Galerias digitais: como comprar obras de arte pela internet

Marketplaces e galerias online deixam o mercado de arte mais acessível. Saiba onde encontrar boas obras e quais cuidados ter para fazer uma compra certeira
Por Patricia Dias

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Patricia Bigarelli | Título: Sem título | Ano: 2014 | Dimensão: 79 (A) x 54 (L) cm | Técnica/Suporte: monotipia sobre papel | Preço: R$ 4.500,00

Ter acesso fácil ao trabalho de novos artistas, poder pesquisar bastante até encontrar uma obra que encha os olhos e ficar mais a vontade para buscar e comparar preços. Esses são alguns motivos que têm feito com que cada vez mais a compra de arte online se torne um hábito entre quem curte o assunto.

Uma pesquisa feita em 2017 pela seguradora inglesa Hiscox, especialista em seguros para obras de arte, apontou que as vendas online desse mercado no mundo todo atingiram um valor de US$ 3,75 bilhões em 2016, o que representa um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Isso significa uma participação de 8,4% das transações online no mercado de arte em geral, ante 7,4% em 2015.

“Esse tipo de venda tem crescido de forma significativa, em especial nos últimos dois anos. Muitas galerias online e marketplaces surgiram nesse período”, observa Tamara Perlman, uma das criadoras da PARTE, feira de arte contemporânea. “Porém, quando falamos de arte, como não é uma commodity, ainda existe a necessidade de ver o produto. Por isso, muitas dessas galerias oferecem a possibilidade de você conhecer a obra fisicamente em seus escritórios ou participam de feiras para expor seus acervos”, pontua.

GALERISTAS ONLINE

Foi por perceber que havia uma resistência ao ambiente comum de uma galeria que Samantha e Carolina Maluf, que vêm de uma família de galeristas, decidiram abrir a Trapézio Galeria, há um ano no ar. “Muitas pessoas têm mesmo receio de entrar numa galeria física ou acham que tudo nela será muito caro”, diz Samantha. “Nossa intenção foi quebrar esse gelo e mostrar trabalhos mais acessíveis. Enxergo a Trapézio como uma porta de entrada para quem quer se iniciar nesse mercado e se tornar um colecionador, por exemplo.” Na Trapézio, há cerca de 400 obras de pouco mais de 20 artistas que vão de R$ 300 a R$ 15 mil reais, entre prints, reproduções, pinturas em papel, gravuras e provas de artista. Alguns dos nomes do acervo da galeria são Adriano Baruffi, Jaqueline Aronis, Rubens Matuck e Celso Orsini. “Também prestamos consultoria gratuita, temos um escritório aberto a qualquer pessoa que queira ver o trabalho que quer comprar fisicamente e participamos de feiras”, conta Samantha.

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Obra de Bruno Palazzo, da 55SP (Divulgação/55SP)

55SP Galeria, que comercializa criações de Bruno Palazzo, Hugo Frasa e Felipe Raizer, entre outras, também nasceu com a proposta de ser um caminho mais democrático de arte. “Eu sempre me interessei pelo assunto, mas me parecia muito difícil ter uma galeria. Depois de uma temporada morando em Londres, onde tive contato com o mercado de edições, percebi que era possível criar um formato mais acessível para vender arte”, diz Julia Morelli, criadora da galeria, em funcionamento desde 2015. Em abril, a 55SP, que já promove mostras de seu acervo em espaços parceiros e também integra o line-up de eventos do mercado, ganha um espaço físico que irá servir tanto para exposições como para que os clientes que queiram possam conhecer as obras pessoalmente antes da compra. “Hoje, não é raro que eu leve uma obra até a casa de um cliente para que ele teste como vai ficar em seu ambiente”, diz.

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urbanarts Na foto quadro “Montanhas ao Sol II” da artista Arte Natural!

Ter um espaço físico como um complemento ao consumo online se mostrou um movimento certeiro para a Urban Arts, empresa que foi pioneira na venda de artes com um viés decorativo pela internet. O site entrou no ar em 2009 e a primeira loja física foi inaugurada em 2011. “Hoje, há uma rede de franquias da marca e observamos que o consumo físico é complementar ao online. Do total de nossas vendas, 15% delas acontecem online e boa parte do restante começa primeiro no site, por meio de uma pesquisa, para só então ser finalizada na loja, onde o cliente vai para ver o trabalho já impresso”, diz Gustavo Guedes, um dos sócios da empresa. “Mas as nossas vendas no ambiente da internet cresceram 40 vezes desde 2013”, ressalta.

QUEM COMPRA

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Obra de Eduardo Srur, da Blombô (Divulgação/Blombô)

A gerente de produto de moda Aline Lamn é uma das que optaram por comprar online por considerar o ambiente de uma galeria de certa maneira intimidador. “Nos sites você consegue olhar todos os produtos com calma, pesquisar e comparar os preços. E muitos oferecem a possibilidade de você checar o produto fisicamente, antes da compra. Você até vai à galeria, mas chega a ela de outra maneira, com mais informações”, afirma. “Eu costumava comprar em feiras antes de ter a minha primeira experiência online. O legal de consumir nesse ambiente é também poder descobrir novos artistas. Fazer a busca é mais fácil. Já tenho sete obras compradas assim. Mas acho importante pesquisar se a galeria é confiável”, completa.

Fazer essa pesquisa é uma prática que a arquiteta Carina Korman também leva a sério. “Costumo comprar prints online, mas só depois de buscar todas as garantias de que posso confiar naquele site. Geralmente, compro em endereços internacionais e tenho ainda o cuidado de não fazer compras caras. Assim, minimizo os riscos de prejuízo caso algo dê errado no processo, como não gostar da obra. Mas já fiz ótimas aquisições, como prints da Nina Pandolfo e d’Os Gemeos.”

OS CUIDADOS NA HORA DA COMPRA

Os cuidados para finalizar a compra de uma obra de arte online devem ser os mesmos de uma compra convencional. “Em primeiro lugar, é preciso saber quem é o artista e conhecer a reputação da galeria. Cheque se há uma biografia desse artista no site e de quais exposições ele participou. Isso ajuda a saber qual é a entrada nele no mercado e dá também uma base para avaliar se o preço daquele trabalho é adequado”, diz Tamara Perlman, da PARTE. “Observe ainda se a obra vem acompanhada de um certificado de autenticidade, assinada tanto pelo artista como pela galeria, com reconhecimento em cartório, e acompanhada de nota fiscal. Outro fator importante é checar o estado de conservação, especialmente quando falamos de vendas no mercado secundário, que são os leilões ou revendas online”, continua. É importante lembrar que a compra de arte online é uma transação online como qualquer outra e por isso o código de defesa do consumidor garante a devolução do produto, caso não agrade ou tenha algum outro problema, em até sete dias a partir do recebimento da compra.

ONDE COMPRAR

Trapézio Galeria

Um diferencial da galeria é o oferecimento de uma consultoria online e gratuita para que o comprador possa entender melhor que tipo de obra tem maior adequação ao ambiente que quer decorar. Para isso você precisa enviar, pelo site mesmo, imagens do espaço e algumas medidas, como da parede e dos móveis, e eles devolvem a você ideias de obras. É possível dizer ainda nesse momento que tipo de foto mais gosta e o quanto você pretende gastar – assim, eles fazem um filtro de acordo com o preço também.

Galeria Coletivo

Dedicada à fotografia, conta com trabalhos de profissionais ligados às áreas de moda e arquitetura, entre outras relacionadas, como Gustavo Arrais, Evelyn Müller e Alexander Landau. Mas as fotos disponíveis em seu acervo tratam de temas diversos – há ótimas imagens de natureza, animais, de aspecto abstrato e de cidades.

55 SP Galeria

O acervo é composto por fotografias, esculturas e serigrafias, expostas também em mostras e ocupações que a 55SP produz em conjunto com espaços parceiros. Em abril, a galeria irá ganhar um endereço físico próprio que irá servir como um lugar para exposições e para que qualquer um possa conhecer as obras.

Quadra

Serigrafias de Guto Lacaz e Laura Gorski, ilustrações de Alexandre Baltazar e litografias de Marina Zilbersztejn são algumas das obras curadas pela Quadra, da galerista carioca Marcela Setton.

BG27

Os trabalhos comercializados pela BG27 são exclusivos da galeria, que convida artistas a criarem séries limitadas de fotografias, gravuras e ilustrações. Entre os nomes do portfólio estão os artistas Alice Quaresma, Beatriz Chachamovitz, Ana Strumpf, Felipe Morozini, Verena Smit e Filipe Jardim e os fotógrafos André Porto, Fran Parente e Camila Guerreiro.

Galeria de Gravura

É especializada em gravuras e em seu acervo há trabalhos de nomes como Leda Catunda, Guto Lacaz, Tomie Othake, Alfredo Volpi e Anna Maria Maiolino, numeradas e assinadas pelos artistas. Apesar do foco em gravuras, é possível encontrar ainda algumas fotografias e livros sobre arte. Entrega em todo o Brasil.

Aura

Ela nasceu exclusivamente online e hoje conta com uma sede na Vila Madalena, em São Paulo. O acervo é composto essencialmente por arte contemporânea. Desenhos, fotografias, assemblages e pinturas são as obras mais recorrentes e alguns dos nomes com trabalhos expostos são Lilian Maus, Júlia Milward, Clara Benfatti e Sandra Lapage.

Blombô

É um marketplace. Ou seja, reúne na mesma plataforma diferentes galerias e artistas. O bacana é que o Blombô comercializa obras de acervos de galerias tradicionais que não têm venda online, como Luisa Strina, Luciana Brito e Nara Roesler. Nele é possível ainda garimpar peças de antiquários.

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