Zuckerberg enfrenta pouca pressão no Senado e ações do Facebook fecham em alta

Presidente executivo do Facebook responde à maioria das perguntas dos senadores americanos durante audiência

zucker
Zuckerberg em audiência no Senado americano

A expectativa de que o presidente executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, enfrentaria uma grande pressão ao prestar depoimento no Senado americano ontem não se concretizou. Apesar da grande comoção em torno da aparição do executivo em Washington – que incluiu protestos em defesa da privacidade de usuários do lado de fora do Capitólio e filas para acompanhar a audiência –, Zuckerberg teve de responder a perguntas repetitivas sobre a responsabilidade da rede social em proteger os dados pessoais de seus mais de 2,13 bilhões de usuários.

Os questionamentos pouco agressivos a Zuckerberg foram associados, pela imprensa americana, às grandes quantias de dinheiro doadas por funcionários do Facebook aos senadores que compõem os comitês que interrogam Zuckerberg. O mercado reagiu bem ao desempenho do executivo: as ações do Facebook subiram 4,5% ontem, para US$ 165,04.

De acordo com reportagem do jornal americano USA Today, os membros do Comitê de Comércio, Ciência e Transportes, que ouviu o executivo ontem, receberam US$ 369 mil em doações ligadas aos Facebook desde 2007, segundo a organização não governamental Center for Responsive Politics.

Já o Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos EUA, que vai questionar Zuckerberg hoje, é o que mais recebeu dinheiro de funcionários da empresa. Ainda segundo o centro, os membros desse comitê receberam perto de US$ 381 mil em contribuições ligadas ao Facebook no mesmo período.

Um porta-voz do Partido Democrata disse não poder comentar as contribuições, mas defendeu que isso nada tem a ver com a postura dos senadores na audiência. “A premissa de que o Facebook está recebendo bolas ‘mais leves’ dos senadores não tem base em fatos”, disse.

Sem pressão. No início da audiência, que se alongou por mais de cinco horas, os senadores tentavam mostrar que colocariam Zuckerberg contra a parede. “A história da empresa que você criou representa o sonho americano, mas você tem a responsabilidade de não transformar a vida dos usuários em um pesadelo”, afirmou o senador republicano John Thune, presidente do Comitê de Comércio, Ciência e Transportes do Senado americano.

A audiência foi realizada em conjunto com o Comitê do Judiciário – o executivo vai enfrentar nova audiência, hoje, com o Comitê de Energia e Comércio.

Zuckerberg iniciou a audiência com expressão angustiada e, de forma mecânica, repetiu o discurso de conversas com jornalistas na semana passada. Novamente, o executivo assumiu os erros da rede social ao não antecipar como ela poderia ser usada para o mal, como no caso do uso de dados de mais de 87 milhões de usuários numa tentativa de manipular as eleições nos EUA em 2016. Ele também tentou afastar os rumores de que poderia sair do cargo.

“Enquanto eu administrar o Facebook, os usuários terão prioridade em relação aos desenvolvedores e anunciantes”, disse o fundador do Facebook, que reforçou as formas positivas de uso da rede social. “Quando olharmos para trás daqui a alguns anos, vamos ver que dar voz às pessoas teve um impacto positivo no mundo.”

Logo que as perguntas começaram, Zuckerberg pareceu mais tranquilo – em alguns momentos, sorriu. A primeira vez em que isso aconteceu foi quando o senador republicano Orrin Hatch fez uma pergunta básica, questionando o executivo sobre como o Facebook ganhava dinheiro, já que não cobra nada de seus usuários. “Nós exibimos anúncios, senador”, respondeu Zuckerberg, enquanto era possível ouvir risadas na sala.

Foram raros os momentos em que Zuckerberg ficou perto de ser encurralado. Isso aconteceu nas falas dos democratas Dick Durbin, Richard Blumenthal e Brian Schatz. O primeiro questionou Zuckerberg se ele revelaria o hotel em que estava hospedado em Washington, ao que Zuckerberg afirmou que não compartilharia essa informação publicamente; o segundo trouxe cartazes com termos de uso e frases antigas do executivo sobre erros, reforçando que Zuckerberg já pediu desculpas por erros anteriores; já o terceiro questionou por que o Facebook diz que seus usuários são donos de seus dados, se é a empresa quem fatura com eles.

Reação. O desempenho de Zuckerberg animou os investidores. As ações do Facebook ficaram em alta ao longo de toda a tarde e fecharam o pregão negociadas a US$ 165,04, em alta de 4,5%. O desempenho positivo das ações continuou mesmo nas negociações após o fechamento do mercado. A empresa encerrou o dia avaliada em US$ 479,4 bilhões – US$ 58 bilhões abaixo do que valia na época da publicação das reportagens que revelaram o escândalo da Cambridge Analytica. Claudia Tozetto e Bruno Capelas – O Estado de S.Paulo

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