Especialistas alertam para o vício em tecnologia

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Alguns pais não estão mandando os filhos para escolas que fazem uso de iPads em seus métodos didáticos. (Mac Snyder/The Flint Journal-MLive.com, via Associated Press)

Na verdade, até alguns dos que enriqueceram com o boom tecnológico começam a refletir seriamente sobre a questão. E não é para menos: um dos criadores do iPhone afirmou que o seu uso pode criar “dependência”. Um fundador do Twitter disse que a “internet é prejudicial”. E um dos primeiros investidores no Facebook está preocupado com as consequências da mídia social para o cérebro das crianças.

Dois grandes investidores de Wall Street — a Jana Partners e o Teachers’ Retirement System, da Califórnia — pressionam a Apple para que estude as consequências para a saúde dos iPhones e dos iPads, e facilite a limitação do seu uso, noticiou “The Times”.

“As companhias têm um papel a cumprir quando se trata dessas questões”, escreveu no início de janeiro Barry Rosenstein, parceiro gerente da Jana, em uma carta endereçada à Apple. “Como atualmente os fundadores das maiores companhias da área de tecnologia estão cada vez mais admitindo, os dias em que deixávamos a tecnologia de lado e lavávamos as mãos quanto às suas possíveis consequências terminaram”.

Esses grandes investidores refletem a crescente preocupação dos pais com a obsessão dos filhos por estes dispositivos, em detrimento de atividades como leitura e esportes.

“Nos últimos dez anos, tem havido um retrocesso total”, observou Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology, autora de “Alone Together: Why We Expect More From Technology and Less From Each Other” (“Juntos e Sozinhos: Por que esperamos mais da tecnologia e menos uns dos outros”, em tradução livre). “Percebemos isso, por exemplo, porque alguns pais deixaram de mandar os filhos para escolas que usam iPads, e alguns filhos pedem aos pais que deixem de lado seus celulares”.

Um colunista que escreve sobre tecnologia no “Times”, Farhad Manjoo, sugeriu que a Apple deveria criar um dispositivo que estimulasse um emprego mais criterioso e menos frequente.

“Acho que agora é imprescindível a intervenção da companhia”, disse Tristan Harris referindo-se à Apple. Ele é um especialista em ética do design do Google, e atualmente dirige a organização Time Well Spent, cuja finalidade é aprimorar as consequências da tecnologia para a sociedade. “Na realidade, é possível que ela seja a nossa única esperança”, disse Harris a “The Times”.

Manjoo destaca que a dependência destes aparelhos não é essencial ao modelo de negócio da Apple, porque seus preços são altos, assim como suas margens de lucro.

Os dispositivos da Apple poderiam dar às pessoas feedback sobre o seu uso, como, por exemplo, por quanto tempo costumam usar a mídia social. Um celular poderia brincar com você.

“’Farhad, você passou a metade da semana navegando no Twitter. Você se orgulha mesmo disso?’”, escreveu Manjoo. Ele poderia se oferecer para ajudar: “’Se eu vir você gastando tanto tempo assim no Snapchat na próxima semana, gostaria que eu o lembrasse disso?’”.

Nellie Bowles, repórter de tecnologia no “The Times”, decidiu tratar diretamente desta questão. “Faço parte de um pequeno grupo de pessoas que usam as telas de seus celulares na escala da cor cinza, eliminando as cores e usando uma gama de tons do branco ao preto”, escreveu.

Facebook e Google pediram a alguns neurocientistas para examinarem o que é tão agradável e o que faz com que continuemos olhando, e estes cientistas concluíram que a cor é essencial às nossas prioridades e emoções.

A Neurons, uma companhia de Copenhague, usa a tecnologia da tomografia e do rastreamento ocular para estudar aplicativos, atualizações e tecnologia do futuro. Também mede a atividade elétrica do cérebro enquanto um consumidor escreve uma mensagem ou navega no Facebook, o maior cliente da companhia.

“A cor e a forma são verdadeiros quebra-gelo quando se trata de chamar a atenção do cliente; a atenção é a nova moeda”, disse Thomas Z. Ramsoy, diretor executivo da Neurons, ao “The Times”. A companhia se esforça por atrair consumidores e inspirar emoções felizes sem perturbá-los.

Nellie Bowles afirmou que a tela cinza a ajudou a controlar a “mania de consultar o celular”. “Nós somos animais simples, que se exaltam com as cores fortes”, explicou. [Tom Brady]

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