L’Officiel USA Fevereiro 2018 Lary Muller by Mary Fix

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Lary Muller by Mary Fix

Photography: Mary Fix. Styled by: Kimberly Nguyen. Hair: Rebekah Calo using R+Co. Makeup: Michael Chua using CHANEL Palette Essentielle. Model Lary Muller at Supreme.

‘Pornografia infantil, violência, você tem que estar preparada para tudo’: o relato de uma moderadora do Facebook

Ela avalia que moderadores acabam se tornando ‘bastante insensíveis’ com o tempo​

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‘A política era mais rigorosa para a eliminação de pornografia que para violência gráfica’, diz moderadora – AFP

“O que mais tem é pornografia”, diz Sara Katz, ao se lembrar dos oito meses em que trabalhou como moderadora do Facebook.

“A agência foi muito direta sobre o tipo de conteúdo que veríamos e o quão gráfico era, portanto sabíamos o que estávamos enfrentando”, declara.

Katz se refere a uma agência de moderadores humanos com sede na Califórnia, nos Estados Unidos, que o Facebook e outras empresas contratam. Ela trabalhou com isso em 2016.

A tarefa de Katz consistia em revisar as queixas sobre conteúdo inapropriado que chegavam dos usuários do Facebook.

Não era uma tarefa tranquila. “Davam para a gente cerca de um minuto por publicação, para decidir se era spam e tinha que ser apagado. Às vezes, apagávamos a conta associada à postagem também”, explica.

“A gerência não gostava que trabalhássemos mais que oito horas por dia, e revisávamos uma média de 8 mil publicações por dia, mil por hora.”

Katz diz que “aprendeu bastante” no período, mas destaca que, se tivesse que descrever o trabalho com uma só palavra seria, “extenuante”.

Imagens Ilegais
“Definitivamente você tem que estar preparado para ver qualquer tipo de coisa em apenas um clique. As imagens chegam de repente, sem aviso prévio”, diz.

A que mais a impactou foi uma fotografia que sugeria pornografia infantil. “Era de um menino e uma menina. O menino tinha uns 12 anos, e a menina, oito ou nove. Eles estavam de frente um para o outro, sem calça”, descreve.

“Parecia que um adulto estava dizendo a eles o que fazer. Foi muito perturbador, principalmente porque dava para ver que era real.”

Publicações que se repetem
“Muitas dessas publicações explícitas circulavam continuamente. Víamos passar por seis contas distintas ao longo do dia, mas era difícil achar a fonte original”, se lembra.

Katz diz que, na época em que fazia o monitoramento de publicações, não havia para os funcionários serviços de aconselhamento e ajuda psicológica. “Pode ser que hoje exista, não tenho certeza”, afirma.

Ela reconhece que, se tivessem oferecido esse tipo de apoio em 2016, ela certamente teria aceitado a ajuda.

“Definitivamente te advertem, mas ser alertado e ver são duas coisas diferentes”, destaca.

“Alguns pensam que podem lidar com a situação, mas acabam vendo que não conseguem, porque a realidade é pior do que esperavam.”

Violência Gráfica
Katz avalia que os moderadores acabam se tornando, muitas vezes, “bastante insensíveis” com o tempo. “Não diria que é mais fácil (ver imagens violentas e de pornografia), mas você se acostuma”, explica.

“Obviamente havia muito mais pornografia genérica entre adultos, o que não era tão perturbador.”

Em alguns casos, as fotografias incluíam animais. “Tinha uma imagem com um cavalo que circulava com frequência”, recorda.

E também apareciam muitas cenas violentas. “Lembro de uma publicação em que arrancavam a cabeça de uma mulher”, conta.

“Parte do corpo dela estava no solo, e a outra metade, o torso, numa cadeira”, descreve.

“A política era mais rigorosa para a eliminação de pornografia que para violência gráfica.”

Notícias Falsas
“Creio que as notícias falsas pegaram o Facebook de surpresa”, diz Katz.

“Durante a campanha para as eleições dos Estados Unidos era algo que estava fora do radar, ao menos durante o tempo em que eu trabalhei ali.”

“Realmente não me recordo de ter escutado muito o termo ‘fake news'”, assegura.

“Circulava uma grande quantidade de artigos que eram denunciados pelos usuários, mas não me lembro de os gerentes pedirem que verificássemos se os fatos correspondiam à realidade”, conta.

Embora tenha tido contato com algumas imagens perturbadoras, em geral, o trabalho de moderador era “monótono”, diz ela.

“Realmente você acaba se acostumando a identificar o que é spam e o que não é. Simplesmente, a atividade se converte numa monotonia de cliques.”

Perguntada se recomendaria o trabalho, ela é taxativa: “Se você puder fazer qualquer outra coisa, eu diria que não”.

A Resposta do Facebook
A BBC encaminhou o relato de Katz ao Facebook. Em resposta, um porta-voz da empresa disse: “Nossos revisores desempenham um papel crucial para fazer do Facebook um local seguro e aberto”.

A rede social reconheceu que o trabalho de moderador “pode ser muito desafiador”. “Queremos assegurar que (os moderadores) estejam devidamente respaldados.”

“Por isso, oferecemos capacitação regularmente, assessoramento e apoio psicológico a todos os nossos empregados e a todos os que trabalham para nós por meio de nossos sócios”, completou.

O Facebook também disse que, embora use inteligência artificial sempre que possível, existem mais de 7 mil pessoas que revisam conteúdo da rede social. “Cuidar do bem-estar deles é uma verdadeira prioridade nossa.” BBC Brasil

Bilheteria EUA: Cinquenta Tons de Liberdade, Pedro Coelho, 15h17 – Trem para Paris, Jumanji: Bem-Vindo à Selva, O Rei do Show

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Fifty Shades Freed

Na sua semana de estreia nos Estados Unidos, Cinquenta Tons de Liberdade arrancou Maze Runner – A Cura Mortal do topo e ficou em primeiro lugar na bilheteria norte-americana. No fim de semana de 9 a 11 de fevereiro, a conclusão da trilogia erótica adaptada da obra de E. L. James rendeu US$38,8 milhões à Universal Pictures.

Na trama, Anastasia (Dakota Johnson) e Christian (Jamie Dornan) estão casados e, embora pareçam ter tudo, os dois precisam se adaptar: ela para não perder sua identidade no mundo do marido e ele para dominar seu impulso controlador. James Foley comanda o longa.

O segundo lugar também foi marcado por uma estreia: a animação Pedro Coelho, da Sony Pictures, rendeu US$25 milhões logo no seu primeiro fim de semana.

A trama mostrará que a rivalidade entre Rabbit (dublado no original por James Corden) e o Sr. McGregor (Domhnall Gleeson) atinge outros níveis, já que eles começam a disputar a atenção de Bea (Rose Byrne). O elenco de dubladores têm ainda Margot RobbieElizabeth Debicki e Daisy Ridley. O filme foi dirigido por Will Gluck, conhecido por Amizade Colorida e A Mentira.

Já 15h17 – Trem para Paris, novo longa do diretor Clint Eastwood (Sniper Americano), estreou em terceiro lugar, com US12 milhões de bilheteria para a Warner Bros. A trama acompanha soldados americanos que impedem um ataque terrorista em um trem que está viajando para Paris. Os personagens são interpretados pelos soldados reais que passaram pela situação.

Jumanji: Bem-Vindo à Selva, que antes estava em primeiro, caiu para o quarto lugar. Na sua oitava semana em cartaz, é uma queda esperada, e o filme fez US$9,82 milhões no fim de semana.

O novo longa acompanha quatro jovens que encontram um antigo videogame com o jogo de Jumanji. Ao ligarem e escolherem um personagem, eles são transportados para a floresta. O nerd da turma entra no corpo de Dwayne Johnson, enquanto a jovem mais popular fica na pele de Jack Black. O elenco principal conta ainda com Kevin Hart e Karen Gillan. O filme está em cartaz no Brasil.

O Rei do Show desceu uma posição, indo para o quinto lugar na sua oitava semana em exbição nos cinemas norte-americanos. O musical estrelado por Hugh Jackman rendeu US$6,4 milhões para a Fox durante o fim de semana.

O Rei do Show é a cinebiografia do apresentador P.T. Barnum, interpretado por Jackman. Nascido em Connecticut, em 1810, Barnum começou a trabalhar com shows de variedades em Nova York, em 1834. Ficou famoso por sua facilidade para atrair uma plateia ingênua e por criar um novo formato de circo itinerante, sob um picadeiro, com tipos bizarros e animais exóticos, que Barnum nada humildemente chamava de “O Maior Show da Terra“. O longa já está em cartaz no Brasil

Autofalsificação da Diesel causa confusão em Nova York

Batizada “Deisel”, coleção-cápsula conta com preços baixos e loja própria no distrito das falsificações

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A loja (Foto: Reprodução/Instagram)

Em uma ação que coincide com a semana de moda de Nova York, a Diesel decidiu se autofalsificar e lançar uma coleção-cápsula chamada Deisel. Não bastasse, ainda abriu seu próprio “camelô” na Broadway Street, uma região conhecida pelos produtos falsificados.

O espaço deixou muita gente confusa, o que foi registrado pela marca em um vídeo ao estilo câmera oculta, mas foi um sucesso: com previsão de ficar aberta durante 4 dias, a loja fechou logo no segundo por ter vendido todo o estoque. Agora, só comprando online. Play!

Alicia Burke – Porter Magazine #25 Spring 2018 by Rory van Millingen

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Model: Alicia Burke

Disco Inferno
Porter Magazine #25 Spring 2018
www.net-a-porter.com

Photography: Rory van Millingen
Model: Alicia Burke
Styling: Cathy Kasterine
Hair: Neil Moode
Make-Up: Ninni Nummela

Manicure: Sabrina Gayle

A arte urbana da Gucci em NY e Milão!

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E a arte de rua da Gucci é bem neoclássica e renascentista, viu? No painel em NY, os óculos da marca são o destaque!

Dando continuidade à campanha “Gucci Hallucination” da primavera-verão 2018Alessandro Michele renova a parceria o artista Ignasi Monreal pra tomar as ruas de duas capitais da moda! Como? Com painéis gigantes colados em prédios! Em Milão, o artista espanhol reinterpretou (digitalmente) a obra “O Casal Arnolfini” de Jan van Eyck de 1434 só que com os protagonistas vestidos de Gucci, é claro. Já em NY, a inspiração veio de retratos neoclássicos do século 18! O resultado tá lindo e você confere mais abaixo. [Lilian Pacce]

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O espanhol Ignasi Monreal  mistura as criações de Alessandro Michele com obras conhecidas da história da arte! Aqui, “O Casal Arnolfini” aparece tatuado e com uma mega estampa florida. O original está do lado direito! Curtiu?

Todo mundo fica nu nesta campanha da Absolut

Marca traz maneira inusitada de comunicar que é totalmente transparente

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Campanha da Absolut: pureza e nudez no comercial da marca (Absolut/Divulgação)

Absolut encontrou uma maneira inusitada de comunicar que é uma marca totalmente transparente. Para indicar essa clareza toda, a marca fez um anúncio um tanto quanto revelador. Com seus funcionário, todos nus, o filme aborda os ingredientes, controle de qualidade, cultura de funcionários e processo de produção. Durante toda a explicação todos aparecem exatamente como vieram ao mundo.

A criação da BBH London foi gravada em uma das unidades da empresa, mais precisamente na destilaria de Ahus, na Suécia. Precisamente 28 funcionários da Absolut fizeram sua “ponta” como atores.

Anthony Austin, diretor executivo e criativo da BBH, disse por comunicado: “Quando descobrimos pela primeira vez como a Absolut faz sua vodka, fomos imediatamente captados pelo orgulho que fazem parte do seu processo. Do trigo eles crescem até o copo reciclado para suas garrafas , é exclusivamente transparente em todos os estágios. Queríamos comemorar essa abertura, de uma forma que se sentia fiel à sua identidade sueca, então descobrimos a melhor maneira de mostrar que você é “A Vodka com nada a esconder” seria tomar todo o seu kit e fique em um campo e fale sobre isso. E sendo as almas suecas bem-humoradas que são, eles saltaram a chance de descobrir tudo para o mundo “.

Anna Schreil, vice-presidente de operações de Absolut, que também está no filme também falou sobre o movimento. Para Schreil a empresa está muito feliz e orgulhosa da vodka produzida na região. “Controlamos cada passo de semente para garrafa, e fazemos isso com paixão e orgulho. Qualidade e sustentabilidade são palavras fundamentais para nós e adoramos contar a nossa história. Normalmente, quando as pessoas vêm nos ver, temos roupas. Mas a transparência sobre como fazemos as coisas ainda é a mesma coisa “, disse.

O filme foi dirigido por Sam Hibbard via Somesuch e é parte da plataforma em andamento da Absolut, ”Create A Better Tomorrow, Tonight“, que está em linha com a visão a longo prazo da empresa para criar um “mundo mais sustentável”.

Conteúdo publicado originalmente no site AdNews.

Saskia de Brauw, Adut Akech, Kiki Willems, Jing Wen, Adesuwa Aighewi & + WSJ. Magazine Março 2018 by Josh Olins

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Model: Saskia de Brauw

Perfect Pieces
WSJ. Magazine March 2018
www.wsj.com

Photography: Josh Olins
Model: Saskia de Brauw, Adut Akech, Léa Julian, Kiki Willems, Lily Nova, Jing Wen & Adesuwa Aighewi
Styling: Ludivine Poiblanc
Hair: Tomo Jidai
Make-Up: Sally Branka
Manicure: Eri Handa

Set Design: Kadu Lennox

Nova campanha da Kenzo é uma ode a vivências híbridas asiáticas

“YO! MY SAINT”: uma ode a vivências híbridas asiáticas contemporâneas pela marca Kenzo na campanha SS18.
Por Caroline Ricca Lee

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“YO! MY SAINT”

Mil novecentos e trinta e novo data o ano de nascimento de Kenzo Takada em Hijemi (Japão), e também o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em meio ao período, Kenzo viveu uma infância dificultosa e ganhou interesse pela costura em função de suas irmãs mais velhas. Em 1965, o jovem estilista desembarcava em Paris, mas antes viajou por grande parte da Ásia, e essa visão de subversão perante referências asiáticas pontua até hoje a assinatura de produto da marca.

Desde 1993, a Kenzo pertence ao grupo LVMH, e em 2011 foi anunciado que os fundadores da Opening Ceremony assumiriam sua direção criativa. Semelhante ao caminho diaspórico de seu criador original, Humberto Leon, filho de pai peruano e mãe chinesa  —  nascido nos subúrbios de Los Angeles, sua mãe era costureira e ele o mais novo de uma família recém-imigrada  —  e Carol Lim, filha de pais sul-coreanos nascidos em Singapura  —  também nascida no subúrbio de L.A., representam a segunda geração de imigrantes asiáticos nos EUA.

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Carol Lim, e Humberto Leon (Richard Bord/Getty Images)

Assim, é possível entender como as rédeas tomadas por Humberto e Carol não precisam mimetizar repertório para continuar a história da marca, mas sim subverter seus processos através de uma perspectiva individual e tornar contemporânea a maneira de comunicar. Desde a primeira coleção assinada pela dupla  foi possível perceber que um novo curso para a Kenzo havia sido dado.

Opening Ceremony era já reconhecida pelo transbordamento de mídias para falar sobre moda, e na desconstrução do que um desfile realmente é. Para citar um dos exemplos, na apresentação de Verão 2018 , a marca apresentou uma performance de dança estrelada por Mia Wasikowska e Lakeith Stanfield, dirigida por Spike Jonze. Talvez esse antigo crush com o diretor tenha influenciado uma nova colaboração quando, em 2016, Jonze foi novamente convidado pela dupla para dirigir o curta musical My Mutant Brain, estrelando a atriz Margaret Qualley, para a campanha do perfume “Kenzo World”. No ano seguinte, a peça publicitária abocanhou 3 bronzes, 2 pratas, 2 ouros e o Grand Prix de Titanium, no Festival de Cannes.

Era fato como o sucesso desta nova forma de comunicar havia se transformado em manobra para continuar cativando um novo público, e esse reposicionamento marcou o híbrido de assinatura entre Kenzo, Humberto e Carol. Assim, ainda nos primeiros dias de 2018, foi lançado o projeto audiovisual e plataforma “Yo! My Saint”, definido pela própria marca como uma catarse coletiva que incorpora música, cinema e moda, para apresentar a coleção de Primavera/Verão 2018. “Não é apenas uma música, nem um filme, nem uma roupa”.

A composição do single homônimo é de Karen O, que lidera os vocais e tem acompanhamentos de Michael Kiwanuka. Desde 11 de janeiro a faixa está disponível em mais de 50 serviços de streaming, e ainda será lançado em vinil de edição limitada para venda em todas as lojas físicas Kenzo, além da venda online no site oficial da marca e de Karen O.

“Quando percebi que as maiores inspirações para Humberto e Carol seriam um artista e uma modelo de ascendência japonesa, isso catalisou um outro lado da minha própria imaginação, que é o melodrama asiático que habita em mim”, acrescenta Karen O. “Para a música, eu quis imediatamente algo melodramático e romântico, com muitos anseios e grandes apostas  —  tudo de melhor que há em uma boa novela coreana típica”.

O curta videoclipe, que marca a poesia imagética do projeto, possui direção de Ana Lily Amirpour, foi escrito pela diretora ao lado de Karen O, o figurino é de Shirley Kurata, apoio da marca Shiseido, e casting 100% de atores asiáticos — sendo protagonistas Alex Zhang Hungtai, Jessica Henwick e Kiko Mizuhara. Em nove minutos é possível ver referências a filmes como Blow Up (1976), a obra do diretor Wong Kar Wai, e ao New Wave Cinema de Taiwan. Mas o que cativa principalmente é o kistch colorido que marca a Ásia dos anos 90, principalmente o cinema chinês.

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Frame do filme “Felizes Juntos” (1997), de Wong Kar Wai. (Reprodução/Reprodução)

O enredo conecta-se à coleção Verão 2018, que tem como inspiração a musa histórica da marca, Sayoko Yamaguchi, e o músico Ryuichi Sakamoto. O desfile aconteceu na Paris Fashion Week, com casting apenas de modelos de ascendência asiática, como Mae Lapres, Manami Kinoshita e Fernanda Ly. Em uma declaração sobre o lançamento de “Yo! My Saint!”, Humberto Leon diz: “Muito dos nossos esforços realizados na Kenzo rememora o tempo que estávamos crescendo, crianças nos anos 1980 e 1990, e sentindo algo como, ‘Nossa, lembra quando não era nada cool ser asiático?’. Nós estamos vivendo um tempo no qual é possível ter orgulho e assumir nossa herança racial, e eu acho que é também um momento perfeito para celebrar a herança japonesa contida na marca Kenzo, mas é principalmente uma celebração para todos nós asiáticos.”

“Yo! My Saint” é um ode às vivências híbridas asiáticas contemporâneas. Em catarse colaborativa de criativos, a campanha audiovisual da Kenzo mostra que não apenas representatividade é o cerne da obra, mas apresenta a questão como um caminho histórico da marca.

Representatividade tem sido uma palavra tendência para boa parte do mercado; e a moda também traduz o conceito à sua própria prática. E para subverter sistemas que apenas utilizam corpos e vivências marcadas para cativar públicos, é necessário não apenas representar, mas co-criar. Está exatamente em refletir como não apenas representar, mas convidar indivíduos em suas múltiplas interseccionalidades para propor uma vocalização criativa que seja verdadeira diante de suas histórias individuais, consequentemente, sendo assim tangível ao outro. Genuíno. Real. Cativante, por consequência.


QUEM PARTICIPOU

Direção: Ana Lily Armirpour

Ana Lily Amirpour é diretora, escritora, produtora e atriz, americana de ascendência iraniana. Ganhou notoriedade com seu premiado filme de estréia A Girl Walk Home Alone at Night (2014), em língua persa e totalmente P&B, descrito como um “filme de vampiros e faroeste numa cidade fantasma iraniana”, sendo sua principal protagonista uma jovem mulher que permeia a noite — e o pesadelo dos homens que habitam seu vilarejo — de chador e skate. O filme estreiou no Sundance Film Festival de 2014, na mostra “Next”.


Composição single e co-roteirista: Karen O

Nascida em Busan na CorEia do Sul, seu nome real é Karen Lee Orzołek, mãe sul-coreana e pai polonês, Karen O simplesmente dispensa apresentações. Vocalista e líder da banda Yeah Yeah Yeahs, já colaborou com artistas como The Flaming Lips, Santigold, Trent Reznor (Nine Inch Nails), David Lynch, entre outros. Além de ter participado na trilha sonora de diversos filmes, sendo destaque as composições originais para os filmes Onde Vivem os Monstros (2009) e Her(2013), este ainda recebeu nomeações de melhor canção original nas premiações Grammy Award, Golden Globe e Oscar.


Protagonista #1 — A Musa: Jessica Henwick 

Jessica Yu Li Henwick é uma atriz britânica, nascida em Surrey (condado situado no sudeste da Inglaterra), sua mãe é singapureana de ascendência chinesa, e seu pai nasceu na Zambia, migrando para a Inglaterra aos 12 anos. Jessica foi a primeira atriz de ascendência asiática do leste a desempenhar o papel principal em uma série de televisão britânica, quando estrelou Spirit Warriors (2010). Ela também é conhecida por seus papéis como Nymeria Sand na quinta temporada de Game of Thrones (2015), a piloto Jessika Pava no filme Star Wars: O Despertar da Força (2015), e Colleen Wing na série criada para Netflix, baseada no personagem homônimo da Marvel Comics, Punho de Ferro (2017).

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Jessica Henwick em frame do curta Yo! My Saint. (Reprodução/Reprodução)

Protagonista #2 — A Modelo: Kiko Mizuhara

Kiko Mizuhara é modelo, atriz, e designer. Nascida em Dallas (EUA), mudou aos dois anos para Kobe, no Japão, e vive no país desde então. Sua mãe é coreana zainichi*, e seu pai americano. Além disso, Kiko ainda tem uma irmã, a DJ e também modelo Ashley Yuka Mizuhara. Kiko já desfilou para Moschino, Diesel, Alexander Wang, foi capa e estrelou editoriais de revistas como a ELLE, Nylon,NumeroAnother e Dazed and Confused. Foi modelo principal em campanhas de marcas como Supreme, Marc Jacobs, Phillip Lim, Reebok, Kitsuné, Tiffany & Co. e Shiseido, além de ser embaixadora da Chanel, e ter sido fotografada pelo próprio Karl Lagerfeld para a campanha “The Little Black Jacket”, em 2012. Já colaborou na criação em marcas como Opening Ceremony, além de ser uma notória atriz no Japão.

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Kiko Mizuhara em frame do curta Yo! My Saint. (Reprodução/Reprodução)

Protagonista #3 —O Fotógrafo: Alex Zhang Hungtai

Alex Zhang Hungtai é compositor, músico e ator. Nascido em Taipei (China), radicado no Canadá, considera-se nômade. Morou em lugares como Berlim, Xangai, Lisboa, Los Angeles e Honolulu. Seus codinomes musicais são Last Lizard e Dirty Beaches, e ele lançou seu primeiro álbum Old Blood (Fixture Records) em 2007. Desde então, atua principalmente na cena rockabilly lo-fi em colaborações e empreitadas solo. Mais recentemente lançou o Love Theme (2017), projeto colaborativo junto de Austin Milne e Simon Frank. Alex fez uma participação especial no seriado Twin Peaks (2017) como um dos integrantes da banda Trouble, tocando sax ao lado de Riley Lynch, filho de David Lynch.

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Alex Zhang Hungtai. (Reprodução/Reprodução)

Acompanhamentos/intérprete: Michael Kiwanuka

O cantor, compositor e guitarrista Michael Kiwanuka tem sido apontado como um criadores mais genuínos e emocionantes de seu tempo por veículos como o The Guardian e Independent, comparado a grandes como Marvin Gaye e Randy Newman. Michael nasceu em Londres, filho de pais que migraram de Uganda em fuga do regime Amin. Ganhou ainda maior notoriedade por sua música “Cold Little Heart” ser o tema de abertura da premiada série Big Little Lies, da HBO.


Figurino: Shirley Kurata

Shirley Kurata nasceu em Los Angeles, americana de ascendência japonesa, é uma reconhecida stylist, figurinista e estilista que já vestiu personalidades como Miranda July, Zooey Deschanel, Lena Dunham, Shirley Manson, Cass McCombs e Devendra Banhart. Assinou o figurino de videoclipes dos músicos Pharrell e Beck, além de fashion films para Prada e Kenzo, e é a stylist oficial da marca Rodarte desde seu primeiro desfile em 2005. Muitas vezes define o seu estilo como uma “secretária Mod contemporânea”, mas muito mais do que isso, sua sensibilidade para cores, composição e atenção aos detalhes, é algo notável.


Inspiração SS18 e Musa histórica: Sayoko Yamaguchi

Sayoko Yamaguchi foi a primeira supermodel asiática no mundo, e tornou-se uma artista de assinatura única que trabalhava em seus próprios termos. O auge de sua carreira aconteceu nos anos 1970, e apesar do período ser marcado por um forte padrão caucasiano no mundo da moda, Sayoko foi uma das modelos mais requisitadas exatamente por sua ascendência. Ainda, ela era considerada pela maioria das maison como “performer”, não apenas modelo. Desfilou para Chanel, Kenzo, Yves Saint Laurent, Sonia Rykiel, entre muitos outros. Sayoko também foi atriz e figurinistas, conhecida por filmes como Pisutoru opera (2001), Genshiryoku sensô (1978) e Rikyu (1989).

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Campanha Inverno Kenzo 1983, estrelando Sayoko Yamaguchi. (Hans Feurer/Reprodução)

Inspiração SS18: Ryuichi Sakamoto

Ryuichi Sakamoto é “apenas” músico, compositor, cantor, produtor, ativista, escritor, ator e bailarino. Nasceu em Tóquio (Japão), porém vive há mais de 30 anos em Nova York (EUA). Sua primeira composição foi aos 11 anos, período quando fazia aulas de piano, e tinha como inspiração Bach. Mais tarde, uniu o erudito à paixão pelos sintetizadores (sendo um grande fã de Kraftwerk), descobrindo assim uma nova forma de composição e expandindo seu repertório. Sakamoto gravou seu primeiro disco em 1978, que inclui as canções “Thousand Knives” e “The End of Asia”. Na mesma época, tornou-se membro da banda de synth-rock/pop Yellow Magic Orchestra. Sua primeira aparição nos cinemas foi ao lado de David Bowie no filme Merry Christmas Mr. Lawrence (1983), direção de Nagisa Oshima, como um dos protagonistas no enredo. Também fez uma participação especial no clipe da música “Rain” da Madonna.

Ryuichi Sakamoto
Ryuichi Sakamoto

Em 2006, fundou a organização anti-nuclear “Stop Rokkasho”, campanha internacional contra a usina Rokkasho Nuclear Fuel Reprocessing Facility, de reprocessamento nuclear com capacidade anual de 800 toneladas de urânio ou 8 toneladas de plutônio. Após o desastre de Fukushima, Ryuichi também organizou um grande protesto no Yoyogi Park em Tóquio, e realizou um discurso para mais de 170.000 manifestantes contra o uso de energia nuclear e pelo fechamento de demais usinas nucleares no Japão. Sakamoto ainda possui sua própria linha de óculos para promover a organização “moreTrees”, que plantam árvores em todo o mundo para prevenir a extinção dos recursos naturais do planeta. O design de três modelos é assinado pelo próprio, e são “environmentally friendly”, feitos de materiais reciclados e bio-plástico.