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Novo bairro de Milão ganha shopping de Zaha Hadid

CityLife, área requalificada da antiga Fiera Milano, recebe mais uma construção
Por Silvana Maria Rosso*

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Vista dos vários planos da praça Tre Torri, idealizada pelo escritório One Works, que conecta os empreendimentos comerciais


Cada vez que venho a Milão, no Norte da Itália, descubro um novo bairro. As periferias tomadas por indústrias, pouco a pouco estão se transformando, graças a projetos de requalificação. Desta vez foi o CityLife, com cerca de 366.000 m², que ocupa a área da antiga Fiera Milano, construída em 1920.

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Uma das últimas obras assinadas pela arquiteta iraniana Zaha Hadid falecida em 2016 é o pavilhão do Shopping District e a torre anexa da Assicurazioni Generali, situados no novo bairro de Milão, o CityLife


O CityLife é uma intervenção urbana, assinada pelos arquitetos Zaha Hadid, Arata Isozaki e Daniel Libeskind, composto por parque, praça central, museu, creche eco-sustentável, três edifícios comerciais e dois condomínios residenciais, que deverá ser finalizado em 2020.

A novidade é o CityLife Shopping District, com 32 mil m², mais de 80 lojas, praça de alimentação, supermercado e cinema, e o prédio anexo da Assicurazioni Generali, com 170 metros de altura e 43 andares.

Inaugurado recentemente, o pavilhão, definido pelos três eixos viários que convergem no centro do CityLife, exibe os traços futuristas, característicos de Zaha Hadid, arquiteta iraniana falecida em 2016. A torre em torção que se alarga na base tem a sua parte superior orientada para o Duomo, a catedral de Milão, no centro da cidade, marcando a paisagem.

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Outra visão do edifício da Assicurazioni Generali com 170 metros de altura e 43 andares. Retorcido, o edifício tem o seu topo virado para o Duomo


Materiais inteligentes
No interior, o destaque fica para os pisos, forros e pilares, revestidos de lâminas de bambu coladas, que acolhem os visitantes. Material de extrema durabilidade, com ampla disponibilidade no mercado, o laminado é produzido a partir de fontes sustentáveis.

Piso e pilares de bambu encontram com o forro vazado no capitel de cada coluna, expressando a versatilidade do material em diferentes superfícies. Dois balcões esculturais, também de bambu, dão suporte ao café, seguindo a mesma linguagem fluida e contínua do projeto.

A claraboia é feita de EFTE – Ethylene tetrafluoroethylene –, que possibilita desempenho térmico de alto nível e economia de energia. Este material, considerado o polímero do futuro, é um plástico composto de moléculas de flúor ligadas entre si para torná-lo resistente a agentes atmosféricos e à corrosão.

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Detalhe da coluna revestida de bambu e o capitel vazado

Os edifícios comerciais projetados receberam certificação LEED Gold do US Green Building Council (USGBC), por causa da eficiência garantida em projeto, reduzindo consumo de energia e minimizando emissões de gás carbônico.

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O vão que liga os três pavimentos do Shopping District e leva luz natural


Design em evidência
A galeria é articulada em três níveis: área comercial, praça de alimentação e cinema. No entanto, os planos não são claramente separados. Uma espécie de moldura de altura dupla conecta os níveis que, embora divididos por uso, dialogam uns com os outros. A luz natural, que penetra pela cobertura graças a grandes vãos, contribui para a integração entre os pavimentos.

Uma galeria no plano térreo, projetada pelo italiano Mario Galantino, é focada em produtos para casa e acessórios e tem como âncora a Habitat, loja inglesa criada em 1964 por Terence Conran. Com 2 mil m² e três níveis, dispõe de 6.500 itens, selecionados para o perfil do consumidor italiano, que vão de mobiliário a luminárias e roupas de cama.

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Outra do shopping, esta com enfoque em produtos de casa e acessórios. Projeto de Mario Galantino


Da praça Tre Torri, idealizada pelo italiano One Works, que conecta as edificações comercias – apenas a Generali e a Allianz, do japonês Arata Isozaki estão finalizadas; faltando a Torre Libeskind – partem rampas que levam aos parques e às áreas residenciais, com arquitetura de Hadid e de Libeskind.

Ali há o acesso direto no bairro pela estação de metrô Tre Torri. Já quem chega pelas vielas do entorno da praça Giulio Cesare impressiona-se com o contraste entre as edificações austeras, tipicamente burguesas e datadas do início do século XX, e a arquitetura contemporânea do CityLife.

Finalizo meu diário com o registro desse impacto que o projeto me causou. Conferi a beleza de uma cidade que se reconfigura através dos tempos e se adapta às necessidade atuais por meio de novas linguagens e tecnologias. No entanto, o mais importante, é que Milão ainda preserva sua história e identidade num entrelaçamento entre passado e futuro.

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SkMasterplan do CityLife Milano, desenvolvido por Zaha Hadid, Arata Isozaki e Daniel Libeskind

*Depois de quase 30 anos estudando o espaço como jornalista especializada em design e arquitetura, a jornalista Silvana Maria Rosso tomou para si a missão de falar das novas fórmulas para se viver neste planeta. Por isso, ficará três meses na Itália em busca de sustentabilidade, design e cultura. Este é o décimo capítulo de seu diário de bordo.

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