As lingeries da Victoria’s Secret já não fazem tanto sucesso quanto antes

Os quatro primeiros meses do ano mostraram que a label não está conseguindo vender seus produtos.

2869973-romee-strijd-stella-maxwell-josephine-opengraph_1200-2.jpgA L Brands Inc., que comanda tanto a Victoria’s Secret quanto a Bath and Body Works, está em queda financeira há sete anos. E o primeiro quarto de 2018 também não foi positivo, fazendo a empresa chegar ao seu ponto mais baixo pela segunda vez consecutiva. A novidade fez os investimentos despencarem 10%.

O analista Randal Konik, da Jefferies, afirmou que as vendas da marca de lingerie “estão realmente ruins”, e que “é claro que marcas como a Aerie estão pegando a parcela de mercado da Pink.”. A Aerie, por exemplo, passou a parar de retocar estrias de suas modelos nas fotos. Se a label continuar a declinar e as vendas da Bath and Body Works desacelerarem, o flow financeiro da companhia pode colocar os dividendos em questão. Os analistas afirmaram que até mesmo que as promoções feitas pela empresa não funcionaram para vender seus produtos.

Para quem está fora do mercado analista financeiro, a Victoria’s Secret e sua Pink têm um problema claro: não se renovaram para atender as demandas sociais e até mesmo de estilística das consumidoras. Não é coincidência que a label de Rihanna, que está traçando o caminho oposto da Pink, com diversidade corporal e étnica em seus anúncios e produtos para todas, seja um sucesso e tenha peças esgotadas no mesmo dia de lançamento.

Superintendência do Cade sugere arquivamento de dois processos contra o Google

Processos seguem agora para o tribunal do Cade, que dará palavra final sobre o caso; não há prazo para decisão

animacion_nuevo_logo_google
Os processos seguem agora para o tribunal do Cade, que é quem dará a palavra final sobre o caso. 

A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou nesta sexta-feira, 11, o arquivamento de dois processos administrativos que investigam o Google por suspeitas de infração à ordem econômica. Os processos seguem agora para o tribunal do Cade, que é quem dará a palavra final sobre o caso. Não há prazo para o julgamento.

Em um dos processos, a Microsoft, dona do site de buscas Bing, denunciou que o Google estaria utilizando-se de seu poder de mercado para reduzir as receitas de publicidade do Bing. A empresa estaria incluindo em seus contratos cláusulas que reduziriam vantagens de quem anunciasse ao mesmo tempo nas páginas do Google e do Bing.

A superintendência, no entanto, entendeu que tais cláusulas não surtiram efeito negativo. “Após contato com diversos clientes do Bing Ads e do AdWords [do Google], além de agências de publicidade, foi verificado que o anúncio em mais de um site é possível e não sofre limitações por conta de exigências do Google”, afirmou o órgão.

No outro processo, a E-Commerce Media Group, dona dos sites Buscapé e Bondfaro, acusou o Google de copiar avaliações de produtos que clientes teriam deixado nessas páginas e utilizar no Google Shopping. A superintendência entendeu que não há provas de que a conduta tenha prejudicado consumidores brasileiros. Lorenna Rodrigues, de Brasília – O Estado de S. Paulo

Arquitetos combinam bambu e vidro em hotel do Himalaia

Localizado em Uttarakhand, na Índia, o hotel fica a 1600 metros acima do nível do mar

kumaon-hotel-zowa-architecture-hotels-india-mountains_dezeen_2364_col_0-1704x959Arquitetos indianos decidiram dar um toque moderno em um dos pontos mais bonitos do mundo. Um hotel boutique em Uttarakhand, na Índia, chama atenção pelo design – tudo proporcionado por bambus e vidros.

Com vista das montanhas do Himalaia, o hotel Kumoan fica 1600 metros acimad o nível do mar e só é acessado por um caminho íngreme. A propriedade ocupa um terreno com terraço, que ganhou paredes envidraçadas destacando o cenário. O nível superior abriga uma sala de jantar, também com vidros em três dos quatro lados.

O empreendimento ainda conta com um lounge, uma biblioteca e outras instalações administrativas. “Nossa tentativa foi destacar a deslumbrante paisagem natural e focar nas vistas da montanha, ao mesmo tempo em que prestamos homenagem aos materiais, tradição e cultura locais”, afirmou a Zowa Architects em comunicado.

Ao todo, são dez suítes, organizadas em pares. A base da estrutura é construída a partir de pedra extraída do local, além de tijolos cinzasa, que foram revestidos com o bambu, para dar uma simplicidade rústica.

O hotel usa água da chuva, recolhida por um sistema de drenagem que leva para um enorme tanque de armazenamento.

Arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels tem um novo emprego, na WeWork

O prodígio dinamarquês foi nomeado arquiteto-chefe da rede de coworking
Por Hadley Keller I Foto Divulgação

BIG-Bjarke-Ingels-Group-18-Bjarke-Ingels-p-630x362Como se não bastasse conceber edifícios espetaculares mundo afora, Bjarke Ingels agora assumiu um novo emprego. O dinamarquês, chefe do BIG, foi anunciado recentemente como arquiteto-chefe da WeWork, rede global de espaços de trabalho. A nomeação funciona como um manifesto de uma empresa que tem se demonstrado ávida por investir em um bom design: projetos recentes incluem reformas em um prédio de 1920 em Paris e em uma singular fábrica de ópio em Xangai. Quem melhor para ajudar a passar esta mensagem adiante do que este prodígio da arquitetura contemporânea, cujas ideias inovadoras incluem uma estação de tratamento de resíduos coroada por uma pista de esqui e um museu da Lego que possui a forma dos populares tijolos de brinquedo?

“Bjarke chamou minha atenção porque ele está mudando a maneira como pensamos sobre arquitetura”, disse o co-fundador e CEO da WeWork, Adam Neumann. “Seus projetos são tão inspiradores quanto surpreendentes.” Isso, de acordo com Neumann, se alinha com o ethos da WeWork. “Quando começamos, há oito anos, sabíamos que o mundo não precisava de outro prédio de escritórios; ele precisava de espaços onde as pessoas pudessem colaborar em projetos, se conectar e criar juntos – e potencialmente mudar o mundo ”, continua ele. Segundo Ingels, a empresa já havia feito um bom progresso em direção a essa meta. “A WeWork foi fundada exatamente na mesma época em que cheguei a Nova York”, disse o arquiteto no mesmo comunicado. “Nesse curto espaço de tempo – um piscar de olhos na escala de tempo da arquitetura –, eles realizaram coisas incríveis e estão comprometidos em continuar sua trajetória para lugares que só podemos imaginar.”

Ingels também enfatiza como sua crença no poder do design para efetuar mudanças na comunidade se reflete nos valores da empresa. “À medida que o WeWork assume desafios urbanos e arquitetônicos maiores e mais holísticos, fico muito entusiasmado em contribuir com meus insights e minhas ideias para ampliar essa visão de comunidade para prédios e bairros urbanos”.

Mas no que o trabalho implicará, afinal? “Como arquiteto-chefe da WeWork, Bjarke Ingels nos ajudará a reimaginar e remodelar o futuro de nossos espaços, de nossa empresa e, em última instância, de nossas cidades”, diz Neumann. Não é tarefa simples, mas se alguém está à sua altura, este alguém é Bjarke Ingels.

Apostando na diversidade, Rihanna lança sua primeira linha de lingerie Savage x Fenty

Savage x Fenty possui 36 tamanhos de lingeries e sete tons de nude

Sem título.jpg“Se eu estou usando uma camiseta, eu não uso sutiã. Se eu uso sutiã, uso só ele”, disse Rihanna em 2014 para a Vogue America. E como ela dita tendências, o mundo ficou aguardando o momento que ela criaria sutiãs bonitos o suficiente para as mulheres saírem de casa usando apenas eles. E esse dia chegou.

Sem título.jpg
savagexfenty

Nesta sexta, 11, Rihanna lançou oficialmente a marca Savage x Fenty, mais uma parte de seu império em construção no mundo da moda. E, assim como a Fenty Beauty, a linha aposta na diversidade que não é tão comum em outras lojas do segmento, fazendo lingeries em 36 tamanhos diferentes e com sete tons de nude, que servem desde pessoas albinas até negras retintas.

1526056188781.jpg
savagexfenty

Os produtos custam de 15,95 dólares, cerca de R$57, (uma calcinha de microfibra) até 119,90 dólares, aproximadamente R$430, (macacão de renda preto). Mas quem estiver interessado nos produtos, é melhor se apressar, porque vários itens já estão esgotados.

Sem título.jpg
savagexfenty

Cleo Pires lança clipe de ‘Jungle Kid’, música de seu primeiro EP

Disco com cinco faixas foi lançado em março deste ano

1521488075607.jpg
Cleo Pires na capa de seu EP, ‘Jungle Kid’ Foto: Instagram / @cleooficial

A atriz e agora recém-cantora Cleo Pires lançou nesta quinta-feira, 10, o clipe de Jungle Kidmúsica do seu primeiro EP lançado em março deste ano.

Em inglês, a canção e o cenário no vídeo são um tanto sombrios. A música, assim como todo o trabalho, ganhou forma a partir das experiências de vida dela, desde a infância.

Ela canta, em tradução livre: “Crescer era cruel / Meu modelo de conduta era minha própria verdade / E a verdade seguia alternando entre vermelho e azul”. Na estrofe seguinte, ela diz: “Hoje, é claro para mim / Todo o caos que eu deixava sair, era a dor que existia em mim / Eu era só uma criança selvagem”.

A expressão “criança selvagem” era como Orlando de Morais, padrasto de Cleo, costumava chamar a garota ainda na infância. E é como ela gosta de descrever esse período aos amigos mais próximos. “Ele diz, até hoje: ‘Você era um moleque selvagem'”, disse em entrevista ao Estado. “E é uma exata tradução de quem eu sou.”

Confira o clipe abaixo:

Sarah Jessica Parker diz que “SATC” não faria sentido hoje e critica ausência de minorias na série

SarahJPA Nova York dos dias atuais não tem nada a ver com Carrie Bradshaw, e isso na opinião da própria intérprete da personagem na icônica série “Sex and the City”, Sarah Jessica Parker. A atriz soltou essa durante um painel sobre tendências para o futuro promovido pelo “The Wall Street Journal” do qual participou nesta quinta-feira, em Nova York.

Para ela, Carrie foi uma mulher de seu tempo – precisamente duas décadas atrás, quando a atração da “HBO” estreou na telinha – e viveu os problemas da época. “Acho que ela não se encaixaria no mundo de hoje”, disse. “Carrie foi um produto de sua geração, e aquelas conversas sobre sexo, política e intimidades eram relativas a um momento.”

Outro fato que a estrela-mor e produtora-executiva de SATC constatou durante o evento foi a ausência de certas minorias na trama do programa. “Simplesmente não haviam mulheres negras e não falamos o suficiente sobre questões a respeito da comunidade LGBTQ”, Parker explicou, em tom de ‘mea culpa’. [Anderson Antunes]

Samsung Galaxy S9+ traz boa evolução para fabricante coreana

Aparelho tem funções interessantes, como câmera dupla e vídeo em câmera lenta, mas não é um dispositivo revolucionário

1525996757471
O novo Samsung Galaxy S9+ chegou ao Brasil com preços a partir de R$ 4,9 mil

O Samsung Galaxy S9+ faz parte da mais nova geração de smartphones Android da fabricante coreana. Ele se encaixa mais no conceito de evolução de um aparelho do que é exatamente um produto revolucionário – como é seu concorrente iPhone X. Além (ou apesar) disso, o smartphone traz diversos recursos presentes no seu irmão maior Galaxy Note 8, lançado no ano passado, como a câmera dupla traseira e um reconhecimento de íris mais veloz.

O Galaxy S9+ (e seu irmão menor Galaxy S9, com tela de 5,8 polegadas) são boas evoluções do smartphone topo de linha da Samsung do ano passado. Para quem tem um Galaxy S7 ou um aparelho premium de dois anos atrás, o S9 é uma ótima indicação de compra. Se você já está no S8 ou tem algum aparelho topo de linha lançado no ano passado, como o iPhone 8, Moto Z2 ou Sony XZ Premium, a escolha do S9 serve se você precisa da câmera dupla ou dos vídeos em câmera lenta – se não, dá para continuar com seu aparelho por mais um tempo.  Aqui no Brasil, o Galaxy S9 é vendido pelo preço sugerido de R$ 4,3 mil; já o S9+ tem valor sugerido de R$ 4,9 mil. Confira a seguir os principais destaques da análise.

Design. Se você colocar um Galaxy S8+ ao lado de um Galaxy S9+, a chance de não perceber diferenças é mínima. Mas elas estão lá: na frente, a borda superior da tela é milímetros menor que o modelo do ano passado, e a mudança na ordem dos sensores e câmera frontal também é perceptível (muito de perto).

Atrás, a principal mudança é a câmera dupla e a alteração na posição do leitor de impressões digitais, agora localizado abaixo das lentes em um local de mais acesso, não ao lado delas como no Note 8. E o smartphone tem som estéreo agora.

De qualquer modo, o design do Galaxy S9+, apesar de similar ao S8+, ainda é um dos desenhos industriais mais bonitos do mercado, com a curvatura nas bordas da tela e suas bordas em alumínio. Nas cores oferecidas pela Samsung, a grande novidade é a opção em violeta (chamada de Ultravioleta pela fabricante) para complementar as versões em preto ou cinza-titânio.

Desempenho e bateria. O Galaxy S9+ vendido no Brasil vem com processador Qualcomm Snapdragon 845 (substituindo pela primeira vez o Samsung Exynos 9810, que ficou restrito aos mercados da Europa, Ásia e Oriente Médio), 6 GB de RAM e 128 GB de armazenamento interno (expansível com cartões microSD). Sua tela com tecnologia Super AMOLED de 6,2 polegadas é bastante nítida. Em testes de desempenho (como o GeekBench 4) o Galaxy S9+ bateu 8.701 pontos, ultrapassando o iPhone X (8.607 pontos) e o Galaxy Note 8 (6.778 pontos).

A capacidade e o desempenho da bateria são os mesmos do Galaxy S8+ (3.500 mAH), durando em média de 10 a 12 horas longe da tomada. De qualquer modo, tem o recurso de recarga rápida da bateria e vem com uma tomada compatível – diferente do iPhone X, que requer um carregador adicional para permitir o uso da recarga rápida.

Câmeras. As câmeras do Galaxy S9+ têm resolução de 12 megapixels com estabilização óptica de imagens. Seu recurso principal é a abertura de lente variável, trazendo aos smartphones (ainda que na categoria premium) um recurso comum às câmeras profissionais. Não é a primeira vez que a Samsung experimenta com essa tecnologia – um modelo exclusivo para o mercado chinês, o W2018 Flip, já fazia experimentos com abertura variável.

Na prática, isso significa que a lente da câmera consegue alternar de forma automática entre uma abertura f/1.5 (muito luminosa, ótima para cenas com pouca luz e cenas noturnas) e F/2.4 (mais fechada, para cenas com boa iluminação do ambiente). Ao usar o modo profissional da câmera, é possível alternar de forma manual entre as duas aberturas, mas vale ressaltar que a câmera de abertura variável é mais um feito de engenharia (notável) que algo realmente útil – já que a própria câmera compensa a exposição da imagem de forma automática usando outros recursos, como ISO e velocidade de disparo. De qualquer modo, a câmera do S9+ é excelente, tão boa quanto a do Galaxy Note 8 e um passo à frente do Galaxy S8+.

Agora a câmera também permite tirar fotos no “Modo Retrato”, com a pessoa em foco e o fundo desfocado – é algo que o iPhone X faz um pouco melhor.  A filmadora do Galaxy S9+ merece menção também: essa linha de smartphones consegue fazer filmes em câmera lenta, a 960 quadros por segundo. Não é simples produzir esses filmes, que dependem de boa iluminação do ambiente e um pouco de treino por parte do consumidor.

Software. O Samsung Galaxy S9+ roda Android 8.0 “Oreo” com a interface “Samsung Experience”, um pouco mais refinada que as versões anteriores. Uma das grandes críticas ao S9+ é a existência do botão exclusivo para acionar a Bixby, assistente virtual da Samsung, porém suas funcionalidades evoluíram um pouco. O mais interessante é o recurso Bixby Vision, integrado à câmera, que permite mostrar pontos de interesse ao seu redor, traduz idiomas em tempo real (basta apontar a câmera para o texto e ver a tradução acontecer, se os idiomas estiverem disponíveis) e até consegue contar calorias em um prato à sua frente (mas nem sempre acerta).

1525996757472

Já o Emoji AR é outro item escondido na câmera que permite usar um avatar virtual para mensagens e vídeos – outra coisa que a Apple fez melhor no iPhone X. Os Emojis personalizados baseados no usuário são todos muito parecidos, mas o aparelho da Samsung tem a vantagem (no mínimo curiosa) de trazer personagens Disney como Mickey e Minnie. [Henrique Martin]

E o Google sacudiu o mundo digital

Muito raramente há algo realmente novo na temporada de conferências para desenvolvedores. Foi o caso do Google, este ano. Deu um salto – e, nesta, deixou todo mundo para trás. A sério.

1525802464015
O presidente executivo do Google, Sundar Pichai, fala na abertura do evento Google I/O, em Mountain View: foco em inteligência artificial

Entre maio e início de junho ocorre a temporada das conferências para desenvolvedores no Vale do Silício. Abre com a F8, do Facebook, passa pela Build, da Microsoft, daí Google I/O, e se encerra com a WWDC, da Apple. É uma oportunidade para as grandes empresas apresentarem a quem escreve programas os caminhos de suas plataformas. Em geral, com muita fanfarra, o que mostram mesmo são pequenos incrementos do que já existia. Muito raramente há algo realmente novo. Foi o caso do Google, este ano. Deu um salto – e, nesta, deixou todo mundo para trás. A sério.

O anúncio mais espetacular foi Duplex, um adicional à Assistente digital da plataforma. Quem tem celular Android conhece. O Assistant é aquela moça para quem damos comandos de voz. A Apple tem a Siri, a Amazon, a Alexa, Samsung programa a Bixby e, a Microsoft, a Cortana. Todo mundo tem a sua. Mas, com o Duplex, a assistente do Google liga para o salão de cabeleireiro, conversa com a atendente, marca um corte para segunda às 10h porque meio-dia já estava ocupado. E a moça do salão sequer desconfia que está conversando com um computador.

Muitas décadas atrás, o pai do computador, Alan Turing, propôs um teste para uma inteligência artificial. Ela passa o teste quando um ser humano travar uma conversa sem desconfiar que o papo se deu com uma máquina. O Google passou no Teste de Turing. E, por si, este é um feito extraordinário.

Deixou também muita gente tensa. Será ético? Não custa deixar claro o que a tecnologia faz. Não dá para sacar o telefone e conversar com o Google Duplex no bar sobre a vida, o universo e tudo mais. O sistema cumpre missões bem delimitadas: marca hora num salão, explica o serviço e põe na agenda. Pode fazê-lo também num restaurante. Possivelmente será capaz de resolver problemas no banco ou cancelar serviços daqueles que nos penduram três horas e meia ao telefone.

E daí o dilema ético: no primeiro momento, acentua um apartheid social. Enquanto pessoas mal pagas estão penduradas no telemarketing, quem tem acesso à tecnologia não precisa mais se dar ao trabalho de conversar com essa turma. Dificilmente dura muito tempo – na hora que robôs assumirem a burocracia, o processo todo vai se digitalizar e aqueles empregos acabam. De qualquer forma, Siri e Alexa sequer viram o caminhão passar. Terão dificuldades de se recuperar desta. O Duplex, porém, não está pronto e vai demorar.

O que está pronto e chega em breve é o novo Android, versão P. E ele faz algo também radical: incentiva o usuário a não consultar seu telefone. Até agora, smartphones haviam sido criados para viciar. Uma engenharia cuidadosamente influenciada pela antropologia e psicologia para nos fazer consultar o aparelho de cinco em cinco minutos.

Com o novo Android, o usuário pela primeira vez terá ferramentas que lhe informam quanto tempo gastou no Twitter, no Facebook ou no e-mail. Quem achar que uma hora por dia nas redes já é demais pode colocar um timer: bateu naquele limite, o ícone do app fica cinza e não liga ou abre de jeito nenhum. Só se dando ao trabalho de voltar e reconfigurar.

Há macetes mais simples. Vire a tela de cabeça para baixo e luzes, bipes e tremores se calam. O aparelho para de ficar chamando sua atenção toda hora. Sim: é possível escolher um grupo de pessoas cujas ligações passam. Mas só aquelas. Desta forma, o jantar com os filhos ou o chope com os amigos é poupado das tentações.

O vício em tecnologia é, cada vez mais, reconhecido como um problema. Ao invés de conectar, nos desconecta de quem está em volta. Pela primeira vez, um sistema de celular encara este monstro de frente. É só o início. Mas é uma baita transformação cultural no Vale. [Pedro Doria – O Estado de S. Paulo]