Facebook busca outros casos similares aos da Cambridge Analytica

Segundo chefe de operações da rede social, companhia ainda não tem casos concretos para compartilhar, mas pretende identificar empresas e estudá-las para evitar uso ilícito de dados de usuários

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Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook, na abertura do Salão do Automóvel de Frankfurt

A diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, concedeu entrevistas à imprensa norte-americana ontem, ainda no esforço da rede social em assumir seus erros que levaram ao uso ilícito de dados de mais de 87 milhões de usuários da redes social. A executiva afirmou ao jornal Financial Times que ainda não é possível saber quantos desses dados ainda estão nas mãos da empresa de inteligência britânica Cambridge Analytica, pois o Facebook ficou impedido de fazer uma auditoria na empresa, após o Reino Unido anunciar uma investigação sobre o caso. Agora, segundo a executiva, o esforço está em achar outras “Cambridges Analyticas”, ou seja, empresas que usem de forma ilícita os dados pessoais de usuários da rede social.

“Conforme nós acharmos mais Cambridge Analyticas, vamos achar uma forma de colocá-los para fora do Facebook e ter certeza de que eles estarão expostos às pessoas”, afirmou Sheryl, ao site de notícias BuzzFeed News. “Até agora, não temos outro caso claro para compartilhar.”

A executiva disse que não pensou em pedir demissão em meio à crise. “Eu sirvo segundo a vontade de Mark e do conselho e continuarei trabalhando no Facebook se eles continuarem achando que sou a pessoa certa para ajudar a levar a empresa, não só para fora disso, mas para o futuro”, disse Sheryl.

Checagem. Ao jornal Financial Times, Sheryl deu uma das declarações mais polêmicas: a executiva afirmou que o Facebook sabia do caso da Cambridge Analytica há pelo menos dois anos e meio, época em que pediu garantias de que a empresa havia excluído os dados dos usuários. “Nós achamos que eles tinha excluído (os dados) porque eles nos deram garantias, e só soubemos por outras pessoas que não era verdade, mas nós tínhamos garantias legais deles sobre a exclusão. Mas o que nós não fizemos foi o próximo passo, que era uma auditoria. É o que estamos tentando fazer agora”, disse a executiva.

Por conta da admissão sobre o período que se passou desde que os executivos da rede social tomaram ciência do caso, as ações do Facebook abriram o dia em queda 1,4%; contudo, ao longo do dia as ações se recuperaram e agora são negociadas a US$ 160,83, alta de 0,93%.

Crise de confiança. As declarações de Sheryl foram feitas no dia seguinte à revelação do Facebook de que o número de pessoas afetadas no caso Cambridge Analytica é bem maior do que o que foi reportado na metade de março, de 50 milhões de usuários da rede social. A companhia liderada por Mark Zuckerberg revelou que dados de 87 milhões de pessoas foram acessados pelo quiz desenvolvido pelo pesquisador da Universidade de Cambridge, Aleksandr Kogan, que os vendeu para a empresa de inteligência Cambridge Analytica. A empresa, depois, combinou as informações com outras bases de dados para tentar manipular as eleições dos EUA em 2016.

Na última quarta-feira, Zuckerberg participou de uma coletiva de imprensa com jornalistas de todo o mundo, na qual assumiu os erros da rede social e afirmou que a equipe esteve empenhada olhar apenas para o lado positivo da rede social na vida das pessoas. Na ocasião, o executivo também revelou que dados públicos da maioria dos 2,13 bilhões de usuários foram acessados por terceiros nos últimos anos.

“Em nossa primeira década, nós focamos em todo o benefício que conectar as pessoas pode trazer”, afirmou o presidente executivo do Facebook. “Está claro agora que nossa responsabilidade é mais ampla e que não focamos o suficiente em prevenir abusos e em pensar em como as pessoas poderiam usar nossas ferramentas para o mal.”

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