Caroline Vreeland causa com decote em desfile e manda mensagem sobre amor-próprio

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Caroline Vreeland (Foto: Reprodução/Instagram)

Neta da icônica editora de moda Diana Vreeland, Caroline Vreeland apostou em um decotado vestido para assistir ao desfile da Versace na sexta (23) e deixou em evidência o poderoso colo.

A influencer aproveitou um clique do look para mandar uma mensagem positiva no Instagram: “este é meu corpo, eu nasci com ele e tenho orgulho dele. Qualquer pessoa que te fizer sentir menos do que incrível sobre você mesmo deveria se f*der”, escreveu.

Filme experimental “Touch Me Not” com nudez explícita vence Festival de Berlim

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Touch Me Not

Título mais experimental desta edição do Festival de Berlim, “Touch Me Not”, da romena Adina Pintilie, foi o vencedor do Urso de Ouro, maior prêmio da mostra alemã.

Na fronteira borrada entre ficção e documentário, escalando atores e não-atores, a obra carregada de nudez explícita se propõe a fazer um ensaio sobre a intimidade. O filme também ganhou o prêmio de melhor estreia de uma diretora.

Coprodução com o Brasil e outros países, “Las Herederas”, do paraguaio Marcelo Martinessi, levou dois troféus: melhor atriz, para Ana Brun, e o de contribuição artística. A obra, que só tem mulheres no elenco, trata de um aristocrata (Brun), que ensaia se reconectar ao mundo exterior após a sua companheira ir presa.

Os prêmios foram entregues neste sábado (24), numa cerimônia que teve o cineasta alemão Tom Tykwer como presidente do júri. Com Cannes e Veneza, o Festival de Berlim completa a tríade das mostras mais importantes de cinema do calendário.

O Grande Prêmio do Júri, segundo mais importante do festival, foi para “Mug”, da polonesa Malgorzata Szumowska, que cavouca a influência de certo provincianismo católico em seu país. Ela, que já havia levado o prêmio de direção em Berlim em 2015, por “Body”, comemorou o fato de ser uma cineasta mulher.

Wes Anderson levou o Urso de Prata de melhor direção pela animação “Ilha de Cachorros”, aventura sobre um garoto japonês que sai em busca de seu cão, levado a uma ilha-lixão.

Murray, que dubla um dos personagens, aceitou o prêmio no lugar do diretor e brincou: “não imaginava que chegaria a Berlim como um cachorro e voltaria com um urso.”

O francês Anthony Bajon, que vive um ex-dependente de drogas que procura superar o vício numa instituição católica em “La Prière”, levou o prêmio de ator.

“Museo”, filme mexicano que reconta com tintas pop o furto a peças do Museu de Antropologia, levou o Urso de Prata de melhor roteiro. A obra tem Gael García Bernal como o idealizador do crime, sujeito que não mede exatamente as consequências de seu ato.

O prêmio de contribuição artística foi para a direção de arte e para o figurino de “Dovlatov”, filme russo sobre a luta de um escritor que luta por escrever obras autorias, e não loas ao homem soviético, como lhe sugerem.

Outros Prêmios
A menção especial para melhor estreia foi para “An Elephant Sitting Still”, do chinês Hu Bo, que se matou em 2017, aos 29 anos.

Na categoria de curtas, o Urso de Ouro foi para “The Men Behind The Wall”, obra de Ines Moldavsky que fala de empoderamento feminino no contexto de Israel e da Palestina. Ficou em segundo lugar “Imfura”, do ruandês Samuel Ishimwe, sobre a jornada de um joivem ao vilarejo de sua mãe. Em terceiro, a animação “Solar Walk”, da dinamarquesa Réka Bucsi.

O austríaco “Waldheims Walzer”, de Ruth Beckermann, levou o prêmio de melhor documentário, por sua investigação sobre a figura de Kurt Waldheim, ex-secretário-geral da ONU que teve envolvimento pretérito com o nazismo.

Brasil Premiado
“Ex-Pajé”, filme do paulista Luiz Bolognesi sobre as tensões religiosas e econômicas que ameaçam a etnia do povo indígena paiter suruí, ganhou a menção especial entre os documentários do festival.

Vencedor do prêmio de melhor atriz e de contribuição artística, “Las Herederas” também levou o prêmio de melhor filme segundo a crítica. A obra, dirigida pelo paraguaio Marcelo Martinessi, é uma coprodução com cinco países, incluindo o Brasil.

Fora da competição principal, produções brasileiras também faturaram alguns dos principais prêmios dos júris independentes.

O país foi o maior vencedor do prêmio Teddy, voltado a filmes com temática LGBT na programação berlinense. “Tinta Bruta”, da dupla gaúcha Marcio Reolon e Filipe Matzenbacher, levou por melhor ficção, e “Bixa Travesty”, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, foi eleito o melhor documentário.

O longa gaúcho, que também ganhou prêmio da confederação dos cinemas de filmes de arte, trata de um jovem que se pinta com tintas fluorescentes no escuro de seu quarto e dança para anônimos da internet.

“Bixa Travesty” acompanha as apresentações e divagações da cantora travesti paulista Linn da Quebrada e sua defesa da politização do corpo.

Já o cearense Karim Aïnouz, que exibiu “Aeroporto Central” na seção Panorama, levou o prêmio da Anistia Internacional, concedido a obras que abordem o tema dos direitos humanos. O filme mostra o cotidiano de refugiados abrigados num aeroporto desativado da capital alemã.

Tanto Aïnouz quanto a equipe de “Tinta Bruta” aproveitaram a premiação para tecer críticas à situação política brasileira. O diretor cearense leu um texto-manifesto contra o “golpe legislativo contra a primeira mulher eleita presidente” e um “Judiciário que condena sem provas”.

“O Processo”, da brasiliense Maria Augusta Ramos, ficou em terceiro lugar com o prêmio do público de melhor documentário da seção Panorama por seu retrato dos bastidores do impeachment de Dilma.

No alto, cena de “Touch Me Not”, vencedor do Urso de Ouro, em Berlim.

Leia mais sobre o Festival de Berlim aqui.

Mark Millar acredita que as crianças não se identificam com os heróis da DC no cinema

Autor comparou desenvolvimento de Marvel e DC nas telas

liga-da-justiça jpge.jpgFalando ao CBRMark Millar deu sua opinião sobre o desempenho de Marvel e DC no cinema. O autor acredita que o segundo estúdio não foca na parte humana dos personagens:

“Falo isso como um grande fã da DC, que prefere seus personagens aos da Marvel. Superman, Batman e Mulher-Maravilha são meus favoritos, mas acho que esses personagens, com exceção do Batman, eles não são baseados em suas identidades secretas. Eles são baseados em seus poderes. Considerando que os  personagens da Marvel tendem a ser baseados nas personalidades, como Matt Murdock, Peter Parker ou cada um em X-Men, tudo é sobre os personagens”.

“As pessoas vão reclamar comigo por isso, mas acho que a evidência está aí. Vimos grandes diretores, grandes roteiristas e grandes atores, toneladas de dinheiro com eles, mas os filmes da DC não estão funcionando. Acho que eles [heróis] estão muito distantes de quando foram criados. Algo parece meio velho sobre eles, as crianças olham para esses personagens e não acham eles legais. Até o Superman – que eu amo – mas ele pertence à uma América que não existe mais. Ele representa a América do século 20 e acho que ele teve seu ápice ali”.

Recentemente, Joss Whedon, que ajudou a finalizar Liga da Justiça, deixou o projeto do filme da Batgirl. O diretor afirmou que não encontrou uma história para o longa. [Camila Sousa]

Bloodshot eyes: o batom vermelho domina a maquiagem da boca aos olhos

Acabe com supostas regras da beauté e pinte dos lábios aos olhos com tons de vermelho
Por Anita Porfirio (@NITAFP)

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Bloodshot eyes (Foto: Bruno Juminer)

Deixe as regras de maquiagem de lado, perca seus medos e permita-se ousar com um look monocromático todo baseado nos batons em tons de vermelho. Dos tradicionais lábios encarnados aos polêmicos olhos coloridos em tom de sangue, não há limites para o que apenas um produto pode criar.

Inspire-se no editorial assinado por Fanny Maurer, maquiadora oficial da Clarins, que explica sua inspiração “quis criar algo artístico com texturas diferentes de batons. Usei cremosos, acetinados e matte e tirei minha inspiração das cores das pinturas do Louvre, principalmente. Eu adoro essa mistura de tons amarronzados, avermelhados e nude. Minhas referências também vêm da Cacharel e de Kenzo Takada dos anos 70. Eu queria muito mostrar como é possível usar apenas um tipo de produto para criar looks diferentes.”

Fotografia: Bruno Juminer (C’est la vie) com assistência de Benoit Frenette
Modelo: Hannare Blaauboer (Marilyn Paris)
Accessórios: Cécile Zeitoun
Cabelo: Karine Belly (Backstage)
Make: Fanny Maurer para Clarins Paris (Backstage)

Pelos pubianos na passarela!

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As modelos da Karmin desfilaram com perucas que imitavam pelos pubianos

A marca Kaimin, que já fez roupas pra Lady Gaga e Björk, colocou um acessório inusitado na passarela da Semana de Moda de NY: perucas que imitam pelos pubianos de vários tamanhos e estilos. Também conhecidas como merkins, elas surgiram por volta de 1600 e eram usadas por prostitutas pra se prevenirem de doenças sexualmente transmissíveis ou disfarçarem algum possível sintoma. E você provavelmente já deve ter visto uma sem perceber: elas são freqüentemente usadas em filmes e programas de TV.

“Kaimin escolheu representar a diversidade, a singularidade e a aceitação da individualidade com a vagina humana” disse a estilista sul-coreana à frente da etiqueta. Vale lembrar que Thom Browne fez algo parecido no seu desfile de outono-inverno 2013.

A Maldição da Beleza

É problemática a exigência de que a visão dos corpos, do feminino, das mulheres satisfizesse em outras eras as exigências da correção política atual.

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John William Waterhouse – Hylas and the Nymphs – Manchester Art Gallery 1896

Em fins de janeiro deste ano, o museu de Manchester, no interior da Inglaterra, mandou retirar de sua exposição permanente o quadro “Hilas e as Ninfas”, de 1896, de autoria de John William Waterhouse (1849 – 1917). Além do quadro propriamente dito, os souvenires inspirados na pintura também sumiram da loja do museu. A decisão, segundo curadores, era suscitar o debate sobre a objetificação do corpo feminino na arte e na exposição permanente do espaço. Na parede onde antes ficava a obra, foi fixado um texto explicando ao público os motivos da desaparição. O público foi estimulado a expressar sua opinião em post-its, a serem fixados no mesmo local. A retirada de uma das obras mais emblemáticas do acervo provocou, de fato, rápidas e loquazes manifestações. As declarações dos visitantes, bem como dos internautas nas redes sociais ficaram bem divididas: alguns afirmaram que retirar a obra significa abrir um precedente perigoso, pela rendição à tendência de se apagar ou censurar a produção visual do passado; outros elogiaram a decisão por considerá-la politicamente correta.

Segundo a equipe do museu, a retirada seria temporária. Tanto o desaparecimento da obra quanto as reações do público seriam registradas pela artista contemporânea Sonya Boyce em uma obra que integraria uma próxima exposição. Contudo, o repúdio do público intensificou-se tanto na esfera local quanto na internacional, e o quadro acabou retornando a seu local de origem após apenas sete dias, bem antes do prazo programado. A curadora Clare Gannaway defendeu o projeto afirmando que, no período em que a obra fora produzida, “as personagens femininas aparecem como objetos passivos e decorativos ou como mulheres fatais.”

Todo esse alvoroço aguçou meu desejo de refletir mais sobre a referida pintura e seu autor e sobre as visões do feminino na arte do período, para tentar entender como uma produção de mais de cem anos pode se tornar objeto de tamanho debate nos dias atuais.

Comecemos pelo autor da obra. Afinal, quem foi Waterhouse? Nascido em Roma em 1849, filho de artistas ingleses, foi para Londres em 1853. Ingressou na Academia Real Inglesa em 1871, formando-se em 1888, época em que já estava produzindo ativamente. Continuou pintando até 1915, quando um câncer o obrigou a abandonar o trabalho. Em 2 de fevereiro de 1917, um dia após seu falecimento, uma nota no jornal Times de Londres o descreveu nos seguintes termos: “Este pintor pré-rafaelita pintava de uma maneira moderna.”

A Irmandade Pré-Rafaelita foi fundada em 1848 por três artistas: Dante Gabriel Rossetti, John Everett Millais e William Holman Hunt. O grupo iria influenciar a pintura inglesa de toda segunda metade do século XIX. O nome indicava uma oposição à arte inspirada no modelo clássico do Renascimento, personificada na figura do pintor italiano Rafael de Sanzio (1483 – 1520), que exaltava as formas perfeitas. Esse era o modelo seguido pela academia de arte inglesa. Tomando a corrente contrária, o grupo pretendia explorar, entre outros temas, o romance medieval e mesmo temas míticos, mas de maneira diferente do que acontecia na arte tradicional. O grupo oferecia aos novos artistas uma direção alternativa à arte acadêmica da época, e Waterhouse sucumbiu a esse apelo.

A confraria pré-rafaelita se dissolveu em 1862, mas seus protagonistas tiveram carreiras longevas. Seguiram produzindo e formando novos artistas com tendências semelhantes. Além da exploração de temas cavalheirescos, o espírito pré-rafaelita primava pela precisão no traço e a atenção aos detalhes. Waterhouse embebeu-se desse espírito, mas também foi influenciado pelas paisagens de pinceladas fluídas dos Impressionistas franceses e os temas carregados de simbologias obscuras do movimento Simbolista, também francês. Em suma, observou as transformações na arte do mundo ao seu redor e, a partir disso, desenvolveu um estilo único.

Na década de 1880, Waterhouse tornou-se conhecido como “o pintor das feiticeiras”. Isso, por haver transformado as mulheres no tema principal de suas pinturas. Em sua obra, abundaram, de fato, as criaturas mágicas – mas havia também mulheres de outros tipos. Suas figuras femininas eram inspiradas em personagens literárias medievais ou da antiguidade greco-romana; nesse sentido, a literatura inglesa da segunda metade do século XIX teve grande influência sobre as escolhas artísticas de Waterhouse e dos demais pintores pré-rafaelitas. Na primeira metade do século, a figura literária dominante era masculina: os heróis byronianos, libertinos, sedutores, rebelados contra a autoridade divina. Na segunda metade, ocorre a ascensão da mulher fatal, às vezes anjo luminoso, às vezes demônio crepuscular. Nesse contexto, os artistas pré-rafaelitas, situados entre o romantismo e o movimento decadentista do fim de século, haverão de criar uma imagem ambivalente da feminilidade.

Waterhouse representou uma mulher multifacetada, que podia desempenhar diferentes papéis. Em suas telas, encontramos heroínas, mártires, santas e bruxas. Isso é notável se pensarmos no contexto em que produziu suas obras: a era Vitoriana (reinado da Rainha Vitória, de 1837 a 1901) e a era Eduardiana (reinado de Eduardo VII, de 1901 a 1910). Foi nesse período que as mulheres inglesas iniciaram sua luta por igualdade social, como, por exemplo, o movimento das sufragistas, que data de 1897. Por outro lado, foi também um período de repressão contra a sexualidade feminina. Waterhouse mostra-se sensível a essas questões ao escolher figuras femininas como protagonistas e, muitas vezes, únicas personagens em suas telas. As mulheres de Waterhouse são poderosas, feiticeiras que comandam os acontecimentos, ou figuras livres, que exibem sua própria nudez sem pruridos.

Um dos motivos da recente polêmica em torno à tela “Hilas e as Ninfas” é a representação de um grupo de jovens nuas. A questão do nu, por sinal, estava no coração do debate artístico inglês na segunda metade do século XIX. Antes disso, na arte britânica, o nu era tido como um gênero menor, até mesmo vulgar. É por volta de 1850 que os críticos de arte reconhecem a ausência do nu como uma carência na tradição acadêmica do país; surge então a ideia do nu inglês. A Inglaterra desse período cria seu estilo de nu a partir da união entre três vertentes: o idealismo limpo do neoclassicismo francês, a volúpia dos nus italianos (principalmente venezianos) e o realismo inglês. Dessa maneira, os pintores ingleses produziram a imagem enigmática e sedutora, vulnerável e independente da mulher vitoriana. Sobre o véu literário e mitológico, haverá de esconder-se uma sensualidade bastante subversiva.

Nas telas de Waterhouse, assim como em outros pintores pré-rafaelitas, a Antiguidade não é a dos grandes deuses do Olimpo, nem dos músculos modelados sob as vestes. O que interessa é a sensualidade das pequenas figuras, principalmente as femininas. Um exemplo é o próprio episódio que inspirou a tela “Hilas e as Ninfas”. Hilas tornou-se escudeiro do semideus Herácles ‒ ou Hércules ‒ após ser poupado por ele em uma batalha. Héracles encantou-se pela beleza do rapaz, e juntos embarcaram na expedição dos Argonautas. Em uma parada na ilha de Mísia, Hilas foi apanhar água junto à fonte Pegea, onde vivia um grupo de náiades (ninfas dos lagos e das fontes). Encantadas pela beleza do jovem, as ninfas o atraíram para dentro das águas e fizeram com que se afogasse; em outra versão, conferiram-lhe vida eterna e permitiram que morasse para sempre na fonte, junto delas. O fato é que Hilas nunca mais foi visto; Héracles pôs-se a procurar seu efebo pela ilha e perdeu a partida do navio Argos. O quadro de Waterhouse revela o instante mesmo em que Hilas sucumbe às ninfas e sela seu destino. É uma espécie de maldição da beleza: nesse caso, a beleza de Hilas, que desperta a cobiça das ninfas e o leva ao fim trágico. Ou seja: aqui, ironicamente, quem parece ser o objeto do desejo é o homem, e não as moças. Na pintura, o transbordamento amoroso e o êxtase são sugeridos de forma controlada, e a nudez dialoga com o tema: é principalmente nos olhares incisivos e nos gestos contidos que a sedução acontece.

A cena se desenvolve num ambiente natural com densa vegetação, onde se destacam os corpos nus das ninfas e seus olhares, que demonstram perfeitamente o poder de atração. Numa época de repressão sexual feminina, mulheres nuas, que conduzem os acontecimentos, não deixam de representar uma certa transgressão. A natureza selvagem em torno aos personagens é outro subterfúgio para sugerir aquilo que não pode ser dito explicitamente. O jogo de cores intensas na paisagem revela a pulsação amorosa. Assim, a natureza encarna a faceta da sensualidade irreprimida e florescente.

Será possível julgar o passado de forma definitiva com os olhos do presente? Por um lado, é inegável que o presente está permeado de passado; mas também existe uma distância e um contexto diverso. É problemática a exigência de que a visão dos corpos, do feminino, das mulheres satisfizesse, na era vitoriana, todas as exigências da correção política atual. Como tentei demonstrar, na verdade, há um tipo de transgressão em afrontar uma época cerceadora com a imagem de um corpo feminino nu e naturalizado; há uma homenagem em colocar-se a mulher como feiticeira, quando as ideias de igualdade entre os sexos incendeiam mentes e levam bandeiras para as ruas. Contudo, hoje, parece que o passado sempre ‒ e somente ‒ pecou; há o perigo da distorção, de vermos apenas o que desejamos ver nas imagens que nos chegam de outras eras. Parece tentador apontar apenas os erros do passado, mas isso pode levar a interpretações dúbias, ao apagamento de comportamentos sobre os quais podemos, sim, refletir e formar uma opinião crítica; o problema é o desejo de silenciar. O episódio de “Hilas e as Ninfas” demonstra a potência das imagens que, ao atravessar os tempos, chegam a nossa contemporaneidade para gerar novas, profundas e às vezes bastante complexas reflexões.

Laura Ferrazza é doutora doutora em História da Arte pela Sorbonne/PUCRS e pesquisadora do PPG de História da UFRGS

Série ‘This Close’ com deficientes auditivos é sucesso nos EUA

LOS ANGELES — A necessidade de aumentar a diversidade em Hollywood é um tema popular da atualidade. Mas há pelo menos um grupo que não costuma ser incluído no debate.

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Josh Feldman e Shoshannah Stern são os criadores e astros de “This Close”, a respeito de dois amigos surdos. (Emily Berl para The New York Times)

“Tivemos alguns personagens surdos na televisão, mas, em geral, eles estão ali para que os personagens principais possam aprender algo com eles”, disse Josh Feldman. “Em seguida, o personagem com deficiência auditiva é devolvido às sombras”.

Ele disse isso com as mãos. Sentados num confortável café, ele e sua colega roteirista Shoshannah Stern desenhavam formas no ar para contar histórias animadas, uma troca intensa de sinais entre eles e seus dois intérpretes, do outro lado da mesa.

Foi nesse café que a dupla criou uma série cômica para a web a respeito de dois melhores amigos com deficiência auditiva, parecidos com eles, morando em Los Angeles. Três anos mais tarde, voltaram para conversar a respeito do programa de TV que resultou daquele projeto: “This Close”, que estreou no dia 14 de fevereiro na Sundance Now, plataforma de streaming da SundanceTV.

Criado, escrito e estrelado por Shoshannah e Feldman, o programa acompanha dois amigos surdos em Los Angeles. Mas a deficiência auditiva dos personagens aparece apenas como um detalhe numa efervescente comédia dramática a respeito da amizade, romance, sexo e ambição.

O programa de seis episódios é uma adaptação de “Fridays”, a série de Shoshannah e Feldman para a web que impressionou o Sundance a ponto de o canal tomar a decisão de fazer de “This Close” a oferta de estreia para seu novo serviço de streaming digital.

“Pensei, será que já vi algum programa no qual os personagens são surdos, sem que isso os defina?”, disse Jan Diedrichsen, diretor-geral do Sundance Now. “Esta me pareceu ser uma visão completa de uma vida da qual a deficiência auditiva é apenas uma parte”.

Muito do material visto em “This Close” é universal: romances florescem e desabam, parentes criam palpitações emocionais. Mas algumas das histórias gravitam naturalmente em torno de vivências específicas da surdez, como uma cena assustadora (baseada em algo que realmente aconteceu com o irmão de Shoshannah) na qual um Michael bêbado, interpretado por Feldman, é tirado de um voo, completamente confuso e incapaz de se comunicar com a polícia do aeroporto.

No centro do programa está Kate, interpretada por Shoshannah, e a amizade de mútua dependência com Michael, que às vezes deixa os personagens sem deficiência se sentindo excluídos. “Fizemos muitas tomadas duplas nas quais vemos Josh e Shoshannah cantando juntos”, contou o diretor Andrew Ahn, que ajudou a desenvolver a ideia do programa. “Isso nos dá a sensação de que eles vivem numa bolha própria”.

Ator novato, Feldman não achou graça ao saber que teria de tirar a roupa para uma cena gráfica de sexo grupal num dos episódios. “Eu sabia que tinha de fazê-lo, e não queria que fosse um sexo motivacional ou terno”, disse ele, explicando que “queria uma cena mais sombria” para garantir que os personagens não fossem confundidos com modelos idealizados de comportamento.

“Não queremos transmitir a ideia de estarmos educando a comunidade a respeito de como representar deficientes auditivos como nós”, explicou. “Queremos apenas contar uma história a respeito de duas pessoas que são surdas”. [Joy Press]

Azul profundo: a nova cor-desejo no make

Desfilada no fim do ano, a coleção Métiers d’Art, da Chanel, é uma ode ao universo portuário de Hamburgo, na Alemanha. Aprenda a fazer o make cool, inspirado nas cores do mar, que deve virar hit

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O tom escuro combina com todas as cores de pele (Foto: Divulgação)

O make clássico, que combina olhos esfumados boca nude, ganhou nuances mais interessantes no último desfile da Chanel, em dezembro, na Alemanha. A apresentação da coleção Métiers d’Art Paris-Hamburgo, que valoriza os ateliês responsáveis por todo o trabalho artesanal da marca francesa, trouxe modelos que vestiam looks inspirados nos uniformes dos marinheiros alemães. Nos olhos, tons de azul faziam alusão ao fundo do mar e devem ganhar as ruas para variar o pretinho básico do olho-tudo boca-nada que as brasileiras adoram. Quem quiser investir na tendência deve concentrar o pigmento no centro das pálpebras e, em seguida, esfumar a sombra delicadamente além do côncavo. Para isso, use um pincel fofo. Com a mesma ferramenta, é só levar a sombra em direção às extremidades das sobrancelhas. Para completar, camadas generosas de máscara preta nos cílios são bem-vindas. Na boca, experimente cobrir a textura aveludada do seu batom nude favorito com o acabamento brilhante. Apesar de azul na embalagem, o gloss usado no backstage da Chanel ficava transparente nos lábios. Divertido! [Marie Claire]

– Máscara Dimensions Nero Metallo (R$ 190), pincel retrátil para os olhos (R$ 250) , lápis à prova d’água para sobrancelhas (R$ 175) e Gloss Rouge Coco Aphrodite, disponível no Brasil em março

Numéro Março 2018 Anyelina Chez by Markn

gPhotography: Markn. Fashion Editor: Irina Marie. Hair: Gilles Degivry. Makeup: Lloyd Simmonds. Model: Anyelina Chez.