Por dentro do colorido apartamento da stylist Luciana Novis

O apartamento onde Lulu vive com o marido e as filhas no Leblon é uma incursão por referências divertidas, surreais e tropicais
Texto Rosana Rodini I Fotos Fernando Lombardi

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Luciana Novis brinca com as cores do look e da decoração da casa, com papel de parede Martinique, na Designer Wallcoverings, e escultura A Arte Salva, de Eduardo Srur – ela veste top e calça Marcelo von Trapp, cinto Cris Barros e pulseiras Betina de Luca

Pela janela do quarto do casal, o mar do Leblon define a vista. Na sala, o verde da floresta entra pela varanda e acende o papel de parede de selva, confundindo fantasia com realidade. Já na cozinha, os limões-sicilianos dão o tome menus dos restaurantes preferidos fazem as vezes de quadros. Bichos e listras também contornam os ambientes, dialogando com obras de arte, araras de roupa e memórias encarnadas em objetos.

Há muita vida no apartamento de Luciana Novis. Aqui, nada precisa fazer sentido, embora, quando junto, tudo faça. “Esse caos de coisas que se harmonizam conta nossa história”, explica a stylist carioca, que vive como marido e as filhas Antonia, 8 anos, e Felipa, 6 meses, e faz da sua morada a extensão de seu mundo surreal e tropical. “O lar tem de ter a alma do dono. Gosto de casa vivida, com energia de gente.”

Ela me recebe na varanda, seu lugar preferido, rodeada por azulejos pintados que guarnecem a horta, sob um lustre de Ingo Maurer, feito a partir de garrafinhas de Campari. “Quando eu olho pra você, já construo uma imagem em minha cabeça”, começa ela, fascinada por moda desde pequena. “Me lembro de quando criança passar horas no ateliê da minha avó, que fazia alta-costura sob medida.”

Ainda assim, esse metiê não foi a primeira opção. “Cedi a uma outra paixão, a anatomia humana, e fui cursar medicina. Quando entendi que me interessava mais pela roupa que usaria no plantão do que pelo resto, troquei de curso – apesar de amar a estética do corpo. Imagine que linda seria uma saia com estampa de rim?”, brinca, mas nem tanto. Formada em jornalismo com especialização em moda, Luciana se lançou cedo no mercado e já trabalhou com figurino, assessoria, branding e estratégia, entendendo todos os setores do mundo fashion.

Em 2014, decidiu investir no voo solo. “E meu hobby virou oficialmente minha profissão. Sei que meu propósito é deixar tudo mais leve e alegre.” Hoje, é na sala de estar que funciona o Lobster&Lobster, seu estúdio. “Grande parte do meu processo de criação acontece aqui, entre trajes e referências”, diz. “Mais do que produzir looks, gosto da direção e acredito que para conseguir imagens de impacto, o styling deve ser pensado para além da peça, provocando sinergia entre luz, cenário, acting e vestimenta”, complementa. A tal lagosta que dá nome ao estúdio aparece como decoração em vários lugares do imóvel. “Amo a sua forma e também a simbologia da troca da casca: é sobre se reinventar.” Colaboradora assídua de Vogue, Lu assina ainda campanhas publicitárias e editoriais.

Em seu Instagram (@lulunovis), divide com mais de 15 mil seguidores seu estilo de vida, projetos e, não raro, seus looks e o da filha Antonia. “Ela ama o mundo lúdico que fizemos aqui.” “Montamos esta casa sem ajuda de arquitetos, de forma orgânica. Tudo tem relação com a minha história”, diz.

Objetos garimpados em viagens, cores, formas e texturas ligam o universo dela à sua profissão. Entretanto, com a chegada da segunda filha, a moradora convidou a amiga Patrícia Landau, arquiteta titular do escritório Escala Arquitetura, para ajudar na transformação dos quartos das crianças. No de Antonia, paredes listradas e teto de alvenaria dividem a atenção com os caixotes de feira para guardar os brinquedos, um balanço e um mapa-múndi gigante.

No quarto do bebê, a parede pintada à mão exibe uma infinidade de animais e, na porta, uma obra da artista Maria Helena Pessoa de Queiroz. “Não gosto de nada que já venha pronto.” Não à toa, uma mesa da sala é feita de resto de madeira de navio e a outra de peneira de azeitona. Ela me oferece um drinque. “Hoje é sexta-feira e aqui é a casa da boemia, das noites sem fim, de não se levar a sério. Adoro receber amigos e quero que se sintam abraçados.

Sou feliz quando eles desistem de ir embora pela vontade de ficar”, encerra, sob uma réplica da placa do carioquíssimo Jobi, o boteco mais famoso do Leblon e onde ela conheceu o marido, que faz valer a saideira.

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