Mostra redescobre cinema de Helena Solberg, 80

Filmografia inclui documentários sobre feminismo nos EUA e política na Nicarágua

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A diretora Helena Solberg, cujo primeiro filme é de 1966 – Zô Guimaraes/Folhapress

A diretora Helena Solberg chega aos 80 anos, a maior parte deles dedicados ao cinema, especialmente aos documentários.

Para celebrar a data e também em virtude do Dia da Mulher, o Centro Cultural Banco do Brasil promove, a partir desta quarta (7), retrospectiva completa da cineasta nas unidades de São Paulo e do Rio.

É uma boa chance para tomar ou reaver contato com a obra de Solberg, certamente menos conhecida no Brasil do que merecia, provavelmente devido às mais de três décadas em que morou nos EUA.

Entre os seus documentários, “Carmen Miranda – Banana Is my Business” (1995) ganhou notoriedade ao vencer prêmios em festivais como Brasília e Havana.

Está longe, contudo, de ser o único de seus filmes a merecer atenção. Um dos mais surpreendentes é “A Entrevista” (1966), seu primeiro como diretora.

Aos 27 anos, ela tinha em mente um curta sobre as jovens da burguesia carioca. O que sua geração pensava sobre sexo? O casamento era um desejo ou uma convenção?

Num bate-papo na praia, Solberg contou a ideia para Glauber Rocha, que a incentivou enfaticamente a levar o projeto adiante.

A produção do filme, no entanto, logo encontrou uma barreira. As moças de 19 a 27 anos concordaram em falar sobre os temas, mas não queriam aparecer no filme.

Do obstáculo, nasceu uma solução inovadora. O áudio é composto de trechos de depoimentos colhidos por Solberg, e as imagens são dos preparativos de uma jovem carioca para o casamento.

Pela realização de “A Entrevista”, aliás, ela é considerada a única mulher a atuar na direção no cinema novo.

Nos anos 1970, já nos EUA, a cineasta manteve o olhar para os limites e os avanços da condição feminina.

Dirigiu filmes como “A Nova Mulher” (1974), sobre o movimento feminista nos EUA, e “A Dupla Jornada” (1975), com trabalhadoras de países da América do Sul.

“Estou muito contente com o que acontece agora, essa terceira onda feminista”, diz Solberg, que pondera em seguida. “Mas as mulheres precisam olhar para tudo o que foi feito no passado [ela se refere às vitórias das ativistas nas últimas décadas].”

Recentemente, a diretora voltou a lançar filmes em que os dilemas femininos ocupam papel central, como “Vida de Menina” (2004), sua estreia na ficção em longa-metragem, e “Meu Corpo, Minha Vida”(2017), sobre o aborto.

Solberg, contudo, rejeita ser associada a um cinema de uma nota só. A questão feminina está presente em seu cinema –“mas não é a minha maior preocupação”, diz.

“O importante é estar inserida no meu tempo, me interessam os temas contemporâneos. Não quero ser rotulada”, diz, com firmeza.

De fato, há documentários com temas diversos, como “Das Cinzas – Nicarágua Hoje” (1982), sobre a revolução sandinista, e “Chile: pela Razão ou pela Força” (1983), a respeito da ditadura do general Augusto Pinochet.


DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO

Mostra no CCBB-SP reúne filmes e debates

Hoje (7)

19h15 – “Carmen Miranda: Banana Is my Business” (92 min., 1994). 14 anos.

Quinta (8)

17h – sessão com três filmes: “Simplesmente Jenny” (32 min., 1977), “A Dupla Jornada” (54 min., 1975, digital) e “Meu Corpo Minha Vida” (73 min., 2017, digital). 16 anos.

Sexta (9)

19h – “A Terra Proibida” (58 min, 1990). 16 anos. Após a exibição do filme, haverá debate com a pesquisadora Mariana Souto

Sábado (10)

16h30 – sessão com três filmes: “Meio-dia” (11 min., 1970), “A Entrevista” (20 min.,1966) e “A Nova Mulher” (40 min., 1974). Debate com a professora Ramayana Lira depois da sessão

18h45 – “Chile: Pela Razão ou Pela Força” (60 min., 1983, digital). 16 anos.

Quinta (15)

19h – mesa redonda sobre engajamento e militância nas décadas de 1970 e 1980, com o professor Edson Teles e a pesquisadora Thaís Blank. 12 anos

Sexta (16)

19h – “Meu Corpo Minha Vida” (73 min., 2017). 16 anos. Após o filme, debate com a produtora Zita Carvalhosa e com a ativista Elisa Gargiulo

Sábado (17)

16h – aula magna com Helena Solberg

RETROSPECTIVA HELENA SOLBERG

QUANDO De 7 a 19 de março

ONDE Centro Cultural Banco do Brasil (rua Álvares Penteado, 112, 11-3113-3651)

QUANTO entrada gratuita. Os ingressos serão distribuídos a partir de uma hora antes de cada sessão; a sala tem apenas 70 lugares.

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