Líder do grupo WPP, Martin Sorrell é investigado por conduta indevida

Investigação se relaciona a uso indevido de fundos da empresa
Por Matthew Garrahan e Kadhim Shubber

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Presidente-executivo da WPP, Martin Sorrell

A posição de Martin Sorrell no topo do grupo publicitário WPP, que ele transformou em uma das potências do setor em mais de três décadas de trabalho, está sob ameaça. O conselho da empresa contratou um escritório de advocacia independente para investigar acusações de conduta indevida contra ele.

A investigação se relaciona a uso indevido de fundos da empresa, de acordo com duas pessoas informadas sobre a situação. Uma dessas pessoas disse que a investigação “poderia significar sucessão. Não vejo como ele poderia sobreviver a isso”.

O WPP anunciou em comunicado na noite de quarta-feira (4) que o conselho “apontou advogados independentes para conduzir uma investigação sobre acusações de conduta pessoal indevida contra Martin Sorrell”.

O comunicado acrescentava que as acusações não envolvem somas significativas para o WPP. A investigação havia sido reportada anteriormente pelo Wall Street Journal.

Em declaração divulgada pouco depois, Sorrell negou qualquer impropriedade financeira. “Rejeito a acusação irrestritamente, mas reconheço que a empresa tem o dever de investigá-la. No meu entendimento, o processo será concluído em breve. Obviamente, não desempenharei qualquer papel na administração da investigação em curso”.

Ele acrescentou que como acionista significativo, seu compromisso para com a companhia, que fundou há mais de 30 anos, continua absoluto –“para com nosso pessoal, nossos clientes, nossos acionistas e todas as partes interessadas”.

QUEDA DAS AÇÕES

A investigação surge em um momento difícil para Sorrell, depois que as ações do WPP caíram em 27% nos últimos 12 meses por conta de cortes nos gastos de grandes anunciantes. A dúvida quanto ao futuro dele como presidente-executivo da companhia causou queda de mais 4,8% em operações posteriores ao fechamento do pregão nos Estados Unidos, onde a empresa tem ADRs [instrumento usado para negociar ações cotadas fora do país no mercado norte-americano] em circulação.

Embora Sorrell faça parte do conselho do WPP, este é presidido por Roberto Quarta, antigo presidente-executivo do grupo industrial BBA.

Sorrell é presidente-executivo do WPP desde 1986. Ele começou a trabalhar na empresa quando ela era uma fabricante de plásticos com ações cotadas em Bolsa, com o plano de transformá-la em uma gigante da publicidade por meio de uma série de aquisições.

Sorrell foi sagrado cavaleiro em 2000, mas nos últimos anos se tornou um símbolo de remuneração exagerada para executivos. Em 2015, ele faturou 70 milhões de libras, o maior pagamento anual já recebido por um líder de uma companhia do índice FTSE-100.

Pessoas que conhecem a situação disseram que a abertura da investigação sobre sua conduta causou choque na empresa. O WPP, que controla agências de publicidade como a J Walter Thompson, Group M e Ogilvy & Mather, já vinha oscilando depois de um de seus piores anos. Investidores expressaram preocupações com a estrutura complexa da empresa e quanto à sua capacidade de se adaptar ao panorama digital, que muda rapidamente.

Os desafios que o WPP enfrenta ficaram aparentes em seu mais recente anúncio de resultados, no mês passado, quando Sorrell reconheceu que o grupo havia levado “uma surra”. Ele comparou 2017 a outros pontos baixos, em 1991, 2001 e 2009. “Alguma coisa está diferente desta vez? Claro. O mercado mudou”, disse.

Os maiores anunciantes estão cortando os gastos que realizam por meio de agências. A Procter & Gamble, conglomerado de produtos pessoais e domiciliares que gasta mais que qualquer outra companhia com publicidade, recentemente anunciou que “retomaria o controle” do seu marketing e que cuidaria dele internamente.

A Procter & Gamble reduziu seus gastos com agências de publicidade em US$ 750 milhões nos três últimos anos e planeja novos cortes, de US$ 1,2 bilhão, até 2021, o que representa um sério revés para empresas como o WPP e a Publicis.

Em entrevista ao Financial Times em março, Sorrell, 73, admitiu que estava sentindo a pressão.

“Você se sente pressionado, claro que sim”, ele disse. Perguntado se considerava que ele era a pessoa certa para levar a companhia adiante, o executivo respondeu: “Do ponto de vista pessoal, claro que sim. Mas cabe a outros decidir”.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

FINANCIAL TIMES
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