Melania Trump marca gol contra si mesma e atualiza status de vítima da moda

Escrito ‘eu realmente não me importo, você sim?’ é prova de que ninguém ‘usa qualquer coisa’

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Melania Trump logo após viagem à fronteira do Texas com o México, onde visitou crianças encarceradas pela política de tolerância zero do marido. Em sua jaqueta, da marca Zara, lê-se “Eu realmente não me importo, você sim?”. Chip Somodevilla/Getty Images/AFP – AFP

É comum ouvir alguém dizer que não está nem aí para a moda, mas, queira ela ou não, diariamente essa pessoa fará escolhas fashion que revelam muito sobre o que pensa ou quer projetar para os outros.

jaqueta da primeira-dama americana Melania Trump é um manual de como marcar um gol contra movendo apenas um cabide do armário e a prova de que ninguém simplesmente “usa qualquer coisa”, mantra de quem se diz antimoda sem se dar conta de que seu look casual é tão planejado quanto o de quem passa horas em frente ao espelho.

Quando subiu no avião que a levaria ao Texas, onde crianças imigrantes estão detidas sem os pais a mando de seu marido, e depois de ter ganhado alguma simpatia do público defendendo via Twitter o “uso do coração” nessa tragédia humanitária, ela apareceu em um casaco verde-militar da Zara onde se lê “eu não me importo, você sim?”

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A primeira-dama dos EUA, Melania Trump, fez uma visita surpresa a um dos abrigos que recebem crianças imigrantes ilegais que foram separadas dos seus pais KEVIN LAMARQUE/REUTERS

Comecemos do princípio. A primeira-dama já deixou claro gostar do luxo, com um guarda-roupa milionário de Dolce & Gabbana a Gucci, e não dá ponto sem nó nas escolhas em eventos oficiais, porque sabe que sua imagem correrá o mundo.

Juntar o nome Zara, a rede de fast-fashion campeã de acusações por submeter imigrantes a trabalho escravo, a um escrito debochado como esse denota ou um nível raro de incompetência visual visto em figuras públicas, ou uma tentativa de desabafo subliminar.

Há motivos para defender a segunda opção e como o tiro saiu pela culatra. Por mais que a Casa Branca tente colar a tese “é apenas um casaco”, como a assessora de Melania divulgou após a visita, e que a mensagem dizia respeito à “desonestidade” da imprensa, como Donald Trump tuitou horas depois da celeuma se instalar, o passado recente prova o contrário.

Ela já imitou Jackie O. em uma versão Ralph Lauren de um dos trajes da ex-primeira dama, quis se aproximar da imagem de Hillary Clinton com seu look branco de alfaiataria no baile da posse de Trump e é vista usando símbolos da cultura americana, como o chapéu tipo caubói e os detalhes da indumentária western intrincados em peças como as da Calvin Klein.

Suas mensagens são tão claras quanto as cores que costuma usar. A dúvida de que o discurso poderia ser direcionado aos seus detratores vai de encontro à passividade com a qual ela lidou até agora com as críticas de que é um boneco de Washington.

Melania não fala, age pouco e, quando o faz, como o episódio do encarceramento infantil expôs, é para defender as opiniões do marido, mesmo quando não concorda com o resultado prático de suas ações.

Com igual desinteresse mostrado no auxílio aos atingidos pelo furacão Harvey, em Houston, no ano passado, quando calçou saltos ManoloBlahnik para pisar em terra arrasada, a primeira-dama dos EUA reafirmou, sem querer querendo, a intolerância de sua família. De quebra, atualizou o status de vítima da moda. [Pedro Diniz]

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