Facebook cria sistema que dá notas para credibilidade de usuários

Desenvolvido há um ano, sistema foi criado pela empresa para combater disseminação de notícias falsas; cada pessoa recebe uma avaliação, em uma escala que vai de zero a um
Por Elizabeth Dwoskin – O Estado de S. Paulo

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Desde 2015, o Facebook dá aos usuários a habilidade de relatar se acreditam que uma publicação é falsa; agora, essa ‘capacidade’ também é medida pela rede

O Facebook começou a dar uma “nota de reputação” a seus usuários, medindo o nível de credibilidade que cada pessoa merece, em uma escala que vai de zero a um. Nunca revelado antes, o sistema tem sido desenvolvido pela rede social no último ano e mostra como a empresa tem evoluído suas ferramentas, incluindo a confiança de cada conta, para lutar contra atores maliciosos em sua plataforma.

Segundo Tessa Lyons, gerente de produto encarregada de lutar contra a desinformação, o sistema começou a ser desenvolvido como parte do esforço da empresa para lutar contra a disseminação de notícias falsas. É uma sofisticação de um método usado há muito por empresas de tecnologia, que têm confiado em avisos de seus usuários sobre conteúdo problemático, perigoso ou malicioso para removê-lo de suas plataformas.

“Não é incomum que algumas pessoas nos digam que algo é falso só porque discordam com sua premissa ou que estejam tentando especificamente atingir um jornal ou veículo de imprensa”, disse Lyons. De acordo com a executiva, porém, a nota de cada usuário não é um indicador absoluto da credibilidade de cada usuário. Para ela, o valor é uma das milhares de medidas que a rede social têm utilizado para entender riscos – a empresa também está monitorando qual usuários tem uma propensão a marcar conteúdo de outros como “problemático” ou quais publicações, como jornais ou emissoras de TV, são consideradas confiáveis pelas pessoas. Também não está claro quais são os outros critérios que a rede usa para determinar a nota de alguém, se todos os usuários têm essa nota e de que jeito essas notas são utilizadas.

De qualquer forma, os testes de reputação são uma resposta do Vale do Silício a inúmeros problemas – da interferência russa nas eleições às notícias falsas, passando por pessoas que se aproveitam das brechas nas regras das empresas. Mais que isso: são uma resposta movida por algoritmos para remover ameaças. Hoje, o Twitter, por exemplo, mede o comportamento de contas na rede de um usuário para saber se o tweet daquela conta específica deve ser incentivado a se espalhar pela rede, via algoritmo.

Por outro lado, esses sistemas de credibilidade tem um funcionamento opaco e as empresas estão “cheias de dedos” para explicar como operam – parte da ressalva, porém, vem justamente do fato de que, ao abrirem a caixa-preta, poderão dar mais recursos para os agentes mal-intencionados. No entanto, não são poucos os pedidos por transparência.

“Não saber como (o Facebook) nos julga é desconfortável”, diz Claire Wardle, diretora do First Draft, um laboratório de pesquisas da Universidade de Harvard que tem estudado o impacto da desinformação e é parceiro do Facebook na área de checagem de notícias. “A ironia é que eles não podem nos dizer como fazem isso, porque, se fizerem, os algoritmos saberão que estão sendo enganados.”

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