Google lança sistema de pagamentos móveis Android Pay no Brasil

Lançado em 2015 nos EUA, serviço armazena informações de cartão de crédito ou débito, permitindo pagamento com smartphone

Sem taxa. Google não vai cobrar comissão em transações feitas com Android Pay; para Germano, sistema reforça marcaSem taxa. Google não vai cobrar comissão em transações feitas com Android Pay; para Germano, sistema reforça marca


Após meses de espera, o Google lançou ontem no Brasil o Android Pay, seu serviço de pagamentos móveis. Com a plataforma, a empresa espera que os usuários de smartphones Android comecem a deixar seus cartões em casa, levando apenas o celular para realizar compras. O desafio, além de conseguir construir um ecossistema que permita o pagamento móvel, é convencer o consumidor de que as transações são mais seguras e práticas do que responder à pergunta “crédito ou débito?”.

Lançado em 2015 nos EUA, o serviço começa a funcionar no País com parcerias com bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e a startup Neon), empresas do setor de cartões (Visa, Porto Seguro e Brasil Pré-Pago), bem como com diversos tipos de estabelecimento, como farmácias, postos de gasolina e lojas de roupas.

Os bancos privados – Itaú, Bradesco e Santander –, bem como a Mastercard, por enquanto ficam de fora, mas o Google diz que há negociações para inclui-los na plataforma o quanto antes. “O Itaú Unibanco está trabalhando para disponibilizar o serviço do Android Pay para seus clientes o mais breve possível”, disse o banco.

“Gostaríamos que o mercado inteiro adotasse, mas a intenção nunca foi lançar com todos. Não fizemos isso em outros países”, disse Alessandro Germano, diretor de parcerias estratégicas do Google no Brasil, no evento de lançamento do serviço realizado ontem, em São Paulo. “Lançamos quando conseguimos ter massa crítica no negócio”.

O Brasil é o primeiro país da América Latina – e o 17º no mundo – a receber o serviço. Questionado, o Google diz que não cobrará comissão pelas transações – a ideia da empresa, diz Germano, é dar “praticidade” ao usuário e “fortalecer sua relação com o sistema Android”.

Tecnologia. Apesar do entusiasmo, o Google terá obstáculos tecnológicos para popularizar o pagamento móvel. Isso porque o Android Pay, cujo aplicativo pode ser baixado por qualquer usuário do sistema operacional da empresa, só é compatível com aparelhos que possuem a tecnologia NFC (comunicação de campo próximo, na sigla em inglês), necessária para efetuar o pagamento.

Apesar de já estar presente nos celulares há alguns anos, o NFC ainda é uma tecnologia restrita: segundo a consultoriaGfK, apenas 27% dos smartphones vendidos no Brasil no mês de setembro tinham a tecnologia. Outro ponto importante são as máquinas de cartões: segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), 60% das 4,1 milhões de máquinas de cartão existentes no País estão aptas a receber pagamentos via NFC.

Para o presidente da Abecs Fernando Chacon, no entanto, a maior dificuldade dos pagamentos móveis no País está mesmo em convencer os consumidores da utilidade do serviço. “Hoje, muita gente acha simples tirar o plástico da carteira e fazer o pagamento. Para o serviço deslanchar, é preciso trazer mais conveniência ou segurança para o usuário”, diz.

Guilherme Horn, diretor de inovação da consultoria Accenture, vai na mesma linha. “O serviço traz vantagens, especialmente na segurança, mas as pessoas precisam testá-lo para se convencer disso.” O aspecto da segurança é um ponto propagado pelo Google como vantagem: as transações do Android Pay podem ser feitas com um “cartão virtual”, recurso que mascara o número do cartão do usuário, criando um segundo número válido para os pagamentos.

Competição. Lá fora, o Android Pay compete com outros serviços semelhantes, como o Apple Pay, da Apple, o Samsung Pay, da Samsung, e a Square, startup fundada pelo cofundador e presidente-executivo do Twitter, Jack Dorsey.

No Brasil, o principal adversário do serviço é o Samsung Pay, que anunciou ontem a inclusão do Bradesco entre seus parceiros – o movimento foi visto pelo mercado como reação à chegada do Android Pay no País. O Google diz que seu serviço também poderá ser usado por smartphones da empresa sul-coreana, mas anunciou apenas Motorola, Sony e LG como parceiros no evento de ontem.

Além dos dois, o mercado espera há anos a chegada do Apple Pay ao País. Segundo fontes de mercado ouvidas pelo Estado, o lançamento do Android Pay pode ajudar a acelerar as negociações, bastante complicadas – isso acontece porque, ao contrário do Google, a Apple pretende ficar com uma pequena comissão por cada transação feita com seu sistema, desagradando as empresas da cadeia de meios de pagamentos.


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