Lá fora, clínicas fazem ‘rehab’ de celular para jovens

Centros nos EUA e na China ensinam adolescentes a voltar a viver no mundo real
Por Mariana Lima – O Estado de S. Paulo

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Nos EUA, clínica de luxo cobra US$ 1,6 mil por dia

Banheiras de hidromassagem, camas grandes e confortáveis, jardins lindos para caminhadas, uma mansão com cara de spa. Seria o cenário perfeito para quem quisesse arrasar com fotos incríveis no Instagram, não fosse um mero detalhe: é nessa casa, localizada a 30 quilômetros de São Francisco, epicentro da indústria de tecnologia global, que funciona a Paradigm, uma das famosas clínicas de reabilitação para jovens viciados em smartphones. Lá, celular não entra.

“No começo, os jovens sempre são resistentes à ideia de ficar longe de seus dispositivos, redes sociais e games”, conta Cole Rucker, fundador e presidente da clínica, em entrevista ao Estado. “Mas, depois que saem daqui, passam a ter consciência do que é saudável e evitam essas coisas.”

O tratamento dura em média 45 dias – varia de acordo com o grau de compulsão do paciente. Durante esse período, os jovens dividem quartos, fazem sessões de terapia e praticam ioga. Além disso, eles podem aprender a tocar instrumentos, cozinhar e conviver com os colegas – todos entre 12 e 18 anos.

Usar a internet? Só na hora de estudar, com sessões de no máximo três horas por dia, voltadas para o estudo de assuntos repassados pelas escolas dos pacientes. O acesso, além disso, é monitorado pela clínica.

Para se tratar lá, o preço é salgado: US$ 1,6 mil por dia. Cole Rucker diz que recebe pedidos de internação de diversos países, inclusive do Brasil.

Quartel. Do outro lado do planeta, na China, o processo é diferente: lá, tratamentos são política de governo. Um dos programas mais conhecidos é o do Hospital Militar de Pequim, cujo chefe, o psiquiatra (e coronel) Tao Ran, promete curar qualquer vício com disciplina rígida.

O dia começa antes de o sol nascer. Acordados por um apito, os adolescentes têm 20 minutos para fazer seus hábitos de higiene e começar uma rotina de exercícios físicos, que se estende ao longo do dia. Nas horas vagas, é possível jogar cartas nos dormitórios, repletos de beliches. A dieta também é simples: legumes, caldos e alguns pedaços de carne. O custo do tratamento, que pode chegar a um ano de duração, é mais barato: as mensalidades ficam por US$ 1,8 mil.

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