Líderes da indústria tecnológica encontram sabedoria com o passar dos anos

Os meninos-prodígio da tecnologia cresceram, tiveram filhos e, agora, começam a pensar no próprio legado
Kevin Roose, The New York Times

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“Os jovens são mais inteligentes”, dizia Mark Zuckerberg em 2007. 

Vários anos atrás, uma figurinha de plástico começou a aparecer nos escritórios do Google, um alien mais velho de cabelos grisalhos, com um fone de ouvido Google Glass e uma frase que dizia: “Saia do meu gramado!”

A figurinha era um tributo aos Greyglers, grupo de pessoas (funcionários da companhia) com mais de 40 anos, e indicava como era ser um trabalhador mais velho na área de tecnologia: engraçado, consciente de si, um pouco deslocado.

Os Greyglers ainda existem, mas não são mais uma anomalia. Sundar Pichai, diretor-executivo do Google de 45 anos, se encaixaria no grupo. Assim como Larry Page e Sergey Brin, os dois fundadores do motor de busca quando ainda estudavam na faculdade, há 20 anos; Susan Wojcicki, uma das primeiras funcionárias que hoje é diretora do YouTube; e a maioria dos outros altos executivos da companhia.

Há anos, os que se proclamavam os chefes no Vale do Silício eram jovens – na maioria homens – com um comportamento que condizia com a idade. Eles adotavam lemas ousados, como “ande depressa e quebre coisas” e evitavam encontrar equilíbrio entre o trabalho e a vida, em favor de sessões de pirataria que duravam a noite toda. Seu sucesso era aplaudido, e seus pecados eram minimizados como o custo da inovação.

“Os jovens são mais inteligentes”, declarava Mark Zuckerberg em 2007, quando tinha 22 anos e cuidava de uma incipiente rede social.

Agora, o Facebook é uma potência global, e a busca do crescimento da companhia levou a algumas tristes consequências em todo o mundo e alimentou uma considerável reação negativa contra a tecnologia.

Ao mesmo tempo, Zuckerberg desmentiu a própria teoria. Hoje com 33 anos, ele é um executivo mais inteligente e mais consciente do que há dez anos. Depois de andar depressa durante e de quebrar coisas durante anos, o Facebook pelo menos admite suas falhas e tenta, ainda que desastrosamente, consertá-las.

Há muita gente adulta na indústria da tecnologia hoje, em que os meninos-prodígio de então ganharam fortunas e agora começam a ter filhos e a pensar nos próprios legados.

Os trabalhadores da indústria de tecnologia continuam jovens – segundo a PayScale, o funcionário médio das cinco maiores companhias de tecnologia tem cerca de 30 anos, dez anos mais novo do que o trabalhador americano médio -, mas os líderes da indústria ficaram mais velhos, e aparentemente se colocam mais em harmonia com o poder que detêm.

“Há cinco anos, não se falava em empatia ou responsabilidade moral”, disse Om Malik, investidor que escreve sobre a indústria tecnológica.

Certos ambientes do universo das startups ainda estão cheios de rebeldes imprudentes. Mas as maiores companhia da indústria agora são negócios maduros, burocráticos, cujas decisões diárias sobre questões como guerras globais da informação, privacidade, diversidade e assédio sexual são rigorosamente analisadas.

“Ninguém pensava na possibilidade de um produto tornar a sua vida pior”, disse Gregor Hochmuth, um dos primeiros engenheiros do Instagram.

Esta perspectiva ajuda a explicar o choque que muitos fundadores experimentaram quando a internet se tornou o alicerce da cultura e do comércio global, e seus produtos viraram peças de uma infraestrutura crucial.

“Ninguém pensava, por exemplo: ‘Dentro de 15 anos, bilhões de pessoas vão usar este site todos os dias’”, disse Andrew McCollum, 34, um os fundadores do Facebook. “O objetivo era ‘Como podemos criar alguma coisa grande?’ – e não ‘Qual é o nosso plano para dominar o mundo?’”.

O Twitter é outro gigante tecnológico que está avaliando a influência da sua plataforma no mundo real. Em uma série de tuítes recentes, Jack Dorsey, diretor-executivo do companhia, disse que a empresa tenta melhorar a saúde e a civilidade de sua plataforma, depois de anos de negligência.

“Nós não previmos totalmente nem compreendíamos as consequências negativas no mundo real”, escreveu Dorsey, 41. “Reconhecemos isso agora, e estamos determinados a encontrar soluções holísticas e corretas”.

Maureen Taylor, especialista em comunicações na liderança, explicou que esse tipo de autoanálise honesta está se tornando mais frequente entre os fundadores.

“À medida que as pessoas ficam mais velhas, elas se dão conta de que as suas responsabilidades são maiores”, afirmou. “As pessoas se tornam mais cuidadosas em relação às ramificações da tecnologia e lembram que a questão toda é tornar o mundo um lugar melhor”.

Chamath Palihapitiya, 41, um dos primeiros executivos do Facebook, que atualmente dirige uma empresa de capital de risco, afirmou que o fato de se tornar pai transformou sua perspectiva sobre tecnologia. Ele evita seus filhos passem muito tempo na frente da televisão ou do computador, e está mais preocupado com as ferramentas que ajudou a construir.

Algumas das grandes companhias do Vale do Silício também estão profissionalizando seus locais de trabalho, reduzindo as vantagens fúteis e adotando normas mais rigorosas na questão do assédio sexual e outras más condutas dos funcionários.

“Você se torna mais responsável”, disse Malik, “quando tem mais a perder”.

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