O Pinterest é um unicórnio, mas não age como um, diz CEO Ben Silbermann

Startup mostra que nem todas as empresas de tecnologia do Vale do Silício precisam se ‘mover rapidamente’ para se tornarem valiosas
Por Erin Griffith – The New York Times

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Ben Silbermann, presidente do Pinterest, prefere ritmo de crescimento lento e estável

Ben Silbermann não gosta de ser entrevistado. Ele não é fã de dar palestras em conferências da indústria de tecnologia. Também não gosta de posar para retratos de revistas e não acha que deveria ter que explicar o que é o Pinterest, a plataforma que criou em 2010 e acaba de chegar a 250 milhões de usuários ativos por mês. Em tempo: trata-se de um serviço online que permite que as pessoas salvem imagens em quadros de avisos virtuais, para qualquer pessoa que não seja aquela que deseja usá-lo.

Silbermann também não gosta de se gabar das virtudes da empresa, enquanto seus pares, como Instagram, Facebook, YouTube e Twitter se afogam em críticas – da influência russa nas eleições americanas às fake news, passando por questões de assédio e a ansiedade induzida pelas redes sociais.

Pela cabeça de Silbermann, talvez seja adequado dizer que o Pinterest é o oposto: o último bastião da inocência antiquada da internet. Ele pretende ser um lugar seguro e feliz para quem está em busca de inspiração, auto-aperfeiçoamento ou uma boa receita de biscoitos de caramelo. A empresa também rejeita a fórmula típica do Vale do Silício de se mover rapidamente e quebrar o que está em volta, perseguindo o crescimento a todo custo.

Pelo contrário: ela tem uma abordagem reservada, lenta e constante, o que frustra alguns investidores. É o caso de Matt Novak, sócio do fundo All Blue Capital, que disse que sua empresa estava tentando vender sua participação no Pinterest, porque não via potencial no crescimento da companhia. “Se eles não pegarem o ritmo, rapidamente vão se tornar pré-históricos”, disse Novak, que não divulgou a fatia de ações que possui na startup.

Mas os números não deixam mentir que o Pinterest vai bem, obrigado. Hoje, a empresa está avaliada em US$ 12,3 bilhões. Os 250 milhões de usuários já fixaram 175 bilhões de itens em cerca de 3 bilhões de quadros de avisos virtuais. Em 2018, a companhia deve superar US$ 700 milhões em receita, um crescimento de 50% na comparação com o ano passado, segundo fontes próximas à companhia. E especula-se que a empresa abra capital na bolsa de valores em 2019.

Se continuar sua trajetória de forma positiva, o Pinterest poderá mudar a narrativa sobre o que é preciso para fazer uma empresa de sucesso no Vale do Silício – algo ainda mais significativo no momento em que as startups buscam novos modelos para líderes. Caso contrário, será apenas outro exemplo de potencial desperdiçado.

Tricô. As empresas de tecnologia refletem as personalidades de seus fundadores. É o caso de Mark Zuckerberg e o Facebook. Ou o jeito “faça primeiro, peça desculpas depois” de Travis Kalanick que contaminou o Uber. Com Silbermann, não é diferente. Com 36 anos, ele cresceu no Iowa, em uma família de médicos. Deveria seguir a carreira da família, mas seu primeiro encontro com a internet, em 1999, o fez mudar de ideia. “Você poderia encontrar o seu pessoal lá e explorar sozinho”, lembra ele.

É esse raciocínio que permeia o Pinterest, que diz valorizar o “tricô” – termo usado por seus funcionários para descrever a colaboração entre grupos de usuários. “Acreditamos que a inovação acontece quando disciplinas se entrelaçam”, diz o site da empresa.

Fundada em 2010, a empresa explodiu em 2011, gerando inúmeros imitadores – havia o “Pinterest para famílias, para pornografia ou para fãs da Lady Gaga”. Na época, parecia possível que ele fosse tão grande quanto o Facebook e o YouTube. Uma reportagem da Forbes chegou a dizer que Mark Zuckerberg teria de ceder espaço para o novato.

Era um modelo de negócio simples e poderoso: por trás do painel de interesses dos usuários, era possível perceber interesses de compra. “É possível traçar uma linha direta desses interesses para uma oportunidade comercial”, explicou Andrew Lipsman, analista da eMarketer. Mas, assim que a empresa começou a vender anúncios em 2014, o crescimento de usuários estagnou.

Na época, executivos da equipe de “crescimento” do Pinterest propuseram um gasto de US$ 50 milhões por ano para adquirir usuários por meio de marketing, tática comum para startups. Outros executivos argumentaram que a empresa deveria cortejar celebridades e pagar influenciadores para compartilhar conteúdo no Pinterest, em uma tática semelhante à do YouTube.

Silbermann se opôs a ambos, de acordo com pessoas familiarizadas com a decisão. Ele preferiu o que ele chamou de “crescimento com qualidade”. “Há uma taxa natural na qual você pode escalar uma empresa que seja saudável”, disse Silbermann. Então Pinterest ficou com o seu tricô.

Ritmo.  Investidores e ex-executivos dizem que o Pinterest se recuperou no ano passado sob o comando de uma nova diretora de operações, Françoise Brougher, e um novo chefe de vendas, Jon Kaplan, ambos ex-funcionários do Google.

Os fundadores do Pinterest “têm esse olhar em seus olhos como se isso estivesse funcionando agora”, disse Belsky, o primeiro investidor.

A empresa está até tentando inflar um pouco seu perfil, contratando um novo diretor de marketing e elaborando um novo plano para enfatizar os benefícios do serviço. Brougher disse que ela, como Silbermann, prefere prometer menos e fazer mais. “Mas isso nem sempre funciona bem no mundo da tecnologia”, disse ela.

Silbermann disse: “Na tecnologia, as pessoas são muito, muito rápidas em declarar algo vencedor ou perdedor, como ‘Isso nunca funcionará’ ou ‘Isso vai dominar o mundo’. A verdade está sempre em algum lugar no meio.” / Tradução de Claudia Bozzo

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