Exclusive Fashion Editorials Fevereiro 2018 Cami Opp by Jeremy Choh

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Cami Opp by Jeremy Choh 

Photography: Jeremy Choh at DLMAU. Styled by: Cheryl Tan. Hair: Cara Clyne. Makeup: Kristin Brett at Work Agency. Model: Cami Opp at Priscillas.

Empresa americana de contas falsas no Twitter turbina perfis de atletas e astros da TV

The building that the Florida-based company Devumi listed as its address, in Manhattan.
O prédio que a Devumi afirma ser sua sede em Nova York

Do “New York Times”

A verdadeira Jessica Rychly é uma adolescente de Minnesota com um sorriso amplo e cabelos ondulados. Ela gosta de ler e do rapper Post Malone. Quando entra no Twitter ou no Facebook, ela, algumas vezes, fala sobre estar entendiada ou faz piadas com os amigos. Mas no Twitter há uma versão de Jessica que nenhum de seus amigos ou familiares reconheceria.

Apesar de as duas Jessicas dividirem o mesmo nome, fotografia e até a descrição, a outra Jessica promovia contas sobre investimentos em imóveis no Canadá, criptomoedas e uma estação de rádio em Gana. A Jessica falsa seguia ou retuitava contas em árabe ou indonésio, línguas que a Jessica real não fala. Enquanto ela era uma estudante de 17 anos no último ano do ensino média, a sua réplica falsa frequentemente promovia contas com pornografia.

Essas contas sobre pornografia pertencem a uma obscura companhia americana chamada Devumi, que obteve milhões de dólares no nebuloso mercado global de fraude em mídias sociais.

A Devumi vende seguidores e retuítes no Twitter para quem quiser parecer mais popular ou demonstrar influência on-line. Com um um grupo de estimados ao menos 3,5 milhões de contas automatizadas, cada um deles vendido várias vezes, a companhia ofereceu aos seus clientes mais de 200 milhões de seguidores no Twitter, segundo investigação do “New York Times”.

“Eu não quero minha foto ligada a uma conta —nem meu nome”, afirma Rychly, que agora tem 19 anos. “Não consigo nem imaginar que alguém possa pagar por isso. É simplesmente horrível.”

Essas contas são moedas falsas na economia em ampla expansão da influência on-line, atingindo praticamente toda indústria em que a audiência em massa —ou a ilusão dela— possa ser monetizada.

As contas falsas infestam as redes de mídia social. Estimativas apontam que até 48 milhões das contas que o Twitter aponta como verdadeiras na realidade são contas automatizadas que buscam simular pessoas reais —a companhia afirma que esse número é bem menor.

Em novembro, o Facebook informou a investidores que o seu número de usuários falsos era pelo menos o dobro da sua estimativa anterior, indicando que até 60 milhões de contas automatizadas estão rondando a maior plataforma global de mídia social.

Essas contas falsas, conhecidas como bots, podem ajudar a influenciar a audiência para o mercado publicitário e remodelar os debates políticos. Elas podem lesar negócios e arruinar reputações. Ainda assim, a sua criação e a sua venda caem em uma zona nebulosa.

“A viabilidade dessas contas fraudulentas e suas interações nas plataformas de mídias sociais —e a profissionalização desses serviços fraudulentos— são um sinal de que ainda há muito trabalho a ser feito”, afirmou o senador democrata Mark Werner, que integra a Comissão de Inteligência do Senado americano, que está investigando a disseminação de contas falsas no Facebook, no Twitter e em outras plataformas.

Apesar do aumento das críticas em relação às empresas de mídia social e de elas estarem cada vez mais no alvo dos políticos, o negócio envolvendo a venda de seguidores falsos continua, em grande parte, intocado.

Apesar de o Twitter e outras plataformas proibirem a compra de seguidores, a Devumi e dezenas de outros sites os vendem abertamente. E as empresas de mídia social, cujo valor de mercado na Bolsa de Valores tem relação direta com o seu número de usuários, fazem suas próprias regras para identificar e eliminar as contas falsas.

German Calas, fundador da Devumi, negou que a empresa venda seguidores falsos e disse não saber nada sobre o roubo de identidades de usuários de verdade.

“As acusações são falsas. Não temos conhecimento de nenhuma atividade desse tipo”, afirmou Calas, em troca de e-mails realizada em novembro.

O “New York Times” analisou documentos em tribunais e empresariais da Devumi que mostram que ela tem mais de 200 mil clientes, incluindo estrelas de programas de reality show nos EUA, atletas profissionais, comediantes, pastores e modelos.

Os documentos mostram que, na maioria das vezes, os próprios clientes compram seus seguidores. Em outros, são empregadores, agentes, empresas de relações públicas, familiares ou amigos que fizeram a aquisição.

A Devumi oferece que suas contas vejam vídeos no YouTube, ouçam músicas no serviço SoundCloud e deem um endosso no LinkedIn. Tudo por apenas alguns centavos de dólar cada um.

O ator John Leguizamo tem seguidores da Devumi. O mesmo acontece com Michael Dell, o bilionário da informática, e Ray Lewis, ex-astro de futebol americano e que hoje comenta o esporte na TV dos EUA. Kathy Ireland, uma modelo que hoje comanda um empreendimento avaliado em meio bilhão dólares, tem centenas de seguidores falsos da Devumi. Até mesmo Martha Lane Fox, membro do conselho do Twitter, tem alguns.

Kristin Binns, porta-voz do Twitter, afirmou que a empresa não costuma suspender usuários pela compra de usuários falsos. Ela explica que isso acontece porque é difícil para a empresa identificar quem é responsável pela aquisição.

O Twitter não informou se os exemplos de contas falsas apresentados pelo “New York Times” —cada um deles baseado em um usuário verdadeiro— violam as regras da empresa sobre personificação.

“Nós continuamos a lutar duramente para impedir qualquer automação mal-intencionada em nossa plataforma assim como o uso de contas falsas ou spam”, afirmou Binns.

Perfis Suspeitos
Para tentar compreender o negócio, o “New York Times” se tornou cliente da Devumi. Em abril do ano passado, o jornal criou uma conta teste no Twitter e pagou US$ 225 (R$ 710 em valores atuais) em troca de 25 mil seguidores. Os primeiros dez mil pareciam pessoas de verdade. Eles tinham fotos, nomes completos, cidades de origem e, muitas vezes, descrições que pareciam autênticas. Uma das contas parecia ser de Richly, a jovem de Minnesota.

Mas, olhando mais de perto, alguns detalhes pareciam estranhos. Os nomes dos perfis tinham letras a mais ou trocas de caracteres que não notadas facilmente (mudar, por exemplo, um “l” por “I”).

Os 15 mil seguidores seguintes eram claramente mais suspeitos: não tinham fotos de perfil e, em lugar de nomes, haviam fragmentos misturando letras e números.

Relações Ocultas
Os documentos analisados da Devumi mostram como ela e seus clientes preferem esconder as relações.

A maior parte dos clientes famosos da empresa usa as redes sociais para vender produtos, serviços ou para se promover.

Questionados pela reportagem, as suas explicações variavam: compraram seguidores porque ficaram curiosos sobre como o serviço funcionava ou se sentiram pressionados para aumentar o número de seguidores deles próprios ou de seus clientes. Alguns deles afirmaram que acreditavam que a Devumi fornecia verdadeiros fãs ou clientes em potencial, mas outros reconheceram que sabiam ou suspeitavam que eram contas falsas. Vários disseram ter se arrependido da aquisição.

“É uma fraude”, afirmou o britânico James Cracknell, atleta de remo que ganhou medalha de ouro na Olimpíada de Sydney (2000) e que adquiriu 50 mil seguidores da Devumi. “Não é algo saudável que as pessoas julguem pelo número de curtidas ou de seguidores.”

Vários clientes da Devumi ou seus representantes não quiseram comentar o caso, entre eles, Leguizamo, que participou de filmes como “O Pagamento Final”, “De Volta ao Jogo e “A Era do Gelo. No caso dele, os perfis foram comprados por um sócio. Muitos outros não responderam aos repetidos esforços para entrar em contato com eles.

Alguns deles negaram a compra. Entre eles, estão Ashley Knight, assistente pessoal de Ray Lewis (ex-jogador da NFL), cujo endereço de e-mail aparece em um pedido de compra de 250 mil seguidores, e Eric Kaplan, amigo do presidente Donald Trump e palestrante motivacional —o e-mail pessoal dele aparece ligado a oito pedidos de compra.

Vários clientes da Devumi reconheceram que compraram os bots porque as carreiras, em parte, dependem da sua influência nas mídias sociais.

“Ninguém vai levar você a sério se você não tiver uma presença significativa”, afirmou Jason Schenker, economista que adquiriu ao menos 260 mil seguidores.

Mais de cem autointitulados influenciadores digitais —cujo valor de mercado é ainda mais diretamente ligado ao número de seguidores nas mídias sociais— adquiriram contas no Twitter da Devumi.

Influenciadores precisam ser bem conhecidos para conseguir dinheiro de patrocínio. Recente reportagem do tabloide britânico “The Sun” mostrou que os jovens irmãos Arabella e Jaadin Daho, 14, ganham juntos US$ 100 mil (R$ 315 mil) ao ano como influenciadores digitais, trabalhando com marcas como Amazon, Disney, Louis Vuitton e Nintendo. Arabella, que tem 14 anos, usa no Twitter o nome Amazing Arabella.

Mas as contas dela e de seu irmão são turbinadas por milhares de retuítes comprados por sua mãe e administradora de suas carreiras, Shadia Daho, segundo documentos da Devumi.

Daho não respondeu às repetidas tentativas para entrar em contato com ela via e-mail ou por meio de uma agência de relações públicas.

A Empresa
Depois de mandar um e-mail para Calas (fundador da Devumi) no ano passado, a reportagem do “New York Times” visitou o endereço que a empresa apresenta no site dela como seu . O prédio tem dezenas de locatários, mas nem a Devumi nem a Bytion (a holding que é sua dona) aparecem entre eles. Um porta-voz do dono do prédio disse que a Devumi e a Bytion nunca alugaram nada lá.

Assim como os seguidores que a Devumi vende, o seu escritório era uma ilusão.

Segundo ex-funcionários da empresa, a entrada e saída de empregados era bastante alta na Devumi, e Calas mantinha uma operação altamente compartimentalizada.

Funcionários muitas vezes não sabiam o que os seus colegas estavam fazendo, mesmo quando estavam trabalhando no mesmo projeto.

Os ex-empregados pediram que seus nomes não fossem revelados por temor de processos ou porque fizeram acordo com as empresas de Calas que preveem que eles não se manifestem.

Mas as suas declarações coincidem com comentários no serviço Glassdoor (em que funcionários avaliam seus empregadores), em que alguns antigos trabalhadores afirmam que Calas era pouco comunicativo e exigia que eles instalassem softwares de monitoramento em seus aparelhos pessoais.

No mês passado, o fundador da Devumi pediu exemplos de perfis falsos encontrados pelo “New York Times” e que copiavam os de pessoas de verdade. Depois de receber os nomes de dez contas, Calas, que tinha concordado em dar entrevista, pediu mais tempo para analisá-los. Em seguida, ele parou de responder os e-mails.

Binns, a porta-voz do Twitter, afirmou que a companhia não analisa de modo proativo se as contas estão se passando por outros usuários. Em lugar disso, os esforços da empresa estão concentrados em identificar e suspender quem viola as políticas de spam do Twitter.

Todos os exemplos de perfis apresentados pelo “New York Times” violaram as políticas antispam do Twitter e foram cancelados, segundo Binns.

“Nós levamos muito a sério o ato de suspender uma conta da plataforma”, afirmou Binns. “Ao mesmo tempo, queremos lutar duramente contra o spam.”

Em janeiro, depois de quase dois anos promovendo centenas de clientes da Devumi, a conta da falsa Jessica Rychly foi finalmente flagrada pelos algoritmo de segurança do Twitter. Ela foi recentemente suspensa.

Mas a Rychly de verdade pode em breve deixar de vez o Twitter. “Eu provavelmente vou deletar minha conta no Twitter.”

Marc Jacobs terá uma linha de bases que duram 24h no rosto

Serão 22 tons de pele que chegam às prateleiras da marca e e-commerces no dia 9.2.

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(Marc Jacobs Beauty/Divulgação)

No dia 9.2, a Marc Jacobs Beauty — celebrada marca de cosméticos de luxo do estilista norte-americano Marc Jacobs — lança a sua linha de bases. Depois da Fenty Beauty da popstar Rihanna — que revolucionou o mercado criando uma quantidade surpreendente e muito mais inclusiva de tons do produto — o designer segue na mesma intenção, porém sem a mesma variedade. Ao invés dos 40 opções de cor, Marc trabalha apenas com 22. Contudo, em comparação com o restante do mercado, ele ainda está acima da média.

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(Marc Jacobs Beauty/Divulgação)

Na verdade, o destaque de sua nova criação não são os múltiplos tons, mas sim a sua duração e textura: a Shameless Youthful promete permanecer intacta por 24h no rosto. E sem usar pó finalizador! A fórmula tem uma qualidade auto-fixante que, de quebra, também hidrata a pele. “A ideia é não esconder nada, queremos continuar mostrando quem você é”, disse Marc Jacobs em um vídeo publicado pela grife em seu Instagram. Não à toa, as bases tem cobertura média, não total. Mas, vale lembrar que, se usada em camadas, ela pode proporcionar um acabamento mais denso para quem gosta.

O hit em potencial (que também tem proteção solar 25 FPS) sai por US$ 49 e estará disponível em diferentes e-commerces pela internet além das lojas oficiais da Marc Jacobs Beauty ao redor do globo.

As três melhores apostas de batom para o seu verão

A inspiração veio à beira-mar com as brisas quentes desta temporada

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Vermelho-alaranjado e Rosa-chiclete

Os batons vermelho, rosa e laranja vibram no make do verão. Os de longa duração, com proteção solar e textura hidratante são ideais para resistir às altas temperaturas e se inspiram nas cores à beira-mar.

Confira a lista de inspirações e se jogue nas cores vibrantes! [Fernanda Morelli]

Vermelho-alaranjado
Este tom alegre traz elegância com toque fashion até sob o sol de 40 graus. Mas, para que o acabamento se mantenha intacto, da areia à sunset party, vale lançar mão de um bom primer, lápis de contorno e escolher um batom líquido. “Eles ajudam a aumentar a durabilidade do make, evitando borrões”, diz o maquiador Edu Hyde, de São Paulo.

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(NinaMalyna/ThinkStock)

Rosa-chiclete
O tom pastel (ou millennial), muito usado em 2017, dá espaço ao rosa mais intenso, que esquenta o make. “A busca deve ser por acabamentos cremosos, que entregam a leveza exigida pela temporada mesmo nesta cor forte”, ensina a maquiadora Juliana Rakoza, de São Paulo.

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(SergeyTay/ThinkStock)

Laranja vibrante
A cobertura brilhante voltou com tudo e deixa a cor divertida e atual. Quem não gosta da textura de gloss pode optar pelo batom líquido com brilho, que reproduz o efeito com sensação confortável para os lábios. “Mas prefira as versões de longa duração”, recomenda Juliana.

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(Ganna Gavenko/ThinkStock)

W Magazine Fevereiro 2018 Vittoria Ceretti by Mert & Marcus

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Vittoria Ceretti by Mert & Marcus

Photography: Mert Alas & Marcus Piggott. Styled by: Katie Grand. Hair: Syd Hayes. Makeup: Hung Vanngo. Model: Vittoria Ceretti.

Alexander Terekhov Spring Summer 2018 Anna Litvinova by Anna Zandman

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Anna Litvinova by Anna Zandman

Campaign: Alexander Terekhov. Photography: Anna Zandman. Makeup: Elena Korneeva. Model: Anna Litvinova.

‘Confundimos a história com propaganda’, afirma escritora american N.K. Jemisin

Escritora americana tornou-se a primeira pessoa negra a vencer o Hugo, principal prêmio da literatura fantástica

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A escritora americana N.K. Jemisin

Como pode um livro que começa literalmente com o fim do mundo render uma trilogia? É o que os leitores brasileiros vão descobrir com a publicação de A Quinta Estação, da norte-americana N.K. Jemisin, pela editora Morro Branco. O livro, lançado em 2015 nos EUA, inicia a trilogia da Terra Partida, que figurou duas de suas obras nas listas de melhores do ano do New York Times.

A história se passa em Quietude, continente acossado por terremotos em que a sociedade aprendeu a sobreviver aos cataclismos recorrentes. Ruínas de civilizações extintas são tratadas como lixo, pois vêm de pessoas que não souberam resistir ao apocalipse. Uma pequena parcela da população nasce com a capacidade de causar e interromper tremores com a mente, manipular a terra e canalizar forças da natureza. Os orogenes, como são chamados, são discriminados pela sociedade, treinados por uma instituição chamada Fulcro e utilizados como meras ferramentas para proteger as comunidades dos terremotos – isso quando eles mesmos não são os desastres ambulantes.

O suspeito narrador conta, em segunda pessoa, a trajetória de Essun, cujo filho pequeno é morto pelo próprio pai quando se revela um orogene durante um abalo sísmico; e, em terceira pessoa, a de Damaya, criança entregue ao Fulcro pelos pais; e Syenite, jovem em treinamento que é ordenada a acasalar com outro orogene como um animal.

Embora não goste de falar abertamente sobre questões raciais, Jemisin construiu, em um misto de fantasia ecológica, distopia e comentário social, um universo diverso, complexo e repleto de preconceitos, que coloca o leitor sempre na pele dos oprimidos sem desaguar no mero ativismo. Jemisin foi a primeira pessoa negra a receber o Hugo, principal prêmio da literatura fantástica e ficção científica, que existe desde 1953. Como se não bastasse, foi laureada duas vezes seguidas, em 2016 e 2017, façanha realizada apenas por Orson Scott Card (1986/87) e Lois McMaster Bujold (1991/92). Ao Aliás, Jemisin respondeu às seguintes questões. [André Cáceres, O Estado de S.Paulo]

Como foi o processo de pesquisa e o quão realista é a geologia da Quietude?
Passei meses pesquisando geofísica básica antes de iniciar a escrita, questionando sobre sismologia em fóruns e falando com especialistas. Também viajei para o Havaí, onde visitei quatro vulcões. Nesse sentido, a geologia da Quietude é realista. As descrições de como os terremotos e choques entre placas tectônicas ocorrem são precisas. É claro que no mundo real ninguém pode causar tremores em suas mentes; então, a partir desse ponto, tudo é especulativo.

O desprezo dos habitantes da Quietude por civilizações anteriores é uma crítica à nossa sociedade, que se esquece de sua história e repete seus erros?
Creio que essa seja uma característica humana. Até em sociedades que reverenciam a história, os ancestrais, existem pessoas – em geral jovens – que racionalizam o presente e desprezam o passado. Em sociedades saudáveis, há uma pressão contrária a essa opinião. Há anciãos respeitados e conhecimento suficiente transmitido por gerações para provar o valor da história. Em Quietude, a pressão pela sobrevivência é tão intensa que se permitiu que o desprezo pelo passado se tornasse a filosofia dominante. Não posso falar sobre o Brasil, mas, nos EUA, o problema é romantizar o passado – ou seja, encobrir suas falhas e fingir que o presente é pior porque confronta abertamente essas questões. Não que nós esqueçamos a história, mas a confundimos com propaganda. A história real é bagunçada e nada romântica.

A tecnologia da Quietude não aparenta ser avançada, mas as pessoas podem, entre outras coisas, produzir penicilina. Em que ponto do nosso desenvolvimento você localizaria essa sociedade?
Essa linha do tempo é deliberadamente não relacionada à do nosso mundo. O desenvolvimento tecnológico não caminha em linha reta e nem sempre procede da mesma maneira, mesmo na vida real. Diferenças culturais e de recursos produzem ênfases distintas, outros tabus. É como a China antiga desenvolveu construções resistentes a terremotos muito antes do mundo ocidental, simplesmente porque eles precisavam. Como Quietude já foi avançada tecnologicamente antes, o que tentei retratar não foi um mundo criado do zero, mas um que perdeu a tecnologia enquanto reteve algum conhecimento científico. Sabedoria é mais fácil de transmitir do que técnicas precisas ou materiais complexos, e o conhecimento que oferece benefício imediato à sobrevivência naturalmente se sai melhor. Então eles sabem como funcionam microorganismos que causam doenças e energia geotérmica, por exemplo, mas tiveram pouco motivo para reter arquitetura decorativa.

Desde que você começou a escrever a saga, houve alguma mudança na história para refletir questões políticas que surgiram nos EUA?
Não. Todo meu trabalho reflete as experiências de uma mulher afro-americana, descendente de escravos, que vive na América contemporânea. Às vezes essa reflexão é apenas menos abstrata.

Sua escrita é bastante inclusiva, com personagens diversos. Qual é a importância da representatividade na ficção?
Bem, só posso dizer pela minha experiência de encontrar personagens femininas e negras na ficção quando eu era jovem, o que foi um alívio. Porque, até aquele ponto, eu havia começado a ponderar se pessoas negras existiriam no futuro ou se tínhamos algum passado que valesse a pena ser explorado, porque a ficção manifestamente ignorava nossa existência ou ativamente teorizava nossa destruição. Mas eu acredito que é estranho dizer que isso somente afeta leitores de grupos sub-representados. Isso impacta todos os leitores. Um grupo dominante não se beneficia por ser tratado como o único que importa, e que só importa por ser a maioria e não por conta de algo sobre seu caráter. Isso os torna mais fracos, rasos e frágeis. A inclusão torna a literatura melhor para todos os leitores.

O gênero fantástico está mais inclusivo?
Mais do que era há 10, 20 ou 50 anos, claro. Inclusivo o suficiente para representar a raça humana ou sociedades multiculturais modernas como elas são? Ainda não. Mas acho que vai se aprimorar à medida que mais escritores provenientes de grupos marginalizados começarem a publicar seu trabalho, e mais autores de grupos privilegiados perceberem que isso é uma necessidade da boa escrita. Na ficção científica e fantasia, escritores são constantemente estimulados a retratar a ciência ou a magia corretamente. Já passou da hora de tentarmos retratar corretamente as pessoas.

A Quinta Estação
Autora: N.K. Jemisin
Tradução: Aline Storto Pereira
Editora: Morro Branco
560 páginas
R$ 49,80

Samsung Galaxy S9 tem imagens vazadas por site norte-americano VentureBeat

Novos modelos da Samsung serão oficialmente lançados no dia 25 de fevereiro, em Barcelona; empresa não comentou publicação do site norte-americano VentureBeat

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These are the Samsung Galaxy S9 and S9+ http://wp.me/p8wLEc-9IY7

O repórter Evan Blass, do site norte-americano de tecnologia VentureBeat vazou nesta sexta-feira, 26, imagens dos possíveis modelos Galaxy S9 e S9+ da Samsung.  Blass é reconhecido por vazar fotos e especificações de smartphones antes do lançamento. Os celulares serão oficialmente lançados no próximo mês durante o Mobile World Congress, principal evento do mundo para smartphones, em Barcelona.

Nas imagens, aparecem dois celulares com design semelhante aos dos Samsung Galaxy S8 e S8+, com telas de 5,8 polegadas a 6,2 polegadas respectivamente.  Segundo a reportagem, o S9 + terá memória de 6GB de RAM e 128 GB de armazenamento interno.

Mas o principal destaque para os modelos será, como também indica o anúncio oficial da Samsung, as mudanças no hardware e software para melhoria de imagens. Além de detectar o movimento, será possível captar vídeos de forma mais rápida. Ambas as novidades, diz Blass, acontecerão por conta da abertura variável de uma das duas câmeras de 12 megapixels previstas para os aparelhos.

Na parte da frente, as câmeras terão 8 megapixels e alto-falantes estéreo. Já os elementos traseiros do telefone estarão todos alinhados verticalmente, com um leitor de impressão digital na parte inferior do aparelho.

O site diz ainda que os smartphones devem estar para venda nos Estados Unidos no dia 16 de março. A empresa não comentou oficialmente nenhuma das informações.

Anúncio. Nesta quinta-feira, 25, a sul-coreana começou a enviar os convites para a imprensa especializada para sua conferência na Mobile World Congress, feira de tecnologia que acontece tradicionalmente em Barcelona, no final de fevereiro. O evento acontecerá no dia 25 de fevereiro – no convite, a empresa deu pistas de que a câmera será a principal novidade do seu aparelho, com a frase “a câmera – repensada”. Apesar de não abrir divulgar de como será o dispositivo, o convite reforça as impressões de que o S9 terá uma performance melhor de câmera que os modelos anteriores.

Depois do lançamento do Galaxy Note 8, no ano passado, aumentou os rumores do mercado de que o novo celular da companhia também terá configuração de câmera dupla.

Há quem cogite porém que o Galaxy S9 não deve ser a única surpresa da Samsung em Barcelona. Em entrevista ao site norte-americano de tecnologia ZDNet, a empresa reafirmou que pretende lançar esse ano seu primeiro smartphone flexível no mercado. Ainda não está claro, porém, que tipo de flexibilidade esse novo smartphone terá.

Contratado com estardalhaço pela CNN em junho, youtuber Casey Neistat deixa a rede

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Casey Neistat || Créditos: Getty Images

Um dos maiores nomes do Youtube, Casey Neistat fechou um acordo multimilionária com a CNN há pouco mais de seis meses com a promessa de se tornar um dos maiores nomes do canal de notícias. Mas o que aconteceu desde então foi algo bem diferente… Recapitulando: em junho de 2017 Neistat vendeu para a CNN o aplicativo de vídeo
messaging “Beme”, que havia cofundado no começo do ano com o colega Matt Hackett, em um negócio de US$ 25 milhões (R$ 78,7 milhões), e de quebra ainda assinou com a rede americana para participar da produção de programas voltados aos millennials, o público alvo dele na internet e o mais desejado atualmente pelos anunciantes.

O problema é que, apesar de ter sido bastante celebrada na época, quando chegou a ser chamada de “revolucionária”, a parceria não vingou, já que Neistat raramente aparecia nas atrações que bolou para a telinha e que, em razão disso, acabaram passando despercebidas. Conflitos internos sobre questões criativas também renderam dores de cabeça a ambas as partes, e a solução foi cada uma seguir seu caminho. “Esse é o fim de um capítulo para mim e estou muito triste”, Neistat contou em um vídeo que publicou na noite de quinta-feira e que, por ironia, já é um sucesso, com mais de 1,2 milhão de visualizações.

Em tempo: o nome de Neistat, que já foi comparado ao escritor Dr. Seuss pela revista “Hollywood Reporter”, chegou aos ouvidos de Jeff Zucker, o chefão da CNN, por meio de um dos filhos dele, que é fã do youtuber. No Festival de Cannes do ano passado o executivo até 0 elogiou publicamente, durante um painel do qual participou sobre o futuro da televisão e a influência nesta das plataformas de vídeo e streaming online. [Anderson Antunes]

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Abaixo, o vídeo no qual Neistat explica os motivos por trás do fim da parceria com a CNN: