journal, reembolsos podem chegar a centenas de milhares de dólares; empresa se negou a abrir números da operação

google android.jpgO Google vai ter de reembolsar anunciantes por propagandas veiculadas em sites com “trafégo falso”, disseram fontes familiarizadas com o assunto ao jornal norte-americano Wall Street Journal. Segundo a publicação, a empresa enviou comunicados a agências de marketing e propaganda nas últimas semanas informando sobre os problemas, conhecidos na indústria como “fraude dos anúncios”.

De acordo com o Google, os anúncios em questão foram comprados pela ferramenta da empresa chamada Double Click Bid Manager, e acabaram sendo mais caros que o esperado. Isso acontece porque sites “compram” cliques, feitos por robôs, e não por visitantes reais, para dizerem a seus anunciantes que têm mais audiência (e merecem receber mais por cada anúncio).

Normalmente, a plataforma DoubleClick Bid Manager é usada para atingir audiências de um grande número de sites em segundos, ao conectar espaços disponíveis com as ofertas de compradores e editores, em leilões feitos em tempo real.

A conduta de reembolso por tráfego falso nos sites é algo comum, mas segundo as fontes, o que aconteceu nas últimas semanas tem proporções maiores do que o normal – a ponto do Google ter oferecido para as agências de publicidade o reembolso de sua “comissão de plataforma”, uma taxa que recebe por intermediar a transação. Normalmente, essa comissão gira em torno de 7% a 10% do preço total pago por um anúncio.

Procurado pelo Wall Street Journal, o Google disse que fez o reembolso, mas se negou a divulgar os valores pagos. Segundo anunciantes procurados pelo jornal, os reembolsos vão de “o preço de um sanduíche” até centenas de milhares de dólares.

Hoje, as fraudes de cliques são um dos principais problemas do mercado de publicidade – só nos EUA, US$ 6,5 bilhões serão gastos em problemas com anúncios fraudulentos ao longo de 2017, segundo a associação nacional de anunciantes.

Modelo transgênero Valentina Sampaio estrela nova campanha da Balmain com a L’Oréal

240817-balmain-e-loreal-01-590x432 (1).jpgTop brasileira posou em Paris (ela é a segunda nessa foto) para Campanha da colaboração da grife Balmain com a L’Oréal


A modelo cearense Valentina Sampaio está firmando o seu nome no cenário internacional da moda. Após ser nomeada embaixadora da marca de cosméticos L’Oréal Paris e se tornar a primeira modelo trans a estar na capa de uma edição da Vogue francesa, agora ela deu mais um passo em sua carreira fora do Brasil. Valentina está ao lado de modelos como  Lara Stone, Soo Joo e Doutzen Kroes na campanha da colaboração de batons da grife de luxo Balmain com a L’Oréal.

240817-balmain-e-loreal-03-590x450.jpgCampanha da colaboração da grife Balmain com a L’Oréal Foto: Nico Bustos/ Balmain/ Divulgação


A linha ‘Color Riche’ apresenta 12 cores de batons diferentes e cada uma está representada por uma top nas fotos, clicadas pelo fotógrafo Nico Bustos, em Paris. Olivier Rousteing, diretor criativo da Balmain, também faz parte da campanha, posando a frente do grupo.

Como viver o luto nas redes sociais?

ficouorfa_facebookComo viver o luto nas redes sociais?

Uma das partes que eu mais gosto no livro Opção B: Encarando a adversidade, construindo resiliência e encontrando alegria — lançado recentemente pela vice-presidente de operações do Facebook, Sheryl Sandberg — é um trecho no qual ela relata a irritação que sentia quando as pessoas evitavam conversar com ela sobre a morte do seu marido. Quando em vez de perguntar como ela estava, as pessoas escolhiam falar sobre temas triviais como a previsão do tempo, ela conta que sentia vontade de responder: “Sim. A temperatura tem estado esquisita com toda essa chuva e morte.” Ela queria falar sobre o tema, mas ninguém tinha coragem de tocar no assunto.

Na semana que vem, completa-se cinco meses do falecimento do meu pai, um acontecimento gigante na minha vida não apenas pela partida dele, mas também porque ele se foi 11 anos após a morte da minha mãe. Hoje, aos 31 anos de idade, eu ganhei um novo título que eu nunca sonhei em ter. Sou órfã. E, assim como a Sheryl Sandberg, quando alguém me pergunta de forma protocolar como eu estou, minha vontade também é de ironizar e responder: “Eu estou bem órfã.”

A minha nova condição de vida enquanto órfã ou os detalhes dos cinco meses de luto pela partida do meu pai não estão no Facebook. Minha última viagem de férias, por outro lado, está lá em detalhes.

Eu lembro que, nos primeiros dias de tristeza mais intensa após o falecimento do meu pai, eu cheguei a me sentir incomodada com a vida que seguia normal nas redes sociais. Meu mundo estava em frangalhos. Mas o último meme do momento, a última notícia bombástica, a última foto do prato de comida do restaurante da moda continuavam lá. Entre as coisas que aprendemos com o luto está a triste realidade de que o mundo não pára para o seu sofrimento — seja o mundo real ou o virtual.

Como compartilhar o luto nas redes sociais?

Eu anunciei a partida do meu pai no Facebook e, assim como de costume, recebi muitas mensagens de condolências. Os amigos mais próximos estiveram em contato comigo e vieram ao velório, mas o silêncio que veio depois e a normalidade do dia-a-dia me irritaram tanto, que eu me lembro de ter pensado em publicar um acontecimento no Facebook.

Assim como alguns marcam que estão em um relacionamento sério ou que tiveram um filho, eu senti vontade de colocar no Facebook o seguinte acontecimento: “ficou órfã.” E, sim, o Facebook tem uma opção para isso. Por que não a usamos?

A minha tristeza parecia não caber na realidade das redes sociais, marcada por tantos momentos felizes e posts cheio de opinião. Expressar a minha dor parecia um pedido de atenção desesperado demais, embora, convenhamos, às vezes aquela tradicional selfie carrega conotação semelhante.

Eu moro fora do país. Consegui viajar para o Brasil para o velório do meu pai, mas tive que voltar no dia seguinte para os EUA para lidar com outras questões urgentes. Dois dias depois estava longe da minha famíla, de volta ao trabalho e órfã. É claro que eu estava carente. Mas como contar isso nas redes sociais? Por que a carência por trás daquela selfie parece normal e o luto não?

Depois de muito pensar na questão, concluí que provavelmente o motivo da minha sensação de desconforto com as redes sociais era o fato de que nessas plataformas refletimos muitos dos comportamentos que temos na vida cotidiana. E a verdade é que não sabemos lidar com o luto.

Minha psicóloga sempre me diz que é saudáve dizer para as outras pessoas o que você sente e precisa para que elas entendam as suas necessidades e possam te oferecer o apoio que você precisa. No caso do luto, porém, minha resistência em procurar as pessoas para falar sobre o tema vinha de uma frustração frequente que eu sentia toda vez em que tentava desabafar com alguém.

O olhar de desespero da outra parte ao me ouvir falar sobre o assunto (talvez por imaginar que eu iria cair no choro a qualquer momento, ou pela própria dificuldade de imaginar viver algo semelhante na sua vida), ou os comentários cheios de boa intenção, mas extremamente infelizes, como “foi melhor assim”, “vai dar tudo certo e “você é forte”, são frustrantes. Eu sempre quero falar sobre o tema, sobre a perda, sobre os meus pais. Mas o incômodo frequente de quem está do outro lado e tenta mudar de assunto me faz desistir.

É assim na vida cotidiana e é assim na internet.

Postei, cheia de culpa, um link qualquer no Facebook alguns dias depois da morte do meu pai. Era o anúncio de uma vaga de emprego na empresa na qual trabalho. Me senti mentindo para o universo. Eu só queria falar sobre o meu pai, mas estava lá, no Facebook, fingindo que a vida seguia sua normalidade.

O poder de uma simples mensagem 

Muitos amigos me escreveram quando meu pai faleceu, mas muitos também escolheram se afastar e ficaram quietos nas semanas seguintes. Muita gente inocentemente acha que dar espaço para quem está enfrentando o luto é importante. Na verdade essa é uma concepção errada na maior parte das vezes. Essa é a hora em que mais precisamos de gente ao nosso lado.

Depois que perdi a minha mãe, passei a escrever mensagens cuidadosas para os amigos e conhecidos que perdiam um ente querido. Não houve uma vez que a minha oferta de um ombro amigo pra chorar e perguntas sobre a pessoa que partiu foram em vão. Eu sempre recebo de volta mensagens muito agradecidas, cheias de detalhes, cheias de desabafo. As pessoas quase sempre querem falar sobre o momento, sobre a tristeza que estão sentindo e sobre quem partiu.

Sempre há quem prefira o silêncio, mas estou convencida de que essa é uma minoria. Na dúvida, pergunte. Uma, duas, três vezes.

Na hora do luto nós precisamos de apoio e esse apoio não vem pelo silêncio. Ele vem da capacidade do outro de te escutar e validar seus sentimentos.

Minha maior fonte de apoio nos últimos meses foram três amigas que estão no Brasil e conversam comigo por mensagens nas redes sociais. As três perderam os pais e uma delas é órfã como eu. Nós checamos como a outra está, trocamos comentários sarcásticos, tristes e felizes. Elas não se assustam quando eu digo que em alguns dias a vida não faz sentido ou que eu sinto raiva do mundo. O que eu encontro nelas é a validação. Todas sentiram e ainda sentem emoções distintas causadas pelo luto. E me comforta o fato de elas simplesmente dizerem que  me entendem e compartilharem momentos nos quais tiveram emoções parecidas.

Quando a vida de quem está em luto segue nas redes sociais

Passados quase cinco meses, estou me sentindo um pouco melhor do que antes, mas ainda tenho muitos altos e baixos. Foi por isso que me encheu de tristeza quando um amigo do trabalho aqui nos EUA comentou suas impressões sobre a minha vida com base no Instagram.

Com a chegada do verão, eu passei a ir todos os finais de semana para a praia, que fica a alguns quarteirões da minha casa aqui em Chicago. Ir para a praia tornou-se um programa terapêutico para mim. Muitas vezes fui sozinha para pensar na vida. Outras vezes fui com amigos. Em alguns dias sorri. Em outros, chorei.

Eu sempre tiro alguma foto ou faço um vídeo da paisagem quando vou para a praia. E foi esse o fato que chamou a atenção do meu amigo. Ele concluiu que porque eu estava sempre na praia aos finais de semana, esse era um sinal de que eu “estava tendo o momento mais feliz da minha vida no verão daqui de Chicago”.

Eu postei muitas e muitas fotos do meu pai nas semanas após ele falecer. Mas foram as fotos da praia, que vieram depois, que chamaram a atenção do meu colega de trabalho. E eu me senti novamente vivendo uma vida de mentira nas redes sociais. Eu preferia que ele tivesse notado as fotos do meu pai e conversado comigo sobre o que aconteceu.

Não que eu não tenha tido muitos momentos felizes na praia nesses dias de verão. O problema é a nossa concepção de que luto e tristeza significam que alguém vai chorar 24 horas por dias, entrar em colapso quando falar sobre a pessoa que partiu e preferir o isolamento social.

O luto e a saudade têm muito mais nuances do que essas. Eles podem te fazer chorar um dia, do nada, no meio do supermercado (aconteceu comigo), te deixar anestesiado em uma data especial como o dia das mães ou dos pais e te fazer sorrir com uma lembrança boa em uma manhã qualquer.

Não se deixe enganar pela foto no Facebook ou no Instagram. Se alguém próximo a você perdeu um ente querido, use as redes sociais para estar mais perto dessa pessoa. Pergunte como ela está não só após o momento de perda, mas também nas semanas seguintes.

Pergunte como está a rotina da pessoa, escute o que ela tem a dizer e valide os sentimentos dela. Não diga frases feitas como “tudo isso vai passar”. Os 11 anos da morte da minha mãe me ensinaram que a dor não vai embora, ela se transforma. E continua atingindo a gente em ondas, algumas vezes mais fortes, outras horas mais fracas. E tudo bem.

Lembre-se de oferecer ajuda. Chame o seu amigo pra sair. Faça algo especial para ele ou, se estiver longe, pergunte diretamente: como você está lidando com a partida daquela pessoa querida? Como está sendo esse processo para você?

Há mais gente precisando de colo na internet do que os olhos podem ver.

Das minhas descobertas recentes, uma das favoritas é um grupo no Facebook relacionado ao livro Opção B, da Sheryl Sandberg. A ideia do grupo é promover um espaço no qual todos possam compartilhar a sua dor e se apoiar. São mães, pais, filhos, avós, maridos, esposas de todos os lugares e idades compartilhando suas experiências de luto e as inúmeras emoções que sentem em decorrência disso.

Todos os dias há centenas de pessoas nessa comunidade pedindo um afago, compartilhando um grito de socorro, tentando desabafar e reclamando que o mundo não as escuta. Talvez alguma delas seja seu um amigo seu. Há muita gente nas redes sociais precisando de um afago. Não se deixe enganar pelo última selfie. [Ligia Aguilhar]

Netflix divulga trailer da nova temporada de ‘Black Mirror’

A nova temporada da série terá seis episódios e conta com atores renomados

A Netflix divulgou na manhã desta sexta-feira, 25, o primeiro trailer da nova temporada de Black Mirror, popular série que explora temas como a influência da tecnologia na sociedade. O serviço de streaming não divulgou as sinopses dos seis novos episódios, mas a temporada manterá o formato de antologia, cada episódio contando uma história diferente, e tem estreia prevista ainda para 2017.

Marcella Maia: a atriz e modelo brasileira que brilhou em “Mulher Maravilha”

Em entrevista que acompanha ensaio exclusivo feito em Milão, atriz e modelo trans brasileira reflete sobre a infância difícil e adianta os planos de carreira

vogue-brasil-marcela-thome_2Marcella Maia usa coroa e casaco Dolce&Gabbana e acessórios Schield (Foto: Ivan Genasi, Stylist: Ivan Rasic, Hair stylist: Mimmo Di Maggio, Make up: Ivona Milosevic, Videomaker: Tom Carvalho)


Você já ouviu falar da Marcella Maia? Se a resposta for não, pode guardar bem este nome. A atriz e modelo trans mineira está com tudo: ela contabiliza nada menos que 120 mil seguidores só em seu Instagram, já estampou ensaios para revistas de moda do mundo todo (incluindo para a Vogue italiana!), emprestou sua beleza no filme Mulher Maravilha, no qual atuou como uma das amazonas, também fez uma participação no mais novo disco de Fergie, que será lançado em setembro… E isso tudo é apenas o começo de uma carreira cheia de planos e sonhos!

Em um papo sincero com Vogue digital, Marcella recordou momentos difíceis da sua infância (“sofri bastante preconceito”), contou detalhes sobre o casting para o filme hollywoodiano e adiantou projetos que estão por vir na moda, música, cinema e na TV. A cereja do bolo: ela mostrou sua porção modelo em um ensaio exclusivo feito pelas ruas de Milão, no qual vestiu peças de grifes internacionais no melhor estilo “girl power”. Com vocês, Marcella Maia! [Renata Garcia]

Conta um pouco sobre você?
Confesso que não sou muito boa para me descrever, mas vou tentar. Minha infância foi um pouco conturbada. Nasci em Juiz de Fora, Minas Gerais. Meus pais se separaram muito cedo e me mudei junto com minha mãe para Brasília, onde fui criada e passei a maior parte da minha vida. Sempre fui muito feminina, desde criança. Mas eu sempre guardei esse sentimento dentro de mim, até porque venho de uma família muito tradicional e religiosa. Lembro que usava o espanador da casa da minha avó para brincar de boneca escondido; nunca gostei de carrinhos; adorava enrolar a toalha na cabeça depois do banho e ficava imaginando como seria se eu fosse uma menina. Naquela época eu tinha apenas 7 anos. Apesar da separação dos meus pais ter sido difícil, minha mãe soube lidar com a situação e me deu uma ótima criação. Minha mãe sempre me deu tudo que podia, morávamos em uma chácara então eu vivia em cima do pé de manga, ou jogando “bete” na rua com os amigos. Ela é uma mulher forte e de caráter.  Sempre fui muito moleca. Sobre aquele lance de se misturar, eu sempre fui muito boa, adoro conhecer pessoas novas. Tenho algumas memórias ruins da minha infância, mas as lembranças boas superam.

Você chegou a sofrer algum tipo de preconceito?
Sim. Muitas vezes. Lembro de uma ocasião em que um grupo de garotos  jogou um copo de bebida na minha cabeça, durante uma festa em Brasília. Na hora não consegui conter as lágrimas, embora minhas amigas tenham me consolado, eu me retirei do local com vergonha. Hoje esses fantasmas já não me assustam mais.  Quando você se assume pro mundo as pessoas param de tentar te atingir.

Quando você decidiu ser modelo e atriz?
Na verdade, eu nunca tinha imaginado trabalhar como modelo, eu sempre estudei teatro, fiz algumas oficinas no exterior na área de atuação para  cinema. Aos 16 anos. ninguém iria me dar um bom emprego como atriz e eu queria muito minha independência financeira, queria sair de casa logo, pois meus pais queriam que eu fizesse jurisprudência e tentasse concurso público – mas só de pensar na ideia, me assustava, assustava muito. Lembro que toda vez que iniciava a novela das 21h os meus olhos brilhavam e eu dizia: ‘um dia vocês vão me ver na televisão’. Ninguém acreditava em mim, e isso era bem chato. Então eu parei de falar sobre meus sonhos e comecei a trabalhar escondida.

Qual foi seu primeiro trabalho?
Meu primeiro emprego foi em um petshop, onde eu ganhava muito pouco, mas aprendi muita coisa, inclusive como ser responsável. Seis meses depois eu conheci um Model Scouter de rua, em frente ao Shopping Mall Pátio Brasil, em Brasília. Ele me parou e convidou para fazer uma entrevista em uma das maiores agências de modelos do Distrito Federal. Na época eu ainda tinha corpo de menino, confesso que achei que fosse furada, mas fui mesmo assim. A agência disse que iria entrar em contato comigo em alguns dias. Fiquei mega nervosa esperando a ligação. Dois dias depois um agente me ligou para me dar a triste notícia que eu não tinha sido aprovada para o casting da agência, mas que eles tinham uma outra oportunidade e queria saber se eu tinha interesse. Eles queriam me contratar para trabalhar como Scouter, que era tipo um caça talentos de modelos. Como eu não aguentava mais lavar e secar cachorros, aceitei – eu amo cachorro inclusive tenho dois na casa dos meus pais, mas queria algo melhor. Fiquei trabalhando como Scouter por quatro meses, e já conhecia todo mundo na agência. Na época o head booker do departamento fashion, Andre Monjardim, que hoje é um dos meus melhores amigos, me montava com as roupas do acervo das modelos da agência, e, daí bastou seis meses e eu já estava dando aula de passarela e assessorando na mesa de bookers. E meu salário era muito bom. Todo aquele ambiente me contaminou de alguma forma e quando me dei conta já estava falando de tendências e referências. Trabalhei com eles durante três anos até consegui juntar minha própria grana. Com 19 anos, e em segredo, eu inventei uma viajem para Londres, disse que ia fazer um intercâmbio para aprender inglês, mas viajei para a Tailândia por dois meses para completar a transição de homem para mulher… e então voltei para o Brasil como a mulher que sempre fui.

Foi difícil tomar essa decisão?
Lá no fundo a Marcella não podia esperar mais um dia aprisionada naquele corpo que nunca pertenceu a ela. Quando eu voltei foi um choque, mas no meu trabalho as pessoas levaram numa boa e o André adorou. Não demorou muito para eles me lançarem no mercado internacional e foi aí quando tudo começou. Viajei para 18 países, oito deles com contrato de modelo, e aprendi 2 idiomas novos.
E como começou a carreira de atriz?
Até 2016 eu não tinha tido a oportunidade de atuar pra valer, foi então que surgiu a oportunidade de ser uma guerreira  no filme da Mulher Maravilha. No início desse ano, 2017, aceitei o desafio de voltar para o Brasil quando o Alexandre Mortagua me convidou para viver a mãe dele no filme “#todosnos5milhoes”, que acredito que vai emocionar muito o Brasil, pois fala de abandono paterno e todas as mães brasileiras. Não posso dar muitos detalhes. As gravações terminaram há dois meses, vem muito emoção por aí!

Vai dar um tempo na moda?
Não! Recentemente fotografei três campanhas, duas de marcas brasileiras e uma italiana: Studio Alex e Honda, Ladonnamare e a última é segredo de estado que está prontinha no forno só que não posso divulgar. Não vejo a hora de sair, sou muito ansiosa quando se trata de trabalho.  Sou muito grata ao mercado da moda, me sinto realizada. Antes eu me cobrava muito, sonhava em desfilar para a Victoria’s Secret. Mas nunca consegui fazer nem casting pra eles, o que me frustou por um bom tempo. Compensei minha frustração com trabalhos diversos: trabalhava com uma agência boutique de Londres, a Oxigen Models; desfilei em duas fashion weeks em Londres (em 2016 eu fiz dois desfiles e em 2017 desfilei para Missoni x Fad); além de desfilar para Elena Savo na semana de moda de Milão; fiz a campanha da Alcina Cosméticos, uma marca alemã; fiz muita publicidade de cabelo em Milão; trabalhei recentemente no novo álbum da cantora Fergie – foi um sonho realizado! Construí um portfólio muito forte modelando de país em país. São aproximadamente 5 anos de material.

Como foi a participação no filme Mulher Maravilha?
Vou confessar que foi muito especial. Pensava: ‘me belisca! eu tô aqui mesmo?’.

Como recebeu o convite para o filme?
Através de casting por foto e  vídeo monologue!  Uma semana depois do fashion week minha agência me ligou e disse que eu estava em opção para um trabalho nos estúdios da Warner Bros, em Londres. Meu agente não mencionou que trabalho era, apenas me disse que era uma cena em um filme, e que  estavam em dúvida entre eu e uma outra modelo: queriam uma beleza exótica. Fui escolhida pela minha beleza singular, segundo o meu agente, e pelo meu porte físico, que depois ele me disse que era ideal ao de uma guerreira. Ele não quiS me falar a princípio que era o filme da Mulher Maravilha pela minha  ansiedade; me lembro que era uma segunda-feira quando ele me ligou e o job seria na terça-feira, scannearam meu corpo para possíveis cenas de guerra e fizeram uma análise de todos os ângulos do perfil do meu rosto, caso eu fosse a escolha deles. Quando meu agente me ligou era 23h45 me confirmando como escolha e contou de qual filme se tratava. Eu dei pulos e gritos de alegria. Já no dia seguinte, às 5h da manhã, o motorista chegava para me pegar e levar aos studios Warner, deu tudo certo e a experiência foi uma sensação indescritível.

Você chegou a interagir com os grandes atores do longa e com a própria “Mulher Maravilha” nos bastidores?
Sim, a Gal Gadot é umas das pessoas mais profissional que já conheci e com uma carisma incrível, além de linda. Foi uma experiência muito boa, o set era leve. Eu me identifiquei muito com a Doutzen Kroes [modelo] também, gente que mulher linda e maravilhosa!!!! Eu confesso que me sentia um peixinho fora da água. Tudo aquilo era surreal!

Você vai participar da sequência do filme?
Vocês sabem como funciona, trabalhos como esses são extremamente confidenciais, mas confesso que adoraria, uma participação maior seria bem vinda sim.

Atualmente você mora onde?
Atualmente estou morando em São Paulo. Mas essa pergunta é sempre muito difícil pra mim, os últimos 4 anos foram loucos: a cada 3 meses estava em um país diferente. Nesse ano eu resolvi retornar ao Brasil por diversos trabalhos e projetos que estão acontecendo nesse período da minha carreira,  estou sendo cogitada para uma novela, ainda não posso falar nada sobre, mas aguardem vem coisa boa por aí.

Quais são seus sonhos profissionais?
Estou com muitos projetos legais em andamento no Brasil, queria poder compartilhar mais com vocês, tem um projeto lindo com o diretor de cinema Vítor Steinberg. Sou uma  pessoa com muitos sonhos, quem sabe um dia ganhar o Oscar (risos) e desfilar para Victoria’s Secret.

Como foi fazer este shooting para a Vogue online em Milão?
Milão é como  o quintal de casa  para mim, eu tenho casa lá, eu vou pra lá todo ano, é uma cidade que me acolheu e abriu muitas portas na minha vida. Fotografar para a Vogue Brasil em Milão foi  um sonho que se tornou realidade. Sou muito grata.

Você segue algum mantra/lema na vida?
Sim claro! Fui criada dentro de uma igreja evangélica praticamente, ainda frequento cultos com minha mãe quando vou visita-lá. Mas hoje em dia tenho meu próprio guru espiritual que me aconselha e cuida da minha estrada. ‘O amor e o bem se cultivado e disseminado retorna para você em formas benéficas. Não te deixando pisar no vazio, mas em chão sólido!’. Autora: Luciane Cordeiro “Minha Mãe”.

Por apenas US$ 1, é possível ir ao baile beneficente de Rihanna

Rihanna-Cannes-Film-Festival-Chopard-Dinner-Red-Carpet-Fashion-Ralph-Russo-Tom-Lorenzo-Site-4.jpgPara participar do Diamond Ball, festa beneficente que Rihanna promove todo ano, normalmente é preciso fazer doações bem generosas. Agora, no entanto, a cantora quer dar aos fãs menos abastados a oportunidade de curtir o evento, por apenas US$ 1.

Com uma pequena doação, feita através do site da Fundação Clara Lionel, é possível ganhar dois convites para o baile, com passagens aéreas pagas e diária em hotel. A campanha vai até o dia 5.9, e o vencedor do sorteio será anunciado no dia 7.9.

O Diamond Ball deste ano será realizado no dia 14.9, no Cipriani Wall Street, em Nova York. O evento será apresentado por Dave Chappelle e terá shows de Kendrick Lamar e Calvin Harris.

Rihanna criou a fundação em 2012, em homenagem aos seus avós Clara e Lionel Braithwaite, com o objetivo de financiar projetos de saúde e educação em todo o mundo. “Quero desafiar cada um de vocês a assumir o compromisso de ajudar uma pessoa, uma organização, uma situação que toca seu coração. Minha avó costumava dizer se você tem um dólar, há muito para compartilhar “, disse ela em Harvard, em fevereiro de 2017, quando recebeu o prêmio de Humanitária do Ano da universidade.

De acordo com a ONG, cada dólar doado fornece um tijolo para uma escola no Malawi, cada US$10 podem ser usados na compra de dez livros, US$ 15 podem fornecer todo o material escolar essencial a um aluno e US$20 servem para pagar um mês inteiro de estudos para uma criança. [Gisele Navarro]

A casa do futuro chegou

1496772209997.jpgNos últimos meses, tenho convivido com dois novos apetrechos digitais. Ambos têm pouco mais de um palmo de altura e conversam comigo. O que está lá em casa faz mais tempo é o Google Home e, o mais jovem, é um Amazon Tap.

Por enquanto é o tipo de brinquedo que muito pouca gente tem. Não por serem caros — custam bem menos do que um smartphone de ponta —, mas porque sua utilidade não é lá muito clara para a maioria. Em geral, quem os têm usa como um aparelho de som ativado por voz.

São assistentes digitais. E, se por enquanto estão apenas no nicho de nós geeks fascinados, deve mudar no final do ano, quando o Home Pod chegar às lojas. É a versão da Apple — e a Apple tem dessas coisas: só por carregar a maçã branca já forma filas, ganha foto nas primeiras páginas, vira assunto no Facebook.

Estas torrezinhas são o início das casas inteligentes. São o centro da automação residencial. No futuro, pediremos a estes aparelhos que liguem o ar-condicionado, disparem a TV já no canal de Game of Thrones ou que façam a cama. Um pouco disso já é possível.

O primeiro passo foi fazer a tecnologia compreender a voz humana. A lógica é simples. Há uma palavra ou expressão chave que desperta o assistente. Daí se dá um comando. Para a Apple, a palavra chave é ‘Siri’. E o iPhone acorda ciente de que ouvirá um pedido. No Android, ‘Ok, Google’. No mundo da Amazon, ‘Alexa’. Estamos na segunda geração, e um arsenal mais ou menos vasto de comandos já existe. Ok, Google, play Yellow Submarine, faz a torrezinha branca e cinza acessar o Spotify e disparar a música. Ele não entende linguagem natural ainda. É preciso saber como pedir. O sistema é esperto o suficiente para entender algumas variações do comando, mas não muitas.

Para ir além da caixa de som que ouve comandos, é preciso mais equipamento. Lâmpadas Hue, coleção da Phillips que permite ligar, desligar, dimerizar e mudar a cor pelo smartphone, se conectam aos assistentes.

Assim como os controles remotos programáveis da Logitech, série Harmony, que gerenciam BluRay, Chromecast, Apple TV, caixa de TV a cabo e todo o conjunto audiovisual. Quando integrados com as torres, comandos de voz controlem luzes ou liguem a TV no programa certo — ou no Netflix, já abrindo a série pedida.

Enquanto a caixinha serve para tocar música ou dizer a previsão do tempo, não há diferença entre Google e Amazon. Na hora de centralizar a casa inteligente, muda. A Amazon é simples e intuitiva, as conexões são fáceis. Mas ligar o Google Home aos outros aparelhos dá trabalho e, de tempos em tempos, ele se esquece. É preciso reprogramar tudo de novo.

Há também a questão da língua. Ambos se dão bem com sotaques, mas, por enquanto, só falam inglês. Na última semana, o Google soltou seu assistente de voz para português brasileiro. Funciona no smartphone, mas o Google Home segue monoglota. A Amazon não sugere qualquer plano de deixar o inglês.

Meus filhos caçulas — 6 e 7 — adoram pedir Beatles e Michael Jackson em língua estrangeira. Crianças embarcam fácil na diversão. Mas, no cotidiano adulto, há um quê de artificial. A conversa na sala é na língua da gente e aí, quando queremos mudar a luz ou a música, é preciso falar inglês. Não é natural ficar mudando de língua. Assim, fora dos EUA, essas máquinas ainda não se integram de forma tão harmônica no dia a dia.

E, ainda assim, é um se acostumar incrivelmente rápido. De chegar em casa e ir pedindo luz, música ou então Alexa, turn on the TV on GloboNews para as últimas de Gilmar Mendes. O futuro é bem conveniente. Pedro Doria – O Estado de S. Paulo

Décor do dia: sala de jantar minimalista e atual

unnamed.jpgA arquiteta Priscilla Müller tomou como inspiração o espírito globe-trotter de Pierpaolo Piccioli, diretor criativo da Valentino, na hora de criar esta sala de jantar da Mostra Artefacto Curitiba. Para criar um ambiente cheio de drama, ela levou o piso chevron até uma das paredes, criando um ponto de atenção. Outro destaque é a parede verde, formada por samambaias, que adiciona frescor ao ambiente clean e minimalista. O resultado é elegante!

Mulher-Maravilha | Patty Jenkins reponde críticas de James Cameron sobre o filme

patty tumblr_oq85rnbQVX1trp40so1_500Patty Jenkins e Gal Gadot


Depois da polêmica declaração de James Cameron sobre Mulher-Maravilha ser um retrocesso para personagens femininas fortes nos cinemas (leia mais), a diretora Patty Jenkins deu a sua resposta no Twitter: “A incapacidade de James Cameron entender o que Mulher-Maravilha é e o que significa para mulheres de todo o mundo não é uma surpresa, já que, apesar de ser um ótimo cineasta, ele não é uma mulher. Mulheres fortes são ótimas. Os elogios dele para o meu filme Monster: Desejo Assassino e nosso retrato de mulheres fortes, ainda que problemáticas, foi tão apreciado. Mas se as mulheres sempre precisam ser difíceis, duronas e perturbadas para serem fortes, e não estamos livres para sermos multidimensionais ou celebrar um ícone para mulheres do mundo todo por ela ser atraente e amável, não chegamos muito longe, não é mesmo? Acredito que mulheres podem e devem ser TUDO, assim como protagonistas masculinos devem ser. Não há um tipo certo ou errado de mulher poderosa. E o grande público feminino que fez esse filme ser o sucesso que é certamente pode julgar e escolher os seus próprios ícones de progresso“.

Mulher-Maravilha 2 chega aos cinemas em 13 de dezembro de 2019. A personagem aparece antes em Liga da Justiça, que tem estreia marcada para 16 de novembro. [Natália Bridi]