Bactérias ajudam recém-nascidos

IW_06_BABIESMuitos estudos sugerem que partos por cesariana e amamentação breve podem alterar a população de microrganismos nos intestinos do bebê e explicar o aumento descontrolado de preocupantes problemas de saúde em crianças e adultos, como asma, alergias, doença celíaca, diabetes tipo 1 e obesidade.

Isso poderia levar a uma redução do número de cesáreas programadas e ao aumento do número de mães que optariam por alimentar os filhos exclusivamente com o próprio leite durante seis meses, a fim de ampliar a quantidade de tipos e de bactérias que habitam os intestinos dos bebês.

Estes organismos realizam funções importantes, como digerir nutrientes não utilizados, produzir vitaminas, estimular o desenvolvimento normal do sistema imunológico, combater as bactérias nocivas e promover a maturação dos intestinos.

Os bebês estão expostos a alguns organismos também no útero, mas os organismos encontrados no nascimento e nos primeiros meses de vida influenciam consideravelmente os que passam a residir permanentemente em seus intestinos.

Um estudo dinamarquês com dois milhões de crianças nascidas entre 1977 e 2012 mostrou que as nascidas por meio de cesárea estavam significativamente mais expostas a problemas como asma, distúrbios sistêmicos do tecido conectivo, artrite juvenil, inflamação dos intestinos, deficiências do sistema imunológico e leucemia.

As crianças nascidas pelo canal da vagina adquirem em primeiro lugar os micróbios que habitam a vagina e os intestinos maternos. Entretanto, as que nascem por meio de cirurgia antes da ruptura das membranas e do início do trabalho de parto adquirem micróbios principalmente da pele da mãe, do pessoal e do ambiente do berçário.

Quando é realizada uma cesárea de emergência, depois da ruptura das membranas e do início do trabalho de parto, o bebê adquire menos micróbios da mãe do que durante um parto normal, mas muitos mais do que em uma cesárea programada.

Os cientistas descobriram que essas diferenças na microbiota intestinal persistem nas crianças até pelo menos os 7 anos de idade, segundo um estudo realizado na Finlândia e publicado em 2004.

Para combater as consequências de um parto cirúrgico sobre o microbioma do recém-nascido, cresce o número de gestantes que solicitam que as equipes médicas transfiram os micróbios da vagina materna para os seus bebês logo depois do nascimento. Algumas inclusive começaram a fazer as trocas de micróbios por conta própria.

Entretanto, uma comissão de especialistas do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas alertou recentemente que a prática, conhecida como semeadura vaginal, é prematura e possivelmente perigosa.

A comissão citou um risco potencial na transferência de organismos patogênicos, da mulher para o recém-nascido. A dra. Suchitra Hourigan, gastroenterologista pediátrica e diretora do Instituto de Medicina Translacional Inova de Falls Church, Virginia, disse que, no momento, a amamentação é a melhor e mais segura maneira de expor o bebê nascido por cesárea às bactérias de sua mãe. O leite materno contém muitas das mesmas bactérias benéficas encontradas na vagina.

Alguns estudos mostraram que “até mesmo pequenas quantidades do suplemento de leite da fórmula” podem modificar a microbiota na amamentação materna. [Jane E. Brody]

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