Moda plus-size com assinatura de grandes estilistas

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Nadia Boujarwah, formada na Escola de Administração de Empresas de Harvard, fundou a Dia & Company com uma antiga colega de escola. (Erin Patrice O’Brien para The New York Times)

Nadia Boujarwah sabe por experiência própria que comprar roupa plus-size pode ser uma tarefa difícil. Mas foi somente enquanto estudava na Escola de Administração de Empresas de Harvard que ela se deu conta de que a falta de opções oferecia na realidade uma oportunidade comercial.

Um ano depois de se formar, Nadia e uma colega do curso, Lydia Gilbert, viram que havia uma abertura para elas: oferecer às mulheres que usam manequins maiores cinco artigos de vestuário escolhidos por um estilista que leva em conta as preferências individuais. Em 2015, abriram um site para vendas online, a Dia & Company.

“Não achava que a venda no varejo fosse, para mim, uma de carreira”, disse Nadia. “Mas quando estava na escola de administração, percebi que minhas experiências pessoais durante a formação eram compartilhadas por milhões de mulheres. Para mim este foi um chamado à luta”.

A escassez de roupas de tamanhos maiores decorre de um estigma profundamente arraigado na indústria da moda — muitos estilistas não oferecem suas criações acima de determinado tamanho. Há também complicações na produção: os tamanhos maiores frequentemente exigem um padrão separado por causa das proporções diferentes e necessitam de uma quantidade maior de tecido, o que encarece a produção.

“Participei de centenas de encontros com estilistas, e esse tipo de cliente nunca participava do diálogo”, disse Mariah Chase, diretora-executiva da Eloqui, um site de comércio eletrônico para os figurinos plus-sizes.

Um estudo de 2016 realizado pela revista International Journal of Fashion Design, Technology and Education afirmou que a mulher americana média usava tamanho 50 ou 52. Entretanto, os gastos anuais com vestuário de tamanhos maiores representam apenas 6% de um mercado de US$ 112 bilhões nos Estados Unidos porque não há estoque disponível.

Essa situação começou a mudar. Novos comerciantes estão vendo uma oportunidade. Empresas de comércio eletrônico que alugam ou vendem tamanhos maiores cresceram.

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Nadia Boujarwah, formada na Escola de Administração de Empresas de Harvard, fundou a Dia & Company com uma antiga colega de escola. (Erin Patrice O’Brien para The New York Times)

As gigantes varejistas também estão expandindo sua presença. Em março do ano passado, a Walmart adquiriu a Modcloth, um site de comércio eletrônico que vendia roupas em uma variedade de tamanhos. Mas especialistas do setor afirmam que as grandes varejistas carecem do toque pessoal que as clientes procuram.

“Este tipo de cliente quer uma companhia que compreenda suas necessidades, e não que simplesmente venda roupa para todo mundo”, disse Marshal Cohen, analista do setor varejista.

Por isso, algumas start-ups tentam atender a esta demanda. Christine Hunsicker, empreendedora da área de tecnologia, e Jaswinder Pal Singh, professor da ciência da computação na Universidade Princeton, em Nova Jersey, criaram o Gwynnie Bee, um serviço de aluguel baseado no pagamento de uma mensalidade.

Neste modelo de negócio, as mulheres que usam tamanhos plus-size recebem remessas regulares de roupa. Uma vez usada, as clientes devolvem as opções à companhia para uma nova seleção. Se a cliente gosta do item, pode comprá-lo.

Um desafio para estas companhias é encontrar estoques. Os estilistas tornaram-se mais flexíveis, mas os empreendedores não esperam que as indústrias deem o primeiro passo.

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The New York headquarters of Dia & Company. A empresa oferece roupas escolhidas por um estilista para mulheres que usam tamanhos 14 e acima. (Erin Patrice O’Brien para The New York Times)

Em fevereiro do ano passado, a empresa de Nadia e Lydia publicou um anúncio de página inteira no “New York Times”, encorajando os estilistas a olharem de uma maneira nova o mercado com a frase: “A moda que ela não pode vestir está se tornando um pouco fora de moda”. A estratégia funcionou: Nadia disse que o anúncio havia gerado duas novas linhas, uma com a atriz Rebel Wilson e a outra com a estilista Nanette Lepore.

Muitos dos sites apresentam, inicialmente, roupas a preços moderados. Mas a 11 Honoré, inaugurada em agosto, foi criada por Patrick Herning e Kathryn Retzer, cujas mães usam tamanhos maiores e frequentemente encontravam dificuldade para encontrar roupas mais chiques.

“Nós fomos inflexíveis quanto à necessidade de criar uma marca de luxo e quisemos os melhores estilistas, como Michael Kors, Zac Posen, Badgley Mischka, Monique Lhuillier e Prabal Gurung”, explicou Kathryn.

Outros empreendedores se concentram em roupa íntima. Deborah A. Christel deixou seu emprego de professora na Universidade do Estado de Washington para abrir uma empresa que abrange todos os sites de lingerie.

Deborah Christel informou que sua empresa, Kade & Vos, começará as vendas no próximo verão. “Minha esperança é que, um dia, as roupas femininas sejam apenas femininas, sem referência a tamanhos plus-size”, disse. [Ellen Rosen]

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