França quer proibir que marcas queimem ou descartem roupas não vendidas

Os projetos querem que as marcas tenham incentivos para doar ou reciclar suas roupas.
Por Julia Mello

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Em 2017, sempre preocupada com a sustentabilidade, Stella McCartney clicou as fotos de sua campanha em um aterro sanitário. A marca é conhecida por criar métodos inovadores para reduzir o desperdício fashion (Harley Weir/Divulgação)

Dois anos atrás a França tornou-se o primeiro país do mundo a proibir que supermercados joguem fora ou destruam alimentos que não foram vendidos. Seguindo esses passos, alguns promotores querem desenvolver o mesmo tipo de projeto para o mundo da moda.

A iniciativa é parte da proposta “Circular Economy Roadmap”, que definiu 50 medidas para que a França se torne uma economia sustentável. Encabeçadas pelo ministro Édouard Philippe, as regulações poderiam, a partir de 2019, proibir que as marcas descartem as roupas que não foram vendidas em aterros sanitários ou que elas sejam queimadas. O projeto também prevê destinos mais sustentáveis para as roupas, como a reciclagem ou a doação para casas de caridade.

De acordo com o European Clothing Action Plan, os europeus consumiram 6.4 milhões de toneladas de roupas em 2017. Só a França descarta aproximadamente 600.000 toneladas de roupas e acessórios por ano, conta um estudo de caso da Ellen MacArthur Foundation. Desse número, apenas um quarto é coletado para reciclagem ou doação.

“Agora é a hora para indústria da moda se certificar que seus produtos serão mais usados”, conta Francois Souchet, que lidera a iniciativa de fibras circulares na fundação Ellen MacArthur, ao WWD. “Mesmo que isso aconteça por pressão dos legisladores ou dos consumidores, muitos sinais dizem que é a hora certa para a indústria repensar seu modelo de negócios.”

Ainda não existem mais detalhes sobre a proposta, mas de acordo com os legisladores, ela provavelmente oferecerá desconto nos impostos das marcas que reciclarem ou usarem novamente uma peça que iria para o aterro. Assim, talvez ela não seja um lei propriamente dita, mas uma incentivo.

Algumas marcas, como a Chanel, já se posicionaram sobre o assunto em statements oficiais. “Nós evitamos [o descarte de roupas não vendidas] e fazemos tudo o que podemos para acabar com isso. A estratégia de produção das coleções da Chanel, que acontecem somente quando recebemos pedidos de nossos clientes, diminui consideravelmente nosso estoque. Estamos também pensando sobre as melhores formas de reciclar nossos itens não vendidos.”

No entanto, outras marcas terão problemas para implementar as novas medidas. Em 2017, por exemplo, a H&M foi acusada pelo programa de televisão Operation X, da Dinamarca, de queimar 12 toneladas de roupas novas e não vendidas anualmente (a marca negou a prática). Mas não são apenas as fast fashions: a Louis Vuitton também é lembrada por queimar bolsas não vendidas para evitar a venda de produtos com desconto.

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