Victoria Beckham transforma loja em galeria de arte com obras renascentistas

Estilista abriu as portas da sua flagship em Londres para pinturas históricas milionárias em parceria com a Sothebys, atencipando o leilão anual da instituição
Por Vinícius Guidini

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Victoria Beckham ao lado de obra de Leonardo da Vinci (Foto: Reprodução/Instagram)

Não é segredo que Victoria Beckham é fã de arte: além de prestigiada colecionadora, a estilista também já reecebeu vários projetos de arte contemporânea em sua flagship, em Londres. Agora, as paredes brancas do endereço ganham novos ares com uma parceria entre a inglesa e a Sothebys, famosa casa de leilões britânica que leva ao ponto de venda da grife uma série de obras milionárias.

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Victoria com obra de Lucas Cranach (Foto: Reprodução/Instagram)

Escolhidas a dedo por Victoria, as 16 pinturas – que podem ser vistas até o dia 27.06 na loja da grife na Dover Street – datam de diferentes períodos, com destaque para a Renascença e o século 18. Entre os autores estão Leonardo da VinciPeter Paul Rubens Lucas Cranach, O Velho, cujas obras costumam ultrapassar milhões nos leilões especialziados.

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Victoria Beckham em sua loja, na Bond Street (Foto: Reprodução/Instagram)

As pinturas fazem parte da seleção anual de Velhos Mestres da Sothebys, cuja edição deste ano do leilão está marcada para 4.07, em Londres. A expectativa é que os valores das obras comecem em cerca de R$ 900 mil.

Taylor Hill – Numéro Julho 2018 by Jacob Sutton

Sem título.jpg2.jpgPhotographer: Jacob Sutton. Fashion Editor: Samuel François. Hair: Dennis Gots. Makeup: Lisa Storey. Model: Taylor Hill.

Bilheteria EUA: Jurassic World: O Reino Ameaçado, Os Incríveis 2, Oito Mulheres e um Segredo, Te Peguei!, Deadpool 2

ssdh-jurassic-world-fallen-kingdom-536x386.jpgJurassic World: O Reino Ameaçado estreou na liderança na bilheteria dos EUA. O longa somou pouco mais de US$ 150 milhões, o suficiente para garantir o primeiro lugar e a segunda maior estreia da história da Universal, atrás apenas de Jurassic World, que fez US$ 208 milhões.

No longa, quando o vulcão dormente entra em erupção, Owen (Chris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard) lideram uma campanha para salvar os dinossauros da extinção. Owen está motivado para achar Blue, sua raptor que continua sumida na floresta, e Claire desenvolveu um respeito pelas criaturas e agora fez delas sua missão. Ao chegar na instável ilha quando lava começa a escorrer, a expedição descobre uma conspiração que pode colocar o planeta inteiro em um perigo não visto desde a era pré-histórica.

Os Incríveis 2 teve um pequena queda em relação a sua primeira semana e ficou com a segunda posição. A nova produção da Pixar fez pouco mais de US$ 80 milhões e já conta com um total impressionante de US$ 350 milhões somente nos EUA.

Na sequência, a família de super-heróis preferida de todos está de volta – mas, dessa vez, Helena é quem assume o holofote, deixando Bob em casa com Violeta e Flecha para conduzir o heroíco dia-a-dia de uma vida “normal”. É uma transição difícil para todos, que se complica ainda mais tendo em vista que a família ainda não sabe dos superpoderes do Zezé. Quando um novo vilão traça um plano perigoso e brilhante, a família e o Gelado precisarão encontrar um jeito de trabalhar juntos novamente – o que é mais fácil de dizer do que de colocar em prática, mesmo todos eles sendo tão incríveis.

Na sua terceira semana em cartaz, Oito Mulheres e um Segredo caiu para o terceiro lugar. Estrelado por Sandra Bullock e Cate Blanchett, o filme fez US$ 11 milhões e, agora, soma US$ 100 milhões no país.

No longa, Debbie Ocean (Sandra Bullock) monta uma equipe para fazer um roubo impossível no baile do Met, em Nova York.

Te Peguei!, comédia que também entrou em cartaz na semana passada, passou a ocupar a quarta colocação, com arrecadação estimada em US$ 8,2 milhões. O filme, com isso, chega a US$ 30 milhões e ultrapassa seu custo de produção de US$ 28 milhões.

Todo ano, ao longo de um mês, cinco amigos competitivos participam de um jogo de pega-pega sem limites que brincam desde a primeira serie – arriscando seus pescoços, trabalhos, relacionamentos para vencer o outro. Este ano, o jogo coincide com o casamento do único que nunca foi derrotado, o que deveria fazer dele um alvo fácil. Mas ele sabe que eles virão… e estará preparado.

Fechado o Top 5 está Deadpool 2. Com os US$ 5,2 milhões arrecadados nesta semana, o longa da Fox soma US$ 304 milhões. Com isso, ele se torna o quinto filme com classificação R a chegar a US$ 300 milhões.

Segundo a sinopse, quando um supersoldado chega em missão assassina, Deadpool (Ryan Reynolds) é forçado a pensar em amizade, família e o que realmente significa ser um herói – tudo isso enquanto chuta 50 tons de bundas porque, às vezes, para fazer a coisa certa, você precisa lutar sujo. Zazie Beetz interpreta a mutante Dominó, Josh Brolin é o Cable e Morena Baccarin, que esteve no Brasil para divulgar o longa, volta ao papel de Vanessa.

Cresce a busca por arenas de jogos eletrônicos

Investidores acreditam que os ‘atletas dos games’ são um público ainda não explorado pela indústria cultural
Nellie Bowles, The New York Times

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Uma arena de esportes eletrônicos na Califórnia teve dificuldade para obter autorização para a venda de bebidas alcoólicas, embora a média de idade dos frequentadores seja de 25 anos. Foto: Jason Henry para The New York Times

Os jogos eletrônicos estão começando a dominar o mundo real.

Em toda a América do Norte, empresas estão transformando shoppings, cinemas, lojas e estacionamentos em arenas de esportes eletrônicos para o público local.

Ao mesmo tempo, usinas de conteúdo estão surgindo em Los Angeles, onde os empresários enxergam os gamers como uma forma de celebridade particularmente nova a ser cultivada: metade atletas, metade influenciadores.

E boa parte desse movimento é impelida pela obsessão com um título: Fortnite. Ao longo do mês passado, as pessoas passaram cerca de 130 milhões de horas na plataforma Twitch assistindo a outras pessoas jogando Fortnite, o novo jogo que mesclou num só título os melhores elementos de jogos de construção, tiro e sobrevivência.

O conteúdo ligado ao Fortnite teve 2,4 bilhões de visualizações no YouTube em fevereiro, de acordo com a Tubular Insights. As pessoas adoram jogar videogame, mas também adoram assistir enquanto outras pessoas competem em partidas eletrônicas.

Espaços físicos começam a ser reformados como bares para gamers. Os 150 milhões de gamers dos Estados Unidos querem um lugar para se reunir. Querem se sentar juntos, cada um com seu controle. Querem que a iluminação seja bacana, querem que sejam servidos lanches e querem um bar completo, pois não são mais adolescentes.

Em 2017, o público dos cinemas atingiu a marca mais baixa em 25 anos, enquanto 638 mil pessoas acompanharam uma partida do cantor Drake jogando Fortnite recentemente. A Olimpíada de Paris, de 2024, é alvo de negociações para a inclusão dos jogos eletrônicos como evento de demonstração.

Na festa que antecedeu a abertura da nova Esports Arena, em Oakland, quase 4 mil pessoas lotaram o antigo estacionamento que foi transformado na estrutura, bem como as ruas ao redor. Do lado de dentro, centenas de mãos clicavam em controles, sacos de salgadinhos eram abertos e ouviam-se os gritos periódicos dos apresentadores que comentam as jogadas de transmissões assistidas por dezenas de milhares de pessoas.

Tyler Endres, cofundador da arena, disse que teve de participar de quatro reuniões comunitárias até convencer os moradores que eles gostariam de uma arena de esportes eletrônicos.

“Eles preferiam um mercado”, disse Endres.

A arena teve dificuldades para obter uma autorização para a venda de bebidas alcoólicas. “Todos imaginaram que se tratava de um público de 13 anos, que não beberia”, explicou Jud Hannigan, 36 anos, diretor-executivo da Allied Esports, que investiu na arena. “Mas a média de idade dos frequentadores é de 25 anos”.

No palco iluminado, dois dos melhores jogadores se enfrentavam, enquanto o público torcia e os apresentadores, sentados em cadeiras altas, narravam a ação. Uma máquina de gelo seco deixava o clima mais intenso. Enquanto isso, seis pessoas administravam um estúdio de produção nos bastidores, transmitindo a partida em tempo real.

Landon Trybuch, 24 anos, de Vancouver, Colúmbia Britânica, contou que achou bom sair dos quartos abafados e das lojas de videogame onde ele costumava jogar. “É incrível”, disse ele. “Há tanto espaço!”.

A FaZe Clan, uma das muitas equipes de esportes eletrônicos e produtoras de conteúdo, mantém instalações na Califórnia e no Texas. Lee Trink, 50 anos, um dos proprietários da FaZe Clan e ex-presidente da gravadora Capitol Records, disse que os esportes eletrônicos e os gamers são o futuro, e logo terão mais espaço que os filmes.

“A indústria ainda está hibernando”, explicou. “Para as pessoas da minha idade, que controlam boa parte da produção cultural, os gamers ainda são considerados nerds que vivem no porão da casa dos pais”.

“A experiência proporcionada pelos jogos é tão rica e tão profunda, que eles cumprem o que prometem, ao passo que os filmes cada vez mais deixam a desejar”, acrescentou Trink. “Estamos criando um negócio que está preenchendo um vácuo que as pessoas ainda nem mesmo perceberam”.

Minha língua é minha pátria: conheça a edição de julho da Vogue Brasil

Idioma de 260 milhões de pessoas no mundo e língua oficial de nove países, o português é ponto de partida para a nova edição da Vogue
Por Silvia Rogar

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Blésnya Minher usa Dolce & Gabbana e brincos Talento, com edição de moda de Pedro Sales e beleza de Danieal Hernandez, na capa da Vogue Brasil em julho (Foto: Zee Nunes)

No mês de julho, em plena entressafra das tendências de moda, as páginas de Vogue costumam ser contagiadas por um clima de escapismo sonho. A revista que você tem em mãos sintetiza esta proposta de maneira original, ao apostar numa viagem que vai além da geografia: nosso foco é o português, idioma de 260 milhões de pessoas no mundo, língua oficial de nove países (Brasil, Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Angola, Moçambique e Timor-Leste) e atualmente a mais falada no Hemisfério Sul. Sempre em evolução, como a moda, é constantemente ressignificada com suas diferentes cadências e seus “falares”.

A ideia de celebrar a língua – de Camões, de Bandeira, de Machado, de Caetano, mas também de jovens escritores como Geovani Martins, o morador do Morro do Vidigal, no Rio, que é a nova sensação literária do País – surgiu no início do ano em um bate-papo com o fotógrafo Zee Nunes, colaborador assíduo e querido desta Vogue, que nasceu em Moçambique e se mudou para o Brasil aos 16 anos. Zee mergulhou no projeto com paixão, buscando referências mil na literatura, na música, nas artes. Mais que semelhanças, queríamos mostrar a diversidade que enriquece a lusofonia.

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Blésnya Minher usa gola Martha Medeiros e brincos Talento, com edição de moda de Pedro Sales e beleza de Daniel Hernandez, na capa da Vogue Brasil em julho (Foto: Zee Nunes)

Esta edição ganhou corpo ao longo dos últimos meses com a adesão de personagens muito especiais, a começar pela modelo angolana Blésnya Minherdestaque na última temporada de moda internacional, que topou embarcar para Salvador e ser a protagonista de uma narrativa visual inspirada na obra de Jorge Amado. Nada disso seria possível sem o talento e a dedicação de Pedro Sales, que este mês assume com seu olhar sempre sofisticado o cargo de diretor de moda interino da Vogue Brasil. Craque em storytelling (está no DNA: ele é neto do escritor baiano Herberto Sales, que ocupou a cadeira de número 3 da Academia Brasileira de Letras), Pedro criou looks de sonhos no ensaio Bahia de todos os santos.

A editora sênior Ana Carolina Ralston, por sua vez, angariou nomes de peso para assinar textos desta revista, como o escritor moçambicano Mia Couto, além de reunir um time de talentos da literatura nacional na reportagem Língua viva. Não é só: o ator baiano Lázaro Ramos declara na página 154 seu amor por Angola, que começou por meio da música.

Espero que esta revista seja tão prazerosa para você como foi seu processo de criação para o time da Vogue. que reuniu o perfeito encontro da língua portuguesa com a moda. Porque acreditamos que ler ainda é a maior diversão – boa viagem!

Marca Kate Spade doa US$ 1 milhão para luta contra doenças mentais

Empresária que criou marca bilionária cometeu suicídio no começo de junho; empresa quer promover luta contra doenças mentais
Por Guilherme Dearo

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Estilista americana Kate Spade

São Paulo – No último dia 5, a notícia de que a empresária Kate Spade, criadora da marca bilionária de bolsas e acessórios, tinha morrido aos 55 anos chocou milhões de pessoas. Mais chocante foi saber que Spade tinha tirado a própria vida.

Seu marido e parceiro de negócios Andy Spade disse à imprensa que Kate sofria de depressão e ansiedade. Mesmo assim, a morte foi inesperada.

Agora, a sua grife anunciou que vai doar um milhão de dólares para programas de prevenção e alerta ao suicídio e a doenças mentais.

A empresária já não estava à frente de sua marca há uma década. Mesmo assim, a Kate Spade decidiu prestar esse tributo.

Em comunicado oficial, a CEO da marca Anna Bakst disse: “Doenças mentais não discriminam; elas são complicadas e difíceis na hora de fazer um diagnóstico e podem colocar a vida das pessoas em risco. Nós esperamos que nosso apoio jogará mais luz nessa doença e vai encorajar aqueles que sofrem com alguma doença mental a procurarem ajuda. Juntos, faremos muito mais”.

Dentro da empresa, também haverá iniciativas.

A marca criará um dia global em seus escritórios e filiais para falar do alerta a doenças mentais e também, nos próximos meses, será inaugurado o “Wellness Program”, que vai acompanhar de perto funcionários e também ensinar a eles a ler sinais de risco relacionados à depressão.

Exclusive Fashion Editorials Julho 2018 Kamila Irobi by Dominik Lozinski

Sem título.jpgPhotography: Dominik Lozinski. Styled by: Karolina Ficner. Hair: Patryk Nadolny. Makeup: Patrycja Piechówka. Model: Kamila Irobi.

‘Promovemos 15 milhões de corridas por dia no mundo’, diz COO do Uber Barney Harford

Em entrevista ao Estado, COO (diretor de operações) da startup americana, Barney Harford fala sobre sua parceria com o presidente Dara Khosrowshahi, o presente e o futuro da empresa
Por Claudia Tozetto – O Estado de S. Paulo

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Barney Harford é o diretor de operações do Uber

Estado: Você. é o primeiro diretor global de operações da história do Uber – o cargo não existia antes. Qual é o seu papel e seu maior desafio hoje? 
Barney Harford: Os papéis que eu e Dara (Khosrowshahi) desempenhamos são muito diferentes. Ele é o líder que tem a visão. Eu, por outro lado, estou voltado para dentro da empresa, focado em detalhes sobre como operamos o nosso serviço. Promovemos 15 milhões de corridas por dia no mundo. A escala é muito grande.

Recentemente, o Uber passou a adicionar novos modais, com a aquisição da startup Jump. Por quê?
Nós acreditamos que os carros são para o Uber como os livros são para a Amazon. O negócio do Uber será muito mais do que apenas carros. Estamos tentando expandir rapidamente nossas opções de transportes disponíveis dentro do aplicativo. Nós adquirimos a Jump, que oferece bicicletas elétricas, mas existem um monte de outras opções, como as scooters. Nós não sabemos exatamente ainda como vamos entrar nesse espaço, mas estamos pensando muito nesse segmento.

O Uber vai integrar todos esses modais no mesmo app?
Sim, os passageiros poderão pegar desde uma bicicleta elétrica, passando pela carona compartilhada até carros voadores.

Entenda quais são os planos do Uber para ir além dos carros

Com bicicletas elétricas, gigante dá primeiro passo em direção a futuro ‘multimodal’, que terá transporte público, carro autônomo e até veículos voadores

uber af619cb0ef9ec79df7b207ee496595d5Dia de semana, trânsito congestionado, compromisso atrasado: a pessoa sai do metrô e abre o aplicativo Uber. Em vez de pedir um carro, avalia se vale mais a pena sair pedalando de bicicleta elétrica, pegar um ônibus ou até mesmo se arriscar num patinete. Há um ano, quando Travis Kalanick ainda comandava a empresa, a cena acima seria impensável. Hoje, com o iraniano Dara Khosrowshahi na liderança, essa visão é nada menos que o plano de um futuro não muito distante para a segunda startup mais valiosa do mundo: o de virar uma central de mobilidade, na palma da mão do usuário.

No cargo desde agosto de 2017, Khosrowshahi assumiu o Uber sob pressão. Seu antecessor foi o homem que fez a startup se tornar um império, mas cometeu muitos erros pelo caminho até deixar a empresa em junho de 2017: foi incapaz de evitar assédio sexual e moral na companhia, usou softwares para espionar rivais e autoridades e foi acusado de roubar tecnologias de um de seus maiores rivais, a Waymo, divisão de carros autônomos do Google. Para piorar, ainda encobriu uma falha de segurança que afetou 57 milhões de pessoas.

Em 10 meses, Khosrowshahi arrumou a casa e conseguiu mostrar que há um rumo para o Uber. Ele começou sua jornada com uma volta ao mundo, com paradas no Brasil e na Inglaterra, para mostrar que está disposto a colaborar com governos.

Depois, começou a cortar custos e se livrar de negócios deficitários – entre eles, as operações no Sudeste Asiático e na Rússia. Nas duas regiões, vendeu o negócio para rivais, forjando alianças. “Era uma briga de foice, mas ele conseguiu sair por cima”, diz Paulo Furquim de Azevedo, coordenador do Centro de Estudos em Negócios do Insper. Além disso, fez a empresa dar lucro pela primeira vez e acertou a rota para o Uber abrir seu capital em 2019.

Nova fase
Empresa arrumou a casa e está finalmente dando lucro

Sem título.pngAmigos e rivais. Para encerrar, trouxe o britânico Barney Harford para o cargo de diretor de operações do Uber – desde dezembro, ele é o número 2 da companhia. Harford e Khosrowshahi trabalharam juntos no site de turismo Expedia, nos anos 2000. Depois, foram rivais, enquanto Harford estava à frente da concorrente Orbitz. Em 2015, a startup foi comprada pela Expedia por US$ 1,6 bilhão e os dois se uniram novamente – quando o iraniano foi para o Uber, o britânico foi junto. “Sou uma pessoa focada nos detalhes sobre como operamos nosso serviço. O Dara é o líder que tem a visão”, disse Harford, em entrevista exclusiva ao Estado.

Em abril, Khosrowshahi mostrou a sua visão de futuro para o Uber, ao anunciar que o app será uma central de transportes. Além de viagens em carros, será possível requisitar uma bicicleta elétrica, alugar um carro ou comprar uma passagem de metrô, em sistemas integrados com as redes de transporte público de grandes cidades. No futuro, essa estratégia inclui ainda carros autônomos e voadores. “Os carros são para o Uber como os livros são para a Amazon”, explica Harford.

Geolocalização. A ideia é aproveitar a base de usuários que o Uber já tem e faturar com outros modelos de negócios, num momento em que a competição no mercado de caronas pagas se acirra. “Eles têm uma plataforma com GPS que está no bolso de milhões de pessoas. Onde for possível gerar valor com isso, eles vão estar”, diz Furquim.

Para Michael Ramsey, diretor de pesquisas da consultoria Gartner, a inspiração é evidente. “No Expedia, o usuário pode reservar todas as partes de uma viagem. Dara quer fazer a mesma coisa com o Uber.”

Oferecer novos serviços vai aumentar a complexidade da operação do Uber – hoje, a empresa promove, todos os dias, 15 milhões de “encontros” entre motoristas e passageiros. Agora, imagine a dificuldade de calcular o mesmo problema (o deslocamento), só que com diferentes variáveis, como metrô, ônibus ou bicicletas – e tudo integrado num único aplicativo.

Nos carros, o Uber teve a vantagem de ser pioneiro. Na nova fase, porém, terá de entrar em mercados nos quais já há competidores bem estabelecidos. “Quem usa o Uber e quer uma bicicleta estará melhor atendido do que quem usa um app de bikes e busca um carro”, avalia Ramsay. “No fim das contas, cada novo modal é só um serviço extra.”

O analista da Gartner, porém, tem dúvidas se a empresa terá sucesso caso ofereça apenas os próprios serviços ao tentar agir como um agregador de transportes. “Para o usuário, importa mesmo o tempo de deslocamento e o preço, não a marca”, diz. Assim, a empresa pode se beneficiar caso também ofereça seus serviços com outros integradores de transportes – algo que já acontece, por exemplo, com o israelense Moovit. “Ela terá menor participação na corrida, mas também menor esforço para conquistar viagens.”

Terra sem lei. Em longo prazo, o Uber pode mudar radicalmente, graças aos carros autônomos e voadores. Sem motoristas, ambos “têm o potencial de reduzir o custo operacional de cada quilômetro viajado, aumentando a receita da empresa”, como explica a professora da Universidade de Berkeley, Susan Shaheen.

No entanto, são tecnologias que ainda não estão prontas e precisam ser regulamentadas. Não à toa, o Uber decidiu iniciar testes do carro voador, a partir de 2020, em Dallas, onde estão as principais autoridades regulatórias de aviação dos EUA. A operação comercial está programada para 2023. O carro autônomo, por sua vez, dificilmente estará nas ruas antes de 2020, por conta da pausa no projeto após um acidente fatal no Arizona.

Até lá, Khosrowshahi vai ter de tomar outra decisão: ter a propriedade ou não dos veículos que o Uber compartilha. “Hoje, o Uber usa ativos de outras pessoas”, diz Ramsay. “Se tiverem os veículos, terão o controle da própria tecnologia, mas também os custos atrelados à operação desses veículos.” [Bruno Capelas e Claudia Tozetto – O Estado de S. Paulo]