Estilista mineira Raquel Diniz radicada em Milão faz sucesso na moda

A estilista Raquel Diniz já conquistou mais de cem multimarcas ao redor do globo com seus vestidos – que chegam agora à Zeze Duarte
Por Mari Di Pilla

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Em seu apartamento, em Milão, Raquel Diniz usa vestido Gloria do verão 2018 da grife que leva seu nome (Foto: Eder Turziani)

Em fevereiro passado, durante a última semana de moda de Milão, as criações de uma brasileira invadiram a timeline do Instagram de quem segue fashionistas como Helena Bordon e Marina Larroude, paulista que é diretora de moda da americana Barneys. A estilista em questão era Raquel Diniz, mineira que já havia conquistado 118 multimarcas e e-commerces ao redor do mundo (entre eles endereços poderosíssimos como o Net-A-Porter, o Moda Operandi, a Barneys e o Montaigne Market) – mas que seguia praticamente desconhecida por aqui.

Nascida em Belo Horizonte, Raquel vive em Milão há uma década e cria essencialmente vestidos e macacões (nesta temporada, separates como tops e saias aparecem pela primeira vez) para a grife que leva seu nome, lançada há dois anos. “São itens atemporais e que facilitam a vida da mulher. Um mesmo vestido pode ser usado tanto na praia quanto em um casamento. Minha cliente não é uma fashionista. Ela gosta de moda, mas prefere estar bem consigo mesma e quer usar a minha roupa por mais de uma estação.”

O trunfo da mineira foi resgatar uma estética que andava meio esquecida na moda: peças práticas, glamorosas e que realçam a silhueta sem revelar muita pele. “Os vestidos da Raquel valorizam o corpo da mulher, mas de uma maneira sutil. Quem usa a peça é que fica em destaque, não a roupa”, elogia Marina Larroude, que incluiu a grife no mix da Barneys em dezembro passado. “Raquel vai na contramão do streetwear e da logomania que são tendências nomomento. Ela tem um frescor e um ponto de vista incomum. Além disso, fiquei impressionada com a beleza das estampas e a qualidade do produto”, completa Marina.

Ex-modelo (“a carreira em frente às câmeras foi um teste rápido, logo percebi que não era para mim”), Raquel desembarcou em Milão em 2008, depois de uma temporada de estudos em Londres, para onde se mudou para terminar o ensino médio. Na capital italiana, se formou em moda no Istituto Marangoni. Seus looks começaram a chamar a atenção quando, recém-formada, trabalhou durante seis meses em um escritório de relações-públicas. “Todo mundo me perguntava de onde eram as roupas que eu tinha desenvolvido na época de faculdade.” Foi então que a mineira resolveu transformar a sala de sua casa em ateliê, onde passou a criar peças sob medida, experiência que durou cinco anos. Antes de se aventurar no prêt-à-porter, Raquel chegou a confeccionar 50 vestidos por semana.

Lançada em 2016, a coleção oficial de estreia da marca recebeu de cara dois importantes avais: foi arrematada pelo e-commerce Matches Fashion, que comprou 250 peças, e pela tradicional multimarcas milanesa Antonia, que encomendou cem itens. “Fiquei lisonjeada, claro, mas não fazia ideia de como iria entregar tudo aquilo, foi realmente uma surpresa.” Hoje, o Net-A-Porter é seu maior cliente. “A Raquel é ótima na criação de vestidos luxuosos e fáceis de usar. Eles evocam uma sensação de escapismo, um clima de verão”, diz Lisa Aiken, diretor de moda do varejo do e-commerce.

“Minhas peças são democráticas, com tamanhos que vão do 38 ao 48 [que correspondem ao nosso 34-44]. Elas permitem que a mulher viva a vida. Apesar do decote e das fendas, quem as usa nunca vai correr o risco de mostrar demais.”

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Raquel usa vestido Anna (Foto: Eder Turziani)

O best-seller da estilista é o vestido Valentina, um modelo com manga longa, decote em V e duas fendas que criam movimento conforme se anda. Disponível tanto em versão curta quanto longa, o item ganha novas edições a cada temporada (“se você amou tanto uma certa peça, por que não comprá-la de novo em outra estampa?”), com prints desenhados pela própria Raquel, que brinca com referências à natureza, em combinações de cores originais. São quatro coleções por ano, que totalizam cerca de cem modelos diferentes – todas as criações ganham nome de mulheres, como Giovanna (a Battaglia) e Marina (a Larroude). “Algumas existem, outras eu invento na minha cabeça”, brinca.

Casada com o financista italiano Giovanni Scolamiero, que ela conheceu enquanto morava em Londres e com quem se casou em 2010 em uma cerimônia em Belo Horizonte, Raquel é mãe de Lorenzo, de 6 anos. Giovanni é quem cuida da parte financeira da marca. A família vive hoje em um apartamento no coração de Milão e divide o tempo livre entre outras duas casas, na Praia do Espelho (na Bahia) e em Como (na Itália).

Apaixonada por viagens, Raquel criou um tratamento especial para que a seda usada nas peças de sua grife não amassem na mala. Entre as próximas novidades, está o lançamento do e-commerce, programado para maio. As brasileiras também podem comemorar: este mês, a grife aterrissa na Zeze Duarte, em Belo Horizonte, no dia 30.05. “Nada melhor que chegar no meu País, vendendo na cidade onde nasci. Só de pensar que fui modelo nos eventos da loja da Zeze quando tinha 16, 17 anos…” Welcome back, Raquel!

Styling: Rebecca Baglini
Beleza: Giuseppe Lorusso

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