Móveis vintage de ícones do design são destaques neste apartamento em NY

Em um prédio de 1860, Zesty Meyers vive cercado de peças assinadas por mestres do design que ele mesmo trouxe de volta aos holofotes, em sua pioneira galeria R & Company
Texto Nô Mello* I Fotos Fran Parente

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Vista do living revela como as janelas de 3 m de altura do edifício dos anos 1860 privilegiam a luz natural, que, por sua vez, ressalta as poltronas (1952) de Martin Eisler para a Forma, a mesa de centro (1950) com base elíptica de Charles & Ray Eames, o sofá (1950) com pés de jacarandá de Joaquim Tenreiro, as esculturas de bronze de Rogan Gregory, a estante (1970), também de jacarandá, do designer italiano Osvaldo Borsani para a Tecno Spa, e um pufe de Renate Müller (à dir.)

“O que busco no design é aquilo que eu nunca tenha visto antes. E também algo sensorial: seja a madeira, o tratamento da superfície, ou o contorno, precisa me tocar de um modo especial”, conta Zesty Meyers, enquanto me encaminha ao seu living, onde um sofá dos anos 1950 assinado pelo luso-brasileiro Joaquim Tenreiro e duas poltronas de Martin Eisler cercam uma mesa de centro de Charles e Ray Eames, todos itens que acrescentou recentemente ao décor do lar que divide com a mulher Maureen e os filhos Marlon, de 5 anos, e Max, de 15.

“Não consigo resistir. Comesse meu trabalho, fico trocando os móveis o tempo inteiro.” Zesty se refere à R & Company, galeria que fundou ao lado de Evan Snyderman, e que fez dele, desde o final dos anos 1990, o nome a se procurar em Nova York quando o assunto é design vintage. É dele boa parte da “culpa” por Tenreiro, Sergio Rodrigues e companhia limitada serem tão valorizados no mercado internacional hoje em dia, por exemplo. Comesse olhar apurado, Zesty decorou seu apartamento em Tribeca, a apenas algumas quadras da galeria – que, em maio, abre novo ponto no mesmo bairro –, em um edifício tombado de 1860, cujas janelas ultrapassam os 3 m de altura e as venezianas de ferro permanecem intactas. “Compramos o imóvel há três anos, mas passamos meses comas paredes brancas, sem nada dentro, para entender o espaço e como fazer o melhor uso dessa quantidade fantástica de luz”, relembra.

Outro desafio foi adaptar a residência de 120 m², que antes era um loft para artistas, às necessidades da família. “A gente queria manter a atmosfera do loft, mais aberto, mas também aproveitar cada centímetro”, explica Maureen. “Os sistemas de aquecimento e ar–condicionado eram aparentes; só havia um banheiro; não existia uma cozinha propriamente dita e por aí vai…”, complementa Zesty.

Depois de uma reforma de nove meses, surgiu numa parede lateral uma engenhosa “caixa”. É assim que Zesty batiza o ambiente que comporta os dois quartos dos filhos, além do estúdio para o maior e o quarto de brinquedo para o menor, dispostos em um mezanino, com acesso por escadas internas. “Como não temos uma casa, e espaço em Manhattan é algo precioso, decidimos tirar partido da extensão vertical para que eles pudessem ter privacidade e, ao mesmo tempo, brincar e trazer os amigos.” O universo lúdico dos meninos tem desenhos da Nasa dos anos 1970, brinquedos espalhados por espertas prateleiras embutidas, sistema de luzes de LED cujas cores podem ser alteradas por meio de um aplicativo.

Tudo isso contraposto aos elementos vintage pontuados na decoração, como as luminárias do italiano Joe Colombo e do dinamarquês Verner Panton, outros dois nomes que o galerista representa. “É um projeto que se assemelha a uma escultura, parece um navio ou uma nave espacial, um brinquedo em si”, conceitua.

Outra “caixa” foi criada entre a sala e o quarto do casal, para abrigar lavanderia, despensa e os dois banheiros, onde o mármore trazido de Portugal é o material de base – o mesmo se repete na bancada da cozinha, integrada à sala, complementada por uma mesa de José Zanine Caldas que Zesty encontrou numa viagem ao Brasil 15 anos atrás. “Achei que combinava com essas cadeiras de Afra&Tobia Scarpa. Tenho várias delas, são bastante utilizadas nos jantares que fazemos para os amigos.”

Apesar do constante troca-troca de móveis, algumas peças são permanentes: a luminária escultórica de Jeff Zimmerman que pende sobre a mesa de jantar – presente de casamento do artista para o casal – e a estante da década de 1970 do italiano Osvaldo Borsani para a Tecno Spa. “No mais, a casa éumwork in progress”, relativiza o casal. “Não temos pressa, estamos sempre viajando, trazendo novos itens. A ideia é que o apartamento se torne uma obra de arte, mas à sua própria maneira.”

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