O futuro do trabalho

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A empreendedora Elatia Abate viajou pelos EUA para descobrir como será o futuro do trabalho.

A empreendedora Elatia Abate viu sua cidade natal, Detroit (EUA), ser destruída pela tecnologia. A cidade foi o maior centro da indústria automotiva no mundo, mas incapacidade de se adaptar aos avanços tecnológicos somada a uma crise financeira levou ao desmonte de toda indústria local – e, consequentemente, a cidade ruiu junto com as suas empresas.

As memórias da experiência de Detroit ajudaram Elatia a tomar coragem de colocar em prática um plano que há tempos ocupava sua memória. No fim de 2016, ela abandonou uma carreira estabelecida na área de recursos humanos, com passagem por empresas como a AB InBev e Dow Jones & Company, para viajar pelos EUA, Canadá e Londres em busca de uma resposta para a pergunta: qual será o futuro do trabalho?

“Eu vi o resultado da falta de planejamento e de treinamento para preparar as pessoas para novas demandas” diz. “Decidi viajar para criar soluções para o futuro do trabalho para que outras pessoas não precisem fazer isso e se sintam encorajadas a mudar”.

Durante a maior parte de 2017, Elatia viveu sem endereço fixo. Todos os seus pertences cabiam em uma mala que ela carregou durante os meses de viagem. Em cada destino, a empreendedora observou tendências e conversou com profissionais de diversas áreas para entender como a tecnologia está impactando o mercado de trabalho.

De volta a Chicago (EUA), onde mora atualmente, ela trabalha para terminar uma série de entrevistas com 200 profissionais enquanto escreve um livro e planeja soluções para ajudar profissionais do mundo todo a se anteciparem às mudanças drásticas que devem ocorrer no mercado de trabalho nos próximos anos.

Tecnologias como a inteligência artificial prometem acabar com milhares de emprego, ao mesmo tempo em que vão criar novas carreiras. Ajudar as pessoas a fazerem essa transição e evitar que elas passem pela experiência de Detroit é a principal meta da empreendedora.

Lidando com o inevitável.
Elatia faz parte de um grupo cada vez maior de empreendedores, professores, pesquisadores, dentre outros, que estão preocupados com a forma como a tecnologia vai impactar o futuro do trabalho.

Entre eles o consenso é um só: a forma como trabalhamos já está mudando — e nós precisamos nos adaptar antes que seja tarde.

Pesquisas indicam que 65% das crianças vão trabalhar quando crescer em funções que nem existem hoje. Em contrapartida, 73 milhões de postos de trabalhos devem desaparecer nos EUA até 2030 por causa da automação.

Há quem discuta a necessidade dos governos implementarem uma renda básica universal para lidar com o desemprego em massa. A ideia é que todo cidadão tenha o mínimo necessário para viver, já que as máquinas vão substituir desde motoristas de carros, até contadores e advogados.  O movimento é apoiado por empreendedores como Mark Zuckerberg e Elon Musk.

Mas nem todo mundo acredita que os efeitos da tecnologia são apenas negativos. Há uma corrente que defende que novas profissões vão surgir para compensar a perda de alguns trabalhos. A principal questão é que esses novos trabalhos vão exigir requalificação profissional e, quem não for capaz de se qualificar ficará sem emprego.

Qual é o futuro do trabalho?
Após meses de viagem explorando o futuro do trabalho, Elatia acredita que o futuro não será tão assustador quanto alguns defendem, desde que as pessoas se preparem para mudanças em curso.

O futuro do trabalho, segundo ela, vai exigir profissionais mais dinâmicos, resilientes, capazes de executarem diversas funções e se adaptarem às necessidades do mercado. Contratos  de trabalho mais flexíveis ganharão espaço. Em outras palavras, o profissional do futuro terá que ser empreendedor. “Teremos que redefinir o que é sucesso e trabalho. E teremos que mudar o jeito de pensar para deixar de associar mudança a algo ruim. Mudança pode significar acesso a oportunidades únicas”, diz.

Elatia trabalhou com recursos humanos em grandes empresas ao redor do mundo (inclusive no Brasil, onde aprendeu a falar português fluentemente) e como coaching profissional. Durante esse tempo ela observou um fenômeno interessante: depois de anos lutando para crescerem na carreira, muitos profissionais que alcançam altos cargos em empresas tornam-se absolutamente infelizes. São pessoas que alcançaram o sucesso material, mas não estão felizes como imaginavam.

“Eu vi muita gente que ama uma certa carreira, mas acabou seguindo outra completamente diferente em busca de sucesso. Mas o que é sucesso?”, questiona. “Eu acho que o futuro do trabalho é sobre ter liberdade. Não precisar da regra de ninguém e decidir por si só o que é importante ou não.”

E não é só a vida dos profissionais que deve mudar. O futuro do trabalho também será diferente para as empresas. A WeWork, uma rede internacional de escritórios de coworking avaliada em US$ 16 bilhões, aposta que muitas empresas deixarão de ter um escritório próprio. Com o futuro do trabalho caminhando para uma realidade de contratos flexíveis e foco em produtividade, as empresas passarão a usar a estrutura de espaços de coworking para seus funcionários trabalharem de onde quiserem. Dessa forma, a empresa pode focar apenas no seu negócio principal, sem precisar se preocupar com infraestrutura.

Liberdade, perda de direitos, flexibilidade, insegurança. Há muitas formas de ver o futuro do trabalho. Seja qual for a sua forma de enxergar a mudança em curso, o momento é de atitude. Ou começamos a adotar um papel de mais protagonismo para criar o futuro que desejamos ou ficaremos à mercê do futuro que está sendo ditado pela tecnologia. 2017 foi um ano de muitas lições sobre o que acontece quando deixamos de observar as mudanças em curso e como podemos ser pegos de surpresa por tendências que não conseguimos prever. A hora de começar a olhar para o futuro do trabalho é agora. [Ligia Aguilhar]

***

Outros destaques.
Quer saber mais sobre os planos da WeWork para o futuro do trabalho? A revista Wired publicou uma matéria extensa e muito interessante sobre o assunto.

A McKinsey publicou relatórios interessantes sobre o futuro do trabalho e como podemos nos preparar. A consultoria aponta as mudanças que vão acontecer no mercado de trabalho e como isso vai impactar profissionais e salários.

A Deloitte também tem seu guia sobre o futuro do trabalho com análises sobre diferentes aspectos da questão.

Elatia Abate, personagem do post acima, deu uma palestra na conferência TED sobre sua experiência viajando pelos EUA e seus aprendizados sobre o futuro do trabalho. Confira o vídeo.

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