Mulheres de Hollywood criam fundo de apoio a vítimas de assédio

Atrizes, diretoras, produtoras e cantoras criaram projeto que pretende oferecer subsídios para que sejam tomadas medidas legais contra os assediadores

Segundo o jornal The New York Times, a ação não tem líderes. Ela é dividida em comitês, responsáveis por diferentes áreas de atuação, como legislação, política corporativa, práticas de contratação e arrecadação de recursos. Shonda Rhimes, Reese Witherspoon, Natalie Portman, Emma Stone, Ava DuVernay, Gwyneth Paltrow, Jennifer Aniston, Kate Hudson, Viola Davis, Alicia Vikander, Amy Poehler, Taylor Swift e Jessica Chastain estão entre as principais vozes do movimento.

Nesta segunda-feira, a iniciativa publicou em seu site uma carta aberta às mulheres de Hollywood.

Chamado de Time’s Up, o movimento foi anunciado com uma carta aberta e inclui algumas ações, como:

  • Um fundo de defesa legal, com o dinheiro de doações, para mulheres menos privilegiadas – como zeladoras e enfermeiras que trabalham em locais como fazendas, fábricas, restaurantes, etc. – se protegerem contra má conduta sexual e as consequências da denúncia;
  • Legislação para penalizar companhias que toleram o assédio persistente e para desencorajar acordos não divulgados para silenciar as vítimas;
  • Um movimento para alcançar a igualdade de gêneros em estúdios e agências;
  • Um pedido para que as mulheres no tapete vermelho do Globo de Ouro falem e usem preto como forma de conscientização;

Confira abaixo um trecho do texto traduzido:
“Seguimos empenhadas em conscientizar nosso ambiente de trabalho, pressionando-o por mudanças rápidas e eficazes que tornem a indústria do entretenimento um lugar seguro e equilibrado. Também, buscamos mudar a forma como a sociedade enxerga e trata as mulheres, através de histórias de diversas mulheres, vítimas.”

Após o lançamento do movimento, vários artistas mostraram apoio nas redes sociais, como Bryce Dallas HowardJessica BielTessa ThompsonUzo AdubaAva DuVernayBrie LarsonEllen PageNina Dobrev, entre várias outras.

Ser mãe em tempos de Black Mirror

Qual invenção vai nos ajudar a manter a sanidade mental nesse salto no abismo chamado maternidade?

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Cena do episódio Arkangel, 4a. temporada de Black Mirror


Você se distrai um minuto e seu filho some no parquinho/no shopping/na rua. Ou engasga mamando ou comendo pipoca. É desesperador e quase todos os pais e mães já passaram por um aperto desses na vida, quando o coração para, o ar falta,como eu fui me distrair, como deixei isso acontecer? Ser mãe é não ter o controle de nada, muito menos sobre o destino do seu filho mesmo cercando- o de todos os cuidados, repita isso ao sair da maternidade e por todos os dias de sua vida a partir de então.

E já há algum tempo mostramos que estamos abertos para tudo que possam nos oferecer para tentar driblar esse desamparo. Aceitamos, sem problematizar muito, as câmeras nas creches, que nos permitem assistir a um verdadeiro Big Brother dos nossos filhos na escola. Ao menor sinal de caos, tão comum quando existem várias crianças juntas, ligamos e chamamos a coordenadora, onde já se viu deixar meu filho ser mordido por outra criança? Cadê a professora? Também não nos opusemos às mochila-cabresto, com uma guia “de segurança” que pode ser puxada assim que nossos filhos ensaiam uma fuga em um lugar movimentado, evitando assim o desgaste de ter de explicar pela milésima vez que é necessário dar sempre a mão para o papai e a mamãe para não se perder. Talvez a gente não tenha se atentado para o absurdo que se avizinha por termos encarado esses novos itens como banais em um mundo onde, em nome da segurança, já foram inventados desde protetores de tomadas a babás eletrônicas, capazes de permitir que a gente se antecipe ao primeiro sinal de choro e desconforto dos nossos filhos (que talvez virassem para o lado e adormecessem sozinhos sem o nosso auxílio depois daquele gemido, jamais saberemos).

E qual seria a próxima invenção para nos ajudar a manter a sanidade mental nesse salto no abismo chamado maternidade?, poderíamos nos perguntar. Black Mirror, série da Netflix, uma “antologia de ficção científica”, segundo ela mesma, arrisca algumas respostas a essa pergunta, sempre tendo a tecnologia como pano de fundo. O segundo episódio da quarta temporada da série, “Arkangel”, conta a história de Marie, vivida pela atriz americana Rosemarie DeWitt. Ela é mãe solo e se mostra extremamente fragilizada após a filha sumir por alguns longos minutos, assim que se distrai conversando com outra mãe. Traumatizada, aceita participar de um experimento vendido como “super seguro”: o implante de uma espécie de chip na cabeça da filha, a pequena Sara. Logo descobre que além de saber a localização da menina, também consegue informações sobre a saúde da garota, além de impedir que veja cenas impróprias que a vida tem a oferecer a todo o instante, uma espécie de classificação indicativa do mundo real. Violência? Nem pensar. Sangue, palavrões e até o cachorro do vizinho que assusta a menina com seus latidos acabam “censurados” pela mãe preocupada. Em vez de ver a cara de brava do bicho, dentes cerrados, Sara vê uma imagem borrada, ininteligível. O susto passa, mas não porque ela ganhou autoconfiança, e sim porque não precisa mais enfrentar a imagem aterradora do cachorro diariamente. Clicando em outro botão, Marie descobre ser possível assistir ao que que a filha está vendo, em tempo real. Será que está bem na escola/com a babá/com o avô? O chip “retransmite as imagens óticas” da criança, ou seja, você pode espioná-la, tudo sempre em nome de sua segurança. Não precisa conhecer muito a mente humana para saber que esse tipo de controle é irresistível, principalmente para mães.

Mas, fiquem tranquilos, não vou dar spoilers. Termino por aqui dizendo que Sara passa parte da vida sendo poupada de tudo que possa lhe causar dor e sofrimento e os conflitos não tardam a aparecer. O auge da crise chega com a adolescência, claro, esse período cabeludo que faz que a gente sinta saudades das peripécias dos nossos filhos quando crianças.

E se engana quem pensa que esse futuro pintado por Black Mirror está longe de virar realidade. Uma empresa dos Estados Unidos já colocou o chip “à disposição” de seus funcionários com as melhores das boas intenções, claro. Ele traz “comodidade”, abolindo o uso de crachás e senhas. Também oferece “segurança”, dizem. Os cachorros, aqueles que inspiraram as coleiras para crianças, já carregam chips. Não vai demorar nada para oferecerem esse serviço na maternidade para evitar trocas de bebês e sequestros, pode apostar. 

Claro que saberíamos onde está a menina Madeleine McCain se ela tivesse um chip implantado. E também o destino de várias outras crianças desaparecidas. Poderíamos também impedir que nossos filhos fossem vítimas de abuso sexual. E ainda teríamos como saber a identidade de seus abusadores. Poderíamos solucionar sequestros, impedir que os adolescentes se envolvessem com drogas e más companhias, etc, etc, etc. Sim, sim e sim. Mas não temos esse direito, simplesmente não temos o direito de invadir a privacidade dos nossos filhos. As discussões sobre até onde podemos ir sempre são eclipsadas quando o medo, esse bicho de sete cabeças, aparece. Mas ele é nosso convidado desde que damos à luz nossos filhos, simplesmente chega, puxa uma cadeira e se instala em nossa vida, acostume-se se não quiser pirar. 

Imagina se seus pais pudessem ter assistido, de camarote, àquele fora que você tomou no ensino médio? E se fossem propor uma DR cada vez que te vissem não lidando bem com algo que você achou por bem não dividir com mais ninguém? Viver se tornaria insuportável. Claro que temos a obrigação de educar nossos filhos e continuamos querendo saber por onde andam e com quem estão. Mas para conseguir essa resposta eu prefiro perguntar, em vez de bisbilhotar. [Rita Lisauskas]

Kim Kardashian e Kanye West têm fim de ano conturbado, e passam últimos dias de 2017 no hospital

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Kim Kardashian com o filho Saint || Créditos: Reprodução Instaagram

Kim Kardashian fez desabafo raro em seu Instagram na tarde desta terça-feira, 2º dia do ano. Confessou a seus mais de 100 milhões de seguidores que os últimos dias de 2017 foram de ansiedade e preocupação para ela e familiares. Tudo por conta da internação do pequeno Saint, seu filho de dois anos, que foi diagnosticado com pneumonia e precisou ser internado.

“Meu precioso baby boy é tão forte! Depois de passar três noites no hospital e ver meu bebê tomar múltiplos medicamentos e ficar preso a máquinas de oxigênio, nosso fim de ano foi realmente desafiador”, disse Kim na rede social. “Pneumonia é muito assustador. Eu apenas quero agradecer aos enfermeiros e doutores que trabalharam tão duro o tempo todo. Somos muito gratos a todos vocês! Ele está em casa e melhor. Ele é tão resiliente, tenho certeza que vai continuar dizendo que o passeio de ambulância foi legal.” Kim terminou o post com um trocadilho com o nome do filho ao dizer: “Meu Santo Forte.”

Harry e Meghan voaram de classe econômica para festa de Ano-Novo

Casal virou o ano em celebração luxuosa ao lado da realeza de Mônaco

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Meghan Markle e o príncipe Harry (Foto: Reprodução / Instagram)

O príncipe Harry e sua noiva, Meghan Markle, celebraram a virada do ano na glamourosa Monte Carlo, em Mônaco. Segundo o jornal britânico The Daily Mail, o casal encontrou os membros da realeza local príncipe Albert e princesa Charlene em uma festa particular. Contudo, antes de todo o luxo, Harry e Meghan viajaram como bons mortais, na classe econômica de um voo regular.

Acompanhado de três guarda-costas, o casal pegou um avião da companhia aérea British Airways de Londres para a cidade francesa Nice, no dia 31 de dezembro. Segundo testemunhas, o casal comprou as poltronas das três últimas fileiras da classe econômica, próximas aos banheiros. Eles embarcaram antes que os demais e Harry usou um boné como disfarce, enquanto Meghan usava um gorro preto.

Na França, o casal foi escoltado pela polícia do aeroporto à área vip, antes de embarcar no helicóptero que os levou até Monte Carlo, onde passaram duas noites. Na manhã desta terça, eles foram vistos embarcando novamente em um helicóptero para voltar para casa.

Netflix e Disney podem estar no radar da Apple, segundo os analistas do Citi Jim Suva e Asiya Merchant

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Apple tem investido em conteúdo próprio nos últimos meses.

Segundo relatório (meros chutes ou, quem sabe, “desejos” da indústria) feito por analistas da Citi, há 40% de chances de a empresa dona do iPhone olhar para o serviço de streaming, caso consiga repatriar dinheiro que está em caixa em outros países

Após a reforma tributária proposta pelo presidente Donald Trump ter sido aprovada em dezembro nos Estados Unidos, a fabricante norte-americana Apple pode conseguir repatriar uma alta quantia de dinheiro que está no exterior, o que pode aumentar seu apetite para aquisições. Com base nisso, analistas do Citi estimam, em um novo relatório, que há 40% de chances de a Apple comprar a Netflix e 30% de adquirir a Disney. [Entretanto, é válido citar que a pesquisa foi realizada antes que a Disney anunciasse a aquisição da Fox.]

Hoje, a empresa de Cupertino tem cerca de US$ 252 bilhões guardados, mas boa parte dessa quantia está em territórios fora dos EUA e, até o momento, era impossível trazer esse dinheiro de volta para o país. O montante, segundo os analistas, cresce US$ 50 bilhões ao ano. “Historicamente, a Apple evitou repatriar dinheiro para os EUA para evitar grandes taxações. Por isso, a reforma tributária pode permitir que a empresa coloque o dinheiro em uso”, dizem os analistas, no relatório.

Segundo o Citi, a Apple mantém mais de 90% de seu dinheiro fora dos EUA, então a empresa poderia se beneficiar se fizesse uma repatriação única. “Com uma taxação de 10% sobre o dinheiro, a empresa teria US$ 220 bilhões para gastar com aquisições”, disseram no relatório. Com um terço desse dinheiro, a companhia poderia comprar o Netflix.

Interesse. Por anos, a Apple tem tido dificuldades em oferecer um serviço competitivo de televisão ou de filmes. O iTunes trouxe algum sucesso para a empresa, mas os usuários migraram depois para serviços de streaming como Netflix, Amazon Prime Video e Hulu. Por isso, nos últimos tempos, a companhia tem investido na produção de conteúdo próprio, então faz sentido que a empresa pense em investir numa empresa com experiência no segmento.

Existem rumores antigos de que a Apple compraria alguma dessas empresas maiores supracitadas; entretanto, se essa previsão se baseia somente na quantia que ela tem no banco ou pode ter, as apostas podem ser meros chutes ou, quem sabe, “desejos” da indústria.

Rihanna X Kylie Jenner! Quem está levando a melhor no mercado de cosméticos?

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Rihanna e Kylie Jenner || Créditos: Getty Images

Considerada um case de sucesso com pouquíssimos precedentes no mundo dos famosos, a marca de cosméticos Kylie Cosmetics – lançada por Kylie Jenner há dois anos – está perdendo terreno nas redes sociais para a Fenty Beauty, uma concorrente com apenas quatro meses de atividade, joint-venture entre Rihanna e o conglomerado francês LVMH, do bilionário Bernard Arnault.

O público alvo das duas, é claro, são as adolescentes americanas, e o fato de que uma está fazendo consideravelmente mais sucesso do que a outra em Instagram, Facebook e afins é uma péssima notícia para Kylie, já que é justamente nesses meios que marcas de cosméticos conquistam novas clientes.

Segundo a empresa americana de pesquisas de mercado online Fizziology, o que tem “pegado” nesse caso é o fato de que a Fenty oferece bem mais opções de produtos para mulheres de diferentes etnias do que a Kylie Cosmetics. Ainda de acordo com a Fizziology, 57% do que se fala sobre o negócio da caçula do clã Kardashian na internet é de teor negativo, uma rejeição vista como altíssima por experts.

Apesar da má fase, a Kylie Cosmetics continua sendo vista como promissora, a começar por suas receitas anuais, hoje na casa dos US$ 280 milhões (R$ 916,4 milhões). Ainda assim, a Fenty também prospera nessa área, tanto que parte do aumento de 17% nas vendas de produtos de beleza do LVMH no terceiro trimestre de 2017 é atribuído à boa performance da marca nas vendas de Natal, que inclusive foi eleita uma das melhores invenções do ano pela “Time”. [Anderson Antunes]

Alemanha poderá multar redes sociais em até € 50 milhões

Lei aprovada em junho de 2017, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2018, obriga empresas a retirar conteúdos impróprios de suas plataformas em até 24 horas após notificação

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Redes sociais poderão ser multadas na Alemanha se não tirarem do ar conteúdo impróprio em até 24h.

Na última segunda-feira, 1º, entrou em vigor na Alemanha uma lei que obriga redes sociais a removerem conteúdos impróprios, como discurso de ódio e notícias falsas, de suas plataformas em até 24 horas após notificadas por seus usuários. As companhias que não cumprirem as novas normas poderão ser multadas em até € 50 milhões.

A lei se aplica aos sites de mídia e redes sociais com mais de 2 milhões de membros. Facebook, Twitter e YouTube serão os principais afetados, mas a regra poderá ser aplicada ao Reddit, Tumblr e a rede social russa VK. Outros sites populares, como Vimeo e Flickr também poderão ser punidos, caso descumpram a norma.

A lei alemã, chamada de Netzwerkdurchsetzungsgesetz (NetzDG), foi aprovada no final de junho de 2017 e passou a valer a partir de outubro. Contudo, o Ministério da Justiça alemão deu prazo até o final de 2017 para as redes sociais se prepararem para as novas regras.

O Facebook informou que contratou centenas de novos funcionários na Alemanha para conseguir lidar com as denúncias no país a tempo e ficar dentro da NetzDG. A maior parte do material denunciado precisa sair do ar depois de 24 horas, mas “casos complexos” poderão ser avaliados em até uma semana.

O Ministro da Justiça alemão disse que oferecerá formulários em seu site oficial para que os cidadãos possam denunciar quando as redes sociais não removerem o conteúdo denunciado dentro do prazo estipulado.

Controvérsia. Sites como Facebook, Google e Twitter têm se tornado palco de discussões sobre o recente fluxo de refugiados da Síria para a Alemanha. O país, contudo, só se sentiu pressionado a tomar atitudes para evitar a disseminação de conteúdos impróprios nas redes sociais após uma série de denúncias de que as notícias falsas e os conteúdos racistas espalhados nas redes poderiam afetar as eleições nacionais de setembro.

A legislação, porém, tem gerado um grande debate, com alguns especialistas apontando que ela pode resultar em censura ou diminuição da liberdade de expressão na internet.

Por enquanto, a lei alemã é o exemplo mais extremo de regulamentação das redes sociais até agora. Em 2017, as principais redes sociais, como Facebook e Twitter, foram duramente atacadas após o público tomar conhecimento da proporção de propagandas e notícias falsas que circulam por esses sites.

No Reino Unido, políticos também têm criticado as redes sociais, dizendo que as empresas de tecnologia falharam em evitar a propagação de discurso de ódio e outros tipos de conteúdo ofensivo em suas plataformas. A Comissão Europeia, por sua vez, publicou diretrizes pedindo para as redes sociais sejam mais rápidas na identificação e remoção de conteúdo com discurso de ódio.

Lea T: “Todas as mulheres podem representar a Vênus de Boticelli”

Com sensibilidade e olhar atento, a top Lea T atualizada as demandas da comunidade trans e se posiciona contra o conservadorismo preconceituoso.
Por Gabriel MonteiroPedro Camargo

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(Mariana Maltoni/ELLE)

Após uma campanha para a Givenchy, de Riccardo Tisci, em 2010, Lea T foi apresentada ao mundo como a primeira mulher transexual a alcançar um papel de destaque na moda. De lá para cá, sua lista de conquistas só tem aumentado. Ela ganhou uma capa pioneira da ELLE (em dezembro de 2011), tornou- -se embaixadora da marca de produtos para cabelo Redken (em 2014), foi selecionada pela Forbes como uma das mulheres que revolucionaram a moda italiana, ao lado de figuras como Silvia Fendi e Miuccia Prada, em 2015, e participou da abertura dos Jogos Olímpicos, no Rio, em 2016, além de continuar a estrelar grandes campanhas e desfiles.

Para a nossa sessão de fotos, trabalhou durante quase dez horas seguidas. Enquanto arrumava seu cabelo e sugeria movimentos, Lea ia se transformando na Vênus de Botticelli – mantendo-se sempre animada ao som de um dos seus álbuns preferidos, Moon Safari, da dupla francesa Air.

A boa energia tem muita relação com o período que passou em Alto do Paraíso tentando se conhecer melhor. A região localizada na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, é famosa por conter uma das maiores bases de cristais do mundo e foi responsável por mudanças radicais na maneira como a modelo leva a vida. Hoje, aos 35 anos, ela é uma das maiores defensoras da fauna, da fora e dos habitantes locais. Durante os incêndios de outubro deste ano – que devastaram mais de 64 mil hectares de reserva natural –, Lea fez do seu perfil no Instagram uma ferramenta para captar recursos para os brigadistas que tentavam conter o fogo.

Ela surpreende e desaponta quem a interpretou por um bom tempo como uma figura excêntrica, definindo a si mesma como “alguém que está em um frequente processo evolutivo, uma pessoa que é boa e ruim, perfeita e imperfeita”. Mistério sempre há de pintar em Lea T, mas uma parte de sua natureza se revela aqui, no papo a seguir.

O que significa para você representar O Nascimento de Vênus, de Botticelli, em uma revista de moda?
Estudei artes em Florença, por isso pensei muito no significado desse quadro e cheguei à conclusão de que ela é a mulher perfeita. Então, falei para mim mesma: ‘Por que não?’ Por que não posso ser a Vênus de Boticelli? Eu posso ser perfeita mesmo tendo as minhas imperfeições. No fim das contas, todas as mulheres podem representar essa figura.

Em sua primeira capa de ELLE, em dezembro de 2011, você disse que não se achava bonita. Suas concepções de beleza se transformaram com o tempo?
Não sou a mulher mais bonita do mundo, mas me agrado. Sei como nasci e em quem me transformei, fisicamente falando, mas sei também quem mora dentro disso. Eu seria pouco respeitosa com meu espírito se falasse que me acho horrorosa. Estou ficando mais velha sem deixar de respeitar tudo o que está em volta. Para mim, é isso que importa.

Você acredita que a arte tem o poder de abrir a mente das pessoas?
Você precisa receber a arte com abertura. Isso é uma ideia que pode ser usada para aumentar a tolerância entre as pessoas. No Brasil, porém, a situação chegou a um nível de estupidez em que até o nu precisa ser censurado, segundo os conservadores. A própria Vênus, que refizemos para esta capa, é um símbolo de nudez pura, e não pervertida. Quem defende a censura é porque não tem a capacidade de perceber os corpos de uma maneira não pornográfica. Ou seja, os pervertidos são eles! Pode ser também que eles defendam uma sociedade ignorante, já que, em uma realidade como essa, é mais fácil de se tornar um líder. Há interesse por parte dessas pessoas de que o nosso país seja formado por jovens que não tenham informação. Isso acontece no Brasil e também fora dele.

O que mudou para quem é trans desde quando você começou?
Na moda, se apresentar como trans, trabalhar e querer os mesmos direitos das outras meninas foi um choque. Fui capa porque eu era exceção, e não porque era a mais bonita. Hoje em dia, uma mulher transexual já pode sonhar em ser modelo. Mas não é uma realidade absoluta. Vivemos em um país onde, todo dia, pessoas transexuais morrem. A violência é fortíssima se você não é privilegiada. Mas, já existe um mínimo de informação. Muitas pessoas não sabiam nem o que era, mas hoje tem até novela falando disso.

Como é a sua relação com as outras pessoas trans, uma vez que você é uma referência para elas?
Eu tenho uma comunicação de amiga. Da mesma maneira que elas precisam de uma resposta, eu também preciso. É uma troca. Elas me ajudam a entender a realidade que depois eu vou levar para as entrevistas. Não quero ser uma alienada falando apenas da minha vida. Quero realmente ser alguém que fala sobre o quanto a nossa situação é complicada. Se por um lado estou na capa da ELLE, por outro a vida na periferia para as mulheres trans que não têm os mesmos privilégios é muito diferente e mais dolorida.

Muitas delas falam sobre a questão da solidão. Como você lida com isso?
Quando você é trans, é mais difícil porque existe a problemática social. Mas você não pode se perder nisso. Eu não posso obrigar as pessoas a gostar de mim. Respeitar, sim, é uma obrigação. Mas um homem que tem vergonha de apresentar como namorada uma mulher trans é um homem que não merece estar com ela. Eu trabalho coisas tão mais profundas. Nós vamos morrer, gente. Vamos passar por uma viagem tão forte. Vou ficar chorando por causa de namorado?

O tempo que você passou em Alto do Paraíso a ajudou a chegar a essas conclusões?
Mudou a minha vida, os meus valores, meu jeito de ser, como eu me alimento. Ali, eu recebi a prova de que a natureza é mágica. Nós estamos acabando com essa riqueza, mesmo que ela continue a nos oferecer alimento, água e outros recursos. Por isso, o meu sonho é ter um pedacinho deste Brasil, que estão destruindo. Quero plantar, cuidar dos meus bichos e trabalhar nessa terra com respeito.

Existe uma razão mística que levou você para lá?
Sempre me taxaram de “misticazona”, aquela que foi morar na Chapada por causa dos cristais. Mas, para mim, é uma filosofia. O meu cabelo, por exemplo, guarda uma memória, é um sinal de força. Sempre acreditei que existe mais do que podemos ver. Os meus santos, as minhas energias, tudo o que está à minha volta é muito forte. Caso contrário, eu não teria chegado aonde eu cheguei, não.

Diane Von Furstenberg fala de sua relação com Jonathan Saunders

Ele pediu demissão da DVF no mês passado, em meio a rumores de desentendimentos

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 Jonathan Saunders com Diane Von Furstenberg
ARIA ISADORA/BFA.COM, COURTESY DVF

Depois de apenas 18 meses à frente da DVFJonathan Saunders pediu demissão do cargo de diretor criativo da marca no mês passado. Durante seu comando, ele concretizou muitas mudanças, renovando das lojas ao logotipo, que ficou mais simplificado. No entanto, sempre houve rumores de desentendimentos com a proprietária da marca, a icônica Diane Von Furstenberg. Ela até teria sido aconselhada pelo designer a não comparecer ao desfile da label, sob pretexto de que seu status de celeb poderia chamar mais atenção que as roupas.

Em entrevista ao site Refinery 29, Diane foi evasiva quando questionada sobre o que tirou de positivo dessa curta relação profissional com Jonathan. “Aprendo algo sobre mim todos os dias, mesmo quando ouço a mim mesma. Mas também aprendi a me comunicar com as pessoas. É sobre prestar atenção”, disse. “Você só tem que montar seu veículo. E a paisagem muda, pode haver tempestade, e então você fica sem combustível e tem passagens. Aí fica sozinho, com medo, e isso é lindo – a vida é assim. É a mesma coisa com um negócio”. Reflexiva, não?

No comunicado oficial após a demissão de Saunders, a criadora do wrap dress não usou tantas metáforas, mas foi diplomática. “Estou muito agradecida pelo lindo trabalho de Jonathan e pelo esforço e dedicação que ele colocou na DVF nos últimos 18 meses. Ele vai deixar um patrimônio importante e duradouro para a marca”, divulgou.

Outra questão que pode ter preocupado o designer no comando da marca foram os boatos de que Furstenberg estaria planejando vender parte da label, para se dedicar a outros projetos. De fato, ela tem se concentrado cada vez mais em apoiar organizações feministas, e até fez uma palestra para 12 mil mulheres na Massachusetts Women’s Conference, em Boston. “Eu me afastei da minha empresa porque queria me concentrar no meu trabalho e no compromisso com as mulheres“, explicou à publicação. “Eu adoro fazer isso. Ao envelhecer pude usar a voz para pessoas que não têm. E isso é o que eu quero fazer”.

Diane também tem se concentrado em trabalhos mais acadêmicos, fazendo Master Classes que podem ser adquiridas pela Internet. O futuro da DVF ainda é incerto, sem um substituto anunciado para Jonathan Saunders. [Gisele Navarro]