Primeira estilista mulher do país, Zuzu Angel faria 95 como ícone da moda

Designer de maior repercussão dos 1970, ela morreu em acidente suspeito durante ditadura

tumblr_o9g644dAsX1qbg1eho9_500Considerada a primeira estilista do Brasil, Zuleika Angel Jones (1921-1976) faria 95 anos nesta terça-feira (5). Ela morreu em um acidente de carro cercado de mistério e fatos desencontrados.

No auge da repressão militar e da censura, Zuzu Angel, como ficou conhecida, denunciou ao mundo o desaparecimento de seu filho Stuart, militante preso em 1971 e cujo corpo nunca foi encontrado pela família.

Conheça cinco fatos sobre a única estilista brasileira –chamada assim numa época em que só homens recebiam o título profissional, porque às mulheres se dava a alcunha de “costureiras”– cujo potencial mercadológico poderia dar ao país um ícone da moda mundial.

Heroína do Brasil

Zuzu foi a primeira mulher incluída no “Livro de Heróis e Heroínas da Pátria”, em 2017, por seu ativismo político e sua luta para provar a morte do filho pelas mãos de torturadores.

Entrou para a história o dia em que ela furou o esquema de segurança americano, em 1976, para entregar uma carta nas mãos do secretário-geral dos EUA, Henry Kissinger, na qual descrevia sua tragédia.

Angel morreria dois meses depois. Em 2014, a Comissão da Verdadeapresentou uma foto que liga um coronel do Exército ao acidente que a matou; no mesmo ano, um ex-soldado disse ter visto Stuart sendo arrastado com a boca presa ao escape de um carro.

Desfile protesto

Um dos maiores feitos da moda brasileira no exterior aconteceu em 1971, poucos meses após o desaparecimento de Stuart. A estilista lotou de convidados a casa do então cônsul do Brasil em Nova York, Lauro Soutello Alves, para apresentar o primeiro desfile protesto de um designer nacional.

As roupas foram bordadas com desenhos pueris de soldados, aviões, anjos e sóis quadrados, numa clara referência ao momento político que o país atravessava.

Marketing internacional
A marca Zuzu Angel foi a primeira do país a ganhar repercussão internacional no prêt-à-porter de luxo. Jornais como The New York Times e The New York Post rasgavam seda para as coleções da brasileira que mantinha loja em Nova York, nos Estados Unidos.

Entre as clientes estreladas estavam as atrizes Joan Crawford (1905-1977) e Kim Novak, que viraram suas amigas. Zuzu também foi uma das primeiras a investir em sacolas e embalagens personalizadas para que seus produtos fossem vistos pelas ruas do Leblon, bairro da zona sul onde ficava sua loja no Rio.

‘Eu sou a moda brasileira’
A frase nada modesta creditada à estilista resumia o que ela representava no cenário nacional das décadas de 1960 e 1970. Enquanto as casas de costura da zona sul carioca reproduziam os modelos das grifes internacionais, Zuzu reverenciava a roupa rendada das baianas e a indumentária do cangaço.

Com ela, nasceu na passarela o sentido de valorização da cultura e da identidade têxtil do país. Em entrevista ao The New York Times, ela disse: “no meu país, eles acham que a moda é frivolidade, futilidade. Eu tento lhes dizer que moda é comunicação, além de garantir emprego para muita gente”.

Cultura pop
Tema de exposições, desfiles e livros, a estilista é a mulher citada na música “Angélica” (1977), de Chico Buarque, no verso “quem é essa mulher, que canta sempre esse estribilho, só queria embalar meu filho, que mora na escuridão do mar”.

Em 2006, o cineasta Sérgio Rezende lançou a cinebiografia “Zuzu Angel”, com Patrícia Pillar no papel principal e Daniel de Oliveira como Stuart Angel Jones. [Pedro Diniz]

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