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Muro de vidro: solução integra ou divide a cidade?

Questão urbanística vem à tona com a reforma dos muros que cercam a raia da USP em São Paulo
Por Giovanna Maradei I Fotos Divulgação/ Marcos Santos

Quem passa pela Marginal Pinheiros já consegue ver ao menos parte do novo muro, desta vez de vidro, que irá cercar toda a raia da Universidade de São Paulo. O projeto de 2,2 km de extensão teve sua primeira parte, de 1,6 km, entregue nesta quinta-feira (5/04). E, entre muitas polêmicas políticas, coloca em pauta uma importante questão urbanística: afinal, qual a função dos muros nas grandes cidades?

Se por um lado os altos índices de violência de metrópoles como São Paulo nos fazem crer que é impossível manter propriedades sem divisões físicas que delimitem e protejam os espaços, por outro, arquitetos e urbanistas são quase unânimes em dizer que uma cidade mais segura é, necessariamente, uma cidade mais integrada, com menos divisões e, consequentemente, menos muros.

“Esquecemos que ao fecharmos os limites não estamos protegendo ou guardando, mas eliminando o diálogo e a possibilidade de construirmos um meio comum e coletivo da existência, o fortalecimento da urbanidade e, desta forma, gerando mais violência e insegurança”, explica Alvaro Puntoni, professor da Escola da Cidade.

Entre os dois extremos, um muro, que não é de concreto, mas de vidro, parece um meio termo tão interessante quanto intrigante: afinal, muros não tinham a função de esconder e separar? Parece que não, ou, ao menos, não necessariamente.

Arquitetonicamente falando, o recurso da transparência tem aparecido com cada vez mais frequência como solução capaz de unir áreas naturalmente separadas, como a parte interna e externa de uma casa, ou a entrada de um edifício e a calçada.

É neste sentido que a arquiteta Jóia Bergamo, responsável pelo projeto da USP, com apoio e coordenação do diretor-geral do Shopping D&D e ex-presidente da Casa Cor, Angelo Derenze, defende a reforma: “O vidro permite visualizar a paisagem maravilhosa que a USP tem a oferecer para a cidade de São Paulo. Considero um ‘quadro vivo’ para os paulistanos”, explicou a arquiteta que ainda vislumbra a possibilidade de aplicar a solução em outros espaços da cidade, como o Jockey Club.

No mesmo sentido, o reitor da USP Marco Antonio Zago disse na ocasião do anúncio das obras que: “Derrubar o muro da raia e expor a Universidade para aqueles que passam pela Marginal Pinheiros, simbolicamente, mostra aos paulistanos e paulistas que a USP não é algo isolado, ela é propriedade da população do Estado de São Paulo”. Já para o professor Alvaro Puntoni, o recurso, no entanto, pode não ser o suficiente para causar grandes revoluções. “Um muro transparente ainda é um muro”, lembra.

Na mesma linha, ao ser questionado sobre o que deixaria São Paulo uma cidade realmente linda, o arquiteto Silvio Oksman, do Metrópole Arquitetos, tem opinião semelhante a do professor da Escola da Cidade: “Cidade feia é aquela sem gente. Quanto mais gente nos espaços públicos, mais belo fica. É uma pena que a cidade ainda tenha tanto muro e tanta grade, tantos shoppings… Paredes não deixam ela mais segura. Um município seguro, na verdade, tem mais gente circulando”.

Para além das questões conceituais, o muro, que foi financiado pela iniciativa privada, levantou polêmicas quanto ao seu valor: R$ 15 milhões, sua segurança, embora afirme-se que o material utilizado é cinco vezes mais resistente que o vidro comum, e ainda sobre a data de conclusão, que foi primeiramente prevista para o aniversário da cidade, dia 25 de janeiro. Hoje, segundo o escritório de arquitetura responsável, a expectativa é que tudo esteja pronto no dia 5 de maio.

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