Conheça Yrsa Daley-Ward, a ‘poeta do Instagram’

Yrsa fala sobre seu livro de memórias e conta por que publicar poemas nas redes sociais é um serviço à poesia
Lovia Gyarkye, The New York Times

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‘Nós prestamos um serviço à poesia mundial’, afirmou Yrsa Daley-Warda falando do rótulo ‘poeta do Instagram’. Foto: Erik Tanner para The New York Times

Em abril, cerca de 70 pessoas se acotovelavam na livraria Strand do Club Mônaco, em Nova York, para uma sessão de leitura de poesias da modelo e escritora britânica Yrsa Daley-Ward. Minutos antes do início do programa, ela entrou calmamente e sentou-se diante do público em uma poltrona do tipo namoradeira.

“Acho que vocês precisam ouvir um poema sobre saúde mental”, disse, e então mergulhou em “Saúde Mental”, um dos poemas mais conhecidos de sua coleção de 2014, “Bone”, que vendeu mais de 20 mil exemplares.

Quando terminou, a sala explodiu em aplausos para a poeta, que, nos últimos cinco anos, vem confortando centenas de milhares de admiradores com seus poemas no Instagram. Yrsa, cujo livro de memórias, “The Terrible”, foi publicado recentemente pela editora Penguin Books, pertence a uma nova geração de escritores que usam as redes sociais para compartilhar seu trabalho, construir uma marca e formar um público.

Os criadores que integram a geração do milênio, que postam na internet obras visualmente agradáveis, são chamados de “poetas do Instagram”. Eles acrescentam imagens aos seus poemas, tiram fotos do texto escrito ou, no caso de Daley-Ward, filmam a tela do laptop enquanto escrevem.

Ao contrário de alguns de seus colegas, como Rupi Kaur e Cleo Wade, Yrsa é também um sucesso de crítica.

“Acho que no contexto da poesia do Instagram ela é um dos poetas mais interessantes”, afirmou Chris MacCabe, uma bibliotecária da National Poetry Library de Londres. “Ela tem muito mais textura e sutileza”.

“The Terrible” é um relato lírico e devastador que começa com a infância da poeta em Chorley, uma cidadezinha do norte da Inglaterra, onde ela arrastava sua existência entre a mãe solteira e os avós religiosos.

Cada capítulo fala da tensa relação com a mãe, da luta com a própria sexualidade e com sua educação em uma família de Adventistas do Sétimo Dia. A maior parte do livro trata de sua vida depois dos 12 anos, idade que marcou o início do “terrível” e da sensação de “afundar” – eufemismos com os quais ela descreve “a depressão, a ansiedade, pensamentos suicidas, a dependência das drogas”, como explicou.

Ela conta que sua primeira experiência sexual, aos 14 anos, foi agravada pela depressão (“Você tem um cheiro/ diferente. Um cheiro estranho/em você/ cheiro de homem. O homem deixou o seu cheiro; em toda a sua pessoa”). Ela escreve como se tornou modelo e como o estilo de vida a fez ingressar em um ciclo de festas, bebidas, sexo e drogas.

“Eu estava fugindo da desculpa da depressão”.

Mudou-se para a África do Sul, onde começou a assistir a leituras de poesia no Tagore, um clube de jazz da Cidade do Cabo. “The Terrible” se encerra neste momento, que a inspira a buscar a carreira de escritora. “A Cidade do Cabo tem uma magia própria, as montanhas, a névoa sobre a montanha e o céu azul”, observou, “algo nesta paisagem tem o poder de acalmar, é muito fácil para mim escrever lá”.

Seus fãs consideram seus poemas um instrumento de cura e se sentem fascinados por sua tendência a tratar de tópicos difíceis. “Muitos de seus poemas produzem aquela sensação, a captura repentina da verdade”, escreveu em um e-mail Florence Welch da banda Florence + The Machine.

À pergunta sobre o rótulo de “poeta do Instagram”, ela sorriu.

“Estamos prestando um serviço ao mundo da poesia”, afirmou. “Acho que é uma coisa maravilhosa alguns poetas agora compartilharem seu trabalho online, porque ele pode chegar às mãos de pessoas de identidades diferentes e fazê-las sentir como se aquela fosse a sua voz”.

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