‘Se não tiver medo, é livre’, diz atriz Salma Hayek

Aos 50 anos, a mexicana é Sonia em ‘Dupla Explosiva’, uma mulher poderosa que fala o quer

Elle France 28 Juillet 2017-44.jpgLOS ANGELES – Em Dupla Explosiva, a mexicana Salma Hayek faz Sonia, a mulher do matador Darius (Samuel L. Jackson), protegido pelo guarda-costas caído em desgraça Michael Bryce (Ryan Reynolds). Sonia pagou pelos erros do marido e agora está na prisão. Mas que ninguém se engane: ela manda na cadeia, ao mesmo tempo em que troca juras de amor (cheias de palavrões, a bem da verdade) com o marido, que agora tenta libertá-la depondo contra um chefão do crime. Aos 50 anos, a atriz achou que não seria capaz de fazer cenas de ação. Mas fez uma das mais divertidas do ano. Ela conversou com Mariane Morisawa do Estado sobre ser destemida e sua cabeça de diretora:

Você devia ser uma heroína da Marvel. Faria?
Claro! Eu tenho uma ideia de um super-herói mexicano com poderes patéticos.

No filme, você tem uma grande sequência de luta num bar. Treinou muito para fazer?
Deveria! Mas não achei que ia realmente fazer. Apareci sem treinamento. Só que na hora, me senti tão velha, porque sempre fiz minhas cenas de ação. E conhecia todos os dublês. Tinha trabalhado com todos eles, achei estranho que trouxessem alguém para fingir ser eu. Não consegui lidar com isso, então resolvi tentar. E vi que conseguia fazer! E fiz. Tive de aprender a coreografia em poucas horas, mas fiz.

Mas é uma cena perigosa, com garrafas e tal.
Sim, mas nunca machuquei ninguém na minha carreira. Talvez uma vez. Desloquei a mandíbula de uma pessoa, do Mathieu Demy, no filme Americano. Dei um tapa, e ele disse que eu estava sendo cuidadosa demais e que eu tinha de bater mais forte. Era o primeiro dia de filmagem. Aí eu dei um tapa, e a mandíbula deslocou. Ele não conseguia falar! E era o diretor do filme!

THB_4983.NEFCasal quente. Sonia é a mulher do matador Darius, vivido por Samuel L. Jackson Foto: Jack English


Sua personagem é cheia de opiniões, sabe o que quer. Identifica-se com isso?
Sim, eu sou assim. Falo o que penso. Mas admiro seu senso de liberdade. Ela não tem medo das consequências. E faz tudo o que quer, diz o que quer, não se importa com o que os outros pensam. A maior forma de liberdade é o destemor. Se você não tiver medo, é livre.

Você falou sobre ser destemida, mas sempre passou essa imagem. Sempre foi assim?
Não, tenho medo, mas supero e faço o que tenho de fazer.

Mas não é daquelas que fazem o que querem, como querem?
Sim. Mas tenho de passar por um processo psicológico. A coisa mais impressionante que já fiz foi dançar com aquela cobra (no filme ‘Um Drinque no Inferno’, de Robert Rodriguez), porque tenho fobia. Tive de entrar em transe e aprender como fazer isso.

É bom ser cheia de opinião em Hollywood ou pode ser problemático?
As duas coisas. Sempre é problemático, mas no fim é bom defender suas opiniões.

Tem gente que não trabalha com você por isso?
Com certeza! Sei de várias pessoas.

Se pudesse escolher sua profissão hoje, ainda seria atriz?
Não sei se quis ser atriz. Hoje, eu entendo que queria estar na indústria cinematográfica. Achei que ser atriz era algo lógico para mim. Mas, olhando para o passado, nunca sonhei ser atriz. Queria fazer filmes. Nunca fui para o trailer entre as cenas. Ficava conversando com membros da equipe. Talvez seria diretora. Tenho projetos, vamos ver. Eu produzo por isso, porque tenho uma visão do projeto. Como atriz, também. Sei quando uma cena não funciona. Nem deveria estar dizendo isso, porque é a última coisa que um diretor quer de um ator!

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