Todos nós deveríamos saber quem foi Emilie Flöge

Ela veio antes da Coco Chanel, mas ninguém conhece o trabalho desta estilista austríaca. Saiba aqui como seu papel foi determinante para a história da moda.
Por Pedro Camargo

MKG-Madame-D-Ora-Emilie-FlogeTrabalha-se muito no mundo da moda. Por onde a gente olha, tem notícias acontecendo a todo momento: um designer de roupas que passa a fazer sapatos, o discurso de uma celebridade que cutucou as feridas da indústria, um desfile que ilumina os nossos pensamentos… No entanto, mesmo estando no meio do furacão, tem pautas que nos deixam perplexos e fazem a gente se perguntar: “Como eu não sabia disso até agora?”

Este é o caso de Emilie Flöge. Em meio à nossa ronda diária de notícias, redescobrimos o trabalho desta couturier que, por não ter passado a maior parte da sua carreira em Paris, acabou sendo esquecida dos livros de história da moda. Pelo fato da cidade-luz ter sido extremamente importante para definir os rumos tomados pela moda ocidental, é comum que estilistas fora do eixo Paris-Milão-Londres-Nova York não ganhem tanto destaque. Some isso ao machismo— que insiste em atribuir a “grandes homens” as maiores descobertas do mundo — e entende-se a maneira como Flöge foi apagada.

Por isso, vamos tentar fazer pelo menos um pouco de justiça à sua contribuição por aqui. Para começo de conversa, lojas icônicas como ColetteCorso Como e Dover Street Market possivelmente não existiriam se não fosse pela “flagship” que a designer armou com suas duas irmãs. Em 1904, na agitadíssima rua Mariahilfer de Viena, na Áustria, a Schwestern Flöge recebia a sua clientela em um espaço incrível, 100% decorado com as obras de arte mais inovadoras da época e desenhado pelo mesmo profissional responsável pelo ateliê de pintura de Gustav Klimt: Josef Hoffmann.

O genial simbolista austríaco, por sua vez, viveu um relacionamento totalmente fora das normas do período com a designer. Para eles, o casamento não era uma obrigação — tanto que Flöge nunca pisou num altar — e filhos também estavam fora da lista de desejos do casal. No lugar disso, eles priorizaram a arte de maneira mútua. Não à toa, a estilista ganhou um retrato só seu além de sua aparição histórica num dos quadros mais valiosos e conhecidos do mundo: “O Beijo”, que virou até capa da ELLE Brasil em dezembro do ano passado. Lázaro Ramos faz as vezes de Klimt e Taís Araújo se torna Flöge em seus braços.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s