ASAP (As Sustainable As Possible): Osklen desfila coleção no SPFW

Seguindo em sua trilha da moda consciente, a Osklen desfila este mês no São Paulo Fashion Week a coleção ASAP (As Sustainable As Possible), a mais sustentável que a marca criou até hoje
Por Marcia Disitzer

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A partir da esquerda, vestido (R$ 3.997), tênis (R$ 697), vestido (R$ 1.597), mules (R$ 1.297) e vestido (R$ 4.597) (Foto: Thomas Tebet)

Há 20 anos, Oskar Metsavaht, fundador da Osklen, tem feito jus ao seu sobrenome de origem estoniana. “O significado é guardião das florestas”, conta ele, com orgulho. No fim deste mês, quando a Osklen desfilar seu inverno 2018 no São Paulo Fashion Week, o gaúcho vai colher o que vem plantando e pesquisando há duas décadas: cerca de 98% das peças que cruzarão a passarela são eco-friendly, consagrando a bandeira e a filosofia de vida de Oskar. “A Osklen tem que ser reconhecida como um dos grandes laboratórios do mundo em desenvolvimento sustentável para a moda”, diz ele, que batizou a coleção de ASAP (As Sustainable As Possible), uma brincadeira com o termo as soon as possible e uma referência à urgência em adotar medidas nesse sentido.

A iniciativa não fica restrita ao SPFW: enquanto as peças desfiladas desembarcam nas lojas em edição limitada e formato “see now, buy now”, a coleção comercial também será a mais eco-friendly da história da Osklen – 40% de toda a produção foi desenvolvida em e-fabrics, os tecidos feitos com matérias-primas e mão de obra sustentáveis. Este inverno marca também o lançamento da e-basics, uma linha permanente com peças básicas e a temporais produzidas exclusivamente com esses materiais.

A sustentabilidade é hoje uma das discussões mais importantes da moda, mas a grife carioca fundada em 1989 vem defendendo essa bandeira desde muito antes de o assunto entrar na pauta do dia: em 1998, Oskar lançou as primeiras t-shirts de algodão orgânico, em um projeto que envolveu toda a cadeia produtiva. “Estávamos no fim do milênio, e as referências eram a rebeldia dos anos 60 e 70. Mas me dei conta de que era necessário incluir também a questão ambiental. Foi nesse período que percebi que a sustentabilidade poderia ser viável economicamente. E qual era a minha plataforma? A moda”, explica.

Quatro anos depois, em 2002, Oskar deu um passo à frente e criou, ao lado de biólogos e ambientalistas, o movimento de conscientização E-brigade – uma ferramenta para sensibilizar a população ainda mais sobre o assunto. Uma das primeiras iniciativas sob o guarda-chuva do novo projeto foi o lançamento de uma linha de camisetas estampadas com referências à Convenção da Biodiversidade, a Agenda 21 e o Protocolo de Kyoto. “Dessa maneira, passei a disseminar informação. As minhas t-shirts são os meus panfletos”, diz ele. A sede por pesquisa e o mergulho profundo no tema continuaram a mover o estilista, que fundou em 2007 o Instituto-E. Em parceria com centros de pesquisa, empresas e fundações, o E se dedica a programas socioambientais que não ficam restritos à Osklen.

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Em clique no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), que preparou duas exposições com temática sustentável para 2018, casaco usado sobre vestido e mules (R$ 1.297), tudo da coleção ASAP da Osklen, que será desfilada este mês (Foto: Thomas Tebet)

Entre os projetos permanentes da organização está o desenvolvimento dos e-fabrics. O mais famoso deles é o couro de pirarucu, peixe de água doce destinado basicamente à alimentação, cuja pele é reaproveitada em sapatos, bolsas e até roupas pela marca. Outro case de sucesso é a malha feita a partir da fibra de garrafas PET recicladas. Segundo estudo do COPPEAD (Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro), a Osklen reutilizou, apenas no ano passado, 272 mil garrafas plásticas que seriam descartadas no meio ambiente. Cada t-shirt produzida em malha PET representa ainda economia de 70% de energia e 38% de água em relação a uma peça de malha tradicional.

Voal e tricô de seda orgânica, sarja de algodão reciclado, pirarucu e solados de borracha reciclada estão entre os principais e-fabrics utilizados na coleção ASAP. As formas simples, desconstruídas e descoladas do corpo servem de base para estampas de impacto, como a camuflada, que faz referência ao ativismo, e a de onça colorida em tons militares. “A sustentabilidade impõe um processo de criação invertido, no qual são os materiais que desencadeiam a inspiração”, explica Juliana Suassuna, diretora de design de moda da Osklen.

Tamanho envolvimento e paixão foram reconhecidos internacionalmente. Oskar já deu palestras nas Nações Unidas, na New York University (NYU), na Universidade de Harvard e em conferências como o Ethical Fashion Paris. Pelos quatro cantos do mundo, costuma compartilhar o conceito do novo luxo proposto por sua grife: “Tem que ser cool e inovador pelo design de moda, sofisticado pelos materiais e pelo cuidado com o acabamento e sustentável o máximo que puder”.

Styling: Alexandra Benenti
Beleza: André Mattos e Rafael Valentini
Assistente de fotografia: Murilo Salazar
Agradecimentos: Mube

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