Amy Schumer diz que usa seu corpo para se comunicar com o público

Ela estrela o filme ‘Sexy por acidente’, que estreia hoje nos cinemas
Por Eduardo Graça

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Amy Schumer

NOVA YORK – Em cartaz a partir de hoje nos cinemas brasileiros, “Sexy por acidente” é o terceiro longa da comediante americana Amy Schumer, de 37 anos, que avisa usar conscientemente seu corpo para se comunicar com o público. Suas medidas fartas despertam tanta atenção quanto o humor ferino.

Amy já foi saudada por levar o riso ao feminismo. Mas também levou muitas traulitadas por, de acordo com parte da crítica, reforçar estereótipos. Não foi diferente com seu mais novo filme. Sua personagem, Renee, sofre com os quilos a mais até bater a cabeça na academia de ginástica e passar a se achar linda, maravilhosa, poderosa. Após o acidente, ela consegue um bom emprego e um namorado bonitão.

Nas redes sociais e nas resenhas especializadas, torceu-se o nariz para a tese de que a autoconfiança pode ser, sozinha, um antídoto para superar emoções terríveis geradas pelo bullying. E pronto. Mas, de acordo com a produtora, atriz e stand-up de mão cheia, não tem pronto coisa nenhuma.

— As pessoas perguntam: “mas por que ela tem de se sentir magra para ser feliz?” Quem disse que a Renee se sente magra? Ou que eu me vi magra quando filmava e me sentia bem? Você é que achou isso. Eu, não — diz Amy, que embarcou no filme dos diretores estreantes Abby Kohn e Marc Silverstein, após abandonar um dos projetos mais badalados de Hollywood, o filme da Barbie, ainda em ponto-morto e definitivamente sem a loira do mundo real na pele do brinquedo de fantasia.

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Amy Schumer diz que falar sobre a conquista da autoconfiança das mulheres muito lhe interessa – Divulgação

O Globo: O que lhe interessou mais em “Sexy por acidente”?
Amy Schumer: Tinha acabado de abandonar o projeto do filme sobre a Barbie quando li o roteiro e fiquei louca com a mensagem. Quis viver a Renee porque queria falar sobre a conquista da autoconfiança pelas mulheres. E de onde ela vem.

Autoestima foi um problema para você em algum momento da vida?
É uma luta constante. Quando criança, acreditava piamente em mim. Mas aí o bullying vem. A última cena foi escrita quase toda por mim, era aquilo que eu queria dizer. Hoje em dia me adoro e é muito, mas muito difícil mesmo me tirar do sério. A esta altura do campeonato, uma década no olho do furacão, me expondo, posso ler comentários maldosos nas redes sociais sobre mim e não estou nem aí. Mesmo.

O sucesso ajuda?
Sim. Quando fiz “Descompensada” (2014), percebi que, ao apresentar ideias minhas, sempre chegava dizendo “me desculpe”, “com licença” para o (diretor) Judd Apatow. No meio das filmagens, saquei que não precisava fazer isso. Que tenho uma voz importante no processo criativo e muito para contribuir. Aprendi o meu valor. Mas, por outro lado, não passei a confiar no meu taco, como algumas pessoas pensam, por ter ficado famosa. Uma coisa não tem nada a ver com outra.

Mas com a exposição na mídia vem também representatividade, não? Você pensa nesse aspecto ao retratar uma mulher forte, bem-sucedida, feliz consigo mesma, e que ao mesmo tempo foge do padrão estético de Hollywood?
Sim. Espero que as meninas que vejam o filme saiam do cinema mais confiantes. Se pudesse falar diretamente com as adolescentes, diria: “não deixem que as pessoas digam a você quem você de fato é”. Encontre algum tempo para detectar seus pontos fortes e os celebre sempre. E acho importante que você tente se cercar de pessoas que não são abusivas. Um amigo que a joga para baixo não vale jamais o tempo que você passa com ele.

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Em seu novo filme Amy Schumer chama a atenção tanto pelas suas medidas fartas, quanto pelo humor ferino – Divulgação

Em “Sexy por acidente” há cenas em que você se expõe física e emocionalmente ao esmiuçar o corpo de uma mulher que não é magra…
Fui eu quem quis isso, escrevi as cenas e determinei que iria fazer uma dança em uma competição voltada para o corpo de mulheres, com meu corpo. Foi importante para mim, mostrar ali a vulnerabilidade de Renee e a minha mesma. Aquele momento quando você está com raiva de si mesma por não ter nascido diferente. Foi difícil para mim, na frente das câmeras e do elenco, mas libertador também.

No filme, Renee ganha autoconfiança ao bater com a cabeça e deixar de lado o preconceito que ela mesma tinha com seu próprio corpo. Não há o risco de se sair do cinema achando que o problema é só de quem sofre o bullying?
Teve gente que disse que a Renee, depois de bater a cabeça, pensa que é magra e aí fica feliz. Quem disse que ela pensa que é magra? Quem disse que eu pensei isso quando estava filmando as cenas dela? Isso é o que estas pessoas estavam vendo, estavam pensando, não eu.

O que você pensava então? Que ela estava feliz vendo o mesmo que via antes?
Isso. O que todos nós deveríamos ver, que a aceitação de você mesmo, inclusive em relação à sua beleza, é a chave. Ela é a mesma. Só que agora ela se gosta. A polêmica começou logo depois do primeiro trailer, mas quero que as pessoas vejam o filme para ver que não tem nada a ver.

Há alguma diferença para você estar no palco fazendo stand-up ou por detrás das câmeras?
Deveria, né? (risos). Mas não. É tudo igual para mim, inclusive esta conversa. E sou uma produtora também, me meto na edição. Por exemplo, vetei qualquer retoque na edição da Renee. Eles me perguntaram: “quer uma melhoradinha”?

Eu disse não de bate-pronto. Sinto-me uma mulher absolutamente livre. Sou quem sou. Não quero retoques.

Você usa seu corpo como importante ferramenta de comunicação, não?
Sim, conscientemente. Em certa ocasião, a Annie Leibovitz ia me fotografar, e eu insisti para que estivesse sem camiseta, só de calcinha. As pessoas se dividiram, eu vi que elas reagiam ao meu corpo, que tinham opiniões muito enfáticas sobre ele. Eu adoro meu corpo, estou muito satisfeita, mas aí tive que pegar os leitores pelas mãos e ir guiando-os pelo meu corpo (risos). Quando era adolescente, fui a um museu na Europa, vi uma estátua de Afrodite e pensei: “ué, mas é quase igual ao meu”. Da deusa.

Os padrões mudam, né? Pois estão mudando de novo. Inclusive no cinema?
Sim. Não porque Hollywood agora tem, em geral, uma moral mais elevada. Mas temos “Pantera negra” quebrando recordes. Acabou a supremacia de homens brancos mais velhos comandando a indústria. É impossível não notar que o público quer ver negros, latinos, pessoas com todos os tamanhos na telona. Diversidade passa pelos tamanhos plus também.

O casamento mudou o seu jeito de fazer rir?
É diferente. Até tematicamente, né? Falava tanto de namorar, tenho certeza de que falarei mais sobre casamento e vida a dois. Me aguarde.

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