Estilosa, minissérie “Liar” sobre estupro mescla ‘The Affair’ e ‘Broadchurch’

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Joanne Froggatt como a personagem Anna Bates na série “Liar”, da Sundance TV

Teté Ribeiro
Editora da “Serafina”

Em “Downton Abbey”, a personagem Anna Bates, interpretada pela atriz Joanne Froggatt, passou por situações embaraçosas e violentas, desde carregar o corpo de um hóspede morto até lutar pela inocência de seu marido preso. Chegou a ser estuprada pelo serviçal de um convidado. Tudo sem perder a discrição.

A personagem que ela interpreta na boa minissérie “Liar”, da Sundance TV, disponível na Apple TV, tem semelhanças e diferenças com Bates.

A semelhança é que ela também pode ter sido vítima de um estupro. A diferença é que não vai esconder o fato, pelo contrário: fará uma campanha contra quem ela imagina ser seu agressor.

Afinal, sua Laura Nielson é uma mulher atual, independente, uma professora de ensino médio recém-separada, que gosta de beber e se divertir.

Uma noite, ela decide aceitar o convite para jantar de um médico bonitão, Andrew Earlham (Ioan Gruffudd), pai de um aluno seu.

Eles moram numa cidade pequena à beira-mar, daí o clima que lembra “Broadchurch” –a série também foi filmada numa bela paisagem, agora em Kent, na costa leste inglesa, onde Julio César teria desembarcado em 55 a.C. Mas o suspense que se segue aproxima as séries ainda mais.

O encontro vai superbem e os dois terminam a noite na casa dela para um último drinque. No dia seguinte, ela acorda semivestida em sua cama e convencida de que foi estuprada. Mas não lembra de todos os detalhes daquela noite e não consegue contar sua versão de maneira assertiva para a polícia.

Os dois detetives que pegam o caso têm dificuldade com os detalhes faltando, mas acreditam nela.

Ele nega tudo e parece inocente. Diz que o sexo foi consensual, que os dois tinham bebido e ela não disse “não” em nenhum momento.

Conta que saiu do quarto para pegar uma camisinha no banheiro, indicado por ela, e que nem naquela hora ela se levantou da cama. Ele é um cirurgião bem-sucedido e atraente, ela é uma mulher sozinha e complicada.

Alguém está mentindo, mas o público fica sem saber qual dos dois. Daí a proximidade com “The Affair”, em que cada um tem uma versão da história. As duas são terríveis: ela pode ter sido estuprada por um conhecido e ele pode estar sendo vítima de uma acusação falsa.

Não só: os personagens secundários não são bidimensionais, como costuma ocorrer em séries, e todos têm uma mentira importante para esconder.

Laura Nielson parece a personagem mais complexa. Bebe muito, toma remédios e tem histórias estranhas no passado. O grande segredo de “Liar” é revelado logo, e a minissérie vai de melodrama para suspense psicológico, aproximando-se ainda mais de “Broadchurch”, mas talvez sem todos os recursos de roteiro.

Quanto mais a história se revela, mais os personagens tomam atitudes radicais.

Criada pelos irmãos ingleses Harry e Jack Williams, de “The Missing”, é estilosa e bem cuidada, os cenários são todos interessantes, a música complementa, mas não incomoda. Nas situações mais extremas, as cenas levam a audiência a acreditar que aquilo poderia acontecer, nada perde a verossimilhança.

“Liar” não é tão boa quanto “Broadchurch” ou “The Affair”, mas segura o espectador do começo ao fim. E tem a vantagem de ser curta, seis episódios de menos de uma hora cada um. E uma trama que não pode ser mais atual. LIAR (muito bom)  ONDE Apple TV

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