A pele negra também importa no mercado de beleza

Novos produtos e marcas estão sendo lançados e provam que o mundo beauté está começando a mudar.

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 (Colagem: Victor Magalhães/ELLE)

Imagine entrar numa loja de maquiagem e não encontrar uma base no seu tom. “Tudo bem”, você pensa, se encaminhando para a próxima. Cinco tentativas depois, você conclui que o produto ideal para seu rosto, o alicerce de sua rotina de beleza, ainda não foi inventado. Parece um pesadelo de beauté, mas é o que muitas mulheres negras vivenciam ao buscar uma cobertura que contemple suas especificidades. “Para algumas mulheres, encontrar a base certa é emocionante”, conta Daniele Damata à ELLE.

Depois de dez anos desenvolvendo cosméticos, ela se tornou maquiadora e criou a escola itinerante Damata Makeup, que proporciona o empoderamento por meio da make. “Quando falamos em representatividade, isso significa sentir que todas as suas necessidades estão sendo ouvidas e respeitadas e que você faz parte de um todo. Não tem só a ver com o tom de pele da modelo do anúncio”, descreve.

O sucesso da Fenty Beautya marca de maquiagem de Rihanna, lançada no segundo semestre do ano passado, veio como um indicativo de mudança. “Quando vi que iriam lançar 40 tons de base, chorei. É o sinal de que tudo pode mudar antes do que imaginamos”, continua Daniele. Para ela, o grande avanço é que a marca apresentou a diversidade de tons, devidamente refletida em sua campanha, que tinha nomes como Slick WoodsDuckie Thot e Leomie Anderson.

Apesar disso, a maquiadora acredita que ainda é preciso pesquisa e investimento para que mulheres negras brasileiras sejam contempladas na prateleira das perfumarias. “Aqui falta a pesquisa sobre subtons para que mulheres com a pele mais escura encontrem os produtos perfeitos.”

Acertar a cor da base é primordial para não criar efeitos como o da pele acinzentada – culpa, segundo o maquiador oficial da Natura, Marcos Costa, do uso de um produto claro demais. “Não é difícil ou diferente maquiar uma pele negra. Isso é um mito! Basta respeitar as diferenças”, diz ele.

Assim como a Natura, outras marcas brasileiras têm aumentado o portfólio de makes para os tons de pele negra, casos da Quem Disse, Berenice? e da Eudora. Já a Vult, além de bases e corretivos, lançou recentemente uma linha de esmaltes nude que não se restringem ao bege. “Além de marcas de nicho e estrangeiras, é uma importante conquista quando grandes empresas fazem lançamentos que contemplem as peles negras”, acredita Daniele.

De acordo com a pesquisa African American Women: Our Science, Her Magic, feita pela Nielsen este ano, as mulheres negras norte-americanas terão um poder de compra recorde em 2021: 1,5 trilhão de dólares. Uma pesquisa feita em 2013 mostrava que o valor investido em cosméticos por elas é 80% maior do que o de outras consumidoras.

Mesmo assim, o mercado de maquiagem ainda não está no mesmo patamar do de cabelos, que hoje atende as demandas dos fios afro. “As marcas precisam ouvir de verdade o furor da internet!”, diz Daniele. Segundo ela, isso também abre espaço para pensarmos sobre a beleza como algo muito além da estética. “A maquiagem é um caminho para que possamos conversar sobre outras coisas. Colorismoracismoempoderamento e representatividade são só o começo.” [Julia Mello]

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