Manolo Blahnik, sapateiro queridinho das celebs, mira moda masculina com abertura de loja dedicada a eles

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Manolo Blahnik e croqui de sapato masculino assinado pelo designer espanhol|| Créditos: Divulgação

Comprar sapatos está prestes a ficar mais fun para os homens. Nesta quinta-feira, Manolo Blahnik, designer de sapatos espanhol que ficou famoso por seus míticos scarpins – como esquecer do modelo usado por Carrie Bradshaw, personagem de Sarah Jessica Parker em “Sex and the City”? – anunciou a abertura da primeira loja da marca que leva seu nome dedicada exclusivamente ao mercado masculino.

Apesar de criar sapatos para eles desde o início de sua carreira, há 45 anos, de dois anos para cá Blahnik notou um aumento considerável nos pedidos feitos pelos homens. “Sempre criei calçados masculinos, mas só tive cerca de cinco ou seis clientes que entravam em minhas lojas, que eram predominantemente femininas”, disse o sapateiro em entrevista ao portal “BoF”. “Mas nos últimos dois anos tive um incrível aumento de homens procurando por minhas criações, então isso teve que ser feito.”

O endereço escolhido para abrigar a primeira unidade Malono Blahnik para eles fica em Londres, no histórico centro comercial Burlington Arcade. A abertura acontece no dia 5 de julho. A coleção de estreia do espaço vai contar com 35 diferentes modelos que vão de mocassins animal print à botas de ráfia do deserto feitas à mão por artesãos do Marrocos. Sua pretensão, é que pares masculinos representem 20% do lucro total de sua empresa. [Glamurama]

Vogue Paris Julho 2018 Edie Campbell by Mikael Jansson

374cad96f518d38368c52e69ee1c8e66.jpgPhotography: Mikael Jansson. Styled by: Emmanuelle Alt. Hair: James Pecis. Makeup: Mark Carrasquillo. Model: Edie Campbell.

‘Hereditário’: Uma hora e meia de puro pavor…

…e, então, uma meia hora final que quase põe a perder o trabalho fabuloso do diretor estreante Ari Aster até ali
Por Isabela Boscov

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Cena de Hereditário

Medo é muito pessoal, e cada um sabe onde exatamente o sapato lhe aperta. Pois Hereditário pisou no meu calo: durante toda a primeira hora e meia de filme, passei aquele tipo de pavor que faz o couro cabeludo pinicar, o sangue fugir do rosto e a boca ficar seca – resultado do trabalho extraordinário do diretor estreante e também roteirista Ari Aster, que trata aqui o terror como uma infecção que se espalha. No caso, essa infecção toma conta da família de Annie (Toni Collette), que acabou de perder a mãe depois de uma longa doença acompanhada de demência. O relacionamento entre as duas foi sempre terrível, e a morte traz consigo uma sensação de alívio. Ela dura pouco, porém. Annie sente que há algo de anormal na sua casa; o marido (Gabriel Byrne), cético, e o filho adolescente (Alex  Wolff), desligadão, acham que é o problema está na verdade em Annie – e, talvez, também em Charlie (Milly Shapiro), a peculiar menina de 13 anos que era unha e carne com a avó. Charlie vê a avó, cercada de fogo, na mata que circunda a casa – e, em vez de se assustar, quer se juntar a ela. Annie acha que viu o espectro da falecida no seu quarto de trabalho – e julga estar alucinando. É sobrenatural, ou é loucura? Caminhando na fronteira entre as duas possibilidades, Ari Aster estica os nervos do espectador até o limite: tudo, aqui, está nos enquadramentos, na luz clara mas leitosa, no ritmo deliberado que nunca permite susto ou resolução, nas atuações magnificamente moduladas de todo o elenco e em especial de Toni Collette, que ora se desintegra, ora reúne todas as forças em explosões operísticas de ressentimento.

Um acidente tenebroso faz o que ia mal piorar drasticamente: a família toda cai sob uma nuvem de chumbo, e a intromissão de uma estranha (a sempre sensacional Ann Dowd) – nos dois sentidos da palavra – faz o mal irromper entre eles. Aí o espetáculo passa a ser de Alex Wolff, cujo personagem vai desmoronando em um estado de fragilidade comovente. E, então, vem a meia hora final, em que Ari Aster quase que desfaz por inteiro a costura meticulosa que ele vinha desenvolvendo até ali em conjunto com o diretor de fotografia Pawel Pogorzelski, a desenhista de produção Grace Yun e o compositor Colin Stetson (a trilha é um primor do mal-estar). Não é que eu tenha parado de sentir medo – não parei. Mas ele começou a se misturar à incredulidade e até a um certo sentimento de ridículo. A pior coisa que um filme de terror pode fazer é se explicar: não só o medo do sobrenatural está justamente no fato de que não há o que o explique, como as explicações de Aster são elaboradas demais e muito inconvincentes. Mas não tenho dúvida de que, no futuro, ele ainda vai me fazer passar muito mal no cinema de novo. Ari Aster nasceu para isso.

HEREDITÁRIO
(Hereditary)
Estados Unidos, 2018
Direção: Ari Aster
Com Toni Collette, Alex Wolff, Milly Shapiro, Gabriel Byrne, Ann Dowd
Distribuição: Diamond

O que muda na moda quando pessoas negras conseguem chegar ao poder?

O número de profissionais negros em cargos executivos na moda ainda é baixo. E isso precisa mudar.
Por Gabriel Monteiro

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 Virgil Abloh com sua coleção para a NikeLab
Virgil Abloh com sua coleção para a NikeLab (NIKELAB/Reprodução)

O estilista norte-americano Virgil Abloh, 38 anos, fundador da marca Off-White, foi anunciado como novo diretor artístico da linha masculina da Louis Vuitton e acaba de desfilar sua primeira coleção para a label. Abloh é o primeiro profissional negro a ocupar esse cargo na marca e um dos dois únicos designers negros numa posição de chefia em uma maison de luxo.

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Olivier Rousteing

O outro nome é do francês Olivier Rousteing, 32, há nove anos na Balmain. Antes deles, na história, apenas o britânico Ozwald Boateng foi um designer negro num cargo executivo de uma marca de luxo tradicional, enquanto trabalhava para o masculino da Givenchy, entre 2003 e 2007.

“Virgil e Olivier passam a representar não apenas, mas também uma parcela de pessoas negras que consome marcas como essas”, comenta o estilista Isaac Silva. “Isso pode se refletir em outras casas, mas nós precisamos entender que existe um longo caminho. Trata-se de um racismo estrutural. A moda, apesar de um mercado de muitos setores, ainda é em sua maioria branca”, continua.

De Chicago e formado em engenharia e arquitetura, Virgil Abloh virou DJ e stylist e se destacou no circuito fashion depois de trabalhar por 14 anos como diretor artístico do rapper Kanye West. Ambos, inclusive, fizeram estágios juntos na Fendi no ano de 2009. E sem receber nada.

Abloh ainda foi recentemente ranqueado pela revista Time como um dos 100 nomes mais influentes do mundo. Não há dúvida de que a sua contratação na Louis Vuitton está diretamente associada à sua expertise como designer e o impacto que ele tem no mundo da moda atualmente, mas a sua presença nesse lugar ganha também outros sentidos.

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Kanye West e suas criações (Retrato: Getty Images / Yeezy/Divulgação)

“Uma das maiores formas de militância é mostrar que você está num cargo como esse por seu conhecimento”, avalia a stylist Suyane Ynaya, que também faz parte do coletivo criativo MOOC. “Existem muitos talentos como Virgil , mas eles, se forem negros, demoram metade de sua vida para serem descobertos. Quando um de nós ocupa um espaço como esse, existe um sentimento de que as coisas podem mudar”, ela analisa.

Rachel Maia, executiva que ao longo de 16 anos trabalhou no mercado de luxo, como CFO da joalheria Tiffany e CEO da joalheria Pandora, enxerga a entrada de profissionais negros no setor mais alto da indústria de forma parecida. “Dentro do mundo corporativo, consigo gerar um engajamento, do tipo ‘se ela chegou lá, eu também posso’. Gosto de estar onde estou e sei que incentivo outros a almejar esse lugar”, comenta a executiva.

“Os números de diversidade que temos hoje são lastimáveis”, salienta Shelby Ivey Christie, mulher negra gerente omnimedia da Lancôme, marca de luxo do grupo L’Oréal. “A contratação no mercado de moda acontece principalmente por indicações. E isso, em geral, implica em indicações de gente que parece com você.”

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O designer e estilista brasileiro Isaac Silva (Thomas Rera/ELLE)

Shelby é formada em jornalismo de moda com especialização em estudos de raça, classe e cultura e já trabalhou para publicações como a InStyle e a W Magazine. Hoje, ela cuida de todos os núcleos midiáticos da empresa, procurando ressaltar a cultura negra. “É necessário interromper esse ciclo de amigos que indicam amigos para colocar no lugar candidatos qualificados e diversos. Algo como um terceiro setor que contrate bons candidatos diferentes entre si. Essa é uma maneira de impulsionar talentos negros.”

E existe outra questão importante, ressalta Shelby, que é a existência de um ambiente confortável de trabalho para esse indivíduo. “Trabalho desde os meus 19 anos na indústria da moda e preciso dizer que esses lugares podem ser traiçoeiros e hostis. A inclusão demanda que a gente faça perguntas complicadas e que entremos em conversas mais desconfortáveis, especialmente quando falamos do mercado de luxo, mercado que foi fundado na exclusividade e na exclusão”, continua.

Para Rachel Maia, também existe outro fator. A mudança não pode ser feita de imediato. “Fazemos parte de uma estrutura falha, medíocre e as coisas podem facilmente se quebrar. Em médio e longo prazo, conseguimos.” De acordo com a executiva, que também é dona do projeto Capacita-me, que procura capacitar mulheres da periferia no mercado varejista, é necessário colocar tudo num contexto maior de mudança.

“Indo para além da questão de raça, existe também a questão de gênero. Somos 16% de mulheres em posições de liderança, mas esses 16% ainda são hegemonicamente brancos.”

Rachel continua: “Diversidade traz para a luz aquilo que incomoda, mas depois vem outra pergunta: se você quiser mais, a empresa vai te dar mais? Não sei. O que ainda precisa ser trabalhado é o quão de fato a sociedade, e falo sobre Estado, privado e o próprio cidadão, estão realmente dispostos a dar mais a esse pedaço do coletivo deixado de lado”.

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 Rihanna em campanha da Fenty Beauty
Rihanna em campanha da Fenty Beauty (Fenty Beauty/Reprodução)

“A entrada de uma pessoa negra em um cargo como esse é mais um passo que a gente dá, mas só ocupar não é uma militância”, completa Fióti, cantor e sócio da marca Lab, ao lado do irmão Emicida. “Além de ocupar, é necessário propor mudanças porque temos muito para resolver. A Louis Vuitton é uma das maiores marcas do mundo e isso se reflete em outras grifes. É um espaço importante para impactarmos a indústria da moda e a sua estrutura”, continua.

“Espero vê-lo se apropriando do peso político que a sua presença causa na indústria e, além disso, envolvendo ainda mais a negritude dentro do seu trabalho”, comentou em seu instagram o designer Kibwe Chase-Marshall, que já trabalhou para marcas como Michael Kors, Oscar de la Renta e Ralph Lauren.

Não necessariamente dentro do mercado de luxo, mas também em grandes marcas, outros profissionais negros estão na linha de frente e ditam o que acontece na indústria hoje. Pense, por exemplo, em Rihanna, cantora que virou diretora criativa da Fenty Puma, comanda a marca de beleza Fenty Beauty e está pronta para lançar uma linha de lingerie. Tracy Reese é um dos nomes mais respeitados da semana de moda nova-iorquina, enquanto Shayne Oliver se transformou em um dos nomes mais badalados do mesmo circuito – assinou, inclusive, uma coleção recente para a histórica Helmut Lang.

“E tem também Kanye West”, ressalta Shelby. “Não concordo com ele em muitos aspectos, mas ele é um ótimo exemplo de quem sempre foi sincero sobre os mecanismos internos da indústria de luxo e foi banido e segregado por ela. Eu penso que portas se fecham quando você não joga o jogo que esperam que você jogue”, ela comenta sobre o dono da marca Yeezy.

Em uma de suas primeiras intervenções já dentro da maison, o estilista decidiu escrever “strap” em cima de uma alça da bolsa Jeff Koons.

Não se trata de um grande statement do designer, mas um gesto que não deixa de ter um significado potente. Em cima dos logos da Vuitton está a assinatura de Abloh. Os mesmos logos que um dia Dapper Dan reproduziu clandestinamente numa jaqueta bufante. No final das contas, Virgil Abloh mostra que está ali.

Rihanna dá sua versão para o look all-white no desfile da Louis Vuitton

Cantora já estreou look de Virgil Abloh para a maison francesa, com direito a bolsa transparente e delineador branco
Por Mariana Inbar

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Rihanna no desfile masculino da Louis Vuitton para o verão 2019 (Foto: Getty Images)

É claro que coube a Rihanna dar sua interpretação ao look branco total e já estrear no street style as (tão desejadas) malas transparentes da primeira coleção masculina de Virgil Abloh para a Louis Vuitton. Prestigiando a estreia do diretor criativo na maison francesa hoje à tarde, 21/06, em Paris, Riri posou para os fotógrafos toda de branco usando um look saído diretamente da primeira coleção de Abloh para a grife.

CINEMA | Estreias da Semana: Jurassic World – Reino Ameaçado, Hereditário, Desobediência, Tungstênio, O Amante Duplo

Confira agora os filmes que chegam às telas em 21 de junho

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Hereditário – (Hereditary

Jurassic World – Reino Ameaçado
Quando um vulcão dormente entra em erupção, Owen e Claire lideram uma campanha para salvar os dinossauros da extinção. Owen está motivado para achar Blue, sua raptor que continua sumida na floresta, e Claire desenvolveu um respeito pelas criaturas e agora fez delas sua missão. Ao chegar na instável ilha quando lava começa a escorrer, a expedição descobre uma conspiração que pode colocar o planeta inteiro em um perigo não visto desde a era pré-histórica.

Ação, Aventura, Ficção Científica – (Jurassic World 2 – Fallen Kingdom) EUA, 2018. Direção: J.A. Bayona. Elenco: Bryce Dallas Howard, Chris Pratt, Jeff Goldblum. Duração: 128 min. Classificação: 12 anos.

Hereditário
Após a morte da reclusa avó, a família Graham começa a desvendar algumas coisas. Mesmo após a partida da matriarca, ela permanece como se fosse um sombra sobre a família, especialmente com a solitária neta adolescente.

Drama, Suspense, Terror – (Hereditary) EUA, 2018. Direção: Ari Aster. Elenco: Alex Wolff, Gabriel Byrne, Toni Collette. Duração: 106 min. Classificação: 16 anos.

Desobediência
Uma mulher retorna para sua cidade natal após a morte de seu pai. Lá, ela recorda uma paixão proibida pela melhor amiga de infância, que atualmente é casada com seu primo.

Drama, Romance – (Disobedience) Reino Unido, Irlanda, EUA, 2017. Direção: Sebastián Lelio. Elenco: Rachel Weisz, Rachel McAdams, Allan Corduner. Duração: 110 min. Classificação: 14 anos.

Tungstênio
Quando pessoas começam a utilizar explosivos para pescar na orla de Salvador, na Bahia, um sargento do exército aposentado, um policial e sua esposa e um traficante vão se unir e farão de tudo para acabar com esse crime ambiental.

Drama – Brasil, 2017. Direção: Heitor Dhalia. Elenco: Fabrício Boliveira, Samira Carvalho, José Dumont. Duração: 90 min. Classificação: 16 anos.

Rei
Em 1860, um aventureiro francês partiu para Araucania, uma região inóspita no sul do Chile, para fundar um reino. Ele partiu com o aval do chefe indígena da região, mas quando chega no local descobre que o homem morreu. Agora, tem que justificar sua viagem ao governo para não ser preso e exilado.

Drama – (Rey) Chile, França, 2017. Direção: Niles Atallah. Elenco: Rodrigo Lisboa, Claudio Riveros. Duração: 91 min. Classificação: a definir.

O Amante Duplo
Chloé busca a ajuda de um psicólogo, Paul, para um problema o qual acredita ser psicológico. Com o andar das sessões, eles acabam se apaixonando. Diante da situação, Paul encerra a terapia e indica uma colega para tratá-la. Entretanto, ela resolve se consultar com outro psicólogo, o irmão gêmeo de Paul, que ela nunca tinha ouvido falar até então.

Drama, Suspense, Romance – (L’amant double) França, Bélgica, 2017. Direção: François Ozon. Elenco: Marine Vacth, Jérémie Renier, Jacqueline Bisset. Duração: 119 min. Classificação: 18 anos.

Canastra Suja
Batista e Maria formam um casal que, aparentemente, é feliz em seu casamento. No entanto, Batista é um alcóolatra e Maria tem um caso com o namorado de sua filha mais velha.

Drama – Brasil, 2018. Direção: Caio Sóh. Elenco: Adriana Esteves, Marco Ricca, Milhem Cortaz. Duração: 120 min. Classificação: 16 anos.

Como uma nova legislação europeia de direitos autorais pode arruinar a internet como a conhecemos

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Imagem do topo: Pixabay

Lamentamos informar que a internet está em alerta vermelho novamente. Nesta quarta-feira (21), o Comitê Legislativo da União Europeia votou para promover medidas que vão afetar a internet da forma como conhecemos. Memes, notícias, Wikipedia, arte, privacidade e o lado criativo de uma legião de fãs dos mais distintos assuntos podem ser destruídos ou penalizados.

O comitê votou uma nova Diretiva de Direitos Autorais da União Europeia — a maior atualização da lei de copyright da região desde 2001. Muito do que está na legislação foi bem recebido, mas os artigos 11 e 13 são considerados desastrosos por diversos especialistas pelo mundo. Eles não passaram a vigorar ainda, pois precisam passar por um novo escrutínio no parlamento europeu. Porém, a discussão preocupa, pois atualmente a União Europeia tem servido de inspiração para vários países quando o assunto é legislação na internet.

Explicar o que há de errado com esses dois artigos da legislação é difícil, pois são vagos. Esse, inclusive, é o primeiro problema visto por críticos. Ambos os artigos pedem demandas sem precedentes, como pedir que um site popular monitore materiais protegidos por direitos autorais e que pague multas para empresas jornalísticas ao linkar artigos deles. Os defensores do planodizem que os críticos exageram por causa das premissas sobre como a legislação será aplicada. Críticos, como um dos “pais da internet”, Vint Cerf, e o inventor da World Wide Web, Tim Berners-Lee, disseram que os riscos são maiores que os benefícios. Em quem você vai acreditar?

Vamos analisar o que está em jogo com essas regulações:

Artigo 13

Nessa seção, a diretiva vai reconfigurar completamente as responsabilidades no que diz respeito a aplicação de direitos autorais. Até agora, a chamada Ecommerce Directive (diretiva de ecommerce) dava ampla proteção às plataformas de estarem sujeitas a penalidades de direitos autorais quando fossem o canal de upload. É muito parecido com as leis dos Estados Unidos que isentam o YouTube de penalidades ao acreditar que a empresa faz o melhor possível para derrubar um material após ser notificada. O YouTube usa um sistema de reconhecimento automatizado de conteúdo, combinado com uma série de funcionários, para revisar conteúdos que os usuários sobem na plataforma. Isso custa milhões de dólares para a companhia. Os críticos do artigo 13 dizem que toda plataforma grande e popular — pelo menos as 20 maiores — que permitem publicar textos, sons, códigos, gif ou imagens precisarão de sistemas como esse.

Na semana passada, 70 das pessoas mais influentes do mundo da tecnologia assinaram uma carta de oposição ao artigo 13. Pioneiros como Cerf e Berners-Lee se juntaram a outros especialistas de quase todas as diferentes nuances do mundo online para dizer que a legislação vai prejudicar a liberdade de expressão, a educação e pequenos negócios, enquanto privilegia plataformas grandes que já têm sistemas de monitoramento avançados.

Cory Doctorow, que é ativista, autor e conselheiro da EFF (Electronic Freedom Foundation), tem escrito bastante sobre as possíveis implicações do artigo 13. Por telefone, ele disse ao Gizmodo que, da forma que está escrita, a legislação vai custar “centenas de milhões de dólares” em penalidades para plataformas que não conseguem lidar com monitoramento, e que ele está confiante de que companhias como Google e Facebook serão as únicas que podem sobreviver sob tal escrutínio.

A grande questão sobre o artigo 13 é que ele tem requerimentos vagos para que websites usem “medidas apropriadas” para prevenir materiais protegidos por direitos autorais apareçam em seus serviços. Isso sugere que “tecnologias efetivas de reconhecimento de conteúdo” devam ser usadas diversas vezes, mas sem explicar o que isso significa, como deveria funcionar, como deveria ser registrado ou qualquer prática relacionada a isso. Para críticos, como Doctorow, a conclusão natural é que grandes plataformas vão usar seus sistemas, e algum tipo de sistema centralizado de monitoramento será necessário para o resto.

Pelo fato de não haver um esboço de como isso funcionaria, não há penalidades para pessoas que alegam falsamente serem donos de um conteúdo. Se alguém disser que detém os direitos sobre as obras completas de Shakespeare — que estão em domínio público — uma plataforma deve decidir individualmente se vale a pena correr o risco e permitir que alguém diga isso. Ou, se a plataforma não quiser correr risco, alguém que esteja lutando contra uma reivindicação de direitos autorais terá que comparecer ao tribunal.

Como já vimos algumas vezes, algoritmos das empresas mais ricas do mundo são terríveis na execução de seus trabalhos. Essa semana, por exemplo, o YouTube bloqueou vídeos educacionais do MIT e da Blender Foundation, pois eles foram erroneamente barrados por filtros de pirataria. No passado, nós já vimos casos de pirataria relacionados à ruído branco e pássaros cantando.

Além disso, um dos principais problemas do artigo 13 é que ele não traz exceções para uso justo (fair use), algo que faz parte da fundação da internet e permite a “recombinação” de obras protegidas por direitos autorais

Artigo 11

O artigo 11 tem sido chamado de taxa de link ou taxa sobre o fragmento. Desenvolvida para reduzir o poder que Google e Facebook têm sobre publicações, ele descreve uma nova lei de direitos autorais para cada um que linkar um site de notícias e usar trechos dessas matérias. As plataformas online terão de pagar por uma licença para linkar empresas jornalísticas, e isso, na teoria, vai ajudar a apoiar organizações que são vitais para o público e levar usuários para a home page desses sites.

Isso tudo parece justo à primeira vista. No entanto, o artigo 11 não se importa nem em definir o que constitui um link. Os detalhes serão definidos pelos 28 países da União Europeia. Isso abre a porta para abuso político e em como as notícias são distribuídas em cada país, e provavelmente vai ter o efeito inverso ao proposto originalmente.

O Google vai poder pagar essa licença, mas não existe garantia se pequenas organizações poderão. Julia Reda, que faz parte do parlamento europeu, se opõe aos artigos 11 e 13. Ela recentemente escreveu em seu website: “Em vez de uma lei ampla da Europa, nós criamos 28 com os comportamentos mais extremos se tornando o padrão: para evitarem ser processadas, as plataformas internacionais seriam motivadas a agirem com a versão mais restrita implementada por um dos estados-membro.”

Em resposta à defesa do eurodeputado Alex Voss ao artigo 11, Reda deu ao The Next Web uma ideia sobre como as diferenças entre os países poderiam funcionar:

A frase “Angela Merkel encontra Theresa May”, que poderia ser a manchete de uma notícia, não pode ser protegida por direitos autorais, pois é uma mera constatação de um fato, e não uma criação original. O senhor Voss diz repetidamente que ele quer que esses trechos meramente factuais sejam cobertos pelo artigo 11, que essas proteções concedidas a empresas jornalísticas serão muito maiores que as que os jornalistas já têm.

Reda também pontua que o roubo de conteúdo é ilegal sob a lei atual de direitos autorais. Então, não há razão para acreditar que o Facebook, por exemplo, poderá sofrer penalidades por causa de usuários que postam trechos inteiros de um artigo no mural deles. Mas quando o Facebook decide que não gosta de sua posição política, será muito mais difícil para o usuário comum começar uma plataforma para se expressar.

As consequências do artigo 11 e do artigo 13 ainda são especulatórias, mas a natureza da legislação — tanto no seu desenvolvimento como falta de definição — torna inevitável o pensamento de que a internet se tornará mais dividida em sua estrutura. Abaixo, listamos algumas possíveis vítimas dessas legislações:

Memes

Ainda que você pense que pessoas que pirateiam música deveriam ser punidas e que todas empresas jornalísticas são do mal, você provavelmente gosta de memes. A pessoa que fotografou aquele cara olhando para outra moça enquanto está com uma mulher poderia passar o dia todo processando pessoas, caso alguma plataforma a utilize sem autorização. É brincadeira, pois o cara vendeu a foto para a iStock, uma subsidiária de licença fotográfica da Getty Images. Sem uso justo (fair use), você teria que tirar sua própria foto para colocar uma legenda engraçadinha e deixar claro que ninguém pode usá-la ou inserir texto nela para criar um meme.

Artistas

Remixes e mashups podem não agradar a todos. Porém, qualquer artista que se baseie no uso justo para fazer obras transformadoras (baseadas em obras já existentes) está ferrado. Os Metallicas do Mundo, que adoram entrar com processo, vão ter o direito de derrubar seu vídeo de aniversário. Você está vestindo uma camiseta com Rick and Morty em sua foto de perfil? Perdão, mas um algoritmo estúpido acabou de sinalizar esse conteúdo, e agora sua foto sumiu.

Política

Além do potencial de cada um dos países decidir o que é e o que não é notícia, as leis de direitos autorais podem suprimir materiais com fins políticos. Doctorow nos deu como exemplo um vídeo sensível disponibilizado em uma plataforma dias antes de uma eleição. Se o alvo desse vídeo souber quando esse vídeo será publicado, ele pode fazer um upload desse conteúdo em uma plataforma de monitoramento alegando que a liberação desse conteúdo fere direitos autorais. O filtro de censura o pegaria antes de ser visto pelo público, e a eleição poderia ocorrer, enquanto há uma batalha judicial nos bastidores.

Tem ainda uma questão relacionada a vigilância. Nós já aceitamos que empresas como o Facebook contratam pessoas para vasculhar conteúdo impróprio e que infringem direitos autorais. A União Europeia está tentando forçar que mais companhias usem algoritmos e pessoas para expandir esse estado de vigilância, que monitora tudo que postamos nas plataformas. Como ressaltou Doctorow, “qualquer tipo de censura na era moderna é vigilância.”

Outras coisas

Há várias outras más implicações notadas por ativistas, acadêmicosgrupos de direitos humanos e empresas. Isso por que nós nem discutimos o artigo 3, que pode complicar a atividade de startups voltadas para inteligência artificial. Eu sugeriria que você contatasse o seu deputado, mas como não estamos na União Europeia, não há muito o que fazer. Por ora, não sabemos se, por exemplo, essa legislação vai ter o mesmo efeito da GDPR que está calmamente se tornando a diretiva mundial quando o assunto é privacidade. No entanto, Doctorow nos disse que a diretiva de implementação de direitos autorais adotada na quarta-feira (20) terá uma adoção conturbadacomo a lei de privacidade. “Todo mundo vai se esquecer. Aí, em dois anos, quando todos deveriam estar em conformidade com a lei, as pessoas vão acordar e se mexer”, afirmou.

Para ser aprovada a legislação precisa ser votada ainda por todo o parlamento europeu. Ainda não há uma data para isso, só se sabe que isso pode ocorrer entre dezembro deste ano e o início de 2019. Até lá pode ser que haja mais debates, como disse Joe McNamee, diretor-executivo da associação de direitos autorais EDRi (European Digital Rights), ao The Verge. “Fiquei sabendo que houve muitos e-mails e mensagens para o parlamento e que isso tem feito o comitê começar a ficar preocupado com a repercussão.” []

Quanto custa gravar um videoclipe como ‘Apeshit’ de Beyoncé e Jay-Z no Museu do Louvre?

Beyoncé e Jay-Z usaram o famoso museu parisiense como cenário para o clipe ‘Apeshit’
Por Raquel Carneiro

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Beyoncé e Jay-Z no clipe de ‘Apeshit’ Foto: Reprodução de cena de ‘Apeshit’

Gravar um clipe no Museu do Louvre é mais fácil – e barato – do que parece. A questão pipocou na internet após Beyoncé e Jay-Z elegerem o tradicional museu francês como cenário para seu novo vídeoclipe, Apeshit, lançado de surpresa no fim de semana, juntamente com o disco Everything is Love.

Na produção de quase 5 minutos, o casal e um grupo de dançarinos rebola e faz carão entre obras como Mona LisaVênus de Milo e Vitória de Samotrácia. Resta a dúvida: quantos muitos dólares custaria para uma gravação no tradicional museu francês?

No site oficial do Louvre está uma tabela com os variados tipos de pacotes. Uma jornada de 8 horas de filmagens no interior do museu, com uma equipe de mais de 50 pessoas, sai por 10.000 euros (cerca de 44.000 reais). Gravações na parte externa custam 8.000 euros (cerca de 35.000 reais). Apeshit foi feito ao longo da madrugada do dia 1º de junho, período que totalizaria 18.000 euros (quase 80.000 reais).

Não se sabe, contudo, se Beyoncé e Jay-Z realmente precisaram pagar o valor – que em nada afetaria a fortuna da dupla, estimada em mais de 1 bilhão de dólares. Um porta-voz do Louvre afirmou que o casal visitou quatro vezes o museu desde 2008. Na passagem mais recente, em maio deste ano, eles apresentaram a ideia do clipe, que foi aceita pela administração do Louvre. O próprio governo francês emitiu uma nota durante a semana, agradecendo aos músicos por elegerem a instituição para ambientação do vídeo. Logo, o casal superpoderoso da industria musical aumentou a visibilidade do museu.

Aos curiosos, aliás, celebridades como Beyoncé e o marido não precisam se debater com turistas comuns por uma selfie com a Mona Lisa durante momentos de turismo. O Louvre também oferece pacotes de visitas privativas. Um grupo com menos de 50 pessoas pode passear pelo museu, nos dias em que ele está fechado para o povão, pela bagatela de 10.000 euros.

‘Bem-vindo à América’: a história por trás da capa da revista ‘Time’

Publicação americana usou imagem de menina hondurenha de 2 anos fotografada chorando enquanto sua mãe era revistada na fronteira sul dos EUA

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Para a ONG Anistia Internacional, esta nova política é “digna de tortura”, “inadmissível” para a ONU, e também denunciada por líderes religiosos americanos influentes entre o eleitorado republicano Foto: John Moore/Getty Images/AFP

NOVA YORK – John Moore, fotógrafo vencedor do Prêmio Pulitzer, tem registrado imagens de imigrantes na fronteira entre México e Estados Unidos. Nesta semana, uma de suas fotos se tornou o símbolo mais forte do debate sobre imigração no país. “Essa foi uma difícil para mim. Assim que acabou (a revista dos imigrantes), eles foram colocados numa van”, disse o fotógrafo à revista Time, descrevendo sua reação à cena de uma menina hondurenha de dois anos chorando enquanto sua mãe era revistada pelos agentes da Patrulha de Fronteira em McAllen, no Texas. “Tudo o que eu queria era pegá-la. Mas eu não podia”, disse Moore.

A força da imagem foi tanta que os editores da Time a escolheram para ilustrar a capa de 2 de julho. Uma montagem foi feita com a imagem da menina de 2 anos de frente para o presidente Donald Trump. O resultado foi a cena montada em que uma criança hondurenha chora, em solo americano, enquanto Trump apenas a observa, em pé. Do lado esquerdo, lê-se a frase “Bem-vindo à América”, uma referência ao modo como os EUA recebem os imigrantes ilegais – prendendo os adultos e separando os filhos de seus pais, colocando as crianças em jaulas.

Sem título
Capa da revista Time coloca menina hondurenha de 2 anos e Trump na mesma cena. Montagem referencia a separação de famílias e as mais de 2 mil crianças tiradas de seus pais, mães ou responsáveis em consequência da política de tolerância zero do governo americano. Foto: Time Magazine

A foto foi tirada pouco tempo depois de Trump assinar uma ordem determinando tolerância zero com os imigrantes ilegais pegos em flagrante. O grupo da menina hondurenha era composto, em maioria, por mulheres e crianças. O fotógrafo estava acompanhando os agentes da patrulha de fronteira, escondidos em meio à mata no Estado do Texas. Moore ouviu quando os imigrantes desceram dos barcos e pisaram sobre galhos caídos, em direção a uma estrada de terra que levava à cidade fronteiriça de McAllen.

Quando o grupo foi abordado, uma mulher chamou a atenção do fotógrafo. Ela estava amamentando a filha sob a luz dos faróis do veículo da Patrulha de Fronteira. Se aproximou e começou a tirar algumas fotos. Em espanhol, ela lhe contou sua história. A filha tinha dois anos. Elas estavam na estrada há um mês e eram de Honduras. Moore perguntou à mulher se poderia acompanhá-la durante o processo de revista, antes que entrasse no carro com a filha e fosse levada pelos agentes. Ela concordou.

As duas esperavam sua vez na fileira, onde os outros imigrantes tinham sido posicionados. A mãe agachou e tirou os cadarços da filha – os imigrantes perdem todos os seus objetos pessoas, desde fitas de cabelo a dinheiro, alianças e cintos. Ele conta que tudo foi muito rápido quando chegou a vez de a mãe hondurenha passar pela revista. Ela colocou suas mãos com firmeza sobre o veículo e o agente a revistou. Sua filha começou a chorar e então Moore registrou o momento.

Depois disso, as duas entraram na van do governo americano e partiram. Ele diz que não sabe o que aconteceu com elas, mas caso a regra da tolerância zero tenha sido aplicada, é provável que mãe e filha não estejam mais juntas. “Temo que elas tenham sido separadas”, revelou o fotógrafo. / W. POST