Bancos ou empresas de Tecnologia?

201804021407219910Há pouco mais de 15 anos atrás, quando a Ágora passou a ser a corretora líder no segmento de Home Broker no Brasil, dei uma entrevista a um importante veículo da imprensa, falando sobre um ponto importante em nossa estratégia, que nos diferenciava claramente dos nossos concorrentes: nos considerávamos uma empresa de tecnologia que atuava no mercado financeiro, afinal de contas nosso entendimento era de que éramos de fato uma empresa nativamente digital.
A afirmação soava estranha para o mercado na época. Recebi uma enormidade de feedbacks, com as mais diversas reações. As pessoas tinham dificuldade de entender o que aquilo significava na prática, que impactos tinha no modelo operacional da empresa e no que ajudava na captura de valor.
Ao longo da entrevista eu dei exemplos práticos do que aquilo significava para nós: a) eu, como líder de Tecnologia, participava das decisões estratégicas da companhia; b) a área era responsável por gerir a maior fatia dos investimentos da empresa; c) Tecnologia participava ativamente no desenvolvimento dos produtos; d) a proporção de funcionários de Tecnologia sobre o total da empresa era relevante; e d) a remuneração dos engenheiros da área era competitiva no mercado.
A revolução fintech, que viria a ganhar força quase uma década depois, expôs a relevância que a Tecnologia pode e deve ter em serviços financeiros. Fez os grandes bancos abrirem os olhos para a necessidade de mudança do papel da área nas suas organizações. De uma mera área de suporte, cujo desafio era estar alinhada à estratégia de negócios, Tecnologia deveria passar a ser vista como o motor propulsor de novos negócios. E, curiosamente, este é o discurso de alguns dos bancos que atualmente pretendem liderar a revolução digital, como JP Morgan e Goldman Sachs.
Em recente artigo, o jornalista Jeremy Bloom usou uma métrica para checar este posicionamento: o número de cargos em tecnologia sobre o total da empresa. E descobriu números muito interessantes. Em bancos como Bank of America e Citibank, este percentual está entre 0,5% e 1,0%. No Credit Suisse e Morgan Stanley, o índice é pouco superior a 1%. Já no JP Morgan, ele sobe para 8,2% e, no Goldman Sachs, atinge 24,5%.
Embora não seja suficiente para corroborar a estratégia, este indicador é sem dúvida muito relevante, pois mostra como o novo posicionamento está impactando o modelo operacional e qual é a disposição da empresa para abraçar um propósito indiscutivelmente mais alinhado com a era digital. [Guilherme Horn]
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