A nova geração de cantoras de R&B mostra que há força em ser vulnerável

Reunimos – e montamos uma playlist – com os principais nomes de garotas queridinhas dos millennials que não têm medo de chorar suas mágoas nas canções.
Por Mariana Rudzinski

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(Instagram: @sza/Reprodução)

É preciso muita coragem para ser vulnerável. Não é fácil expor fraquezas, medos, inseguranças. Admitir que, principalmente no início da vida adulta, é difícil entender para onde se está indo, que a vida muitas vezes foge do nosso controle, que fins de relacionamentos — amorosos ou não — deixam marcas. Falar sobre tudo isso de forma aberta para o mundo inteiro ouvir é algo que requer ainda mais coragem. Mas é exatamente isso que fazem várias jovens cantoras da nova onda do R&B que faz sucesso com a crítica musical e, principalmente, com os millennials, que veem nas letras sinceras seus próprios medos e dúvidas refletidos.

Há conforto em ouvir músicas que descrevem situações que estamos passando. Ao tratar tão abertamente dessas questões em seu trabalho, essas cantoras mostram que é preciso — e também um ato de força — olhar para dentro para se preparar para o que vem em seguida. Selecionamos algumas das meninas do R&B que, com seus discos de estreia, melhor representam esse movimento. Confira!

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sza

A norte-americana com o nome curtinho (mas que ainda causa um pouco de confusão na pronúncia — lê-se “Siza”) lançou Ctrl em 2017, e o trabalho rendeu cinco indicações ao Grammy. Nas 14 faixas do álbum, ela fala sem medo sobre fins de relacionamento, sobre suas próprias inseguranças, frustrações e sobre sua visão sobre si mesma — em “Drew Barrymore”, por exemplo, ela admite se comparar a outra mulher e odiar o sentimento. Mas, principalmente, Sza canta sobre a fragilidade do controle: como estar no controle, perdê-lo ou aprender a abrir mão dele — daí, o nome do LP. Ao acessar seus sentimentos de forma tão vulnerável, ela incentiva que nós, também, deixemos a necessidade de controlar todas as situações de lado, nem que seja por algum tempo, e fazer o mesmo.

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jorjasmith_

Jorja Smith está se encontrando. A inglesa de 21 anos teve sua estreia no mundo da música neste ano, com o primeiro álbum intitulado Lost & Found, um dos lançamentos mais surpreendentes — e melancólicos — do ano. Suas músicas combinam letras reflexivas sobre se desiludir, aprender a lidar com a perda e com questões de autoestima a sons leves, que acompanhadas da voz impressionante da cantora, suavizam a dureza do que está sendo dito. “Se amar é tão difícil”, Jorja disse à Fader em entrevista sobre os temas do disco. “É difícil estar em um relacionamento se você ainda está aprendendo a se amar, mas também é tão bonito se encontrar enquanto está com alguém que também está se encontrando.”

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jamilawoods
London, United Kingdom

Em seu primeiro disco, lançado em 2016, de forma independente e, depois, em 2017 por uma gravadora, Jamila Woods se volta para questões internas, mas também reflete sobre situações que vê acontecendo à sua volta, principalmente no que diz respeito à vivência das mulheres negrasHEAVN é o disco mais político da lista e une momentos de vulnerabilidade, como na faixa “Good Love”, que a cantora se pergunta que tipo de amor merece, a músicas que exaltam aancestralidade negra e a força de mulheres negras que impactaram o mundo ao longo da história, como faz em “Blk Girl Soldier” — que vale conferir também o clipe!

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kelelam

Cheia de fãs famosos (que vão de Solange Knowles a Björk), Kelela aposta em sons inteligentes e que fogem do convencional — ela busca inspiração tanto no emo quanto na música eletrônica — para acompanhar as narrativas que constrói em seu trabalho. Seu objetivo é justamente que as pessoas possam se identificar com as histórias de ter o coração partido ou do cansaço de investir sozinha em um relacionamento. “Eu sei que o meu diferencial é a vulnerabilidade”, ela contou à Dazed. “A maioria das pessoas aponta as experiências emocionais, os altos e baixos, quando falam sobre a minha música, mas meu público quer estar em contato com seus sentimentos, mas também ouvir algo que nunca ouviram antes. Eu gosto da dualidade daquele tipo de momento de chorar na pista de dança”, brinca ela.

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hermusicofficial

A cantora que explodiu depois que Rihanna postou um vídeo em seu instagram ouvindo uma música dela optou por manter o anonimato pelo maior tempo que conseguiu. Até pouco tempo não sabíamos que Gabi Wilson está por trás de H.E.R. (a sigla significa “Having Everything Revealed”, ou “ter tudo revelado”, em português, mas também forma o pronome “ela”, em inglês). “Fez sentido para mim dar esse nome ao projeto. Quero ser uma voz para as mulheres ao mesmo tempo que aprendo a ser honesta comigo mesma e com a minha vulnerabilidade”, Gabi explicou à NME. E é isso que fez em seu álbum de estreia autointitulado, que lançou no ano passado. Ela canta sobre situações em que se sentiu deixada de lado e sobre a dificuldade em se permitir correr riscos, mas também sobre como o amor pode transformar os momentos ruins que temos que enfrentar. “Às vezes eu sentia que era a única pessoa passando por alguma coisa, e me conforta saber que outras pessoas se identificam com o que eu estou cantando, especialmente mulheres”, contou à Paper Magazine.

Para conhecer essas e outras cantoras da nova geração do R&B, preparamos uma playlist com as músicas mais emblemáticas desse movimento. Prepare o lencinho e dê o play abaixo!

https://open.spotify.com/embed?uri=spotify%3Auser%3Aheymariana13%3Aplaylist%3A4zKSvLI0FyCjfRyQwMSWHo

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