Roupas unissex para crianças dividem pais ingleses

IW_05_GENDER1A decisão da cadeia de lojas John Lewis de optar pela utilização de etiquetas neutras em termos de gênero provocou um debate. (Oli Scarff/Getty Images)

Recentemente, na guerra dos gêneros, os varejistas ingleses têm tido problemas para chegar ao correto equilíbrio no setor infantil, quer perpetuando os estereótipos ou exagerando na direção oposta.

O supermercado Asda foi criticado por vender camisetas para meninos com dizeres como “Futuro cientista”, enquanto as camisetas para meninas diziam “Alô, linda!” e “Ponies Rock”.

No ano passado, uma menina inglesa de oito anos, Daisy Edmonds, se tornou uma sensação na internet quando sua mãe a filmou em um supermercado Tesco protestando veementemente contra as camisetas por achá-las sexistas. Por que, ela perguntou, as camisetas dos meninos dizem, por exemplo, “As aventuras no deserto esperam por você”, “Seja inovador” e “Herói”, enquanto nas das meninas está escrito “Maravilhosa”, “Alô!” e “Eu me sinto fabulosa”?

“Todo mundo acha que as meninas só deveriam ser bonitinhas e os meninos deveriam gostar de aventura”, acrescentou.

Mas, agora, alguns consumidores estão afirmando que a John Lewis apelou para o extremo oposto. Ao que parece, a cadeia retirou completamente as etiquetas específicas de gênero da sua marca de roupas infantis. Em seu lugar, ela colocou nestes itens identificações do tipo “meninos & meninas” ou “meninas & meninos”, tanto para calças quanto para saias.

A John Lewis, uma das principais cadeias de varejo da Grã-Bretanha, informou que no ano passado eliminou as indicações “meninas” e “meninos” em suas lojas de departamento em todo o país, e, no início deste ano, introduziu roupas de bebê unissex.

“Nós não queremos reforçar os estereótipos de gênero nas nossas coleções John Lewis, ao contrário, pretendemos oferecer opções mais amplas e mais variadas aos nossos clientes, para que os pais ou as crianças possam escolher o que preferem vestir”, disse Caroline Bettis, diretora do vestuário infantil das lojas.

A nova política foi elogiada por muitos pais e defensores dos direitos das crianças, mas alguns acusaram a companhia de ser politicamente correta e ameaçaram um boicote. “A John Lewis abandona as etiquetas ‘meninos’ e ‘meninas’ por uma linha neutra de gênero. Quanta besteira em nome do politicamente correto!” escreveu Bob Blister, de Poole, Inglaterra, no Twitter. E acrescentou: “Grande mídia social reaja contra a John Lewis! Boicote!”

Andrew Bridgen, um parlamentar conservador e pai de dois meninos adolescentes, achou que a medida poderá confundir os pais. “Este é o avanço da brigada do PC”, afirmou. “Eu me pergunto quantos pais que frequentam as lojas John Lewis comprarão um vestido para seus filhos de seis anos? Homens e mulheres, meninos e meninas são biologicamente diferentes, apesar dos boatos em contrário. Se você tem filhos, para que vai querer perder tempo na sessão de vestidos?”

Mas “Let Clothes Be Clothes” (Deixe que a roupa seja apenas roupa), um grupo de pais ingleses, elogiou a nova política, observando que a resistência à mudança lembra a era antiquada dos anos 50, e os chauvinistas que se opunham a que as mulheres usassem calças compridas.

A John Lewis resolveu adotar sua política em relação à roupa infantil em pleno debate global sobre a fluidez do gênero e a necessidade de atualizar padrões tradicionais linguísticos e de vestuário.

Na Austrália, a International Grammar School de Sidney lançou recentemente uniformes escolares sem distinção de gêneros, com opções para ambos os sexos que incluem gravatas listradas e collants.

Há pouco tempo, o Canadá decidiu permitir que seus cidadãos se identifiquem com a categoria “X” de gênero neutro em seus passaportes, seguindo o exemplo de países como Dinamarca, Malta e Nova Zelândia.

Dinah Spritzer, uma americana que reside em Praga e escreve sobre questões de gênero, afirmou que medidas como a da John Lewis têm um sentido de libertação.

“Se outras lojas fizerem o mesmo, encorajarão pais e filhos a não se sentirem envergonhados com suas preferências”, ela afirmou. “O medo de que você atribua características femininas ao seu filho ou o faça parecer um homossexual é uma atitude ignorante e obscena”. [Dan Bilefsky]

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