Truque no look: ponto de cor

Um estilo mais brilhante de forma fácil, fácil.

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 (Fotosite/Agência Fotosite)

Que os looks monocromáticos e espalhafatosos não me ouçam, mas algo especial acontece no nosso estilo quando decidimos escolher um ponto de cor para o look. Pode ser uma bolsa, um sapato ou até mesmo um detalhe — como uma manga colorida ou um lenço espalhafatoso, que saem do papel de coadjuvantes para tornarem-se personagens.

Como não gostar dessa dica, já que ela nos ajuda até mesmo a aproveitar um elemento que estava no fundo do armário?! Veja como ela pode fazer toda a diferença:

Passo a passo para aplicar batom líquido com perfeição

Opção é de fácil aplicação e garante textura confortável para os lábios
Por Fernanda Morelli

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 (Makidotvn/ThinkStock)

batom líquido é uma opção fácil de aplicar, que garante textura confortável para os lábios e ganhou fama por durar mais que os outros. Além de ser uma maquiagem muito versátil, as cores ficam vivas nos lábios e a mistura de tons é ainda mais delicada.

Confira o passo a passo que vai deixar a cobertura do seu batom líquido impecável:


Nas prateleiras

Metalizado, mate, cremoso ou brilhantante? Escolha o seu!

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1.Topázio Imperial, Phebo, R$ 58*

2. Amoril, Quem Disse, Berenice?, R$ 38*

3. Red’y in 5 Matte Shaker, Lancôme, R$ 129*

4. Nude Glow, Faces, Natura, R$ 17*

*Preço pesquisado em fevereiro/2018. Sujeito à alteração.

Modelo Winnie Harlow pede que imprensa pare de falar que ela sofre de vitiligo

“Não sou uma sofredora. Não sou uma ‘modelo com vitiligo’. Sou Winnie. Uma modelo”, diz top

Winnie Harlow.jpgA modelo Winnie Harlow, 23 anos, destaca-se por sua lição de autoestima e aceitação com o corpo. Recentemente, a canadense deu mais um exemplo de sensibilidade sobre o assunto ao pedir que a mídia pare de se referir a ela como alguém que “sofre” de vitiligo.

“Não sou uma sofredora. Não sou uma ‘modelo com vitiligo’. Sou Winnie. Uma modelo. E acontece que eu tenho vitiligo. Parem de colocar esses títulos em mim ou em qualquer pessoa. Eu não estou sofrendo”, escreveu em publicação compartilhada em seu perfil no Instagram.

Na rede social, a modelo publicou junto à mensagem uma foto do tabloide Evening Standard em que é chamada de “vítima de vitiligo”.

Ela conclui: “Estou cansada de ver manchetes ‘Sofre de vitiligo’. Vocês me veem sofrendo? A única coisa com a qual eu sofro é com as manchetes e mentes fechadas de humanos que têm padrões de beleza presos a suas cabeças quando há vários padrões.” [Maria Beatriz Melero]

Lais Ribeiro posa poderosa para a Victoria’s Secret

x036_S18_BRA_218_GO_LR_174_e6787229.jpg.pagespeed.ic.SUVvtmF-6pLais Ribeiro volta a brilhar numa sessão de fotos da Victoria’s Secret. A angel, natural do Piauí, surge poderosa nas imagens, mostrando que não usou o Fantasy Bra, um sutiã avaliado em milhões de dólares, à toa | Divulgação
x005_H17_PTY_119_LR_018_e6617557.jpg.pagespeed.ic.WT91IFTOyuEntrevista à ELA, Lais já revelou que fotos de topless é um problema pela dificuldade de esconder os seios | Divulgação
x022_F17_PTY_061_LR_005_e5299694.jpg.pagespeed.ic.Vn0RO2ibUzLais diz que nunca fez plástica (e que não tem silicone): “Para as outras angels é simples cobrir os seios, mas eu fico toda desengonçada tentando esconder a situação com um braço. As pessoas acham que tenho silicone ou que o volume é truque no sutiã. Mas nunca fiz cirurgia plástica, graças ao meu bom Deus”
x008_H17_PTY_118_LR_078_e5983266.jpg.pagespeed.ic.BI1ibr5RMz“Não me achava sexy antes de me mudar para Nova York. Em Miguel Alves (cidade natal da modelo), magreza não era sinônimo de beleza. Nos Estados Unidos, com os elogios que recebi, mudei o meu pensamento”
x061_S18_PTY_141_LR_039_e6787248.jpg.pagespeed.ic.YOo-WIlJFjToda a exuberância de Lais Ribeiro
x061_S18_PTY_141_LR_054_e6708017.jpg.pagespeed.ic.78FuzNhpcqMais de Lais Ribeiro Divulgação
x003_S18_PTY_117_MH_067_e6996258.jpg.pagespeed.ic.hB902gfhPKAlém de Lais, a angel americana Martha Hunt também foi convocada pela marca de lingerie para a sessão de fotos
x003_S18_PTY_117_MH_078_e6761227.jpg.pagespeed.ic.ta5I-Qz4enA angel americana Martha Hunt
x032_S18_PTY_013_SS_058_e6187540.jpg.pagespeed.ic.sSZjGVtMl5A portuguesa Sara Sampaio também aparece no ensaio
x032_S18_PTY_013_SS_051_e6187890.jpg.pagespeed.ic.reWQJqXyG7A portuguesa Sara Sampaio

x046_S18_PTY_048_EH_042_e6218638.jpg.pagespeed.ic.aWzQHJDuruA sueca Elsa Hosk, o anjo que veio do frio

x046_S18_PTY_048_EH_038_e6219006.jpg.pagespeed.ic.Z8i4tF-zmDA sueca Elsa Hosk

x071_S18_BRA_102_JS_034_e6218355.jpg.pagespeed.ic.iB80fc-PDpA dinamarquesa Josephine Skriver

Livros fazem passeio arquitetônico pelo centro de São Paulo

Lançamentos trazem a história dos edifícios, estudo da obra do arquiteto Adolf Franz Heep e ensaio fotográfico de Juan Esteves

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Fachada do Hotel Marian, projeto de 1941 por Vladimir Vessan e Lucjan Korngold Foto: Alex Silva/Estadão

O acervo arquitetônico do centro de São Paulo inventariado em três livros recentemente lançados surpreende até mesmo os iniciados no assunto. Dois deles, publicados pela editora Monolito, são essenciais para reavaliar a importância de projetos modernos que marcaram definitivamente a feição da metrópole: Arquitetura do Centro de São Paulo e Adolf Franz Heep: Um Arquiteto Moderno. Um terceiro, Campos Elíseos – História e Imagens, com um ensaio fotográfico de Juan Esteves e texto de Antonio Carlos Suster Abdalla (Cult Arte/Instituto Porto Seguro), concentra-se no passado da cidade, num bairro que ainda preserva edificações do período pré-modernista e testemunhou a verticalização do centro.

Sendo o principal espaço simbólico da cidade, como acentua no primeiro livro Philip Yang, presidente do Urbem, o centro histórico experimenta uma nova tentativa de revitalização, tentando superar os inúmeros problemas decorrentes da moderna experiência urbana – da violência à degradação ambiental. Houve, porém, uma época em que entraram na arena arquitetos dispostos a criar uma cidade mais humana e bonita. O nome do arquiteto Adolf Franz Heep, cuja obra é estudada no livro de Marcelo Barbosa, é apenas um deles.

Heep é um nome associado a projetos gigantescos como os do edifício Itália (1953). A exemplo dele, outros arquitetos referenciais como Oswaldo Bratke, Rino Levi, Vital Brazil, Vilanova Artigas, Jacques Pilon, Artacho Jurado, Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha são estudados em Arquitetura do Centro de São Paulo, talvez o mais ambicioso levantamento do acervo arquitetônico da metrópole publicado até o momento.

Seus autores não evitam temas polêmicos, como a introdução no centro de exemplos da arquitetura fascista – sendo o mais notável a sede da Prefeitura, o edifício Matarazzo, projetado pelo italiano Marcello Piacentini, o predileto do ditador Mussolini. Lembram que modernistas como o escritor Mário de Andrade consideravam o prédio um “tumor fascista” – o projeto é dos anos 1930, mesma década em que começou a ser construído um dos mais belos edifícios do centro, o Esther (1936), assinado por Vital Brazil. Na época de sua inauguração (1938), o Esther foi recebido com estranheza pelos moradores da cidade, ainda tentando se recuperar do susto modernista provocado pelas casas de Warchavchik e Flávio de Carvalho.

Janelas horizontais e o teto-jardim, observam os autores de Arquitetura do Centro de São Paulo, foram apenas duas inovações introduzidas por um jovem Vital Brazil (25 anos) no Esther, a joia arquitetônica da Praça da República, coração do centro onde também está localizado o Hotel Excelsior projetado por Rino Levi, um dos mais conhecidos entre os arquitetos estudados no livro. Ao lado do representante da escola paulista de arquitetura moderna, outro nome associado à renovação de São Paulo, o alemão Franz Heep, é analisado por meio de vários projetos assinados em parceria, sendo um dos mais conhecidos a antiga sede do Estadão.

Heep entrou no Brasil com passaporte falso, aos 45 anos, após passar pela França e trabalhar com Le Corbusier. No livro de Marcelo Barbosa, o autor conta que sua passagem pelo escritório do arquiteto suíço, naturalizado francês, foi traumática (seu nome foi apagado dos registros da empresa). Heep resistiu a tudo. Casado com uma checa de origem judaica (levada a um campo de concentração), foi preso na França, mas, ao chegar ao Brasil, sua sorte mudou. Em 1953, quando o edifício Itália nasceu, ao seu lado outro ícone arquitetônico foi concebido dois anos antes por Oscar Niemeyer.

Heep é festejado por outros belos projetos como os edifícios Lugano e Locarno (dois prédios gêmeos concebidos em 1958 e concluídos em 1962). Localizados na avenida Higienópolis, eles têm como diferencial as fachadas voltadas para uma praça interna, a pouca distância de um prédio também assinado por Heep em 1953, o Lausanne.

O conflito entre as formas modernas desses edifícios com a cidade real era enorme numa época (os anos 1950), em que o Brasil tentava se livrar de uma visão conservadora e do passado colonial, abraçando projetos arrojados, dos quais o Copan, projetado por Oscar Niemeyer em 1952, talvez seja o exemplo mais eloquente. Num ensaio escrito por Rodrigo Queiroz, a questão autoral é levantada para destacar a ousadia formal de Niemeyer ao optar pela lâmina curva que deriva nem tanto da ordem geométrica, mas do gesto, do “movimento da mão”, como frisa o arquiteto.

Da mesma época, mas não tão estudado, é o conjunto Cícero Prado (1953) do ucraniano Warchavchik (naturalizado brasileiro), o principal nome da primeira geração de modernistas do País. O livro Arquitetura do Centro de São Paulo, uma parceria do Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole (Urbem) e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP) com outras entidades, resgata, enfim, uma história que tem casos curiosos como o do arquiteto autodidata Artacho Jurado, filho de um anarquista que se tornou o realizador dos sonhos hollywoodianos da alta burguesia paulistana, ao assinar alguns dos edifícios mais disputados de Higienópolis (como o Cinderela).

O que Higienópolis significa hoje, Campos Elíseos representou no passado com suas ruas e alamedas que abrigam as casas da elite cafeeira, primeiro bairro aristocrático da cidade. Seu processo de degradação é analisado em Campos Elíseos – História e Imagens pelo crítico e curador Antonio Carlos Suster Abdalla não só como decorrente da omissão das administrações municipais e da “insaciável’ busca pelo novo. Abdalla tem uma ousada tese: os modernistas históricos, iconoclastas por vocação, “atacaram de forma virulenta manifestações arquitetônicas como a neoclássica, a art nouveau e a art déco.” O que restou disso: o estilo neocolonial. O fotógrafo Juan Esteves foi atrás daquilo que sobrou de belo nos Campos Elíseos, do Parque Savóia ao Palacete Momo, passando pelo Theatro São Pedro. Registrados em seu esplendor. [Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo]

Conheça o trabalho da designer nipo-brasileira Noemi Saga

Peças são produzidas a partir de mistura entre técnicas atuais e do passado

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A designer Noemi Saga, no ateliê de sua marca Foto: Marcos Cimardi/Divulgação

Integrante de uma equipe multidisciplinar de criação, a designer Noemi Saga nutria o desejo de criar seus próprios produtos. Até que, há cinco anos, convidou o arquiteto Fernando Ikeda para desenvolverem projetos conjuntos. Nascia assim a Noemi Saga Atelier. “Em nossos produtos, procuramos sempre combinar técnicas atuais com outras do passado, o que faz de cada um deles objeto único”, conforme afirmou a designer, nesta entrevista ao Casa. [Marcelo Lima]

Você se formou em Letras, trabalhou em um escritório de comunicação na área gráfica e estudou design de joias. Como e por que resolveu desenhar móveis? 
Sou formada em Letras e me especializei em design gráfico, de interiores e de joias, com extensão na Essec, Paris. Em 1999, fundei a Nomina Design, um escritório especializado em identidade de marca. Durante 14 anos na empresa, fiz parte de uma equipe multidisciplinar de arquitetos, designers e profissionais de marketing voltada para a construção de marcas, o planejamento de novos negócios e a criação de objetos e de ambientes corporativos e residenciais. Neste período, trabalhei muito na área de design de produtos, criando a partir de briefings das empresas. Assim, passei muitos anos criando para outras marcas, mas sempre alimentando o sonho de ter minha própria marca, até que em 2013 comecei a focar na criação de produtos autorais, abrindo tempo e espaço para esta área.

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Mesa Tepacê, com estrutura reproduzindo espinha de peixe Foto: Atelier Noemi Saga/Divulgação

Como as influências nipônica e brasileira aparecem nos seus trabalhos?
Este background se faz sentir, por um lado, no rigor do projeto e por outro, no caráter lúdico. Em comum, acredito que exista um componente poético, comum às s duas culturas. A mesa Tepacê foi inspirada na fauna brasileira. Tepacê na língua indígena significa espinha de peixe, e a estrutura da mesa reproduz essa forma. Já a cadeira Madeleine é carregada de saudosismo do Brasil dos anos de 1940 e 1950, um período rico na criação de mobiliário nacional.

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Cadeira nostálgica Madeleine, criação recente da marca Foto: Tomás Arthuzzi/Divulgação

Você tem obtido boas colocações em concursos. O quanto estas premiações têm ajudado a alavancar sua carreira de designer?
Em 2014, fomos premiados em 2º lugar no Museu da Casa Brasileira e terminamos finalistas no Prêmio Salão Design com o Biombo Conogó e, este ano, fui de novo finalista com a luminária Hermit. Ganhar um prêmio é gratificante pelo reconhecimento do nosso trabalho, mas, mais importante, é colaborar para mostrar ao mercado o valor do design brasileiro.

Mulher-Maravilha 2 | Divulgadas novas informações sobre a versão da Mulher-Leopardo no filme

Kristen Wiig deve viver a Dra. Barbara Ann Minerva

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Mulher-Maravilha e Mulher-Leopardo

O OmegaUnderground divulgou novos detalhes sobre a versão da Mulher-Leopardo que aparecerá em Mulher-Maravilha 2.

Segundo o site, Kristen Wiig deve viver a versão mais famosa da personagem, a Dra. Barbara Ann Minvera. Apresentada pela primeira vez em 1987, quando Len Wein e George Perez assinavam as HQs, a Dra. Barbara Ann Minerva é uma antropologista britânica e herdeira que ganha os poderes do Leopardo depois de uma expedição na cidade perdida de Uzkartagan. Como Mulher-Leopardo ela possui força e agilidade sobre-humanas, visão noturna aguçada e garras afiadas, capazes de penetrar facilmente carne ou pedra.

O site especula ainda que Minerva e Diana se conheceriam por conta do seu interesse em comum em antiguidades e que o personagem de Pedro Pascal pode ser Andres Caduldo, devoto de Uzkartagan que leva Minerva para o ritual que a transforma na Mulher-Leopardo. Outra opção para o personagem de Pascal seria o Dr. Tom Leavens, amigo e membro da expedição de Minerva pela selva africana.

Mulher-Maravilha 2 chega aos cinemas em 1º de novembro de 2019.

Cardi B está prestes a dominar o mundo

Ex-stripper, fenômeno da internet e estrela de reality show, a rapper chegou ao topo das paradas sem meias-palavras.

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Cardi B – 2018 Grammy Awards | Pre party

Há quase 20 anos, uma rapper não ocupava o primeiro lugar na parada da Billboard – a última havia sido Lauryn Hill, em 1998. No ano passado, Cardi B levou as mulheres ao topo novamente com sua Bodak Yellow, que o The New York Times chamou de o hino de rap do verão norte-americano. A faixa rendeu duas indicações ao Grammy, em janeiro: melhor canção e melhor performance (ambas em rap).

Belacalis Alamanzar, 25 anos, foi criada no Bronx, Nova York, onde era membro de uma gangue desde os 16. Três anos depois, passou a trabalhar como stripper, o que a ajudou a fugir da pobreza e de um relacionamento abusivo e a levou de volta à escola. “Nunca me envergonharia disso. Ganhei muito dinheiro, me diverti e aprendi sobre paixão, ambição e sobre como as pessoas e os homens são”, disse.

Cardi fez sucesso falando sem filtro de sexo a atualidades em vídeos no Instagram, o que lhe rendeu o convite para participar, entre 2015 e 2016, de Love & Hip Hop: New York, um reality show do VH1. Dali, caiu nas rimas, gravou duas mixtapes e no ano passado lançou Bodak Yellow, em que declara sua paixão por saltos Louboutin. A moda retribuiu: no mês passado, ela reinou na semana de moda nova-iorquina, na primeira fila de Prabal GurungJeremy Scott e Alexander Wang, depois de posar para a CR Fashion Book e i-D.

Com um look meio Nicki Minaj, uma rima com a força de Lil’ Kim e influenciada por nomões como Missy Elliott e Madonna, ela deve ainda ocupar o topo de muitas outras listas.[Bruna Bittencourt]

Zona ecológica na Noruega reúne projetos arquitetônicos experimentais

Distrito em Trondheim concentra jovens arquitetos, estudantes e artistas que constroem suas próprias casas e edifícios
Por Aline Takashima, Da Noruega

rake_photo_marius_waagardEm um desses dias de céu azul e frio intenso, típicos do fim do inverno na Noruega, andei uma curta distância em um distrito no centro de Trondheim. A área onde vivem 240 pessoas é um tanto peculiar e é diferente do resto do país. No jardim de infância construído numa loja de carros, encontrei duas ovelhas comendo capim e vi, pelas janelas amplas de vidro, um grupo de crianças lanchando em mesas redondas. No distrito também existem instalações de arte, grafites, casas sustentáveis construídas pelos próprios moradores e um senso de comunidade e pertencimento. Eu estou em Svartlamon, uma zona ecológica experimental – única no planejamento urbano na Noruega.

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O primeiro edifício do distrito se difere dos outros que encontrei pelo caminho. Até chegar ali, os prédios eram conservados e pintados com tons pastéis. Aquele estava em reforma com homens e mulheres pendurados em cima de andaimes. Eles não foram contratados para realizar o serviço. Fazem parte da comunidade e estavam praticando o dugnad – um conceito da cultura norueguesa que reflete muito o modo de pensar e agir no país. O termo se refere ao ato de ajudar os vizinhos e membros do bairro. Geralmente acontece ao ar livre e envolve algum tipo de trabalho manual como consertar, limpar ou arrumar as coisas.

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Trygve Ohren e Charlotte Rostad

No prédio moram a artista plástica Charlotte Rostad e o arquiteto Trygve Ohren – responsáveis por uma série de projetos artísticos e arquitetônicos no distrito. Geralmente o dugnad acontece em pequenas cidades, mas em Trondheim, a terceira maior cidade do país, ocorre na área ecológica experimental. Lá, cada morador deve assinar um contrato se comprometendo a ajudar a comunidade por pelo menos 5 horas por mês.

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Projetos experimentais e sustentáveis
O arquiteto Trygve Ohren é um dos responsáveis pelo projeto de casas experimentais construídas em Svartlamon. Ele elaborou um projeto sustentável com o colega Haakon Haanes e os moradores do distrito para o trabalho final do curso de Arquitetura, em 2013.

O experimento utilizou materiais simples e reutilizou outros, além de envolver toda a comunidade no processo arquitetônico. Em Svartlamon não existe propriedade privada. Os edifícios do distrito pertencem ao município – pelo seu caráter ecológico e experimental. Em compensação, os aluguéis são mais baratos se comparados com o resto do país. No distrito vivem estudantes, jovens, artistas, arquitetos e carpinteiros.

O projeto de Trygve Ohren demorou cinco anos para ficar pronto e é composto por seis casas de madeira compactas e naturalmente ventiladas – sendo que uma delas serve para armazenamento. Além de um apartamento para hóspedes. A construção foi revestida com materiais reutilizados. As janelas e portas também foram reaproveitadas. Os futuros moradores é que construíram as suas casas, sendo sete adultos e sete crianças. De acordo com os arquitetos, a ideia era que as pessoas participassem da criação do próprio ambiente sustentável, em vez de “serem consumidores passivos”.

A artista plástica Charlotte Rostad conta que começou a realizar projetos com baixo curso e reciclagem por não ter dinheiro para desenvolver as ideias que tanto sonhava. Foi assim que surgiu o Rake, uma galeria dedicada à arte e arquitetura contemporânea. Com talento e criatividade de sobra, Charlotte construiu o espaço com os arquitetos Trygve Ohren, Tyin Tegnestue e August Schmidt, no ano de 2011. A galeria é um cubo móvel que já transitou em três lugares diferentes em Trondheim. Nunca foi exposto em Svartlamon, mas segue os mesmos preceitos de reusos e reciclagem.

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A maioria dos materiais usados na construção da sala era de um prédio prestes a ser demolido. Eles construíram o espaço em apenas doze dias. O teto é feito com três camadas de portas e as paredes consistem em duas camadas de janelas. O piso foi feito com cubos maciços de madeira produzidos por um fazendeiro local. Em 2013, a artista e os arquitetos foram nomeados no conceituado prêmio europeu de arquitetura contemporânea, o Mies Van der Rohe.

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O casal Trygve Ohren e Charlotte Rostad também é responsável pela construção da oficina de arte onde 15 artistas trabalham. Quando Charlotte terminou a faculdade de Artes na Academia de Belas Artes de Trondheim, ela decidiu criar um espaço para trabalhar com os seus desenhos e instalações. A oficina de arte está localizada em uma loja de carros. Ela faz parte da estrutura da creche, onde o seu filho de 3 anos brinca e aprende.

Jardim de infância em uma loja de carros
O jardim de infância fica em uma encruzilhada, um local de passagem para todos que passam por Svartlamon. Não há cercas ou muros de segurança. Quando eu visitei o espaço, não precisei me identificar em uma portaria ou secretaria. Simplesmente entrei pelo portão e logo estava em meio as crianças de cinco anos que almoçavam no salão principal. O desejo em ter um jardim de infância surgiu pela própria comunidade. A creche foi construída em 2008 pelos arquitetos Geir Brandeland e Olav Kristoffersen.

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As janelas são grandes e cobrem todos as salas do edifício – o que proporciona muita luz natural em um país com pouco sol no inverno. O seu interior é revestido com madeira maciça, e dá a sensação de conforto e aconchego. As paredes são inclinadas e irregulares e remetem à espontaneidade das 45 crianças da creche – que têm entre 1 e 5 anos.

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A diretora Ann Sylvie Olsen explica que utiliza a arquitetura como recurso educacional. “As paredes têm tamanhos e formas diferentes. Nós conversamos com as crianças e explicamos que, mesmo sendo uma parede, cada canto é diferente e único.” Democracia é a palavra que a diretora mais repetiu durante a conversa. “É um conceito importante. Por isso, trabalhamos com as crianças a escuta, observação e empatia – qualidades essenciais numa sociedade democrática”. Principalmente em Svartlamon. Um distrito que foge do lugar-comum; um espaço de resistência com projetos e modos de vida singulares.foto4_david_grandorge (1)