Gigante dos cosméticos Revlon anuncia Debra Perelman, primeira CEO mulher em 86 anos de história

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Debra Perelman || Créditos: Divulgação

Novidade das grandes na Revlon: pela primeira vez em seus 86 anos de história, a gigante americana dos cosméticos acaba de nomear uma CEO mulher. A escolhida foi Debra Perelman, herdeira do maior acionista e presidente do conselho da empresa, Ronald Perelman. Aos 44 anos, ela assume o comando de um negócio com receitas anuais na casa dos US$ 2,7 bilhões (R$ 9,9 bilhões) e quase 6 mil funcionários ao redor do mundo que passa por um de seus piores momentos financeiros.

Em uma entrevista para a revista “Fast Company”, a executiva falou sobre o desafio e minimizou o fato de ser a filha do dono. “Eu tenho um grande conhecimento sobre essa indústria e sobre o nosso modelo de gestão, e sei o que precisa ser feito a partir de agora”, disse. Sem um comandante desde o começo do ano, quando Fabian Garcia deixou o cargo de CEO sem conseguir dobras as receitas como havia prometido dois anos antes, a Revlon teve um prejuízo de US$ 61,7 milhões (R$ 225,6 milhões) no primeiro trimestre.

Pai de outros sete filhos e casado cinco vezes (inclusive com a atriz Ellen Berkin, entre 2000 e 2006), Perelman é conhecido por ser bastante rígido, resultado da infância que teve em salas de reuniões na companhia do pai e também empresário Raymond Perelman, e em 1995 até cogitou deserdar o primogênito, Josh, só porque ele não quis se casar com uma mulher de sua escolha. Ele é dono de uma fortuna estimada em US$ 10,2 bilhões (R$ 37,3 bilhões) e, aos 75 anos, continua mais na ativa do que nunca. [Anderson Antunes]

Bilheteria EUA: Han Solo, Deadpool 2, Vingadores: Guerra Infinita, Do Jeito Que Elas Querem, Alma da Festa

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Solo: A Star Wars Story

Han Solo, o mais recente derivado de Star Wars, estreou no topo Nos Estados Unidos: o longa ficou em primeiro na bilheteria com arrecadação US$83 milhões nos seu primeiro fim de semana. Considerando a previsão de US$170 milhões para o período, e o custo estimado de mais de US$250 milhões, o filme ficou bem abaixo das expectativas em termos de retorno.

Com direção de Ron Howard, o derivado acompanha a juventude de Han Solo (Alden Ehrenreich), originalmente interpretado por Harrison Ford na franquia Star Wars. O elenco ainda conta com Donald Glover (AtlantaCommunity), Woody Harrelson (Zumbilândia), Paul Bettany (Vingadores: Guerra Infinita) e Emilia Clarke (Game of Thrones).

Já Deadpool 2 desceu para o segundo lugar, com queda de 66%. Ainda assim, o filme está rendendo para a Fox, levando US$42 milhões na sua segunda semana em cartaz. Ao total, o filme já conseguiu US$207 milhões.

Segundo a sinopse, quando um supersoldado chega em missão assassina, Deadpool (Ryan Reynolds) é forçado a pensar em amizade, família e o que realmente significa ser um herói – tudo isso enquanto chuta 50 tons de bundas porque, às vezes, para fazer a coisa certa, você precisa lutar sujo. Zazie Beetz interpreta a mutante Dominó, Josh Brolin é o Cable e Morena Baccarin, que esteve no Brasil para divulgar o longa, volta ao papel de Vanessa.

Vingadores: Guerra Infinita se mantém no pódio. O épico da Marvel já está na sua quinta semana de exibição, mas levou US$16 milhões no último fim de semana. A bilheteria total já está em US$621 milhões nos EUA.

Na história, Thanos chega à Terra, disposto a reunir as Joias do Infinito. Para enfrentá-lo, os Vingadores precisam unir forças com os Guardiões da Galáxia. O filme está em cartaz no Brasil e Vingadores 4 está marcado para 2 de maio de 2019.

Em quarto lugar vêm Do Jeito Que Elas Querem (Book Club), comédia com Jane FondaDiane KeatonCandice Bergen e Mary Steenburgen. Na segunda semana de exibição, o filme arrecadou US$9,4 milhões nos EUA, e estreia em 14 de junho no Brasil.

O longa mostra como Cinquenta Tons de Cinza, da autora E. L. James, muda completamente a vida de quatro amigas que, mensalmente, se reúnem para o seu clube do livro. Juntas, elas se ajudam a reaviver antigos romances e a começar novos.

Alma da Festa (Life of The Party), comédia estrelada por Melissa McCarthy desce mais uma posição e vai para o quinto lugar em sua terceira semana em cartaz. O filme arrecadou US$5,1 milhões no fim de semana.

No longa, Deanna (McCarthy) resolve mudar de vida ao ser deixada pelo marido. Ela quer recuperar o tempo perdido e vai para a mesma faculdade de sua filha. Maya Rudolph (Saturday Night Live), Christina Aguilera e Debby Ryan (Insatiable) também estão no elenco. A estreia no Brasil está marcada para agosto.

Estilista mineira Raquel Diniz radicada em Milão faz sucesso na moda

A estilista Raquel Diniz já conquistou mais de cem multimarcas ao redor do globo com seus vestidos – que chegam agora à Zeze Duarte
Por Mari Di Pilla

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Em seu apartamento, em Milão, Raquel Diniz usa vestido Gloria do verão 2018 da grife que leva seu nome (Foto: Eder Turziani)

Em fevereiro passado, durante a última semana de moda de Milão, as criações de uma brasileira invadiram a timeline do Instagram de quem segue fashionistas como Helena Bordon e Marina Larroude, paulista que é diretora de moda da americana Barneys. A estilista em questão era Raquel Diniz, mineira que já havia conquistado 118 multimarcas e e-commerces ao redor do mundo (entre eles endereços poderosíssimos como o Net-A-Porter, o Moda Operandi, a Barneys e o Montaigne Market) – mas que seguia praticamente desconhecida por aqui.

Nascida em Belo Horizonte, Raquel vive em Milão há uma década e cria essencialmente vestidos e macacões (nesta temporada, separates como tops e saias aparecem pela primeira vez) para a grife que leva seu nome, lançada há dois anos. “São itens atemporais e que facilitam a vida da mulher. Um mesmo vestido pode ser usado tanto na praia quanto em um casamento. Minha cliente não é uma fashionista. Ela gosta de moda, mas prefere estar bem consigo mesma e quer usar a minha roupa por mais de uma estação.”

O trunfo da mineira foi resgatar uma estética que andava meio esquecida na moda: peças práticas, glamorosas e que realçam a silhueta sem revelar muita pele. “Os vestidos da Raquel valorizam o corpo da mulher, mas de uma maneira sutil. Quem usa a peça é que fica em destaque, não a roupa”, elogia Marina Larroude, que incluiu a grife no mix da Barneys em dezembro passado. “Raquel vai na contramão do streetwear e da logomania que são tendências nomomento. Ela tem um frescor e um ponto de vista incomum. Além disso, fiquei impressionada com a beleza das estampas e a qualidade do produto”, completa Marina.

Ex-modelo (“a carreira em frente às câmeras foi um teste rápido, logo percebi que não era para mim”), Raquel desembarcou em Milão em 2008, depois de uma temporada de estudos em Londres, para onde se mudou para terminar o ensino médio. Na capital italiana, se formou em moda no Istituto Marangoni. Seus looks começaram a chamar a atenção quando, recém-formada, trabalhou durante seis meses em um escritório de relações-públicas. “Todo mundo me perguntava de onde eram as roupas que eu tinha desenvolvido na época de faculdade.” Foi então que a mineira resolveu transformar a sala de sua casa em ateliê, onde passou a criar peças sob medida, experiência que durou cinco anos. Antes de se aventurar no prêt-à-porter, Raquel chegou a confeccionar 50 vestidos por semana.

Lançada em 2016, a coleção oficial de estreia da marca recebeu de cara dois importantes avais: foi arrematada pelo e-commerce Matches Fashion, que comprou 250 peças, e pela tradicional multimarcas milanesa Antonia, que encomendou cem itens. “Fiquei lisonjeada, claro, mas não fazia ideia de como iria entregar tudo aquilo, foi realmente uma surpresa.” Hoje, o Net-A-Porter é seu maior cliente. “A Raquel é ótima na criação de vestidos luxuosos e fáceis de usar. Eles evocam uma sensação de escapismo, um clima de verão”, diz Lisa Aiken, diretor de moda do varejo do e-commerce.

“Minhas peças são democráticas, com tamanhos que vão do 38 ao 48 [que correspondem ao nosso 34-44]. Elas permitem que a mulher viva a vida. Apesar do decote e das fendas, quem as usa nunca vai correr o risco de mostrar demais.”

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Raquel usa vestido Anna (Foto: Eder Turziani)

O best-seller da estilista é o vestido Valentina, um modelo com manga longa, decote em V e duas fendas que criam movimento conforme se anda. Disponível tanto em versão curta quanto longa, o item ganha novas edições a cada temporada (“se você amou tanto uma certa peça, por que não comprá-la de novo em outra estampa?”), com prints desenhados pela própria Raquel, que brinca com referências à natureza, em combinações de cores originais. São quatro coleções por ano, que totalizam cerca de cem modelos diferentes – todas as criações ganham nome de mulheres, como Giovanna (a Battaglia) e Marina (a Larroude). “Algumas existem, outras eu invento na minha cabeça”, brinca.

Casada com o financista italiano Giovanni Scolamiero, que ela conheceu enquanto morava em Londres e com quem se casou em 2010 em uma cerimônia em Belo Horizonte, Raquel é mãe de Lorenzo, de 6 anos. Giovanni é quem cuida da parte financeira da marca. A família vive hoje em um apartamento no coração de Milão e divide o tempo livre entre outras duas casas, na Praia do Espelho (na Bahia) e em Como (na Itália).

Apaixonada por viagens, Raquel criou um tratamento especial para que a seda usada nas peças de sua grife não amassem na mala. Entre as próximas novidades, está o lançamento do e-commerce, programado para maio. As brasileiras também podem comemorar: este mês, a grife aterrissa na Zeze Duarte, em Belo Horizonte, no dia 30.05. “Nada melhor que chegar no meu País, vendendo na cidade onde nasci. Só de pensar que fui modelo nos eventos da loja da Zeze quando tinha 16, 17 anos…” Welcome back, Raquel!

Styling: Rebecca Baglini
Beleza: Giuseppe Lorusso

Designer Nadine Ghosn renova joalheria com peças bem-humoradas

Designer conquistou ícones da música e da moda, como Beyoncé e Karl Lagerfeld
Por Marcia Disitzer

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Nadine Ghosn veste blusa Eva, saia Mixed e joias de sua marca – Fotos: Renan Oliveira. Edição de moda: Patricia Tremblais. Beleza: Chicão Toscano. Produção de moda: Felipe van der Haagen. Assistente de fotografia: Rag Dutra. Tratamento de imagem: Rodrigo Mothé

“Um belo dia resolvi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer…” A primeira frase da música de Rita Lee “Agora só falta você” poderia ser trilha sonora da vida da designer de joias Nadine Ghosn, 28 anos. Filha do executivo brasileiro Carlos Ghosn, o todo poderoso da indústria automobilística internacional, presidente do conselho administrativo da Nissan e da Mitsubishi e CEO da Renault, há três anos Nadine abandonou um um cargo na maison Hermès para ir atrás do seu sonho: criar uma marca de joias que traduzisse desejos contemporâneos. Hoje, as criações da grife que leva o seu nome, inaugurada em janeiro de 2016, além de terem conquistado personalidades como a cantora Beyoncé e o designer Karl Lagerfeld, injetam frescor no tradicional mercado joalheiro e podem ser em templos de consumo de Paris e Nova York.

Prova da rápida ascensão de Nadine é a recente parceria da designer com o McDonald’s. A rede de fast-food pediu que ela desenvolvesse um anel de ouro, pedras coloridas e diamantes para celebrar o lançamento do Big Mac em três tamanhos diferentes em uma campanha para o Valentine’s Day, o Dia dos Namorados dos Estados Unidos. Para criar o “Bling Mac”, como a joia foi batizada, a designer se inspirou em seu maior hit, de 2016: o anel hambúrguer (na verdade, a combinação de sete anéis de ouro rosé e amarelo, ródio, rubis, tsavoritas, no formato de pão, alface, ketchup, queijo, tomate e carne). Em fevereiro deste ano, o McDonald’s lançou a campanha no Twitter: o autor do melhor tuíte, com votos de amor ao Big Mac, levou para casa a joia avaliada em US$ 12.500.

— Eu adaptei o anel hambúrguer incluindo todos os ingredientes do Big Mac — comemora a joalheira.

Antes de conquistar a rede de fast-food, a pegada pop das peças assinadas por Nadine atraiu a atenção da Colette de Paris (que fechou as portas no fim de 2017), onde a sua primeira coleção estreou em 2016. Ao delicioso anel hambúrguer, somaram-se o colar de earphone de ouro rosé e diamantes (que encantou Karl Lagerfeld) e o de bateria de celular.

— Minhas joias retratam o que é relevante no mundo de hoje — analisa ela.

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Nadine Ghosn e o designer Karl Lagerfeld – Arquivo pessoal

Já os brincos que combinam a palavra shut em uma orelha e uma seta na outra (que pode ficar para cima, shut up, ou para baixo, shut down) mandam um recado para quem achava que a sua carreira não decolaria. E coube à logomarca de sua grife fazer as pazes com o seu passado.

— Relendo meu diário de adolescência, percebi como odiava as minhas sobrancelhas; eu sofri bullying por causa delas no Japão. Hoje, todos elogiam. Quis transformá-las em logo para mostrar como tudo muda na vida.

Outra prova estrondosa do sucesso de Nadine foi a escolha da diva Beyoncé, que adquiriu os brincos shut up em uma tarde de compras na Colette, usando-os em diversos shows.

— Fiquei sabendo ao ser marcada em um post no Instagram. Eu estava entrando no avião e a minha primeira reação foi achar que tinha sido copiada. Depois, pensei ser uma piada. Quando me dei conta de que era verdade, fiquei muito emocionada e comecei a chorar — revela.

Em sua segunda coleção, lançada em 2017, Nadine inspirou-se na cultura japonesa e flertou, mais uma vez, com alimentos ao criar peças como uma choker com pingentes de sushis. Também desenhou um anel de edição limitada em homenagem ao boneco Daruma, considerado amuleto de boa sorte no Japão, e criou os brincos stand up e stand down. Em sua terceira coleção, desenvolveu uma linha de anéis de compromisso com as expressões “I Do” e “I Did”.

 

Para chegar até aqui, Nadine precisou de altas doses de coragem e determinação. De ascendência brasileira e libanesa, a designer nasceu na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Ela é segunda dos quatro filhos de Carlos e Rita, que mora atualmente em Beirute. Ao lado dos irmãos, Caroline, Maya e Anthony, cresceu rodando o mundo.

— Morei na França quando criança e residi dos 10 aos 17 anos no Japão. A diversidade de culturas e a constante troca de escola me influenciaram e abriram a minha cabeça.

Do Brasil, a designer guarda os melhores registros:

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Nadine é filha do brasileiro Carlos Ghosn – Renan Oliveira

— Uma das minhas memórias prediletas são as caminhadas com o meu pai ao longo da Praia de Copacabana. Sempre parávamos para tomar água de coco.

Ela também contabiliza muitos réveillons na cidade ao lado da família e vibrou com a torcida brasileira na Rio 2016.

— Assisti à partida de futebol do Brasil contra a Alemanha no Maracanã. Foi o jogo mais emocionante que acompanhei em toda a minha vida!

Depois de passar a adolescência no Japão, Nadine ingressou na Universidade Stanford, onde se graduou em Economia e Arte. Em seguida, estagiou no Boston Consulting Group e, depois, foi contratada pela Hermès, onde trabalhou por dois anos em Paris.

— Na BCG, aprendi a me relacionar com CEOs. Na Hermès, atuei no departamento de criação de joias.

E foi justamente quando recebeu o convite para ser diretora de compras da Hermès em Londres que resolveu colocar a sua vida em xeque.

— Tinha acabado de completar 25 anos. Decidi que queria dedicar o meu tempo a coisas pelas quais fosse apaixonada. Pensei: ‘Sou livre, não tenho marido nem filhos, esse é o momento de assumir riscos’.

Para encontrar respostas, passou um mês na casa da mãe em Beirute. E foi lá que Nadine encontrou o seu propósito.

— Eu estava comprando joias para a minha irmã e o vendedor me relatou as dificuldades enfrentadas por artesãos locais por conta da instabilidade econômica do Líbano. Aquilo me bateu profundamente. Quis, então, impactar de maneira positiva a sociedade libanesa fortalecendo esse setor de mão de obra artesã.

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Carlos e Nadine Ghosn – Reprodução de Instagram / Reprodução de Instagram

Nadine regressou a Paris, recusou o convite da Hermès e começou a montar a sua marca cujas peças seriam fabricadas no Líbano e e, posteriormente, também na Tailândia. Mas ao assumir que queria fundar uma empresa e ser designer de joias, ela deparou com forte resistência.

— Minha família não entendeu como eu estava optando por esse caminho, com a minha formação. Essa foi a minha primeira decisão Minha família não entendeu como eu estava optando por esse caminho, com a minha formação. Essa foi a minha primeira decisão pessoal que me colocou contra a expectativa deles — admite ela.

Pouco tempo depois, pai e filha chegaram a um consenso.

— Ele falou que me apoiaria por seis meses contanto que eu fizesse uma pós em business.

Antes do início da pós, o sucesso começava a bater à porta de Nadine, que acabou não ingressando no curso. Hoje, diante do triunfo da filha, o pai transborda orgulho.

— Nadine foi múltipla no lançamento de sua empresa. Fiquei impressionado com sua criatividade jovial, seu senso de independência e sua abordagem na construção de sua marca. Ela tem o fogo dos grandes empresários — elogia Carlos Ghosn.

Com os pés fincados no chão e os olhos bem abertos para o futuro, a designer revela que sua quarta coleção, que será lançada no fim deste ano, vai se chamar “Back to Basics” e mede com cautela seus passos futuros.

— Sou a única pessoa trabalhando na minha marca, faço o meu Instagram (@nadineghosnjewelry), nem RP eu tenho. Agora eu quero formar o meu time — avisa.

Ela também planeja ter ponto de venda no Brasil.

— O que eu mais amo na cultura brasileira é o amor à vida e a positividade. É algo que tento levar para o meu dia a dia.

E, pelo visto, para as suas joias.

Retratos impressionantes mapeiam a beleza feminina ao redor do mundo

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Elianis em Havana, Cuba, by Mihaela Noroc

A fotógrafa romena Mihaela Noroc fotografa mulheres ao redor do mundo há quatro anos. Do Afeganistão à Islândia, ela capturou retratos impressionantes de moradoras de 60 países para mostrar como a beleza se parece em localidades tão diferentes. Noroc está chamando o projeto de “O Atlas da Beleza” e planeja publicar um livro de seus cliques em setembro deste ano. O objetivo é passar uma mensagem: que suas fotos sejam um antídoto para os terríveis conflitos sobre beleza que vemos na mídia global. “A beleza não tem limites e não é uma questão de cosméticos, dinheiro, raça ou status social, mas sobre ser você mesmo. Com minha câmera tento mergulhar em seus olhos, pois eles sempre contam uma história interessante”, finaliza.

Veja mais abaixo para se encantar com a beleza em suas mais variadas formas!

Moda brasileira fica ao mesmo tempo mais local e mais universal

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Modelos com looks de estilistas nacionais para o desfile de abertura do Minas Trend, em abril, inspirado no cerrado mineiro

PEDRO DINIZ
DE SÃO PAULO

Para que serve um desfile? A resposta de que ele existe apenas para vender roupas não encontra mais eco no desenho da costura brasileira e nos eventos de moda. O vaivém de tecidos foi substituído nas últimas temporadas por discussões sobre diversidade, tanto de gênero quanto de raça, e diálogos com o teatro, a música e as artes visuais.

Ao mesmo tempo, as imagens de moda criadas para a passarela passaram a contar a história rica em elementos estéticos do Brasil. Em Belo Horizonte, cidade que iniciou a temporada nacional de apresentações no Minas Trend, em abril, um desfile sobre as raízes do cerrado mineiro composto por peças de marcas como Lucas Magalhães, Fatima Scofield e Anne est Folle, fez par com a moda festa produzida no estado.

Termômetro do humor dos compradores de multimarcas do país, a feira de negócios teve um incremento de 13% na quantidade de expositores. Ao que parece, o negócio da moda voltou aos trilhos após um período de baixas consecutivas nas vendas.

Novos nomes da moda
Na São Paulo Fashion Week, maior vitrine daquilo que se entende como tendência da estação no país, grifes como Modem, Handred e Beira mostraram, em abril, desprendimento com o conceito de temporalidade da moda. Em sua estreia, a Modem entregou sua versão do minimalismo nacional, e a Handred, o visual da Bossa Nova misturada à costura marroquina.

Os novos nomes da moda, às vezes autodidatas e sempre distantes da máquina de vendas dos grandes grupos, têm papel fundamental no esforço de aproximar a passarela da vida real, longe do estereótipo de glamour inacessível.

Isto não é (só) roupa
Bom exemplo é o estilista Dinho Batista, um dos designers nacionais que tem ganhado projeção no meio artístico internacional -a cantora Jennifer Lopez, em seu último clipe “El Anillo”, usou uma peça metalizada do designer, abrigado na grife Maison Alexandrine– e cujo mérito foi aprender sozinho a transformar simplicidade em luxo.

Advogada de Angelina Jolie lucra com site de “divórcio online”, apesar de não resolver o da atriz

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Vanity Fair US Magazine September 2017 Actress: Angelina Jolie Photographers: Mert Alas and Marcus Piggott Fashion Editor: Jessica Diehl 

Daqui a pouco vai fazer dois anos que Angelina Jolie e Brad Pitt se separaram e o ex-casal nº 1 de Hollywood ainda não chegou a um acordo no que diz respeito à guarda de seus filhos. Envolvidos em um processo de divórcio que começou em setembro de 2016 e está longe de ser concluído, os dois não estão nem aí para a divisão da fortuna de US$ 400 milhões (R$ 1,46 bilhão) que têm juntos, porém não aceitam negociar a guarda compartilhada dos seis herdeiros.

O problema é que Angie busca a guarda total e, como se divide entre a casa da Califórnia que comprou há cerca de um ano e Londres, onde dá aulas na prestigiada London School of Economics e grava cenas de “Malévola 2” atualmente, ela criaria um impasse para Pitt, já que viaja constantemente e o deixaria praticamente impossibilitado de ver Maddox, Pax Thien, Zahara, Shiloh, Vivienne e Knox Leon.

Nesta semana, aliás, a atriz foi proibida de deixar os Estados Unidos com sua trupe, o que a deixou irritadíssima e inclusive cogitando uma batalha litigiosa nos tribunais. A ironia é que a advogada dela, Laura Wesser, lançou há alguns meses um site batizado “It’s Over Easy”, no qual oferece a casais divorciados uma solução rápida e sem a necessidade de sair de casa para regularizar o estado civil por valores a partir de US$ 750 (R$ 2,7 mil) que já é um sucesso. [Anderson Antunes]

Décor do dia: Sala de estar neutra com tons de azul

As paredes brancas dão destaque para os móveis de cores marcantes
Por Gabrielle Chimello

site_FAXLe32Esta casa, de Alexander White, é datada do século XVIII e tem características muito particulares. As paredes e o teto branco são somente a tela de fundo para os móveis contemporâneos e cheios de cor que a enchem de personalidade. A sala de estar recebe um grande sofá modular em tons de azul. Os tons sóbrios e marcantes do tapete oriental que cobre quase toda a sala complementa os tons do piso de madeira rústica. Já o rodapé mais alto recebe o tom acinzentado para ganhar destaque.

Sheku Kanneh-Mason, violoncelista da realeza, lidera listas de vendas e downloads

Com apenas 19 anos, britânico aproveita o sucesso após tocar no casamento do príncipe Harry com Meghan Markle

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Sheku Kanneh-Mason tem apenas 19 anos Foto: Lars Borges/Pool via Reuters

Na última terça-feira, diversas publicações europeias dedicadas à música clássica correram às redes sociais para comemorar um feito histórico: o compositor russo Dmitri Shostakovich havia se tornado o mais ouvido e baixado nos principais serviços de streaming de música, desbancando artistas como Ed Sheeran e Taylor Swift. Não era exatamente mentira – mas a conquista provavelmente tinha menos a ver com o compositor russo e mais com um intérprete específico: o violoncelista britânico Sheku Kanneh-Mason que, dias antes, foi revelado ao mundo durante a cerimônia de casamento do príncipe Harry e da atriz Meghan Markle.

Não foi, de qualquer forma, um feito pequeno. Nem o único. Ao longo da última semana, além de ser o artista mais vendido pela Amazon nos EUA e na Inglaterra e liderar a parada do iTunes nos dois países, ele bateu recordes de vendas dentro do universo da música clássica, ganhou quase meio milhão de novos seguidores em seus canais em redes sociais – e tornou-se garoto-propaganda da marca das meias coloridas usadas por ele na cerimônia. Isso sem falar nos potenciais contratos para apresentações e gravações – basta lembrar que, após cantar no casamento do príncipe Charles com Lady Diana, em 1981, a soprano Kiri Te Kanawa se tornaria um fenômeno de vendas, com quase 40 discos lançados em menos de dez anos.

Sheku foi de fato a sensação de uma programação musical “clássica” que teve também a soprano Elin Manahan Thomas (e talvez não seja real ou monárquico o suficiente chamar atenção para os problemas de afinação de sua performance). O repertório do violoncelista foi composto por versões da Sicilienne, de Maria Theresia von Paradis; da Ave Maria, de Schubert; e da canção Après Un Rêve, de Fauré.

A escolha de uma compositora não deixa de ser um tipo de afirmação política de Sheku. Mas mais de um crítico chamou atenção para a ironia de uma canção como a de Fauré, que define o amor como algo impossível de se concretizar fora do mundo irreal dos sonhos, ter sido escolhida como trilha sonora para um casamento (se bem que uma das favoritas dos noivos e noivas mundo afora é a ária Nessun Dorma, da Turandot, de Puccini, ópera sobre uma princesa que, para evitar o casamento, manda cortar a cabeça de seus pretendentes, vai entender…).

Sheku tem apenas 19 anos e ainda não completou a sua formação. “Foi uma semana muito louca, com o casamento real e logo em seguida as provas finais na escola”, disse em seu twitter, referindo-se às avaliações da Royal Academy de Londres. Mas não é exatamente um rosto desconhecido no mundo musical britânico. Em 2016, participou junto com os irmãos, todos músicos, do reality show Britain’s Got Talent. Em seguida, foi escolhido pela BBC como jovem músico do ano, além de ser tema de um documentário no qual falava sobre sua atuação no projeto Chineke! Orchestra, grupo composto por músicos de minorias étnicas. “É um projeto muito importante. Se você é um jovem negro indo a um concerto, você não costuma ver pessoas como você no palco”, disse ele na ocasião ao jornal The Guardian.

Seu interesse pela música, alimentado em casa, começou com o piano. Seguiu-se um período com o violino, mas ele logo se apaixonaria pelo violoncelo ao assistir a uma orquestra sinfônica ao vivo e ouvir o som mais grave do instrumento. Quando conheceu, pouco depois, as gravações de Jacqueline du Pré, teve certeza de que havia encontrado seu caminho. “Desde muito pequeno, ela tornou-se um modelo, uma inspiração”, disse em uma das dezenas de entrevistas que concedeu nos últimos dias.

Nelas, falou também de seu futuro (e do desejo de vir ao Brasil). Está muito feliz com a notoriedade de seu primeiro disco. E ter conhecido de perto gente como David Beckham, Elton John e George Clooney foi incrível. “Mas o que tenho pela frente agora é muito estudo e treino”. E uma carreira todinha à sua espera.

Primeiro disco do artista mistura clássico e popular

O disco de estreia do violoncelista Sheku Kanneh-Mason revela um artista de forte personalidade. O nome do álbum, lançado no ano passado pelo selo Decca, é Inspiration, e ele próprio explica o conceito: “Tanto na hora de escolher as peças para o casamento real quanto no momento em que decidi o que gravar no CD, optei por peças que de alguma forma me inspiraram”, disse ele para o site Billboard, contando ainda que o convite para a cerimônia partiu pessoalmente da noiva.

Seu registro do Concerto nº 1 para Violoncelo de Shostakovich impressiona não apenas pelo virtuosismo com que enfrenta passagens realmente difíceis, mas pela delicadeza dos momentos de maior lirismo, pelo controle expressivo que tem do violoncelo e pela musicalidade madura. “A peça é a última batalha de Shostakovich contra o regime de Stalin na Rússia e há muita raiva, desespero, mas também solidão, além de toques refinados de humor”, disse ele ao New Statesman no ano passado, quando o CD foi lançado.

Mas, se um disco conta uma história, ela versa acima de tudo sobre um artista que parece celebrar a diversidade e o diálogo como elementos do fazer musical. É por isso que convivem no álbum uma peça de referência do repertório tradicional como o concerto de Shostakovich; um hino do reggae, No, Woman no Cry, de Bob Marley (em arranjo para violoncelo solo feito pelo próprio Sheku); ou Hallelujah, de Leonard Cohen (em arranjo para grupo de cordas que, em alguns momentos, justiça seja feita, esbarra no convencional e melodramático).

É uma mistura que se justifica na mente e sensibilidade do intérprete – e que, por meio de um modo de tocar envolvente, comvence também o ouvinte. João Luiz Sampaio – O Estado de S. Paulo