The Chi ganha trailer tenso na véspera da estreia

Um dia antes da estreia, o Showtime divulgou novo trailer de The Chi, série da ganhadora do Emmy Lena Waithe (Master of None). Confira:

A série é centrada num grupo de jovens que são unidos por coincidência e acabam desenvolvendo um relacionamento em meio ao seu processo de amadurecimento. O elenco principal é composto por Jason MitchellJacob LatimoreNtare Guma Mbaho MwineAlex HibbertYolonda RossArmando Riesco e Tiffany Boone.

Além de Waithe, CommonElwood Reid e Aaron Kaplan fazem a produção executiva. O piloto é dirigido por Rick Famuyiwa.

The Chi estreia em 7 de janeiro nos Estados Unidos. Ainda não há previsão de estreia ou emissora definida no Brasil. [Mariana Canhisares]

Parceria entre Gosha Rubchinskiy e Burberry chega às lojas da marca inglesa

A coleção cápsula tem inspiração na cultura jovem e no futebol britânico

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(Foto: Divulgação/Reprodução)

Para começar bem o ano de 2018, a label russa Gosha Rubchinskiy uniu forças à tradicional inglesa Burberry em uma coleção cápsula e que chega às lojas selecionadas da Burberry pelo mundo a partir de hoje (06). Inspirada pela cultura jovem e no legado do futebol britânico, a colaboração engloba uma linha de vestuário casual com jaquetas, camisas de mangas curtas, sobretudos e acessórios como uma série de chapéus feita em parceria com Stephen Jones -famoso chapeleiro que teve suas peças expostas em 2009 no  museu londrino Victoria and Albert Museum.

Em perfeita sintonia, Gosha revive um dos emblemáticos símbolos da marca inglesa, o xadrez Burberry.

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 (Foto: Divulgação/Reprodução)

Antes mesmo da parceria ser firmada, Rubchinskiy já havia revelado que a Burberry sempre foi sua primeira escolha ao considerar uma colaboração com uma casa inglesa. “É por causa de São Petersburgo. Foi a primeira cidade da Rússia a ter futebol, no século XIX. Foi introduzido pelos ingleses, então pensei que devíamos fazer algo com uma marca inglesa”, disse o designer ao Financial Times. “Eu pensei, qual marca é mais icônica. É Burberry. Isso nos dá elemento para muitas coisas na coleção, como a música eletrônica underground, o futebol, a Inglaterra, a Rússia e a cultura de clubes”, completou.

Esta pode ser uma das últimas parcerias que o atual  presidente e Chief Creative Officer da Burberry participa, já que Christopher Bailey deve deixar o cargo que ocupa há 17 anos no dia 31 de março, após apresentar a sua última coleção para a label em fevereiro. [Vogue]

Solange Knowles e Kanye West na campanha da Helmut Lang

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Solange Knowles e Kanye West são fãs da Helmut Lang

Helmut Lang reuniu 12 fãs e colecionadores da marca pra sua nova campanha. E entre os 12 escolhidos pela editora Isabella Burley estão Kanye West e Solange Knowles!

A dupla Ari Versus e Ellie Uyttenbroek foi responsável pelos cliques, recriando sua famosa série de fotografias “Exactitudes” que mapeia diferentes “tribos urbanas” através das roupas e acessórios. A campanha promove a coleção-cápsula Re-Edition com peças clássicas da grife. [Lilian Pacce]

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A dupla Ari Versus e Ellie Uyttenbroek foi responsável pelos cliques e recriou sua famosa série de fotografias “Exactitudes”, que mapeia diferentes “tribos urbanas” através das roupas e acessórios

Aquecimento Globo de Ouro: Relembre os melhores looks do red carpet

Os 10 vestidos usados pelas famosas que fizeram sucesso no red carpet

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Lupita Nyong’o se destacou com um Ralph Lauren em 2014

A edição do Globo de Ouro em 2018 é um dos melhores momentos para acompanhar os looks mais elegantes das famosas ao longo do ano. Em clima de aquecimento, Marie Claire apresenta as mais bem-vestidas dos últimos anos do tapete vermelho.

Vale lembrar que neste ano a festa será marcada por um protesto no qual as atrizes aparecerão vestidas de preto para chamar a atenção aos recorrentes casos de assédio sexual e desigualdade entre homens e mulheres na indústria.

Winona Ryder tem um comeback na indústria da beleza

A atriz, que foi um ícone nos anos 90, faz sua volta triunfal às campanhas de beleza no Globo de Ouro

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Winona Ryder – Nylon Magazine

Winona Ryder foi um ícone de estilo e beleza nos anos 90, mas ficou mais de uma década fora do mercado depois que, em 2001, foi pega furtando roupas na Saks. O surto de cleptomania não foi nada perto do que vemos hoje nos escândalos de astros masculinos, não é mesmo?

Com a participação em Cisne Negro (2010) ela voltou a ser assunto por um tempo, mas foi com um papel de destaque na série Stranger Things, em 2016, que ela teve seu retorno definitivo.

Pensando em sua história de redenção, a L’Oréal resolveu reposicionar uma linha de produtos nos EUA e, ao mesmo tempo, promover uma volta triunfal da atriz como embaixadora de beleza. Winona vai estrelar uma campanha robusta 360 graus, que envolve publicidade digital, social, televisiva e gráfica. O lançamento será com uma propaganda na TV durante o Globo de Ouro.

A campanha, com o nome bem propício de The Comeback, visa ampliar a fatia de mercado da linha Elvive, de prevenção de danos capilares, que nos EUA perdeu vendas nos últimos anos. “Todo mundo ama um retorno, e nós vamos comunicar que o cabelo danificado também merece um”, disse Anne Marie Nelson-Bogle, vice-presidente de marketing da L’Oréal, ao site WWD. [Gisele Navarro]

Pernas de fora com “Call Me By Your Name”

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Elio e Oliver, os personagens de “Me Chame Pelo Seu Nome” – só no shortinho!

filme ainda nem estreou no Brasil (entra em cartaz a partir de 18/01) mas as pessoas já não param de falar sobre “Call Me By Your Name” (no Brasil vai ser “Me Chame Pelo Seu Nome”), que traz a história de um rapaz (Elio, vivido por Timothée Chalamet) nas férias de verão da Itália amadurecendo e vendo a chegada de um homem (Oliver, interpretado por Armie Hammer) que vai ajudar seu pai em uma pesquisa acadêmica. Logo de cara já dá pra reparar que o filme vai ser lindo porque o diretor é Luca Guadagnino, dos estilosíssimos “Um Sonho de Amor” (2009) e “Um Mergulho no Passado” (2015). Mas ajuda também o fato do longa se passar na década de 80 (apostando na memória afetiva, aquela mesma que bomba quando a gente vê “Stranger Things“) e da figurinistaGiulia Piersanti, fazer jornada dupla: ela também é da equipe de estilo da marca Céline na parte de malharia!

Embalados por esse climinha “verão italiano” com muita perna de fora, o Blog LP fez uma seleção das passarelas internacionais de primavera-verão 2018 pra te inspirar: se joga no short masculino!

10 tendências que todos estarão usando em 2018

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Versace

Nada melhor do que a chegada de um novo ano para repensar seu estilo e renovar o guarda roupa. Além disso, já começamos o ano em mês de liquidação, época de investir nos itens modismo que não tivemos coragem de pagar o preço cheio.

E para não arriscar em comprar erradas vamos mencionar 10 tendências que iremos usar bastante em 2018:

1.Estilo Esportivo
Está na hora de tirar as peças com pegada esportiva do armário! Calça legging, short boxe, moletom, calças volumosas, casacos com capuz e por ai vai! Esses itens podem e devem ser usados em ambientes casuais e também misturados com elementos sofisticados para fazer um estilo high-low.

Porque não combinar um short boxe de cetim com tênis volumosos como sugere a Louis Vuitton? Ou quem sabe apostar em um conjunto todo de cetim esportivo com listras na lateral com proposto pela Gucci?


2. Maxi Brincos
Chegamos em 2018 e quando o assunto é brinco, podemos afirmar: mais é mais! Quanto maior e mais autêntico melhor. Sim, eles serão o acessório chave para compor seu look. Inspire-se nos modelos desfilados pela Burberry e Valentino!


3. Pochetes
Moda que vem tentando ganhar força desde meados de 2017, parece que agora vai! Pelo menos se depender de marcas como Saint Laurent, Miu Miu e Marc Jacobs. A it-girl Kendall Jenner é uma das grandes adeptas dessa tendência, carregando seus modelos favoritos desde Chanel até Louis Vuitton.

As pochetes podem ser usadas em cima de jeans, vestidos e até em roupas mais clássicas garantindo símbolo de estilo no ato.


4. Cetim, sim!
2018 é o ano do cetim! Você vai ver o tecido se encaixando em a todas as ocasiões – do casual ao formal. Não podemos esquecer das musas dos anos 80 encerrando o desfile da Versace ao lado de Donatella, com vestidos fluidos de cetim. Desta vez, ele também pode vir em peças mais estruturadas, blazer, calças e casacos. Outro momento memorável do último ano foi a Kaia Gerber, a modelo do momento, entrando na passarela da Calvin Klein com um look inteiro do tecido.


5. De uma cor só!
Ano novo, vida nova! Ops, mas nem tanto! O monocromático continua com tudo. Seja em estampas ou tecidos lisos, o que importa é estar vestido da cabeça aos pés com o mesmo segmento. Esqueça tudo que você aprendeu sobre cores complementares e invista um conjunto completo, como o proposto pela Versace no desfile de primavera.


6. Cubra-se bem!
Ao contrário do ano passado onde a moda era decotes e transparências, chegou a hora de se cobrir! As mangas se prolongam e a bainha também! Nada de decotes e fendas, isso é passado, ok? Uma dica para dar uma sensualizada é prender o cabelo, com um coque (outra forte tendência) e maquiagem de tons vibrantes, por exemplo.


7. Uma boa mistura
Se expressar emoções com looks monocromáticos não combina com você, que tal apostar em um mix de texturas? Misturar diferentes tecidos ou estampas está em alta! Dê uma olhada no desfile da Balenciaga, onde misturaram uma camisa social listrada azul e branca com uma saia xadrez e uma meia com estampa de pôr do sol.

Já a Alexander Wang lançou um mix de texturas nada óbvios: casaco estilo militar com vestido romântico de renda e um corselete de couro.

Estranhou? Mas é ai que queremos chegar! Quem disse que precisa combinar?


8. Meia à vista
Uma nova combinação que é forte tendência: meias + sandálias. Será? Sim, principalmente nos países com temperaturas mais baixas essa moda já esta bombando. Vamos parar com essa mania de restringir botas e sapatos fechados para o inverno. As sandálias e saltos agora ganham a meia como complemento de estilo. Assim foram vistas em quase todos os desfiles de primavera verão 2018: Prada, Burberry, Fendi, Miu Miu, Erdem, e por aí vai. E elas não foram vistas apenas nas passarelas, Kendall Jenner aderiu a tendência da meia com salto diretamente do tapete vermelho no festival de cinema de Cannes.


9. Checkmate
Chegamos em 2018 mas o xadrez não tem nenhuma intenção de sair de campo. Eles continuam sim, ainda mais depois que a Burburry atualizou seu icônico xadrez com muita aprovação. O Xadrez pode vir com estampas maiores ou menores como o vichy (queridinho do momento). Vale misturar com listras, floral ou até mesmo juntar dois tipos de xadrez diferentes no mesmo look. Observe as propostas apresentadas pela Gucci, Miu Miu, Dior e Vetements.


10. Use a roupa para expor sua personalidade
Nós já sabemos que a roupa que usamos, diz muito sobre nossa personalidade e a imagem que queremos passar do dia-a-dia. Mas dessa vez a proposta é exibir seus ideais. Se lembram da onda de manifestos apresentadas por Maria Grazia Chiuri da Dior? Do manifesto feminista da Miu Miu? Ou da Louis Vuitton expondo sua paixão pelo seriado Stranger Things em pleno desfile de Fashion Week? [Fernanda Di Biase]

Designer francês Laurent Renaud transforma papelão em móveis e peças artísticas

Radicado no Brasil, Laurent Renaud aproveita material descartado em suas produções

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O designer francês Laurent Renaud Foto: Oséias Barbosa

Um material tão presente e, ao mesmo tempo, tão desperdiçado. A condição do papelão para a indústria de transformação sempre intrigou o artesão e designer francês Laurent Renaud, hoje radicado no Brasil.

“Não há dúvidas de que ele se presta bem à função de embalagem, mas é igualmente uma matéria-prima rica, que pode dar origem a peças artísticas, decorativas, luminárias e até móveis, com a vantagem de ser sustentável”, afirma Renaud que, há quatro anos, fundou a Lolo Carton, seu ateliê de criação no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, onde se dedica à criação de objetos a partir do material, sem grandes tecnologias ou técnicas complexas.

“Quando planejo algo em papelão, me agrada saber que estou dando uma segunda chance a um material que, de outra forma, seria fatalmente descartado”, comenta o designer, que apresentou ao Casa a sua mais recente coleção. [Marcelo Lima]

 

Como você começou a se interessar pela produção com papelão?
Sempre me agradou colocar a mão na massa e produzir por conta própria. Estava procurando uma ocupação em um ambiente de ateliê e me deparei com o trabalho daquele que considero meu principal mestre na área, o também francês Jean-Marc Lavaud, que criou a marca Schmulb. Logo de imediato, eu me apaixonei pelo material. O papelão não tem limites. Ao contrário do que parece, é um material muito resistente, que pode ser moldado sob qualquer forma, o que o torna muito interessante de trabalhar. Desde então, lá se vão quatro anos, não parei de me dedicar a ele e cada vez me interesso mais.

Quais propriedades dessa matéria-prima você mais explora? 
O papelão é muito versátil e o que produzo depende, fundamentalmente, do tipo encontrado nas coletas de rua. Cada papelão vai originar um tipo de peça diferente, principalmente por conta de suas diversas gramaturas e níveis de resistência. Conheço diferentes tipos de técnicas e cada uma delas se aplica a criação de um móvel específico, seja ele um sofá ou uma mesa lateral, por exemplo.

Como você processa o material?
Todo processo é artesanal. Seja medir, cortar, colar com técnicas específicas, modelar, transformar, enfim, tudo o que a imaginação permitir. Cada peça leva um tempo para ser concluída, mas meu trabalho sobre cada uma delas varia de oito horas a até uma semana.

Retrospectiva explora obra do fotógrafo Stephen Shore no MoMA

Uma foto de Stephen Shore não vem com cartão de visita estético. O que não significa incoerência e sim, feroz autonomia

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Foto de Stephen Shore tirada em 1973 presente na exposição Foto: MoMA

A mais completa retrospectiva da obra de Stephen Shore, um dos maiores fotógrafo americanos do último meio século, vai ocupar o terceiro andar do Museu de Arte Moderna de Nova York até 28 de maio. Quem não tem o nome de Shore na primeira fila de sua memória de artistas em atividade pode se sentir absolvido pela constatação de que não é possível aprisionar as imagens exibidas de forma cronológica num estilo. Uma foto de Ansel Adams, o popular e ufano cronista da paisagem americana, pode dispensar legenda. Uma foto de Stephen Shore não vem com cartão de visita estético. O que não significa incoerência e sim, feroz autonomia.

“Sempre que me encontro copiando a mim mesmo – produzindo fotos cujos problemas já tinha resolvido – eu me dou novas questões para perseguir,”  Shore é citado, na abertura da exposição do MoMA. Outra confissão recente do fotógrafo de 70 anos abre uma janela para sua relação física com o meio. Apesar de hoje trabalhar regularmente com uma câmera digital, ele revela que não sai clicando múltiplas imagens de cada vez. Uma só basta, diz Shore, que  dirige o Departamento de Fotografia do Bard College, ao norte de Nova York, desde 1982.

Shore explodiu com precocidade na cena artística de Nova York, nos anos 1960. Ganhou um equipamento de quarto escuro para revelar fotografias aos seis anos, se declarou fotógrafo aos onze e teve três fotos compradas pelo MoMA aos quatorze. O lendário fotógrafo Edward Steichen dirigia o departamento de fotografia do museu e ficou intrigado ao receber uma carta em que o adolescente lhe pedia para mostrar seu trabalho. Aos 23 anos, Shore se tornou o primeiro fotógrafo vivo a ter a obra exposta no Museu Metropolitan de Nova York. Mas àquela altura, já tinha passado anos frequentando a Factory de Andy Warhol, em Manhattan, que fotografou copiosamente em preto e branco. Conhecer Warhol com apenas 17 anos, lembra Shore, que não tinha educação formal artística e chegou a interromper a escola no ensino médio para fotografar nas ruas da cidade, trouxe a descoberta do pensamento estético. “Vi um artista tomando decisões todos os dias,” diz.

Inquieto com o que considerava sua limitada visão da América e sob a influência de Robert Frank, Shore cruzou o país de carro em 1972, produzindo a série Superfícies Americanas, que só foi publicada em 1999.  “Eu queria descascar o artifício da convenção visual, queria me concentrar em como é olhar para as coisas,” ele recorda, sobre a viagem. Durante a década de 1970, Shore liderou o movimento New Color Photography e não há obra fotográfica em cor mais influente do que a de Shore nos Estados Unidos.  Apesar de ter sua obra negligenciada por galerias e museus durante os anos 1980 e parte da década seguinte, Shore é apontado como o mais importante renovador da fotografia documental que ocorreu nos anos 1990.

A América de Shore é representada sem heroísmo. Sua linguagem visual evoca a maestria do cineasta Eduardo Coutinho colhendo palavras de seus entrevistados. “Há um pensamento sem palavras,” diz Shore, “e a imagem pode comprimir o tempo sem traduzir palavras”. Como Coutinho, que nos deixou em 2014, Shore se preocupa com o efeito da presença de sua câmera. A falta de artifício ou manipulação exige mais do nosso olhar. Mas Shore conta que, quando alguém do público se dirige a ele dizendo, “gosto das suas imagens, são tão claras,” recebe o comentário como o melhor cumprimento.

A precocidade, se, nas palavras do próprio Shore, resultou num “choque para meu sistema”,  ao expor tão jovem no Metropolitan, trouxe uma familiaridade única com linguagens diversas como arte pop, conceitualista e minimalista. A paisagem americana para ele tem a poesia do ordinário.  Ao contrário de outro célebre artista da foto a cor, o alemão Andreas Gursky, que captura suas vastas paisagens urbanas do alto, Shore se aproxima do objeto visual no mesmo plano. Um exemplo da recusa do romantismo praticado por Ansel Adams é a magistral U.S. 97, South of Klamath Falls, Oregon, de 1973, em que a paisagem é obstruída pela idealização da paisagem num outdoor. O senso de cor é impecável, num período em que a fotografia colorida era associada à publicidade, à iconografia comercial.

Além da carreira de professor universitário, Stephen Shore é um respeitado curador e autor. Seu A Natureza da Fotografia saiu no Brasil em 2014, um livro em que apresenta o meio a iniciantes. Num bate-papo recente com o público britânico, Stephen Shore revelou que seus alunos do Bard College não trabalham com câmeras digitais até o terceiro ano. “Não é possível substituir o que se aprende manipulando filme,” argumenta. Na sala escura, o estudante descobre mais sobre a luz.” Além disso, ele admite, “trabalhar com câmera analógica custa mais caro. E o custo obriga o fotógrafo a pensar mais, o que não é nada mau.” Lúcia Guimarães, O Estado de S.Paulo